Todo Final é Também um Recomeço
11 Capítulo Final – Uma Grande e Unida Família
Notas iniciais
Nunca uma viagem demorou tanto. Parecia que quanto mais ansiosa eu estava, mais comprido o caminho ficava.
Nem parecia que haviam se passado quatro semanas desde que a deixamos, chorando, no hall de entrada da Delegacia. Finalmente a última imagem que tenho dela vai mudar. Quero trocar as lágrimas por um sorriso.
Com todos os papéis devidamente assinados, nossas tarefas seriam tirá-la do abrigo, tentar colocar o teimoso do Sherlock em uma gaiola de transporte de animais e, depois buscar alguns de seus pertences que ainda estavam na casa onde ela morava.
Não tínhamos certeza se leva-la até lá era uma boa ideia. Mas ela também tinha o direito de ter as roupas, livros, brinquedos e instrumentos musicais de volta. E para tanto, era ela quem escolheria os favoritos que iriam conosco no avião, o restante seria despachado por caminhão.
Estávamos, enfim, em frente ao abrigo. E eu acabo de perceber que não tenho coragem de sair do carro.
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Será que ela vai gostar de mim? Eu sei que, depois do que eu ouvi da conversa entre meu pai e Emily, Sophia passou por muita coisa. Mas também sei que é bem esperta para a idade e que ela era filha única. Tenho medo dela não querer ter um irmão...
Bem, é agora ou nunca, acabamos de parar em frente o local onde ela passou as últimas quatro semanas. Não é lá muito agradável. Espero que tudo tenha saído bem.
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Quatro semanas de ligações diárias. Burocracia e papelada intermináveis para terminar aqui.
Desde o momento em que ela me abraçou quando fui me despedir eu sabia que ela não poderia e não queria ficar aqui. Fosse instinto de agente ou de pai, eu soube, no momento em que ouvi o relato da morte do casal Holmes, que eu acabaria adotando essa garota. Foram vários motivos que liguei Jack a ela, a mesma idade, a tragédia de perder quem se ama e presenciar tudo isso e depois o carinho como ela me tratou sem ao menos me conhecer. Quando virei pai solteiro, eu fiquei perdido e apavorado. Mas agora eu tinha certeza de que iria fazer tudo certo.
Era a minha segunda chance. E era a segunda chance de Sophia também.
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Sentada no Hall de entrada do abrigo, Sophia era a personificação da ansiedade. Ela já havia sido informada que seria adotada. Mas não fazia ideia de quem seriam os seus novos pais. Também haviam dito que ela ganhara um irmão mais velho. Mas ela não se importava. Sempre quis ter um irmão ou irmã para brincar.
Será que ainda iriam demorar? Será que eu vou gostar deles? E eles de mim? Eram os pensamentos que rondavam a cabeça da garotinha.
Foi quando ela viu a porta sendo aberta e reconheceu quem eram aquelas pessoas.
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Como se o nervosismo a tivesse deixado vendo tudo em câmera lenta, Emily podia jurar que viu a mudança de reação no rosto de Sophia, de pura ansiedade, ao reconhecimento e depois pura alegria. Alegria esta que era demonstrada no sorriso estampado em seu rosto enquanto corria em direção aos três.
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Naquele momento não tinham motivos para não correr. Ela só queria saber o que Emily e Aaron faziam ali. Ela queria contar tudo o que aconteceu e também dizer que seria adotada e teria um irmão mais velho. E queria dizer que estava feliz em vê-los de novo.
— Emily!! Aaron!!! Vocês vieram me ver!! – Gritou enquanto corria em direção ao casal.
— Eu tenho uma novidade! Alguém vai me adotar. Mas eu ainda não sei quem é! – Disse enquanto parava em frente aos dois.
— Nós já sabemos disso. – Os dois responderam conjuntamente.
— É mesmo? – A menina dizia com os olhos brilhando.
— Sim. Você não faz ideia? – Hotch pergunta.
— Não. – Ela diz confusa.
— Então o que você me diz se eu falar que somos nós? – Emily perguntou.
A garota ficou sem palavras. Sua reação foi abraçar aos dois ao mesmo tempo. Só o Papai do Céu sabia o quanto ela havia pedido para os dois voltarem!
— É Verdade? Verdadeira? – Ela se embola.
— Sim, Sophia. – O sorriso de Emily era sincero e imenso. Você vai morar com nós três – enquanto falava apontou para si mesma, Aaron e Jack.
Neste momento Sophia percebe a presença de Jack, que assistia a cena um passo atrás, querendo gravar cada um dos sorrisos na memória.
— Então é você quem vai ser o meu irmão mais velho? – Ela mal termina a pergunta e corre para abraçar o irmãozão.
— Sim. Vou ser eu. E é bom te conhecer também, Sophia. E eu sou Jack!
— Oi Jack!!! Eu tô muito feliz em te conhecer!! Eu tô muito feliz em ter uma família de novo. – A moreninha dizia isso enquanto pulava em parar.
— Bom saber disso. – Hotch interrompe a explosão de alegria da mais nova integrante da família. – Mas se não estou enganado, viemos buscar mais alguém também...
— Sherlock! Vocês vão me deixar levar o meu gatinho também?! – A menina não cabia em si de tanta felicidade.
— Viemos buscar você, Sherlock e mais algumas de suas coisas que ficaram em sua casa. Se me lembro bem, você toca violino e tem um monte de livros, não é verdade? – Emily diz levantando a garota no colo.
— Tenho sim!! – A garota responde, mas mal é ouvida, já que estava com o rosto enterrado no ombro de sua nova mãe.
— Acho melhor nos apressarmos, porque as surpresas não acabam por aqui. – Hotch chama a todos.
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Não demorou para que conseguissem colocar um desconfiado gatinho preto dentro da gaiola de transporte e depois foram ao local onde Sophia morara para resgatar alguns dos pertences da garota.
Por todo o trajeto, ela não deixou de falar por um único minuto. Conversou com os três, mas principalmente com Jack, para quem fez um interrogatório digno dos melhores agentes do FBI.
Com tudo arrumado. Despacharam o restante das coisas maiores e mais pesadas em um caminhão e partiram para o aeroporto somente com o básico.
Se a viagem de ida havia demorado por conta de toda a ansiedade, a de volta foi mais rápida do que um piscar de olhos.
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Enquanto Prentiss, Hotch e Jack foram buscar Sophia no Estado de Massachusetts, Penelope e JJ ficaram encarregadas de arrumar a festa de boas vindas.
Bem, na verdade, JJ tentava controlar a animação infinita de Penelope por tudo. Se alguém não a vigiasse, era capaz de ela fazer um baile que colocaria os melhores bailes presidenciais no chinelo.
— Garcie, já está bom! É só para nós, sem convidados externos. Pode ir se controlando aí. – JJ tentava colocar um pouco de razão em Penelope.
— Mas tudo tem que estar perfeito! – a analista fez um muxoxo.
— Mas está! Vai por mim, BabyGirl. – Morgan interveio. Além do mais, eu duvido que alguém vai prestar atenção na decoração.
— Derek Morgan, como ousa falar uma coisa dessas? – Garcia ficou brava.
— Ora, Garcia, estamos todos ansiosos para a chegada de Sophia, e te garanto que, se ela realmente estava apegada à Emily e ao Hotch como a gente acha que estava, ela não vai querer saber de mais nada. – Reid explicou.
— Ou vai me dizer que, quando eles passarem por aquela porta, você vai pensar em outra coisa que não seja bajular a novata da família? – JJ complementou.
— Ok, vocês venceram! Eu só vou escolher mais uma coisinha. – Penelope levanta a bandeira branca. – Agora está tudo perfeito.
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Depois de algumas horas, após terem apresentado à Sophia sua nova casa, a família Prentiss-Hotchner finalmente rumou para a casa de David Rossi.
Como não podia deixar de ser, Penelope foi a primeira a cumprimentar a todos, estava tão empolgada que estava difícil de ser compreendida.
Sophia não podia acreditar que todas aquelas pessoas que a ajudaram estavam ali, na frente dela! Todos, sem exceção.
Ela foi apresentada aos outros que ainda não conhecia, Henry e Michael LaMontagne, Joy e Kay Rossi. Savannah e Hank Morgan. Eram tantas pessoas que, de início, ela ficara encabulada. Mas bastou um convite para brincar vindo de Kay que ela não pensou duas vezes.
O jantar fora servido e, como de costume, o anfitrião discursou.
— Hoje, eu tenho a honra de poder reunir esta família para dizer que aumentamos de tamanho. Estamos maiores em número e também no amor. Quero dar as boas vindas à pequena Sophia, espero que você seja feliz conosco. Saiba que sempre que precisar pode chamar a qualquer um de nós que vamos ajuda-la. Não te chamarei de caçulinha, porque Hank ainda é o mais novo, mas com certeza você é a nossa novata favorita, e, como pode ver, a única garotinha, então espere muito ciúme vindo de todos nós, gatinha!
— Quero aproveitar e dizer também o quanto estamos orgulhosos de você, Jack, não sabe o que a sua conquista significa para cada um de nós. Você já faz parte desta família há tempo suficiente para saber que pode contar conosco em todos momentos. Mas reitero minhas palavras, que sei que são as de todos.
E dizendo isto, ergueu a taça e disse: — À nossa Família! Ao Jack e à Sophia! À todos nós! E logo foi seguido por todos.
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