Todas as estrelas
8 Eu reconheço essa sua falsa confiança
Notas iniciais
Se a sagrada armadura de ouro de Leão o havia aceitado como seu portador, então aquele era um claro sinal de que ele, Aiolia, era um homem digno de ser um cavaleiro. O que, no final das contas, apenas aumentava as incertezas que ele próprio tinha sobre a traição de Aiolos, algo que martelava bem fundo em algum canto que julgava esquecido do seu coração.
Precisava de respostas, mas do que qualquer outro ali naquele Santuário. Precisava entender o que de fato seu irmão havia feito e por que... Porque um homem como Shura, que se dizia o melhor amigo de Aiolos, havia aceitado tão facilmente aquela história, sem um único questionamento! Mas, não seria nada fácil fazê-lo. Uma vez, ouviu de um dos servos mais antigos do local que a paz para os santos de Atena era um conceito efêmero*. Que ela, de fato, nunca iria existir ou ser vivenciada por seus soldados, fossem eles homens ou mulheres.
O Santuário estava sendo invadido pelos titãs. E proteger o local e principalmente Atena, era sua principal missão como cavaleiro. Mais do que isso! Para ele, era a oportunidade de provar seu valor e honra como homem e como cavaleiro, clara a boca dos moradores e soldados que ainda o desprezavam por seu sangue e família.
E, mais do que isso... O Santuário era também o lar de Garan e Lithus, o servo fiel e a garota que salvara a vida. Por eles, não permitiria que o inimigo destruísse a tudo e todos. No entanto...
A luta pela proteção do Santuário e da deusa Atena era a missão de todo cavaleiro de ouro... Então por que apenas ele se mostrava tão engajado nessa missão? Por que o Grande Mestre se mostrava indiferente ao que estava acontecendo, por que cavaleiros tão poderosos como Máscara da Morte ou Afrodite não se moviam para o confronto?
Shura... O cavaleiro de Capricórnio havia se rendido à luta, mas dele não podia esperar outra posição, afinal... Não era aquele espanhol desgraçado que se vangloriava de ser o cavaleiro mais fiel à Atena? Mas... Aiolia não podia negar que a ajuda dele era bem vinda e lhe trazia uma certa...
Não.
Shura era o assassino do seu irmão.
E ele, Aiolia, era o cavaleiro de ouro de Leão. Poderia não ser um herói lendário como Ílias, mas não desistiria de lutar enquanto houvesse uma punica ameaça, um titã que fosse em pé. Lutaria Por Garan, Lithus e todos que, de alguma maneira, dependiam de si...
A luta foi do Santuário para o Tártaro, ele estava sozinho, iria enfrentar todos os aliados de Cronos por si somente. Ao menos era o que pensava, afinal, quem seria capaz de lutar lado a lado com o irmão do traidor, o cavaleiro de sangue ruim?
Milo de Escorpião. Camus de Aquário. Aldebaran de Touro. Shaka de Virgem.
Atendendo ao chamado de Mu de Áries, os quatro cavaleiros de ouro surgem no Tártaro para auxílio de Aiolia. Ainda que não perceba, Aiolia sente de alguma maneira seu coração se aquecer. Mas por que justo ele tinha de estar ali também?
Shura de Capricórnio. O que estava fazendo ali? Queria ter certeza de que ele, Aiolia, não sobreviveria à batalha ou...
Olhos de ressaca que encaram e tentam decifrar o olhar que o espanhol lhe dirige...
Não há tempo para divagações, nem dúvidas. Incerteza alguma.
Algum tempo depois, Aiolia desperta, está de volta ao Santuário. Confuso, ele vê que está deitado em frente ao túmulo do irmão. Mas por qual motivo? Lembrava-se de se atirar á escuridão junto de Cronos, para morrer com o titã e finalmente vencê-lo, então... Por que Cronos o salvou?
Aiolia levantava-se até ficar de joelhos em frente à lápide de Aiolos. Está sujo, cansado, cheio de sangue. Uma estranha paz toma conta de seu coração. Lithus e Garan correm ao seu encontro, ambos estão bem.
Mas, de certa maneira, Aiolia sabe que nada é como de fato parece...
Sobreviver.
Aquela palavra seria uma prioridade...
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