Todas as formas de amar
8 Capítulo 8 - Gestações
Notas iniciais
Pov Hinata
Já fazem dois meses desde que ganhamos a nossa tão amada “liberdade”, nesse meio tempo, Temari tem trabalhado de forma regular, pelo horário da manhã e as vezes nos fins de semana, por causa da gravidez, ela se sente constantemente cansada e tem mudanças de humor. O que torna difícil ela lidar com outras mulheres com os mesmos sintomas.
Boruto não está mais trabalhando na empresa, mesmo com a insistência dos avôs, meu menino ainda se sente estranho em ter que lidar com o pai e Sakura, e Pe. Micael tem feito o máximo para suprir a ausência paterna na vida de Boruto, – ele pode não querer deixar transparecer, mas sei que sente saudades da Naruto, ele sempre foi muito apegado ao pai – que mesmo com as circunstâncias prejudiciais, não posso negar que sempre foi um ótimo pai... É estranho pensar nele agora, não existe mais nada que nos conecte fortemente, apenas vagas lembranças de algo que um dia foi amor, ou algo parecido, hoje em dia não sei dizer.
E eu? Bom, eu tenho estado mais em casa, minha família tem recursos e como herdeira, eu tenho recebido dinheiro do meu pai, mas nada muito exacerbante. Além disso, eu tenho posto meu hobby em ação... Fotografar! Ah, sempre foi como uma válvula de escape para mim. Fotografar é um ótimo motivo para se prestar atenção às coisas simples da vida... E eu tenho ganhado algum dinheirinho tirando fotos em shows, festas, e até mesmo em estúdios. Penso que talvez consiga seguir esse caminho profissional, mesmo trintona eu ainda posso tentar algo novo, e meu amigo Shino, dono de uma empresa de modelos tem me contratado para trabalhos rápidos como fotógrafa profissional. Segundo ele eu tenho o “dom do olho”, como se meus olhos conseguissem ver alguém do que o olho humano normal não consegue.
Assim, a vida tem sido muito leve e simples... Eu realmente não me lembrava que as coisas poderiam ser tão calmas, e que eu poderia acordar todos os dias, olhar para o meu filho, sorrir e agradecer a Deus. Finalmente todo o peso do meu coração tinha se extirpado.
Levanto, faço minha higiene e desço para o café da manhã, da cozinha eu pude sentir o cheiro maravilhoso da café da Temari, realmente ela tinha jeito para cozinhar, apesar de nunca admitir, eu sei que ela ama e se sente uma verdadeira masterchef. O que tem rendido muitos pratos exóticos, graças aos desejos de sua gravidez... Outro dia Boruto e Pe. Micael tiveram que rodar a cidade atrás de “sementes de romã silvestre fresca” para colocar na macarronada de pepperoni que ela estava fazendo. Deu trabalho mas ficou uma verdadeira obra de arte – Recordo saudosa.
Temari: Ui, ui... Quem te olha assim pode até pensar que você está apaixonada. – Diz minha amiga ao me ver descer as escadas. Ela tem implicado com a minha “felicidade”, mas eu sei que ela também se sente leve.
Hinata: A senhora sabe muito bem que a alegria que estou sentindo não tem nada a ver com homens, dona Temari! – Digo lhe mostrando a língua, realmente eu não precisava bancar a forte com ela, e nem a adulta.
Boruto: Mostrando a língua para os outros, hein? – Meu filho nos surpreende. – Bonito, mamãe... Quer dizer que você pode e eu não? – Pergunta falsamente indignado.
Sorrimos e nos permitimos sentar à mesa e aproveitar a companhia um do outro. Desde nossa “emancipação”, as coisas tem sido corridas, e pela primeira vez pudemos desfrutar de um café da manhã “em família”, sim... Pois eles são a minha verdadeira família. – Meus pensamentos são interrompidos por alguém que chega na sala.
Pe. Micael: Oba! – Sorri e se senta na mesa. – Vejo que cheguei em boa hora! – Diz pegando uma torrada.
Temari: Uau! Sabe o que é mais incrível? – Indaga e todos prestamos atenção. – Que sempre que você aparece aqui, é no horário da comida! – Sorri. – Deixa de ser assim, Padre! – Ri.
Pe. Micael: Não posso negar que são os melhores momentos para se visitar as amigas! – Sorri e continua a comer, enquanto disputa com Boruto uma torrada doce.
Realmente, estar aqui ao lado deles e observar que cada um – mesmo com seu gênio forte e personalidade particular –forma uma perfeita parcela da minha felicidade.
Pe. Micael: Temari, me diga. – Ele chama e prestamos atenção. – Quando fará a ultrassom para saber qual o sexo do bebê? – Pergunta entusiasmado. – É claro que eu quero preparar um pequeno presentinho muito abençoado para o meu futuro afilhado ou afilhada! – Sorri, ele realmente ama crianças.
Boruto: É mesmo, Madrinha. – Reafirma Bolt. – Apesar de eu já saber que é um menino! – Diz decidido.
Hinata: Ah, é mocinho? – Pergunto. – Por quê toda essa certeza?
Boruto: Simples, mamãe. – Diz levantando o dedo indicador. – É o meu sexto sentido masculino. – Afirma todo convencido.
Temari: E desde quando tu tem isso, criatura? – Pergunta debochada. – Somos nós. – Aponta alternadamente para ela e para mim. – Mulheres, que temos o tal “sexto sentido”. – Termina também convencida.
Pe. Micael: Na verdade, são apenas sensações, que tanto homens quanto mulheres podem sentir. – Explica meu amigo, enquanto é encarado por dois carrancudos loiros.
Nosso momento em família passou rápido e logo cada um estava se direcionado os seus afazeres.
**********
Shino: Mais um excelente trabalho, Hinata! – Diz meu amigo sorrindo, apesar de manter-se impassível como sempre, esse era o jeito Shino dele de ser. – As modelos gostam de você e se sentem confortáveis com o seu trabalho, e eu fico feliz de poder te ver brilhar como a muito tempo não via.
Realmente o trabalho na agência de modelos tem me feito muito bem, eu posso por meu hobby em ação, conhecer pessoas maravilhosas, e ainda ganhar um dinheirinho por isso.
Hinata: Eu não sei como te agradecer, Shino! Você está sendo como um anjo para mim. – Digo, e ele fica vermelho.
Shino: Você já me agradeceu dez vezes só hoje. – Ele exagera e sorri. – E a Temari, como está? – Pergunta, e eu sei muito bem porquê, ele é amigo de Shikamaru também.
Hinata: Ela está muito bem, e sua barriga já está bem visível. – Sorrio. – É só isso que posso dizer, Shino. – Ele suspira, mais compreende, afinal ele também não concorda com a posição do amigo.
Shino: Bom, vamos encerrar por hoje! – Me abraça e de repente sinto um cheiro estranho, como se sua loção pós barba cheirasse à algum tipo de... De inseto.
Hinata: Shino! O que é esse cheiro? – Pergunto me afastando dele, tampando o nariz e sentindo o estômago embrulhar.
Shino: Ah! É a minha loção... Nela tem essência de carrapato! – Diz simplesmente como se não fosse nada. – Então quer dizer que além de olhos apurados você também tem um olfato bom? – Pergunta todo atrapalhado. – Que maneiro, Hinata!
Hinata: Aí Shino, só você mesmo! – Digo ainda com a mão no nariz... Esse negócio de carrapato me embrulhou o estômago, e não aguentando, eu corro direto para o banheiro do estúdio de fotos, sendo seguida por meu amigo.
Shino: Que nojo! – Diz, enquanto segura meu cabelo. – Pode ter certeza que todo o seu café da manhã desceu pelo ralo agora. Bom, é horário de almoço, que tal me acompanhar, hein? Aí você aproveita e repõe tudo que se foi. – Sorri.
Ele diz tirando onda com a minha cara, desde pequena ele me tratou assim, que bom amigo que ele é! Rimos o suficiente e nos dirigimos ao restaurante que fica na esquina do estúdio, como eu teria que levar Temari na médica, ela já estaria me esperando neste restaurante.
Temari: Até que enfim, né madame? – Pergunta minha amiga enquanto sentamos à mesa.
Hinata: Tivemos um imprevisto. – Digo e sinto meu estômago revirar outra vez ao olhar para Shino. Ele e Temari se cumprimentam, enquanto ele observa o barriga pouco saliente da minha amiga.
Shino: Digamos que a Hinata é sensível a carrapato! – Diz e começa a rir, tanto Temari quanto eu ficamos olhando, tentando entender o que se passa pela cabeça dele, que eu ao notar que não rimos, diz emburrado. – Oxi, vocês nunca riem das minhas piadas.
Temari: Shino, tu pediste para ser estranho e entrou duas vezes na fila, olha. – Diz, tentando não rir.
Hinata: Vocês dois, hein? – Sorrio. – O Shino, que tá usando um negócio com essência de carrapato e me revirou o estômago todinha. – Explico.
Temari: Oxi, mas o quê que têm? – Pergunta. – Aposto que o cheiro das meias sujas do Boruto pode ser bem pior! – Diz e começamos a rir.
Shino: Agora é sério, Hinata... Você tem sido muito sensível a cheiros ultimamente. – Afirma.
Temari: É verdade, mocinha. – Concorda. – Outro dia o Pe. Micael teve que jogar fora a lavanda que o Boruto deu para ele de presente, porquê você disse que tinha cheiro de tomate pobre e te dava dor de cabeça.
Shino: E o sabonete líquido do banheiro da agência? – Continuou explicativo. – Ela me fez jogar fora porquê disse que tinha cheiro de alho frito no asfalto! – Se exaltou. – Como que tu sabes qual o cheiro de alho frito no asfalto, mulher? – Perguntou exasperado.
Hinata: Oh gente! Eu simplesmente não sei explicar, mas esses cheiros tem me feito mal... Sei lá. – Digo. – Talvez seja a pressão.
Temari: Eu, hein... – Diz pegando o cardápio. – Vamos pedir logo esse almoço, se não vai deixar de ser almoço e virar jantar. – Todos concordamos.
Após o almoço animado por meus amigos, nos dirigimos até o hospital Namikase, Temari decidiu que Ino seria sua obstetra, pois estudaram juntas e ela confia extremamente na loira, mesmo Temari podendo cuidar de si mesma, optou por ter uma médica própria, pelo bem do bebê – mas eu sei que ela se sente triste em ter que se cuidar sozinha – então estou apoiando-a no que for preciso, Boruto e Pe. Micael também estão sendo de grande ajuda, mas sou eu que estou fazendo o papel de “pai do bebê”, chega a ser cômico, se não fosse triste.
Sei que Temari errou, e feio... Mas Shikamaru também agiu como um ogro, e bom... Eu não sou a melhor pessoa para opinar sobre a vida amorosas dos outros, mesmo “esses outros” sendo meus amigos, um dia eles vão se resolver, eu tenho fé.
Com a gravidez de Temari, eu tenho me esforçado ao máximo para estar ao lado dela em tudo. E acho que isso tem afetado meu corpo... Talvez psicologicamente? Meu apetite mudou e até mesmo engordei um pouquinho, acredito que estou levando muito a sério quando disse que “acompanharia ela em tudo”, só não sabia o que esse tudo incluía.
Ino: Então, meninas? – Pergunta animada, ela sempre pareceu animada para mim, e mesmo sendo amiga de Sakura, eu me sinto confortável com ela, pois ela não contou sobre a minha gravidez a 15 anos atrás, talvez seja ética de trabalho. – Vamos descobrir se esse bebezinho é menina ou menino! – Sorri empolgada.
Hinata: Bom, hoje finalmente finalizaremos esse bolão! – Digo também animada.
Ino: Como assim? – Pergunta curiosa.
Temari: Boruto apostou que seria um menino, como ele, e Pe. Micael e Hinata acreditam que será uma menina. – Explica. – E eles nem me deixaram participar do bolão, acredita? – Pergunta indignada. – É o meu bebê. – Sorri ao acariciar sua barriga, ainda pouco protuberante.
Ino: Tudo bem... Temari, você sabe o procedimento. – Nós assentimos e direcionamos nossa atenção para a pequena tela. – Olha, só que bonitinho.
Temari: Hina, olha amiga... É o borradinho mais lindo que eu já vi. – Segura minha mão e sorri emocionada. – E olha que eu já vi muitos borradinhos, hein? – Sorri e volta sua atenção à tela.
Observar Temari emocionada me traz tantas lembranças, sobre como tudo foi tão conturbado, mas que graças a isso, hoje eu tenho Boruto crescido e inteligente ao meu lado. Olho para minha amiga e desejo que ela também possa sentir a alegria de ser mãe, mesmo com todas as dificuldades que está enfrentando. E observando a emoção de Temari eu sinto minha cabeça rodar, talvez minha pressão esteja mesmo em queda.
Temari: Hina... – É a última coisa que escuto antes de desmaiar.
**********
Abro meus olhos e ouço vozes conhecidas, ainda me sinto tonta e extremamente desconfortável.
Temari: Hinata, pelo amor! – Minha amiga me abraça.
Ino: Que bom que acordou. – Diz sorrindo.
Pe. Micael: Hinata! Que susto nos deu, querida. – Diz enquanto me olha, mas parecida... Preocupado? Mas o que ele estava fazendo ali?
Pe. Micael: Eu vim a cidade para fazer compras, e estava no mercado quando Temari me ligou dizendo que você havia desmaiado. – Explica, vendo minha confusão. – Você me deixou muito preocupado, querida. E eu vim correndo direto para cá. – Finaliza ainda preocupado.
Hinata: Calma gente... Acho que foi só a pressão. – Digo tentando levantar. – E então, qual o sexo do bebê? – Pergunto tentando me livrar ignorar o gosto ruim que sinto em minha boca.
Ino: Um menino! – Sorri. – E uma menina... – Termina a sentença me olhando desconfiada.
Hinata: Como assim? – Pergunto surpresa. – São gêmeos, Temari?! – Automaticamente me sinto emocionada... Não soube explicar o porquê, mas era uma sensação tão linda.
Pe. Micael, Temari e Ino se entreolharam como se tentassem mentalmente saber o que responder, estavam estranhos, como se tentassem esconder algo de mim.
Hinata: Gente, o que foi? – Pergunto estranhando o comportamento deles. – Tema terá gêmeos! Temos que comemorar. – Sorrio.
Pe. Micael: Não, querida. – Diz alarmado. – Temari está esperando um menino. – Sorri. – Quem está grávida de uma menina é outra pessoa. – Como assim? Talvez...
Hinata: Ino, você também terá um bebê? – Pergunto curiosa, aquilo estava muito estranho.
Ino: Eu?! – Responde assustada. – Não sou eu, Hinata.
Hinata: Como assim? – Perguntei confusa. – Vocês estão me deixando assustada, gente. – Finalizei tensa.
Pe. Micael: Hinata, é que... – Não conseguiu terminar a fala e direcionou seu olhar para Ino.
Ino: Bom, Hinata... Você... – Foi interrompida bruscamente por Temari.
Temari: É você, Hina! – Disse enquanto me olhava intensamente. – Você está grávida de 24 semanas... E seu bebê é uma menina.
Hinata: O quê? Não pode ser. – Levo as mãos à boca, enquanto sinto lágrimas descerem silenciosamente pele minha face. – Eu serei mãe novamente?
Todos me olham, enquanto Ino assente com a cabeça, Pe. Micael se senta ao meu lado na cama e segura minha mão direita, seguido por Temari que se senta também ao meu lado e segura minha mão esquerda.
Fale com o autor