Todas as estrelas

9 Perca o juízo, é o melhor a se fazer


Notas iniciais
Uma nota mega especial de início! Quero fazer um agradecimento especial à Laisve, que leu esta capítulo da fic e me ajudou com alguns ajustes, além de dicas para a condução do próximo! Bjos mil para nossa Mestre Anciã Cor-de-rosa!

Com o passar do tempo, as coisas foram ficando mais tensas e, de certa maneira, piores no Santuário de Atena. As ameaças e acusações contra Aiolia haviam diminuído consideravelmente após a batalha contra os titãs, mas no geral, o ambiente continuava extremamente pesado. E, Aiolia não deixou de notar, alguns cavaleiros de ouro pareciam mais próximos do Grande Mestre e donos de certos privilégios por conta disso.

Afrodite de Peixes, Máscara da Morte de Câncer e Shura de Capricórnio. Com os dois primeiros pouco se importava, mas com o espanhol... De alguma maneira o incomodava saber que o cavaleiro da décima casa havia se tornado um homem tão fiel e obediente ao Patriarca que, de uma maneira que Aiolia, não sabia explicar, parecia ser um homem extremamente perturbado.

Cada vez mais chegavam ao Santuário notícias de rebeliões e questionamentos vindos de diversos locais onde havia aliados, pessoas que se recusavam a obedecer a ordens cada vez mais insanas do Patriarca. E, o leonino notou, que quando alguma dessas notícias chegava, na maior parte das vezes era Shura quem era enviado ao local para conter a rebelião. Obediência era uma regra primordial no Santuário de Atena.

Obediência. Era tudo e nada ao menos tempo. Todavia, para Aiolia, era uma regra a ser cumprida, ainda que de alguma maneira questionável.

Motivo pelo qual não se opunha ao fato de que Mu de Áries ainda vivia exilado em Jamiel, uma vez que devido a sua patente não precisava mais de treinamento. Era certo que o Patriarca enviava periodicamente Aldebaran ao encontro do lemuriano no intuito de espioná-lo e reportar qualquer problema ao Santuário, entretanto em seu íntimo tinha certeza de que o Taurino na realidade acobertava o amigo...

Amigo...

Aquela palavra deixara de ter um significado para Aiolia há muito tempo.

Quando Aiolos traiu o Santuário. Quando Shura se tornou um “aprendiz de déspota”.

Quando ele próprio acabou por se tornar um renegado, embora fosse um Cavaleiro de Ouro.

O Santuário estava passando por uma nova fase, novos aprendizes chegavam semanalmente para treinamento, vindos de diversas partes do mundo. Entre eles, diversos asiáticos que eram mal vistos pela grande maioria de moradores locais. Ao contrário de boa parte deles, Aiolia reconhecia algum valor em seus esforços e objetivos. A Amazona de Águia, por exemplo, era japonesa e tinha boa técnica e comprometimento.

O que o incomodava era o fato de que além ele, apenas Milo ou Aldebaran demonstravam algum respeito e consideração por ela ou seu pequeno aprendiz, Seiya. Os demais nada faziam para impedir ou repreender que outras amazonas, soldados e até crianças os atacassem de maneira cruel e preconceituosa. Nem mesmo Shura, que se dizia tão fiel à justiça e seus princípios.

Entretanto, Aiolia já havia notado que o espanhol se mostrava incomodado com a gentileza e atenção que ele, Aiolia, dispensava à amazona. Qual era o problema daquele espanhol de merda, afinal?

O incômodo... O sentimento que tentava vir à tona junto dele... Eram fortemente sufocados em seu íntimo todas às vezes. Dignidade. Este era seu mantra.

No entanto, como deixar adormecido de maneira permanente um sentimento que ainda não se libertou totalmente e parece ansiar por isso? Algo frio demais para viver, mas ao mesmo tempo tão jovem para morrer. E que logo seria trazido à tona como uma avalanche...

Era um fim de tarde e Aiolia estava em sua casa, acompanhado da Amazona de Águia. Não era uma visita informal, ou um convite para uma tarde de risadas entre amigos, Marin precisava de alguns itens médicos emprestados para cuidar dos ferimentos de Seiya pós-treino e a enfermaria do Santuário já estava fechada àquela hora. Solícito, Aiolia lhe emprestou os itens e estavam saindo da casa, rindo de uma piada qualquer feita por ele quando ouviram o barulho de passos, vindos da escadaria.

Shura de Capricórnio, voltando de uma missão a mando do Grande Mestre. Estancou no último degrau, encarando Aiolia e Marin, que pararam de rir no mesmo instante.

— Boa tarde, Cavaleiro de Capricórnio... – Marin o cumprimentou de maneira gentil, mas firme. Shura fingiu que não ouviu e se dirigiu à Aiolia, ríspido.

— O que uma Amazona de patente inferior faz aqui, nas Doze Casas?

Marin arqueou uma sobrancelha por baixo da máscara, estranhando a postura do Cavaleiro de Capricórnio e a acidez de suas palavras. Aiolia, por sua vez, cruzou os braços sobre o peito e devolveu o olhar estreito e sério ao espanhol. Não estava gostando nada do olhar do espanhol sobre a Amazona.

— Antes de qualquer coisa, esta Amazona tem nome, e é Marin. E segundo, estamos na entrada da minha casa, portanto eu recebo em Leão a pessoa que eu quiser.... E Marin será sempre bem vinda aqui.

— Eu... – Marin sentiu que seu rosto estava um tanto quente por debaixo da máscara – Eu vou voltar para a Vila das Amazonas, Cavaleiro de Leão, Seiya está me esperando para o jantar. Obrigada por sua ajuda. – ela agradeceu por fim, segurando em suas mãos um pequeno saco de papel pardo.

E então ela desceu as escadas acenando uma despedida, sentindo no ar toda tensão que havia entre Shura e Aiolia. O espanhol sequer moveu um olhar na direção dela, continuou parado encarando Aiolia.

—A Marin precisava de alguns curativos e bandagens, mas como a enfermaria já estava fechada, eu disse a ela para subir aqui em Leão após o treino que eu emprestaria alguns a ela.

—Eu não tenho nada com isso, Cavaleiro. – disse Shura impassível, mas percebendo tarde demais a contradição de sua atitude, uma vez que questionara a pouco a presença da Amazona ali.

O leonino, por sua vez, descruzou os braços e virou-se de costas para o outro, bufando irritado. Entrou depressa por sua casa. Contudo, obviamente, não o fez em silêncio.

— Se quer autorização para passagem, vá logo! Inferno... – Shura se pôs a caminho, e acabou ouvindo o que Aiolia resmungava pouco à frente de si -Tenho certeza de que está louco para deixar sua armadura em Capricórnio e ir atrás do Patriarca, igual um cachorrinho adestrado querendo sua recompensa...

Então, de repente, Aiolia sentiu uma mudança na direção do vento e seu corpo ser jogado contra uma das pilastras do grande salão da casa de Leão. Quando deu por si, estava frente a frente com Shura, que o segurava pela gola da camiseta, os olhos vermelhos de raiva incontida.

— O que disse, Aiolia?

— Alguma mentira, Shura? – Questionou, com um leve sarcasmo – Não foi isso que você se tornou, o cachorrinho do Grande Mestre? Tal qual Afrodite e Máscara da Morte...

— Você não faz ideia da merda que está dizendo, bastardo!

— Não? Então por que não me diz? Hein? – O rapaz praticamente cuspia suas palavras – Aproveita e me conta, por que mesmo se dizendo o melhor amigo do meu irmão, você o matou? E por que mesmo sabendo que tem algo errado com o Patriarca, você continua seguindo as ordens dele de maneira tão cega?

— Você não tem o direito de questionar nada, Aiolia! – Shura disse, soltando o rapaz e se afastando.

Mas não foi mais do que um ou dois passos. Furioso com as evasivas de Shura, Aiolia o acertou com um soco, que fez seu corpo cambalear para trás. O Cavaleiro de Leão investiu ainda uma segunda vez contra ele, mas, desta vez Shura estava esperto e bloqueou seu soco. Segurou o punho fechado no ar, a poucos centímetros de seu rosto. Muito mais perto do que gostaria.

— Por que... – Aiolia disse, ofegante e com a voz baixa, quase inaudível – Você me odeia, Shura?...

Os olhos negros de lince o encaravam, de maneira receosa. A respiração dele era cada vez mais pesada e quente. Não queria, ou melhor, não podia continuar com seu olhar preso ao de Shura, senão ele...

O Capricorniano enxergaria naqueles olhos de ressaca a verdade que ele, Aiolia, queria esconder. No entanto, ao menos naquele momento, seu corpo não queria se afastar de Shura. Mas era preciso manter o controle e sobretudo, as aparências.

—A passagem já foi concedida, Cavaleiro. – Aiolia disse, mas sem deixar de encarar Shura – Não há por que continuar na presença do irmão do traidor.

E talvez não houvesse mesmo um porquê. Apenas... Talvez...

Ainda segurando o punho de Aiolia no ar, Shura o puxou para mais perto e o beijou. Antes que pudesse entender o que acontecia, as mãos de Aiolia já estavam em sua nuca, puxando com certa força seus cabelos curtos, a língua dele explorava sua boca e se enroscava à sua, era um beijo faminto, urgente, extremo... Shura agarrou a cintura de Aiolia, colando o corpo ligeiramente menor ao seu, abandonando os lábios de leão para morder sua orelha e pescoço, fazendo com que Aiolia jogasse a cabeça para trás totalmente entregue...

Sem dizer uma única palavra ou mesmo apartar o contato, ambos adentraram a área privativa da casa de Leão, mesmo não sendo o “anfitrião”, era Shura que, de certo modo, guiava a ambos pelo corredor.

Notas finais
E, obviamente, deixei a "ação" para o próximo capítulo! Aliás, tocando no quesito ação, este capítulo e o próximo tiveram, uma mudança no tema, ambos forame scritos aos som de "Jungle" do X Ambassadors https://www.youtube.com/watch?v=aqXW57WM9TA E, lembrando sempre, este enredo existe sob a perspectiva do Shura em "Poeira ao vento"
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.