Todos eles estão certos.

1 Capítulo Poético. — Que ladrões!


Ei, lembra-se de quando éramos livres?

Quando as correntes da obrigação não nos conheciam?

Eram tempos tão bons

Eram tempos tão bons...

E quando tínhamos tempo pra sonhar?

Os agradáveis ventos da imaginação tiravam o calor que era viver na solidão.

Criávamos subúrbios, lugares onde tudo poderia acontecer inclusive, a bela manifestação que era ser herói.

Piratas bons e maus, amigos que escondiam segredos, corsários, sereias, traficantes, líderes de gangues eram nossos personagens favoritos.

Esquecíamos do nosso mundo, na verdade, fazíamos que nosso mundo imaginário se mesclasse e os dois mundos se tornassem uma coisa só.

Lembra-se quando nós não precisávamos saber de tudo?

Lembra-se quando tudo parecia mágica?

Lembra-se quando as explicações não eram tão necessárias?

O que aconteceu, meu Deus?

O que aconteceu com esses tempos tão bons?

Por que nunca me avisaram que eles passariam como o vento?

Talvez eles nos amassem tanto que não queriam nos assustar. Mas eu estou tão assutado!

O mundo real me dá medo!

Eles me ordenam, moldam como se eu fosse um pedaço de barro

Mãe, por que deixa eles fazerem isso?

Por que eles me ensinam essas coisas?

Elas estavam boas no início.

As usava o tempo inteiro.

Mas agora elas parecem tão inúteis!

Pai, por que deixa eles fazerem isso?

Eles levaram meus coelhos de pelúcia, meus brinquedos, até mesmo minha autoestima!

Que ladrões!

Mas sabe, eles dizem que é pro meu bem. Não sei que bem é esse, mas prefiro acreditar neles. Mãe e pai dizem que eles estão certos.

Talvez esse seja o problema.

Todos eles estão certos.

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