Todos os mil motivos para tudo dar errado

1 Chiclete de melancia e loira do banheiro


Notas iniciais
Hellooooo pessoas!! Eu ainda vou mudar a capa, Ok? Espero que gostem!

Sinceramente eu acho que não foi a melhor idéia ter pego um vôo adiantado. Bem, a essa hora eu poderia estar dormindo sonhando que o Peter pan veio me levar pra terra do nunca, ou que eu estou em uma cidade feita de sorvete, chocolate e doces. Mas não, eu estou aqui sentada no aeroporto esperando a chamada do próximo vôo pra Inglaterra. Isso não é o pior, quer dizer, isso não é ruim, ir pra Londre sempre foi o meu sonho, mas ter que deixar o meu pai foi o pior de tudo, ainda mais que hoje de manhã ele não estava se sentindo bem.
Nesse momento eu estou me sentindo extremamente desconfortável com o garoto que está sentado à dois bancos de mim. Ele não para de me encarar e a única coisa que eu quero é que:
1) Ele vá embora e eu possa ficar aqui viajando na batatinha sem me preocupar se tem alguem me observando.

2) Que caia um cometa na terra e atinja ou a ele, ou a mim.

3) Que o Peter Pan venha finalmente me levar pra terra do nunca.

4) Que a tiazinha fofoqueira que estava a sinco segundos atras falando mal de uma tal dona Creide lá da rua dela, volte a dormir e Babe em cima dele.

Que droga, será que tem alguma coisa na minha cara? Eu coloquei a minha blusa ao contrário de novo? Será que eu tô com remela? Eca. Tomara que não, eu odeio remela e me lembro muito bem de ter lavado o rosto hoje de manhã.

Ouvi a chamada para o meu vôo e entrei em desespero quando não achei a minha passagem. Ah meu deus, será que ela caiu dentro da privada quando eu estava no banheiro?? Não, não. Não tem como, afinal eu fui só lavar a mão.
Eu realmente acho, ou melhor, tenho certeza, que eu não sou madura o suficiente para morar sozinha, principalmente em outro país e longe do meu pai, por que se meu pai estivesse qui ele estaria rindo de mim, e eu não estaria tão tensa, com vontade de largar tudo e sair correndo.

Finalmente achei minha passagem, e me senti a pessoa mais burra do mundo ao ver que ela estava no bolso da minha blusa.
Ok. Respira. Esta tudo bem, você consegue fazer isso. Já tem 18 anos e tem que ser responsável a partir de agora, seu futuro depende disso.

Contei ate três enquanto pegava minhas malas e entrava no avião. Mas o problema foi que assim que entrei nele, senti uma sensação estranha, ruim.

Sentei em meu lugar, o garoto que estava me encarando por sorte não estava nesse voo,o que me deixou Feliz, já que assim eu poderia dormir tranquila sem me preocupar se tinha alguem me observando.

Peguei meu celular, coloque o fone de ouvido e pus uma música enquanto eu abria o bloco de notas e desabava escrevendo tudo o que eu tinha o direito de escrever, inclusive tudo o que avia acontecido aqui. Assim talvez uma dia quando ler irei rir de mim mesma, ou talvez chorar. Eu prefiro a primeira opção.
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— Agora minha filha, você acha que pode a menina casar com vinte anos de idade sem terminar os estudos? Ah, mas eu falei tudo pra dona crosvada!!! Falei tudo, meti a boca no trambone!!- Falou a tiazinha pela nona vez no meu ouvido.

Eu estava sinceramente pensando em me jogar pela janela, ou enfiar uma rosquinha pela garganta dela. Talvez isso fizesse ela calar a boca. Talvez.
Percebi que não devia NUNCA mais desejar nada de ruim pra ninguém, por que essa era a mesma tiazinha que eu disse que deveria babar no tal garoto que estava me encarando. E agora ela estava fazendo o que???? Quase me deixando surda, ou louca, eu ainda não decidi um adjetivo que se encaixe.

Falando em adjetivos, será que eu vou conseguir dar um para a cidade quando eu chegar? Será que eu vou me perder? Aí meu deus tomara que não, eu sempre me perco e isso não é legal.
Como as pessoas vão me receber? A moça do prédio é legal? E a faculdade? Será que eu vou me inturmar?
Ah minha Santa mariquinha!! Eu ainda tenho que ver o meu trabalho!!
Enviei currículos pela Internet para vários e vários lugares, preciso pagar o aluguel e comprar as minhas coisas! Não posso ficar só dependendo do dinheiro do meu pai.

Dei um pulo na cadeira quando a tiazinha ao meu lado soltou um espirro tão alto que fez meu coração dar voltas. Jesus, o que há com essa mulher?

Já faziam horas que eu estava no avião, já tinha dormido, escrito, ouvido musica, dormido, comido, escrito de novo, dormido enquanto ouvia música, comido de novo, dormido, escrito e por fim dormido mais uma vez! Até que acordei com a tiazinha me cutucando por que queria levantar pra ir ao banheiro.
Aí ela começou a falar e não parou até agora!

Senti minha cadeira do avião ir pra frente com tudo me fazendo cair de cara no bolo de chocolate que estava comendo e o copo de refrigerante virou, molhando a mim, a tiazinha tagarela, e ainda por cima o chão.

Mas que merda é essa? Quem foi o demente que chutou o meu banco? Será que eu tô cega? Aí meu pai por que tá tudo escuro? Que voz é essa no meu ouvido? É Jesus me dizendo que eu tô morrendo? Eu não quero morrer!

— Ah mas que merda viu menina! Olha só, você me molhou toda! Minha filha você tem que ser menos desastrada! Presta atenção!
Coloquei a mão no rosto e percebi que o que estava me deixando cega era que tinha chocolate nos meus olhos.
Tem chocolate nos meus olhos e na minha cara toda.
Tateei a minha bolsa com a mão e peguei lá de dentro um lenço para limpar meu rosto, não estava completamente limpo, mas tudo bem, eu iria lavar no banheiro.

Estava tão concentrada que nem ouvi a risada alta atrás de mim, no banco de trás. Me virei e vi um garotinho que devia ter no máximo 10 anos rindo da minha cara.
Ele chutou o banco mais uma vez.

— Ei, seu pestinha! Para de chutar o meu banco!- falei irritada.
— Não.- Ele disse rindo e chutou mais um vez!
O sangue me subiu a cabeça.
— Escuta aqui seu pirralho, se você não para eu vou chamar a sua mãe!
Como uma mãe podia deixar o filho sentado aqui sozinho e sair? Ainda mais sabendo que ele é um demôniozinho em pessoa.
— Se você falar eu coloco chiclete no seu cabelo!- mostrou a língua enquanto ria.
— Você não vai grudar chiclete no meu cabelo, você nem tem chiclete!
Me arrependi profundamente de ter dito isso quando o menino apareceu com um chiclete gosmento erguido no ar e um olhar maligno.
Arregalei os olhos e tentei levantar, mas o garotinho se ergueu no banco e grudou um chiclete sabor melancia na minha cabeça. Que droga!
— Seu muleque nojento! Eu vou jogar você pela janela!- gritei irritada.
Foi só depois que eu fui perceber o olhar de pelo menos metade dos passageiros sobre mim.
Senti meu rosto queimar e me sentei no banco.
Que ótimo! Agora todos pensavam que eu estava maltratando aquela peste! Eu queria era gritar pra todos mundo que ele tinha grudado chiclete no meu cabelo!!!!
Levantei do banco e fui para o banheiro.
Puta merda!
Eu estava com olheiras, a pele pálida completamente suja de bolo de chocolate no rosto inteiro, os olhos azuis vermelhos e ainda por cima meu cabelo estava em um estado de canalidade profunda!
Lavei o rosto, passei as mãos pelo cabelo que era loiro até os meus 12 anos, mas agora estava um castanho claro meio mel.
Mesmo lavando o rosto eu ainda estava muito pálida, precisava de uma cor.
Mordi meus lábios diversas vezes para faze-los ficarem mais vermelhos e bilisquei minhas bochechas fazendo com que ficassem mais coradas. Apesar de que elas já são rosa naturalmente. Isso resultou em um ensino médio quase inteiro sendo chamada de Peppa pig.
Demorei mais meia hora tentando arrancar o chiclete do meu cabelo e graças a tudo que é mais sagrado ele saiu.
Sai da cabine e me sentei no banco, ignorando o menino chato e a tiazinha. Fechei os olhos e voltei a dormir. Não é exagero dizer que eu dormi a viagem inteira.

Acordei com a aeromoça me sacudindo. Levantei e peguei minha mala, saindo do avião e dando adeus a tia chata e ao garoto demônio.
Parecia que meu estomago ia sair pela boca.
Eu estou no aeroporto de Londres!!!!
Assim que coloquei meus pés pra fora do avião e entrei no aeroporto, fui em direção a área de comidas em uma padaria que vendia pães de queijo.
Comprei um saco cheio e comecei a comer enquanto pegava o celular para ligar para um táxi.
Confesso que não estava dando muito certo comer e falar no celular enquanto tentava segurar as malas.
Antes de sequer começar a discar o número o celular começou a tocar em um número desconhecido, senti os olhares virarem pra mim quando a música da galinha pintadinha começou a tocar.
Eu vou matar o Josh!
Não acredito que ele fez isso de novo, quando voltar para Curitiba vou dar na cara dele!
Atendi o celular enquanto sentia meu sangue subir todo pro meu rosto.
— Alô?’- falei comendo mais um pão de queijo.
Ouvi uma voz desconhecida.
— Você é a senhorita Clarice Amanda Tartaguilhone Johnson?
Senti vontade de xingar ou simplismente chorar. Que merda, por que meus pais tinham que me dar um nome tão estranho? O que tem a ver Clarice com Amanda?? E Tartaguilhone? Parece tartaruga. Mas eu não posso reclamar, afinal é o sobrenome do meu pai. Já o “ Johnson “ que é o mais chique é o da minha mãe, mas eu não ligaria de não ter o nome dela no meu RG, afinal, ela se separou do meu pai a cinco anos e nunca mais deu notícias, soube que ela ficou famosa por alguma coisa, mas não me importo em saber o por que.
— Sim, por que? – perguntei e só depois fui perceber que estava de boca cheia.
Droga!
— A senhorita está sentada?
Por que ele tá me perguntando isso?
— Não, por que?
— Preciso que a senhorita se sente em algum lugar.
Olhei em volta, tinha um banco mas estava muito longe, ia dar um trabalho do caramba ir sentar lá.
— Já me sentei!- Menti.
Ele não vai saber mesmo.
— Senhorita, nos sabemos que você já deve estar em Londres uma hora dessas, mas temos que lhe informar que seu pai sofreu uma parada cardíaca e está no hospital em estado grave....
Senti meu coração parar e engasguei com o pão de queijo. Me arrependi infinitamente de não ter me sentado quando comecei a ficar tonta. Meu estomago embrulho e tive certeza que estava vermelha.
O Policial continuou:
— No momento ele está em uma cirurgia. Eu preciso que fique calma e respire fundo. Sabemos que você está em outro país e que não vai poder voltar, mas nós ligaremos para a senhorita assim que a cirurgia acabar.
Não. Não. Não.
Isso não está acontecendo. Eu preciso voltar AGORA.
Eu tenho que ver o meu pai. É isso. Vou voltar hoje mesmo.
Deixei o saco de pão de queijo cair no chão e corri para comprar uma passagem de volta enquanto desligava o celular na cara do moço e deixava todas as minhas malas lá.
Foi aí que eu lembrei que não tinha dinheiro. Meu único dinheiro era o que meu pai tinha me dado para comer, pagar o táxi e fazer compras no mercado. O meu eu já havia usado todo pra pagar o aluguel do apartamento e ainda precisei da ajuda do meu pai.
Será que se a moça for boazinha ela troca bala de menta por uma passagem pro Brasil?
Ah, óbvio que não! Por que eu tô pensando nisso? É um pensamento tão idiota.
Minha visão começou a ficar ofuscada e quando fui ver já estava chorando como uma criança que se perde da mãe no mercado.
Como eu conseguiria me manter viva sozinha se não conseguia nem manter a calma? Nem ao menos impedir que um garoto de 10 anos grude chiclete no meu cabelo?
Vi que as pessoas ao redor estavam me encarando, umas de rabo de olho, outras com dó, e algumas como se eu fosse loca.
E o que foi que eu fiz?
Não. Eu não enxuguei as lágrimas e manti a calma.
Eu chorei ainda mais e entrei em desespero enquanto arrastava minhas malas para o banheiro feminino e me trancava dentro de uma das cabines junto com elas.
Encostei na porta e chorei como se o mundo tivesse acabando.
Como se um bando de ratos zumbi estivessem dominado o mundo.
Chorei tanto que perdi a noção do tempo, e quando fui ver as luzes do banheiro já estavam apagadas e o segurança estava trancando a porta.
Era isso.
Eu estava presa no aeroporto de Londres. Trancada do banheiro feminino.
Meu Deus! Como eu posso ser tão irresponsável?
Bem, eu já estou trancada aqui mesmo.
Bati a cabeça na porta da cabine que estava encostada e enquanto murmurava várias vezes “ Merda”, eu sabia que na verdade estava era morrendo de medo da loira do banheiro aparecer e me matar afogada com a cabeça na privada.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.