Todo Final é Também um Recomeço

9 CAPÍTULO 8 – Voltando para casa com a sensação de estar incompleto


Notas iniciais
E a equipe se despede de Sophia. Boa Leitura!

Emily, carregando Sophia em seu colo e Penelope saem da Delegacia sem um rumo certo, a intenção da agente é distrair a menina e fazê-la se concentrar em outras coisas. Contudo, a garotinha ainda está muito assustada com o que presenciara.

— Gatinha, lembra que você me contou que tinha um gatinho de verdade? – Penelope tenta a todo custo distrai-la – Como era o nome dele mesmo?

—Sherlock. Mas eu não sei onde ele está. Fugiu....

— Quem sabe não podemos encontra-lo? Vamos dar uma olhada, talvez ele aparece. Mas para isso, você precisa me dizer com detalhes como ele é. – Prentiss finalmente tinha algo com o qual pudesse distrair a garotinha.

— Ele é preto. Como quase todos os gatos. Muito peludo e tem olhos azuis-esverdeados. Ou eu acho que é isso, porque vive mudando de cor! Além disso, ele tem uma mancha branca no pescoço, que dá a impressão que ele usa uma gravata.

— Bom, como você costuma chama-lo? Todos os bichinhos têm apelidos! – Emenda a analista.

— Sherlock, Shezza, Sherlly..... mas ele sempre vinha quando eu chamava apenas uma vez....

— Então vamos começar? Talvez ele esteja aqui por perto! – E dizendo isto, Prentiss abre a rodada de chamados para o gatinho.

As três passaram um bom tempo andando sem rumo específico pelo local, até que, quando estavam quase desistindo de achar o animalzinho, Sophia o localiza em cima de uma árvore.

— Olha ele ali! Ele tá bem ali, Emily!! Shezza, vem aqui bichano! Shezza!!! – Sophia se empolga ao encontrar o tão amado bichinho de estimação.

Foi um tanto demorado, mas com muito jeito, o trio conseguiu fazer com que o gato descesse da árvore e se apoderasse do colo da garota.

Foi então que um dos celulares de Garcia começou a tocar.

— Longe de querer atrapalhar o seu passeio, mama, mas, já está na hora de irmos. Além do mais, o Hotch está resolvendo os últimos detalhes com a Assistente Social para acomodar Sophia. – Morgan chama pela amiga.

— Meninas lindas, temos que voltar! – a analista avisa.

— Voltar para a minha casa? – A menina de cabelos pretos pergunta.

E então tinha chegado a hora, eles teriam que deixa-la no abrigo, até que algum bom samaritano a adotasse.

— Sophia, preciso que você preste bastante atenção no que eu vou lhe dizer, você não pode voltar para a sua casa. – Emilly começa a desagradável conversa.

— Mas e meus pais? Eles devem estar me procurando, né? Eu nunca fiquei tanto tempo longe deles. – a menina se desespera.

Emily não soube como responder. Ela estava dividida, seu lado agente sabia que era o procedimento correto a seguir, mas tinha o seu outro lado, ela não queria deixa-la ali. Tinha se apegado àquela garotinha de uma maneira que nunca tinha feito com nenhuma outra vítima dos assassinos que caçava. E ela sabia que não era a única. Ela vira com os próprios olhos que Aaron sentia a mesma coisa. Mas, com a profissão que levavam, o dever e protocolos vinham em primeiro plano, infelizmente.

O caminho até a Delegacia foi rápido e nem tão alegre assim, apesar de estar com o bichinho no colo, Sophia temia não poder ficar com ele. E tinha medo do que lhe aguardava. Será que veria os pais de novo?

Quando chegaram, toda a equipe já estava pronta, só faltava ajeitar os pertences na mala do carro e partirem. Foi quando o inevitável aconteceu. Todos tinham que se despedir da menina, por mais que não quisessem.

JJ a abraçou bem apertado, como faria com os seus filhos, e fez uma prece silenciosa para que ela achasse um novo lar onde pudesse ser feliz e crescer segura.

Até Reid, que apesar de não gostar de contato com pessoas que não conhece, se rendeu à simpatia da garota e lhe deu um presente, um livro de Sherlock Holmes, O Cão dos Baskerville, mas fez a menina prometer que só o leria quando fosse mais velha.

Morgan a levantou no colo e pediu que ela fosse forte, que logo logo ela iria estar em casa novamente, e disse que ela era esperta o suficiente para não deixar ninguém fazer mal a ela. E dizendo isto, bagunçou os seus cabelos e se foi.

Rossi fez o mesmo, se agachou em frente a ela e se despediu da maneira mais italiana possível. Fazendo uma prece de boa sorte.

Penelope chorava, já tinha pensado em mil maneiras de levar a menina consigo, mas quando mencionou isto, todos fizeram uma negativa com a cabeça.

— Olha aqui, gatinha preta, eu prometo que vou ficar de olho em você! Vou saber tudo o que acontece ao seu redor, e se algo de ruim acontecer, eu mando todos eles de volta! Pode apostar nisso! E dizendo isto, deu um verdadeiro abraço de urso em Sophia, que não tinha reação para tantas despedidas.

Hotch conversava ao fundo com a assistente social, ele que nunca gostara de despedidas e muito menos de se apegar às vítimas dos casos em que trabalhava, ficara realmente preocupado com o futuro da criança, principalmente com o fato de que ela herdara uma grande quantia. Isso, aliado ao fato de a garota confiar em todos rapidamente, fez com que ele pedisse para que, assim que surgisse uma possível adoção, ele fosse imediatamente comunicado para averiguar o passado dos candidatos. Dito isto, chegou perto da garota e ofereceu a mão como despedida, algo que ela logo retribuiu com um abraço bem apertado e cheio de lágrimas.

Foi com dificuldade que ele conseguiu se soltar do abraço, e bem no fundo ele sabia, se continuasse por ali, a levaria com ele.

Prentiss foi a última, ao olhar para a menininha, ela teve um vislumbre dela mesma, sendo criada sozinha enquanto os seus pais trabalhavam dia e noite. Se não foi fácil para ela que tinha tudo, imagina para Sophia que perdera tudo. Ela se abaixa para ficar da mesma altura dos olhos verdes da menina e a abraça, pedindo, para todas as denominações da palavra Deus que ela conhecia, que Sophia ficasse em segurança, e, pouco antes de sair, depositou um beijo na testa da garota, garantindo-a que tudo ficaria bem.

Sophia não se conformava com as despedidas e quando tentou correr atrás de Emily, foi contida pela assistente social que a levou para o abrigo, junto o gato.

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O clima do jato da equipe não era dos melhores, apesar de terem resolvido o caso de maneira satisfatória, todos sabiam que algo não estava certo.

Terem deixado aquela garota para trás fora a pior das decisões. Mas o que poderiam eles fazer?

Garcia monitoraria todos os passos dela, e de prováveis candidatos a pais adotivos, se algo estivesse errado, ela não pestanejaria em avisar toda a equipe.

Reid, JJ e Morgan passaram todo o voo calados, sentados em suas poltronas. Pensando se um futuro normal seria possível para a menininha. Ela era muito especial para não ter a chance de ser feliz.

Rossi serviu-se de um drink e ficou a pensar que nem sempre as regras do mundo eram justas. Ele já devia estar acostumado depois de ver tanta coisa, mas casos assim sempre mexiam com ele.

Prentiss ficara calada e sentara sozinha no fundo do jato. Ela sabia o que o mundo podia fazer com uma garota que só via beleza nele. Por isso sofrera tanto ao deixar Sophia na delegacia.

Já Hotch tentou se distrair com todos os relatórios que tinha para fazer, mas entre uma palavra escrita e outra, sua mente voltava à cena da despedida. Era uma coincidência quase macabra que a garota tivesse a exata idade de Jack quando este perdera a mãe, contudo, Jack crescia com todo o apoio que sempre precisara, seja tendo a presença constante da tia, ou de todo os membros da BAU. Porém Sophia não teria esta sorte. Ele divagava se ela ter ficado viva, enquanto ambos os pais morreram, era sorte ou um grande azar.

Notas finais
Eu juro que não pensei nos olhos do Cumberbatch quando eu descrevi o gatinho! Ehehe! Sobre o livro que Spencer dá para Sophia, recomendo muito a leitura!!