Todas as nossas memórias
3 Capítulo 3 - Nós nunca desistimos
Notas iniciais
Reencontrar a sobrinha fez Harry enfrentar emoções conflitantes.
Havia muita alegria por vê-la e, definitivamente, orgulho. Afinal, foram cerca de três anos de buscas e foi a própria jovem a encontra-los e não o inverso. Entretanto, esses não eram os únicos sentimentos do bruxo. Medo e preocupação se misturavam às sensações felizes, impedindo que o mesmo se rendesse ao sorriso que gostaria de mostrar à sobrinha.
Fora a nítida complicação que enfrentaria com o prenuncio de mais esquemas dos comensais, a suspeita mais obvia era de que Rose perderá a memoria. O moreno foi rápido em disfarçar seu espanto após a entrada da moça e identificou a situação, manobrando-a como se a desconhecesse.
Mas ele era, visivelmente, o único no momento que conseguiria esse feito.
Seu melhor amigo não tinha condições de interagir com a filha e Albus enfrentava o mesmo choque. Alem disso, não poderia imaginar alguém com menos tato que Raven McLaggen. Então, ele seguiu tentando trata-la como qualquer outro auror. Ainda assim, enquanto designava a realização de cada procedimento padrão para o caso que enfrentavam, Potter se mantinha atento a cada passo da jovem.
Observou como a mesma conhecia os corredores e caminhos daquele departamento, mas não demonstrava qualquer lembrança dos demais aurores com quem cruzava a caminho da sala de interrogatório, ainda que estes a conhecessem desde o treinamento. De modo que, claramente, o comprometimento de sua memoria não era total.
Harry ainda pode perceber que a ruiva continuava se referindo a garotinha resgatada como filha do ministro, o que não era mais uma verdade a cerca de três anos. Isso, porque kingsley renunciou ao cargo tempos após o sequestro. Se ela teve acesso a tantas informações de dentro do covil, quais as possibilidades de não saber disso?, ele pensava.
Então, independente de onde sobrinha dele fora mantida, deveria ser um lugar afastado da Londres bruxa ou, até mesmo, em meio aos trouxas.
Harry ainda observava a sobrinha através de uma janela encantada na sala de interrogatório, enquanto tentava juntar todas as pequenas informações que involuntariamente havia colhido.
— Potter. — Uma voz grossa que surgiu da porta assuntou o moreno, tirando-o de seus pensamentos. Virou-se na direção do som e encontrou um Draco Malfoy visivelmente contrariado, carregando uma pequena maleta. — Se vou se obrigado a cancelar os pacientes do horário sempre que me chama, espero mais do que com patrono dizendo que a situação é urgente.
— Vai querer querer cancelar a agenda do dia inteiro quando descobrir quem são suas pacientes. — Informou Harry, voltando a observar as sobrinha.
— Por Morgana! — O loiro exclamou assim pode vê-las. — Como isso é possível?
Ambos se encararam por um momento.
Eles não tinham a melhor das relações e, ainda assim, foi necessário muitos anos e ingerência de terceiros para construir algum contato. Há muito tempo, o Potter tinha entendido que algumas pessoas encontram mais dificuldade em fazer a coisa certa e o Malfoy aprendeu sobre arrependimento e se esforçou para mudar, independente das consequências. A convivência ainda não era das mais naturais, mas ambos enfrentaram horrores que poucos podem descrever e apenderam com os filhos que nunca era tarde para mudar ou estender uma mão amiga.
Harry, ao menos, podia ser gabar de não ser tão cabeça dura quanto Rony. Não era a toa que as orelhas do ruivo assumiam um tom muito especifico de vermelho sempre que precisava trocar mais que duas frases com Draco, uma cena que sempre arrancava grandes sorrisos dos demais presentes.
— Rose apareceu a cerca de meia hora, trazendo a filha dos Shacklebolt e assumindo ter informações sobre possíveis ataques de comensais. — Respondeu ao medibruxo. — Preciso que você as atenda.
— De cara, eu posso dizer que elas estão subnutridas e Rose esta cheia de escoriações, meu trabalho seria mais adequado se realizado no St. Mungos. — Ainda assim, ele começou a retirar uma serie de aparelhos e poções da sua pequena maleta que continha um feitiço de extensão, chegando ao ponto de enfiar o braço inteiro e tirar de la um caldeirão estanho.
— Eu tentei dissuadi-la no caminho para cá, mas ela esta com medo de esquecer mais detalhes desses anos. — O próprio Potter já preparava um bloco e penas encantas, a fim de ter tudo pronto para o interrogatório.
— O departamento mudou o procedimento para interrogatórios? — Indagou o loiro ao pegar tudo que concluía ser necessário. — Até onde me lembro, os aurores retiram memórias justamente para impedir a incongruência dos depoimentos. Lapsos de memoria motivados pela confusão ou agitação do momento seriam insignificantes.
— Nada foi mudado, mas não podemos recolher memórias que não estão mais la ou que foram corrompidas. — Já na porta para a sala de interrogatório, Harry virou-se e encarrou o Malfoy. — Não estava inclinado a induzir nada em seu diagnostico, mas preciso que você mantenha a naturalidade na frente dela. Então, é bom saber antes de vê-la que algo aconteceu as lembranças da minha sobrinha e ela não reconheceu nem mesmo o pai.
— Inferno sangrento! — Soltou ao ver o moreno entrar na sala e falar com uma Rose muito seria e rígida, que visivelmente não o reconhecia. — Vou precisar de mais poções.
Enquanto isso, dentro da sala, depois de conjurar comida e roupas mais quentes para as duas, Harry começou a explicar como seriam os procedimentos a partir daquele momento.
— Vocês vão receber o atendimento emergencial e, só então, poderemos iniciar o interrogatório. — Ele foi incisivo, deixando claro que a consulta seria obrigatória, mas Rose apenas concordou, enquanto observava a pequena morena se empaturrar ao seu lado. A ruiva se questionava se comer seria uma boa opção, já que sentia o estomago tão agitado com todas aqueles acontecimentos. — Vou deixa-las sozinhas com o medibruxo, mas terá alguém observando esta sala o tempo inteiro. — O Potter continuou explicando, mas sentia uma certa angustia a medida que só enxergava apatia na sobrinha. — Esta pronto, Dr. Malfoy?
Então, foi como se um raio de energia passasse por seus olhos.
— Malfoy? — Rose sentiu o coração acelerar e seu estomago foi dominado por borboletas, uma sensação que não experimentava a anos.
— Sim, Senhorita Weasley? Algum problema? — Questionou Draco, entrando na sala.
Assim, tão rápido quanto veio, se foi. Sem saber como explicar o que sentia até para si mesma, a ruiva disconversou.
— Não, Doutor. — A resposta era simples, mas mudança de pastura da ruiva poderia significar uma imensidão de coisas. — É penas um nome incomum.
— Não é mesmo comum, se comparado ao nome Weasley. — O sonserino murmurou enquanto enfileirava poções na mesa ainda repleta de comida.
Com isso, o Potter se retirou depois de lançar um olhar de aviso ao loiro, mas não pode deixar de pensar nas reações da sobrinha. Ele poderia apostar que houve mais naquela cena do que seus olhos puderam capturar.
Do outro lado do vidro enfeitiçado, Harry ainda companhava o atendimento medico quando seu filho apareceu correndo. Ele trazia um sorriso tão verdadeiro nos lábios que foi impossível não retribuir. Passando o braço por cima dos ombros do pai, Albus acompanhou seu olhar.
— Mal posso acreditar que ela esta mesmo aqui. — Ainda que um clima pesado pairasse pelo ambiente, o mais jovem só conseguia sentir alegria. — Acho que serei obrigado a olha-la por um bom tempo, até convencer meu cérebro que não é uma fantasia. É muita loucura
— Não vai ser só você. — Confessou Harry. — Possivelmente, seus tios estão conversando nesse momento e devem contar aos Shacklebolt em seguida. Será um passo para toda a família saber. Ai você vai ver o que é loucura.
— Você não parece tão feliz quanto deveria, pai.
O questionamento, em tom de acusação, acertou Harry em cheio. Passando a mão nos cabelos já bagunçados, ele encarou o filho.
— Ver sua prima é tudo o que eu mais quero em anos. — Havia verdade em cada uma das palavras, porem o jovem sentiu que tinha um "mas" não pronunciado.
— Foi muito tempo de busca, mais do que casos como esses recebem. — O Potter mais velho sentiu o toque do filho em seu ombro. — Ninguém culpou o senhor quando te afastaram e encerrarão as investigações. Nem mesmo o tio Ron ou a Tia Mione. Você fez tudo o que pode para encontra-la o quanto antes, trabalhamos no caso as escondidas, mesmo sem permissão do departamento de mistérios.
— Ainda assim, sinto que eu poderia ter feito mais. Algo que nos levasse a ela antes e, talvez, a Rose não estivesse assim. — A frustração era palpável e saia de Harry em forma de palavras sussurradas, tão baixas que seu filho quase não pode ouvi-las. — Sei que tem alguma coisa que não enxergamos, eu e Rony discutimos isso diversas vezes nesses últimos anos, mas nunca chegamos a uma conclusão satisfatória.
— Olhe o que esta na sua frente, pai. A Rose ta bem aqui. — Aquele sorriso contagiantes estampava o rosto do jovem e, logo, Harry não pode se conter em retribui-lo. — Vamos descobrir tudo, a Rosie vai ficar bem e vamos mostrar a ela que nós nunca desistimos de encontra-la. Esta ouvindo? — Instigou o pai. — Porque é a verdade, nós nunca desistimos.
— Sim, nós nunca desistimos.
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