Notas iniciais
Boa leitura!

Nunca pedi tua amizade. Você se assustou facilmente comigo, e a minha intenção não foi mais do que uma tentativa de desfazer aquele mal-entendido, causado por meus olhos defeituosos, os quais faziam com que eu te olhasse feio, como se não tivesse apreciado a sua personalidade infantil. Convidei-te para um café. Logo, você quis aproximar-se. E eu quis distância. Mas teu olhar era tão dócil que decidi partir mais tarde.

Nunca pedi teu afago. Você que chorava facilmente me flagrou aos prantos por um mero animê, e desesperado pensou que algo muito grave tivesse acontecido. Por ser tão imaturo, optou pelo silêncio e passou suas mãos morenas no meu cabelo, dando leves toques enquanto eu tentava esconder meu rosto molhado. Murmurei um “obrigado”. Logo, você quis saber o meu bem-estar. E eu quis distância. Mas tua preocupação era tão sincera que decidi partir mais tarde.

Nunca pedi teu abraço. Você, carinhoso, agarrava Taemin assim que o avistava, e por eu invejar tua confiança em outra pessoa, você entendeu errado o meu olhar e decidiu abraçar-me a cada vez que me via, enlaçando-me sem medo algum, apertando-me carinhosamente enquanto eu colocava a cabeça em teu ombro, por reflexo. Respirei fundo em teu pescoço. Logo, você quis me abraçar mais forte. E eu quis distância. Mas teus braços eram tão aconchegantes que decidi partir mais tarde.

Nunca pedi teu beijo. Você se envergonhou quando nossos lábios se encostaram por acaso, e por não conseguir esconder seus sentimentos, beijou-me outra vez, fechando seus olhos e encontrando minha boca. Retribuí com a mesma intensidade, colocando minhas mãos no seu pescoço, ficando na ponta dos pés para te alcançar. Logo, você quis repetir a dose várias vezes mais. E eu quis distância. Mas teu beijo era tão viciante que decidi partir mais tarde.

Nunca pedi teu amor. Você que dizia não se apaixonar facilmente, surpreendeu-me ao fazer uma declaração inusitada, entregando-me um poema engraçado sobre estar apaixonado por um amigo, a caligrafia toda borrada por estar nervoso, suas mãos tremendo por me estender o papel de carta azul. Li a declaração e fiquei vermelho, a cor piorando ainda mais depois do seu audível “eu gosto de você”. Logo, você aguardou por uma resposta. E eu quis distância. Mas tuas palavras me fizeram tão feliz que eu te abracei, emocionado, e decidi partir mais tarde.

Nunca pedi tua partida. Você, imprevisível, sumiu sem deixar ao menos um bilhete explicando o motivo de abandonar-me e deixar-me à deriva. Chorei incontrolavelmente. Logo, você nunca mais voltou. E eu nunca quis distância. Mas tua partida me fez tão mal que decidi que o melhor teria sido não partir mais tarde.

Pois todas as criaturas do mundo morrem sozinhas.

Notas finais
Obrigada por ter lido!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!