Notas iniciais
Espero que gostem! Capa por: clara_m do Spirit Fanfics

Ochaco on.

Era uma manhã de domingo, faltavam seis dias para o Natal. Nessa época do ano aqui em Musutafu, a cidade fica coberta pela neve. Essa é uma das épocas que mais amo durante o ano. Do céu caem flocos brancos tão delicados e detalhados quanto uma pétala de flor, as casas se enfeitam com os pisca-piscas e pinheirinhos coloridos, vejo as crianças correndo pela rua enquanto brincam de guerra de bola de neve. Porém, esse ano as coisas estão diferentes… Devido a um surto de gripe que se espalhou pelo mundo, nós temos que andar de máscaras pela rua e sempre lembrar de passar álcool gel nas mãos. Mas, isso não impediu que o Natal fosse cancelado. Levanto-me da cama e seguindo para o banheiro faço as minhas higienes. Logo ao sair, procuro o meu vestido de Natal que era vermelho de mangas compridas, um cinto preto na cintura e com plumas brancas de algodão nos pulsos, na gola do vestido e na saia.

Como estava frio, coloco uma legue preta por baixo do vestido, coloco a touca de Noel e as botas pretas. Com o look terminado, pego a minha máscara, a carta de Natal e saio do meu quarto seguindo para a sala do dormitório da U.A onde haviam colocado um grande pinheiro todo enfeitado com laços, flocos de neve artificial, plumas e outros enfeites. De baixo da árvore havia um pote vermelho com desenhos de renas onde podíamos colocar as cartas, me abaixo e coloco a minha lá dentro. Quando ia me levantar, sinto alguém se aproximar atrás de mim. Vejo pelo canto dos olhos os fios bicolores tão conhecidos. Todoroki faz o mesmo que eu pondo uma carta no pote.

— Bom dia Uraraka-san.

— Todoroki-kun bom dia! — Digo sorrindo. — A Mina já te contou a ideia que ela teve para o Natal? — Pergunto.

— Está falando da arrecadação de roupas e brinquedos para doação?

— Ah, pelo visto ela já te contou. — Shoto assente.

— A Fuyumi separou algumas roupas antigas minhas e eu já entreguei para a direção.

— Que legal! Hum… Por acaso você viu onde o Izuku-kun está? Fiquei sabendo que amanhã ele vai viajar com a mãe dele, então queria entregar o meu presente hoje…

Todoroki pensa e diz:

— Ele saiu não faz muito tempo com a Tsuyu e seguiram para um parque.

— Ah, entendo… — Digo compreensiva, Todoroki me observa curioso. Por que o Izuku-kun iria sair com a Tsuyu-chan logo cedo? Justo hoje que eu finalmente havia tomado coragem para me declarar ao Midoriya… Não entendo, por que sinto o meu peito se apertar? Algo me diz para segui-los. Decidida, eu me despeço do Shoto. — Ah! Lembrei que preciso resolver uma coisa, até depois Todoroki-kun.

Sigo para fora dos dormitórios andando tranquilamente e me aproximando da entrada da Heights Alliance saio do colégio a procura dos dois. Sei que não é permitido utilizar a quirk fora da U.A sem ter uma licença, mas esse é um caso importante, ativo a gravidade zero nas minhas roupas e sigo para o parque mais próximo daqui. Chegando no parque, desativo a gravidade e sinto meu estômago embrulhar, respiro fundo e caminho entre as árvores a procura dos esverdeados. Após alguns minutos, avisto um lago congelado onde haviam algumas pessoas patinando. Eu poderia convidar as meninas para vir aqui outro dia, estava quase me virando para sair quando noto que perto do lago, Tsuyu e Midoriya estavam sentados em um banco enquanto conversavam. Asui-chan que estava enrolada num cobertor para se aquecer do frio, tira de sua bolsa um pacote de embrulho verde com fitas douradas e entrega para o Izuku.

— M-Midoriya, por favor aceite esse presente de Natal, kero, preparei ele com muito carinho para você.

— T-Tsuyu-chan, não p-precisava. — Midoriya diz gaguejando e sorri, ele abre o presente cujo era um cachecol verde escuro e diz. — Obrigado. — Izuku nota que a esverdeada parecia inquieta. — Está tudo bem Tsuyu?

— Eu… Midoriya, não lhe convidei aqui no parque apenas para lhe entregar esse presente. — Tsuyu diz. — Há uma coisa que tenho de lhe contar…

Curioso, Izuku pergunta o que ela queria falar e em um movimento rápido, Asui puxa o esverdeado para um beijo. Arregalo os olhos com a cena a frente, Izuku ficara surpreso com sua atitude, porém ele retribui o beijo. Sinto as lágrimas se acumularem em meu rosto e caírem na neve. Como ela pôde? Tsuyu sabia dos meus sentimentos pelo Izuku... Não entendo, por que ela fez isso? Semana passada havia contado para as meninas que finalmente iria dizer o que sinto a ele, a Tsuyu até me apoiou. Com o choque derrubo o presente na calçada, os dois param de se beijar e Midoriya nota a minha presença ao olhar para as árvores.

— Uraraka-san? — Soluçando observo os dois e viro-me correndo para longe deles. Escuto Midoriya gritar. — Uraraka espere!!

Não dou ouvidos ao Midoriya e volto para a U.A. Pensei que a Tsuyu fosse a minha amiga, por que ela nunca me contou que gostava do Izuku? Sem perceber, já me encontrava dentro do dormitório, passo pela sala de estar olhando para o chão, ato que me fez colidir com alguém e me desequilibrar, porém sinto mãos firmes me segurarem. Olho para cima e dou de cara com o bicolor, sem pensar direito o abraço pela cintura enquanto as lágrimas escorriam. Shoto que não estava entendendo nada pergunta:

— Uraraka-san, por que está chorando?

— O… D-Deku, ele… — Respiro fundo e prossigo. — Encontrei ele e a Tsuyu juntos, vi eles se beijando… Tsuyu sabia dos meus sentimentos pelo Izuku e mesmo assim...

Não consigo terminar de falar pois as lágrimas impediam-me, Shoto retribui o abraço e afaga os meus cabelos.

— Sinto muito. — Ele diz.

Shoto on.

Por algum motivo, ver a Uraraka naquele estado me afetou. Ela é uma grande amiga e após saber o motivo de suas lágrimas, pensei em fazer algo para anima-la.

— Uraraka, você quer... — Do que a Ochaco gosta? Mochis? — Você quer comer Mochis? — A castanha para de chorar e me observa. — Nós podemos sair do dormitório e ir para algum lugar e se você quiser, podemos convidar um de nossos amigos…

— É gentil de sua parte Shoto. — Ochaco diz. — Hum… Vamos no shopping? Lá foi montado uma pista de patinação recentemente.

— Tudo bem, te encontro daqui a trinta minutos, pode ser? — Ela assente e segue para o seu quarto.

{...}

Depois de me arrumar e colocar a máscara, encontro a Ochaco na sala e seguimos para o Shopping. Ficamos em silêncio boa parte do percurso e ao chegar no local, Ochaco segura no meu braço direito me puxando para a área de patinação. Colocamos os patins e deslizando em círculos pela pista formamos algumas acrobacias, resultando em muitos tombos, fato que fez a castanha rir, sorrio com esse pensamento. Depois olhamos as lojas e comprei alguns presentes para os meus irmãos, observo de longe a Uraraka que olhava uma vitrine e resolvo comprar um presente para ela. Noto um Action Figure de uma edição rara do herói treze, a Ochaco é uma grande fã dele e tenho certeza que ela iria gostar. Pego o bonequinho e coloco na cesta de compras. Antes de seguir para o caixa, peço para embrulharem o presente dela e reencontro a castanha fora da loja. Já na praça de alimentação, compro uma porção de soba frio e a Ochaco compra cinco Mochis, nos sentamos em uma das mesas a disposição e almoçamos.

Ochaco on.

Shoto-kun estava sendo tão gentil comigo hoje, agora entendo o porquê de a Yaoyorozu ter uma admiração por ele, além de lindo ele é uma pessoa de bom coração. Graças a sua ideia de sair, eu já me sinto melhor, nós resolvemos voltar para a U.A e no meio do caminho paramos em um parque. Sento-me num balanço e o Shoto se escora na barra de ferro. Observo as crianças jogando neve umas nas outras até que tenho uma ideia. Shoto parecia estar distraído, então eu formei uma bola de neve nas mãos e atiro nas roupas dele. Shoto arregala os olhos e me observa enquanto dou um sorriso travesso.

— Você quer brincar na neve?

— Pode ser. — Diz Shoto. Nós dois formamos duas barreiras de neve em cada lado do parquinho. As crianças que ali estavam, nos viram e pediram para participar da brincadeira, então formamos dois times, a brincadeira terminava quando um time conseguisse derrubar a barreira do outro. Eu tento acertar a neve no Shoto, porém ele desvia, ficamos jogando por alguns minutos e cada vez mais o time do Shoto parecia estar perto de derrubar a nossa fortaleza.

— Ei, Kagami! — Chamo uma menina ruiva de marias chiquinhas. — Fique de olho na fortaleza, eu vou tentar me aproximar deles.

— Entendido Uravity. — Ela sorri.

Shoto vê eu saindo da fortaleza e começa a atirar em mim, desvio das bolas e pegando um pouco de neve do chão consigo atirar numa das crianças que estavam ao lado dele.

— Um ponto para meu time! — Mostro a língua para o Shoto.

— Ainda está longe de nos vencer. — Diz o bicolor. — Cinco a um, será difícil para você chegar a dez pontos.

— Isso é o que iremos ver. — Sem que o Shoto perceba, ativo a gravidade nas bolas de neve e consigo derrotar o time dele. — Vitória! O que disse antes Shoto?

— Não vale, você trapaceou. — Um garoto fala.

— Não sei do que está falando. — Me faço de desentendida. — Já que nós vencemos, vamos querer um prêmio.

Me junto as crianças formando uma rodinha para decidir, após todos concordarem, a Kagami fala:

— O tio Shoto pode comprar uns doces? Vamos dividir com todos. — Ele assente e segue até uma loja voltando com uma sacola cheia de guloseimas. Dividimos para cada um e depois nos despedimos deles.

De volta a U.A encontramos as meninas na sala assistindo um filme. Mina nota que estávamos lado a lado e pergunta:

— Onde vocês dois estavam? A Tsuyu me ligou perguntando de você, Ochaco. Estou por fora de algum assunto?

— Vou me retirar. — Shoto fala me encarando. — Espero que esteja melhor.

— Estou sim, obrigada Shoto-kun! — Sorrio para ele e vejo-o se afastar. Olho para as meninas que me olhavam curiosas

— Uraraka-chan, o que está rolando entre você e o Shoto? — Mina pergunta. Arregalo os olhos com sua pergunta e nego com a cabeça.

— N-Não tem nada rolando entre a gente, de onde tiraram essa ideia? — Pergunto corada.

— De onde? Vocês dois chegaram juntos. — Toru diz.

— Isso não quer dizer que nós…

— Então você não sente nada pelo Todoroki? — Yaoyorozu pergunta.

— Querem parar de fazer perguntas sem cabimento? — Pergunto constrangida. — Voltando ao assunto anterior… Hoje de manhã, vi a Asui beijando o Midoriya… — Ao me lembrar daquela cena, involuntariamente as lágrimas voltam a cair.

— O que? — As meninas gritam em uníssono e me abraçam me confortando.

— Não acredito que a Tsuyu fez isso... — Toru diz. Foi só falar nela que nós ouvimos a porta da sala abrir revelando os dois esverdeados. — Olha só quem apareceu…

— Ochaco-chan, finalmente te encontramos, Kero, precisamos conversar.

Olho para a Tsuyu e digo:

— Não temos nada para conversar, você deixou bem claro lá no parque e quer saber… Vocês dois se merecem.

— Uraraka-san, a Asui me contou sobre os seus sentimentos por mim logo depois de você sair correndo. — Izuku diz. — Não fazia ideia, me desculpe.

— Você não tem que se desculpar, kero. — Tsuyu fala. — Sou a única culpada aqui, Ochaco, peço desculpas por não ter lhe contado antes que também gostava do Izuku, eu só não queria mais guardar esses sentimentos e ver você perto dele machucava, por isso me declarei.

— Isso não justifica o seu ato, me apoiou esse tempo todo só para depois me passar a perna? Você queria me ver sofrer? Que tipo de amiga você é?

Shoto desce as escadas e notando a cena ele se aproxima de mim, Tsuyu ficando sem palavras segue para seu quarto. Midoriya me olha com um olhar perdido e segue atrás de Tsuyu, suspiro.

Noel on.

Faltando seis dias para o Natal, estava pensando em revisar a lista de pedidos das crianças e olhar como andava a produção de brinquedos, porém, ao me levantar da cama sinto-me fraco. Um dos duendes bate na porta e digo para entrar.

— Entre, atchim!! — O duende me olha preocupado, será que estou doente?

— Senhor, você está se sentindo bem?

— Ho, ho, ho, parece que peguei um resfriado… Aliás, Soluço você tem um irmão gêmeo? Quem é esse do seu lado?

O duende fala:

— O senhor está vendo dobrado, irei medir a sua temperatura. — Ele tira do bolso um termômetro e olha a garganta do velhinho. — Como eu suspeitava, parece que o Natal terá que ser cancelado, quem diria que o surto de gripe chegou no Polo Norte, o que será das crianças esse ano?

— Não podemos cancelar essa data tão importante depois de todo o nosso trabalho…

— Então o que o senhor fará papai Noel?

— Terei que quebrar uma das nossas regras, a número cento e um.

— O senhor vai contratar outros duendes? Mas você sabe que os humanos não podem vir aqui por motivos de segurança! Alguns deles estão na lista negra e podem fazer algo que prejudique o Natal.

— Sei disso, atchim! — O duende me entrega um lenço. — É por isso que vamos contratar as duas crianças mais comportadas do ano para nos ajudar, por favor, poderia buscar a lista?

— Sim senhor! — O duende sai do meu quarto e minutos depois ele volta com o a lista que era um grande pergaminho mágico e me entrega, ajeito o meu óculos e procuro os nomes.

— Vejamos, os primeiros da lista são… Uraraka Ochaco e Todoroki Shoto, eles vivem em Musutafu. Ho, ho, já temos nossos duendes para nos ajudar! Prepare o trenó de emergência e avise ao Cometa e o Trovão que hoje a noite você fará uma visita a eles.

Ochaco on.

Depois que eles saíram, viro-me para o Shoto e enfim permito-me chorar. Estava para seguir até o quarto, porém Shoto segura em meu ombro e fala:

— Você quer que eu te acompanhe?

— Obrigada. — Sorrio ao bicolor.

Seguimos para o meu quarto e peço para ele entrar. Ligo a televisão e coloco num canal qualquer onde passava um filme cujo me identifiquei com a personagem, no meio do filme estava começando a ficar com sono e bocejo. Shoto me olha e pergunta:

— Você quer ir dormir? Eu posso me retirar. — Ele se levanta, mas por reflexo seguro em seu braço.

— Por favor fique, ao menos essa noite não quero ficar sozinha. — Encaro o chão envergonhada.

Shoto olha em meus olhos e diz:

— Tudo bem, eu durmo no chão, irei buscar meu travesseiro e um cobertor. — Shoto traz três cobertores para fazer como cama e se deita cobrindo-se. — Boa noite Ura… Ochaco, durma bem.

— Boa noite, você também. — Apago as luzes do quarto e deito-me na cama caindo no sono em seguida.

{…}

Noel on.

Observo o relógio e vejo que já era meia noite, chamo o supervisor dos duendes e peço para ele convidar as crianças. O duende segue para a garagem e monta no trenó enquanto os outros duendes abriam a grande porta de madeira.

— Estão prontos Trovão e Cometa? — Pergunta o Soluço?

— Estou pronto! — Cometa fala.

— Eu também. — Responde Trovão. Assim que a porta se abre por completo, eles correm pegando impulso e voam no ar.

Shoto on.

Estava dormindo tranquilamente, quando escuto um barulho no vidro da janela. Esfrego os olhos e sonolento vejo a janela aberta, a Ochaco esqueceu de a fechar? Me levanto no escuro e sigo até ela para trancar, mas no meio do caminho trombo em alguma coisa falante.

— Ai, de onde surgiu essa parede? — Escuto uma voz fina e entro em modo de defesa. Ligo as luzes do quarto, ato que acordou a castanha e viro-me para a voz notando um anão no meio do quarto, um invasor?

— O que está acontecendo? — Ochaco pergunta ao notar o anão.

— Por favor mantenham a calma, não sou nenhum inimigo. — Ele diz. — Vim fazer uma proposta para vocês a pedido do Papai Noel.

Ao ouvir o que ele disse, Ochaco começa a rir e eu me aproximo dela na intenção de a proteger, isso só pode ser uma piada.

— Ah claro, e eu sou o coelhinho da Páscoa. — Respondo. — Se não quiser problemas com os heróis sugiro que se retire imediatamente.

— Mas estou falando a verdade e posso provar, Trovão e Cometa digam oi para eles. — Noto que fora da janela haviam duas renas, mas estamos no segundo andar, como elas… Minhas dúvidas são respondidas ao ouvi-las.

— Boa noite crianças. — Cometa fala. Nós ficamos surpresos ao ouvir a rena falar. — Acreditam nele agora? — Assentimos surpresos.

— Enfim, a proposta que vim fazer é a pedido do Papai Noel, ele quer contratar dois duendes para entregar os presentes para as crianças do mundo nesse Natal pois ele ficou doente e não queremos cancelar o Natal, vocês topam nos ajudar?

— O que aconteceu com ele? — Ochaco pergunta. — Não acredito, a lenda dele é verdadeira! Claro que ajudo!! Que tipo de heroína eu seria se não ajudasse? O que me diz Shoto?

— Por mim tudo bem. — A respondo.

— O Noel ficou resfriado, aquele surto de gripe chegou no Polo Norte.

— Entendo, quando começamos? — Ela pergunta empolgada.

— Hoje mesmo, temos menos de uma semana para treinar vocês a andar de trenó.

Subimos no trenó, sentamos nos bancos de trás colocando o cinto e encaramos o duende que fala:

— Segurem-se firme durante a viagem de trenó, pois será como se estivessem numa montanha russa super rápida. — Assim que ele terminou de falar, as renas dispararam numa velocidade tão imensa cujo supera o nível do Lida e ambos não seguramos nossos gritos.

— Aaaaah!! — Gritamos surpresos.

Ochaco on.

A viagem até o Polo Norte levou menos de dez minutos, quando o trenó começou a perder velocidade, percebo que estava nevando e olho ao redor. A nossa frente vejo uma grande construção com chaminés, deve ser a fábrica de brinquedos! Olho mais a frente e vejo um celeiro que tinha pisca-piscas no teto e alguns pinheiros ao redor onde noto algumas renas cochilando. A esquerda, vejo uma pequena vila toda enfeitada com decorações natalinas onde pequenos duendes cantavam e dançavam alegremente. Seguimos para a direita e vejo uma casa de três andares feita de tijolos, as renas pousam na neve a frente da casa e o Shoto levanta-se e desce do trenó. Ele estende a sua mão para me ajudar a descer e o agradeço. Seguimos o duende até a porta e ele dá passagem para entrarmos. Ele ao notar que estávamos tremendo de frio, chama outro duende pedindo para nos entregar roupas quentes e pede para o seguirmos. Chegando frente a uma porta com enfeite de pirulito listrado, ele bate na madeira e minutos depois a porta se abre revelando um senhor moreno com uma grande barba branca que estava usando uma máscara vermelha.

— Ho, ho, ho! Sejam bem-vindos crianças, por favor entrem. — Um elfo de touca verde surge e nos entrega um conjunto de roupas e agradecemos. — Creio que o Soluço já deve ter explicado a situação. — Assentimos e ele continua. — Não poderei ficar aqui por muito tempo, pois a minha esposa está preocupada com a minha saúde, então o Soluço será o guia de vocês durante essa semana. Para os seus amigos e familiares não notarem os seus sumiços, nós providenciaremos clones para ficar no lugar de vocês. Devem estar cansados, certo? — Assentimos. — Soluço, leve-os até o quarto de visitas, boa noite!

— Tchau Papai Noel! — Digo empolgada. Chegando no quarto de hóspedes, notamos que o ambiente tinha uma lareira rústica onde o fogo crepitava. Num lado da parede, havia uma porta de vidro grande coberta por uma cortina marrom cujo levava para a sacada. As paredes eram de tom cor de pele, no chão havia um grande tapete marrom peluciado e duas camas de solteiro ficavam lado a lado. Também havia um guarda-roupa e uma mesinha pequena ao lado da porta da entrada. Cansados, nos deitamos nas camas e dormimos.

No dia seguinte, somos acordados por um dos duendes:

— Bom dia dorminhocos! É hora de levantar, vistam-se, estarei aguardando aqui fora.

Me espreguiço e pegando uma muda de roupa, sigo para o banheiro e me troco, depois de pronta eu pergunto ao Todoroki:

— Shoto, você já se trocou?

— Sim, pode vir. — Após a confirmação, saio do banheiro e acompanhamos o duende até uma sala de jantar onde nos deparamos com a esposa do Noel.

— Bom dia crianças, dormiram bem?

— Sim. — Falamos em uníssono. Tomamos o café da manhã e agradecemos pela comida. O Soluço surge e nos leva para a área de treino de voo, uma pista grande de cimento que nem aquelas de avião dos aeroportos.

— A primeira lição do dia será treinar a andar de trenó, basicamente é como andar a cavalo e as renas que farão o voo, mas vocês precisam aprender a guiar elas pelo céu. — Soluço entra no trenó sentando-se no banco do piloto e pede para sentarmos do seu lado.

No primeiro dia o Shoto aprendeu a manobrar o trenó com todas as renas reunidas, ele foi o escolhido para pilotar enquanto eu fiquei com o papel de entregar os presentes. No segundo dia, treinamos como entrar nas casas pela chaminé e não ser visto pelos adultos, confesso que essa parte foi divertida, afinal fomos treinar numa área simulada que me lembrou da U.A.

Durante o treinamento, escalei com uma corda a chaminé artificial e pulei no chão entrando na casa que estava com as luzes apagadas, Shoto desce com a sacola provisória e me entrega.

— Obrigada Shoto. — Sussurro. Entro nas pontas dos pés para não acordar os duendes que estavam fazendo o papel dos civis e sigo para a sala, porém não percebo que o Shoto vinha atrás de mim e quando piso em falso num brinquedo que estava no chão, acabo por tropeçar caindo para trás em cima do Shoto. — Ai! — A simulação é parada e ao me virar para levantar observo o bicolor e coro com a nossa proximidade.

— Você está bem? — Ele pergunta se sentando, ato que me fez ficar em seu colo. Shoto encosta sua mão no meu rosto procurando se eu tinha arranhões e suspira, aceno positivamente. Seus olhos bicolores eram tão profundos como o fundo do mar, carregavam um ar sério e ao mesmo tempo preocupados e gentis, que sensação é essa que sinto em meu estômago de repente? Fome não é, disso tenho certeza. Era uma sensação inexplicável, de tanto o encarar, sinto o meu rosto esquentar e acordo para a realidade levantando-me rapidamente. Ochaco foco no treinamento! O que era aquilo que senti? Volto a fazer o exercício enquanto a minha mente não parava de pensar na cena de agora a pouco.

Shoto on.

Quando Uraraka caiu em cima de mim, ficamos nos encarando por um tempo. Pergunto se ela estava se sentindo bem e automaticamente verifico se ela estava machucada, por sorte a castanha estava bem, observo-a e noto sua face corada, seus fios de cabelos meio bagunçados e suas íris pareciam me hipnotizar, tão linda… Espera! O que foi que pensei? Suspiro, sem dúvidas a Ochaco é uma menina bela. Fico me perguntando o que minha família iria falar se me ouvissem dizer isso em voz alta… Sou tirado dos pensamentos ao sentir a Ochaco se levantar e vejo ela se afastar voltando ao treino. Depois que o treino acabou, caminho em direção a Ochaco pois queria entender o que fora aquilo, mas ela ao notar que me aproximava corre para longe de mim. Confuso, sigo atrás dela.

— Ochaco, espere! — Sigo ela por entre as árvores de pinheiros da floresta, a neve dificultava a corrida, porém, Ochaco teve mais sorte ao usar a gravidade. Faço o mesmo que ela ativando a quirk de gelo e deslizo tentando alcançá-la. Chegamos numa parte da floresta que não havia saída exceto o caminho que percorremos. Ochaco se vê cercada e encosta em um pinheiro tomando fôlego.

— Shoto-kun, me deixe a sós por favor. Preciso colocar os meus pensamentos no lugar.

— Ochaco... — Me aproximo dela e estendo os braços apoiando-os na árvore ao redor da castanha. Ochaco suspira e desvia o olhar do meu. — Tudo bem. — Me afasto da Uraraka e sigo de volta para a casa do Noel.

{…}

Já fazem quatro dias desde que chegamos ao Polo Norte, Uraraka não fala comigo desde antes de ontem. Respeitei o seu tempo e segui para a vila dos duendes, onde passei o resto do dia conhecendo a vila. Hoje levantei-me e noto que Ochaco não estava no quarto, após tomar o café da manhã, sigo pelos corredores e ao notar o Soluço arrumando a fechadura de uma porta eu pergunto:

— Ei, por acaso você viu a Ochaco?

Ele para o que estava fazendo e diz:

— Uraraka-san está na área de treinamento. — O agradeço e sigo para o local. Nesse período em que ficamos sem nos falar, eu relembrei quando a Ochaco caiu em cima de mim e tive aquelas sensações. A castanha não saí dos meus pensamentos, nem dormir direito consigo. Chegando na área de treinamento observo a castanha em ação. Enquanto ela escalava a chaminé, Ochaco ao descer, pisou em falso num tijolo que estava solto e escorregou soltando a corda de suas mãos cujo fez com que ela caísse. Arregalo os olhos e corro até ela utilizando o gelo para me dar impulso e entrar na chaminé. Em queda livre alcanço a Ochaco pegando-a no colo, e utilizo as chamas para pousar no chão.

— Ochaco, pode abrir os olhos. — Digo, a castanha ao ouvir a minha voz abraça o meu pescoço. Sinto algo molhado nessa região, até que noto que ela estava chorando. — O que houve? — Pergunto preocupado.

— S-Shoto-kun, me perdoe por ter lhe evitado, eu percebi que… — Sua face fica corada. — Eu... — Estava curioso com o que ela iria falar, porém o elfo surge e pede para sairmos da sala. Solto a do meu colo e seguimos para os corredores, Uraraka me observa de canto e morde os lábios provavelmente pensando se iria falar ou não.

— Podemos conversar lá na floresta? — Pergunto e ela assente. Seguimos até a mesma árvore do outro dia e sentei-me no chão apoiando as costas no tronco.

Ochaco senta do lado e diz:

— Todoroki-kun, sei que foram poucos dias que ficamos aqui, mas esses dias se tornaram especiais para mim. O motivo de eu ter te evitado é que estou me sentindo confusa em relação a você.

— Confusa? — Pergunto.

— Sim, mas não posso permitir que isso me afete. Você que me apoiou quando a Tsuyu se declarou ao Izuku, obrigada Shoto, se não fosse por você, eu...

— De nada. — Dou um sorriso de canto.

{…}

Ochaco on.

Observo o Shoto e sinto algo gelado tocar o meu rosto, olhando para o céu vejo os flocos de neve caírem. Deito-me na neve e fecho os olhos.

— O que está fazendo? Você vai congelar se ficar deitada aí. — Shoto fala. Mexo os braços e pernas formando um anjo de neve.

— Já tentou fazer um anjo de neve? — Olho para o bicolor esperando a sua resposta e ele nega com a cabeça e digo. — Por que não tenta? É só fazer como eu, feche os olhos e sinta a neve.

Shoto reflete por alguns segundos e deita-se do meu lado fechando os olhos enquanto movia os braços e pernas, vejo um sorriso escapar de seus lábios. Faço o mesmo ficando de olhos fechados e não percebo que Shoto me espiava.

De volta a casa do Noel, trocamos as roupas geladas por umas quentinhas e nos sentamos na sala, onde uma lareira estava acesa. A Mamãe Noel havia nos entregado alguns jogos e nesse momento eu e Shoto estávamos jogando Uno. Todoroki estava quase vencendo, mas eu tinha a carta na manga. Ele que estava com duas cartas, joga a carta +2 na mesa. Porém, na minha vez, eu jogo o Uno especial cujo a gente podia colocar algo no espaço em branco da carta.

— Compra mais vinte! — Digo e ele suspira enquanto dou risadas, no fim eu venço a partida. Depois jogamos mais algumas rodadas onde o Shoto também venceu.

A Mamãe Noel trás dois chocolate quentes com biscoitos de Natal para nós e agradecemos a comida.

{…}

De tarde treinamos mais um pouco a simulação e dessa vez consegui entregar os presentes. Coloco o meu pijama e ao sair do banheiro vejo Shoto se trocando, seu tórax estava a mostra e ele estava com uma calça cinza de algodão. Sinto meu rosto esquentar ao olhar para ele e desvio a visão encarando a porta.

— Shoto-kun, será que dá para colocar uma blusa? — Ele veste a blusa de pijama e se deita na sua cama, sigo para a minha cama ao lado e tento dormir, porém, a Imagem dele de antes não saía da minha mente.

Revirando de um lado para o outro na cama, Shoto nota a minha inquietação e pergunta:

— Não consegue dormir?

— Não... — Ele se levanta de sua cama e sinto o meu colchão se afundar. — O que você...

— Se quiser, eu posso ficar contigo essa noite. — Arregalo os olhos e coro.

— Eh? T-Tudo bem… — Shoto se deita na cama virado para as minhas costas e sinto o seu olhar penetrante, logo um arrepio percorre o meu pescoço quando sinto as mãos dele acariciarem os meus cabelos curtos. Seu toque confortante me relaxa e acabo por dormir.

Acordo sentindo um peso em cima de mim, esfrego os olhos e olhando para baixo vejo o Shoto dormindo abraçando a minha cintura. Coro e chamo o bicolor:

— T-Todoroki-kun acorde. Shoto, você está pesado. — Passo a mão em seus fios bicolores e sinto ele se mexer.

Shoto acorda sonolento e boceja.

— Bom dia Ochaco. — Ele se levanta sentando-se na cama e se espreguiça.

Os dias seguiram-se como os anteriores, treinamos e ficamos lendo, jogando e até fizemos algumas pegadinhas com os duendes cujo fora a ideia do Soluço. Hoje era o último dia em que ficaríamos no polo norte, Mamãe Noel nos entregou um conjunto de roupas natalinas e nos vestimos. Olhei para a minha roupa que era um vestido de Natal vermelho sem mangas com um bolero também vermelho e com pelúcia branca nas pontas, um cinto preto na cintura e botas pretas. Ajeito a touca de Natal e quando encontro Shoto na pista de trenó ao lado das renas, não me aguentei de tanta fofura e gritei.

— Awn que fofo!! — Shoto que vestia uma roupa de rena e tinha no nariz uma bolinha vermelha se assusta com o meu grito repentino e cora.

— Ochaco… — Shoto vira o rosto de lado deixando a cena mais bela ainda. Ele se senta no banco do piloto e eu fico sentada ao seu lado. Estava ansiosa pela entrega de presentes, Papai Noel se aproxima de nós e estende dois pacotes enfeitados.

— Ho, ho, crianças abram esses presentes só amanhã, são para vocês.

— É para nós? — Pergunto e o velhinho sorri. — Obrigada, muito obrigada! — O agradeço.

— Também agradeço, não só pelo presente, mas por cada momento mágico que passamos aqui. — Shoto fala.

— Eu que agradeço por me ajudarem nessa época tão maravilhosa, ho, ho. — Depois que entregarem todos os presentes, as renas levarão vocês para casa, tenham um feliz Natal!!

— Tchau! Feliz Natal a todos! — Eu e Shoto falamos e acenamos para os que estavam presentes. As renas correm e num impulso voam pelo céu como um foguete. O trenó para numa casa com chaminé e colocando a sacola de presentes no ombro, utilizo a corda de escalada e desço no chão, encontro a árvore de Natal e recolho as cartinhas. Tiro os presentes colocando-as debaixo da árvore e vendo numa mesinha um copo de leite e uns biscoitos junto a uma carta, leio o que estava escrito:

"Para o Papai Noel." — Sorrio. Volto ao trenó e passamos a madrugada indo de casa em casa. A última parada era Musutafu, entregamos os presentes nas casas dos nossos amigos e quando entrei no quarto do Mineta coloquei um carvão debaixo da árvore. Quando vimos a lista de crianças levadas, o Mineta estava entre as dez primeiras, o que não me surpreende devido a seu histórico. Enfim terminamos a entrega as três da manhã. As renas nos deixam dentro do colégio e nos despedimos.

— Feliz Natal!! Vou sentir saudades.

— Nós também vamos. — Cometa diz. — Até o Natal que vem, vocês ficarão sempre em nossos corações! — Depois que eles saem, entramos no dormitório e cansados demais acabamos dormindo juntos no sofá da sala.

{…}

Sou acordada com um toque na minha bochecha, abro os olhos e vejo a Mina me encarando sorridente.

— Mina? Feliz Natal.

— Ochaco-chan, por que você e o Shoto estão dormindo juntos aí no sofá? — Mina arqueia as sobrancelhas.

Todoroki acorda e se senta, penso numa resposta rápida:

— Nós fomos ver filmes ontem de madrugada. — Mina assente compreendendo. Seguimos para a cozinha e vimos toda a turma reunida. Depois do café da manhã, eu e Shoto voltamos para a sala, pegamos os nossos presentes e seguimos para o meu quarto. Curiosa, abro o pacote e sorrio, havia ganhado um urso marrom e Shoto ganhou um boneco de ação do All Might. Ao ver o boneco, Shoto sai do quarto me deixando confusa e logo volta com outro pacote em mãos.

— Ochaco, feliz Natal. — Ele me entrega o presente.

— Obrigada Shoto! — Abraço o bicolor pelo pescoço, Shoto retribui o abraço e ficamos assim por mais um minuto até que lembro do meu presente. Tiro da gaveta o embrulho e entrego a ele. — Para você, espero que goste. — Shoto abre o presente e sorri, eu havia comprado um globo de neve. — Sei que o presente é simples, mas... — Shoto me interrompe.

— Ochaco, eu adorei, muito obrigado.

{…}

Um mês e meio depois, estava no quarto da Mina com as meninas reunidas sentadas no chão e na cama enquanto eu caminhava de um lado para o outro, o motivo? Era um certo bicolor.

— Ochaco, desse jeito você vai cavar um buraco no chão, kero. — Nesse tempo que se passou, eu me acertei com a Tsuyu, percebi que o que sentia pelo Midoriya era apenas admiração e não amor.

— Mas Asui, como me acalmar numa hora dessas? Será que o plano da Mina funcionará?

— Está duvidando de mim, Ochaco? — Nego e Mina diz. — Então vamos lá, hora da ação!

As meninas me ajudaram a escolher um vestido simples da cor rosa claro e uma sapatilha. Mina me ajudou com a maquiagem, peguei a minha bolsa e me encontrei com Shoto já vestido com uma blusa vermelha e calça jeans preta.

— Vamos Shoto? — Ele assente e seguimos para o cinema, depois de um mês eu percebi que estava apaixonada pelo Shoto, finalmente havia entendido o que eram aquelas sensações ao estar perto dele e hoje iria contar os meus sentimentos. Peguei a fila do cinema enquanto Shoto comprava a pipoca e o refrigerante, escolho um filme de romance que iria começar em poucos minutos e seguimos para a sala. O plano da Mina era que eu escolhesse a última fileira das cadeiras e escolhesse um filme de romance, no meio do filme o plano entraria em ação.

Nos sentamos e prestei atenção no filme, quando já estava na metade suspiro e tomando coragem eu falo:

— Shoto. — Ele me observa. — Eu... preciso te contar uma coisa...

— Pode falar.

— Certo. — Olho em seus olhos e digo. — Desde que fomos ao Norte, eu comecei a sentir coisas cujo antes não compreendia. Sempre que estou perto de você, sinto como se houvessem borboletas no estômago e o meu coração acelera, você se tornou mais do apenas um amigo para mim. Não sei se sente o mesmo, mas, eu percebi que estou apaixonada por você Shoto, eu te amo!

— Ochaco, eu... também sinto o mesmo. — Afirma o bicolor. — Queria ter te contado antes, mas não sabia como…

Sorrio e me aproximo dele, ficamos nos encarando e sem perceber, os nossos rostos estavam cada vez mais perto. Sinto o meu coração acelerar quando vejo Shoto fechar os olhos, isso realmente está acontecendo? Faço o mesmo que ele e nos beijamos. Depois de alguns minutos a falta de ar se torna presente. Sorrio e apoio o meu rosto em seu ombro. Depois que o filme terminou, seguimos para um parque que havia por perto e sentamos de baixo de uma cerejeira. Shoto deita a cabeça em meu colo enquanto acaricio os seus fios, quem diria que no fim, o garoto que mais me apoiou seria a minha outra metade? Sei que teremos muitos desafios a frente, porém, sempre teremos um ao outro. Shoto-kun está ligado ao meu akai ito e nada no mundo poderá nos separar.

Fim.

Notas finais
Também publicada no Spirit e no Wattpad: UravityStar. Espero que tenham gostado!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!