Todas as Estrelas se Apagam

6 Queima, queima, estrelinha


Sett é o último a acordar e a primeira coisa que ele vê é Rakan agachado ao seu lado segurando um pequeno frasco esférico com um líquido vermelho que parece brilhar. Ele coloca o fraco na boca de seu parceiro e o faz engolir.

— Bebe — diz Rakan, tranquilamente. — Vai te fazer bem.

E assim Sett obedece. O gosto amargo provoca uma cara feia, mas ele sente sua energia voltar rapidamente aos poucos. Ele se levanta e abraça Rakan, cheirando seu cabelo impecavelmente limpo.

— Que bom que está bem.

Rakan prende a capa de Sett de volta no seu companheiro e o empurra com carinho.

— Eu só me descuidei um pouco, não foi nada.

Sett olha em volta e se vê perdido. Estão dentro de alguma construção gigante, com o teto muito alto, em ruínas. Lembra um desses palácios da Grécia Antiga que um dia vira imagens nos livros de História da escola.

Ele vai caminhando até uma brecha alta perto da parede e fica chocado com o que vê: o céu azul noturno de Valoran se tornou em um tom de roxo escuro, e vários objetos gigantes e coloridos planam perto do planeta, como se fossem luas muito próximas. Sarah, ainda suja por ter saído do estomago daquele bicho gigante, se aproxima de Sett.

— Não estamos mais na terra — ela diz, por fim.

Sett se vira, aterrorizado.

— Onde estamos? Nunca mais vou ver a mamis?

Com a palavra cômica, Sarah prende a risada e disfarça com um assopro.

— Relaxa, bebezão. A gente vai dar um jeito. Mas não podemos ir embora enquanto estamos ameaçados. Temos que lutar.

Sett concorda.

Eles voltam para o grupo de Guardiões. Ambos atordoados, mas conscientes. Ahri diz que isso foi obra de Zoe, a grande vilã da história. Ela abrira um portal da mesma forma que trouxera o exército de criaturas, os trazendo para um outro planeta — quem sabe outra galáxia.

A conversa é interrompida quando um grande vórtex faz balançar as saias das garotas. Aquela espiral de vento surgiu do nada e está soprando toda a poeira da ruína em que estão. Neeko tem medo de que as colunas cedam, mas outra coisa chama sua atenção: uma garota segurando um cajado sai do vórtice e voa para longe dele.

Sett reconheceu Janna pelos cabelos roxos presos por uma tiara de estrela com asas, mas dessa vez estão volumosos e parecem voar sobre a sua cabeça. Ela usa um vestido parecido com os das outras Guardiãs, mas com detalhes roxos e quatro tiras de véu nas pontas da saia. Ela está acompanhada de seu gato, Zéfiro, que não muda nada. Eu sabia que tinha algo de errado com esse gato, pensou Sett, mas preferiu analisar a situação. Janna está cansada, suando. Ela parece estar fugindo de alguém.

— Janna!?

Quando a garota nota a presença do outro grupo, ela grita:

— Cuidado!

Do portal de vento, que ainda estava aberto, sai voando um taco de beisebol com detalhes azul e acerta Sett em cheio na cara, o derrubando facilmente. Xayah levanta uma sobrancelha.

— Fracote.

Depois do taco, um garoto surge do vórtex e segura o taco de volta. Ele pula para longe do grupo e fica em retaguarda. Sett levanta a cabeça quando vê mais dois rapazes saindo do portal. São Ekko, Vladimir e Darius, seu arqui-inimigo. Sett fica de pé em um único salto.

— Que porra estão fazendo aqui?

Ambos usam um traje parecido com os das Guardiãs, mas em vez da cor branca, são todos pretos com características únicas. Ekko tem detalhes azuis, os de Vladimir são rosa e Darius, vermelho. Vladimir tem uma capa um pouco maior da de Sett, enquanto Darius tem armadura em locais precisos e segura um machado com a lâmina maior que o seu tórax musculoso e Ekko não tem as mangas da blusa. Além disso, um morceguinho rosa prende as patas no ombro de Vladimir, enquanto uma libélula gorduchinha azul bate as asas próxima de Ekko.

Ahri se põe na frente, empurrando Sett com os dedos.

— Vladimir! Eu sabia que ela tinha recrutado novos Guardiões, mas não imaginei que fossem fracassados como vocês.

O morceguinho salta no ar e o jovem pálido o manipula como uma orbe tão rosa quanto a de sua rival, mas ela parece puxar o brilho para dentro, diferente da de Ahri, que ilumina tudo ao redor.

— Olhe para mim! Eu sou forte, como nos videogames!

Antes que a raposa continuasse a discutir, Sett se põe na frente.

— Vocês são otários! Estão do lado errado da história e vamos acabar com vocês!

Darius ri.

— Seu idiota. Pensa que vão nos derrotar com purpurina?

Ekko aproveita que estão brincando de novela e chuta seu taco para cima, o arremessando novamente na cara de Sett, com sucesso. Irritado, ele pega o taco e o joga de volta, mas sem a mesma precisão de seu inimigo e passa longe.

— Para de jogar isso e vem lutar de verdade!

Mas quem corre para cima é Darius, erguendo seu machado. Sett, motivado, corre também. Janna usa seu cajado para criar uma aura protetora de vento ao redor de seu aliado, porém ele é quebrado facilmente com uma batida da arma de Darius. Sett aproveita o tempo que ele perde tentando levantar o machado de volta e soca seu queixo por baixo, o fazendo cambalear para trás.

— Guardiãs! — exclama Ahri, mas é interrompida por Xayah.

— A gente já sabe. Em formação. — Ela imita as falas de sua líder enquanto dá alguns passos para trás e saca suas penas afiadas.

Enquanto Sett e Darius continuam trocando soco, Ekko apanha o seu bastão e arremessa seu animalzinho carregando o que parece ser uma estrela escura no grupo de mocinhos. O morceguinho solta a estrela quando se aproxima, que se expande em uma cúpula azulada refletida, diminuindo a velocidade de todos dentro dela cada vez mais. Rakan e Neeko, ágeis, conseguem saltar para fora dela a tempo, mas todas as outras garotas que ficaram para trás agora são estátuas, presas sob a redoma de Ekko.

Rakan salta para perto de Sett e joga uma pluma na cara de Darius, fazendo-o cambalear para trás e balançar seu machado contra o nada. O vastaya beija Sett na boca e salta para perto de Neeko. Sem perceber que o beijo restaurou um pouco de sua energia, Sett estremece e enrubesce, e dá mais um soco em Darius que revida com outro. Sempre que Darius tenta usar seu machado pesado, Sett defende com sua estrela dura presa na sua luva direita.

— Eu cuido do Ekko — diz Rakan para Neeko, que assente e corre na direção de Vladimir, que apenas observava a cena bocejando.

Dessa vez, Neeko prefere lutar como ela mesma, sem usar as habilidades de suas colegas.

— Eu fiz suas provas!

Vladimir revira os olhos, entediado.

— E eu tirei noventa e cinco pontos. Eu te paguei por cem.

Neeko o amaldiçoa antes de jogar uma serpentina mágica pela cauda pesada, prendendo as pernas Vladimir por alguns segundos e o derrubando. Isso não o impediu de arremessar sua esfera e machucar drasticamente a pequena camaleoa. Quando a esfera volta, Vladimir se sente restaurado e se levanta.

— Agradeço.

No mesmo momento, Neeko fica de pé e junta as sobrancelhas, como um cachorro de rua furioso.

— Neeko é tomatinho fortão!

E joga o sapo Towa em cima de seu inimigo, que explode três vezes e derruba Vladimir mais uma vez.

Enquanto isso, Rakan circula Ekko com passos precisos e rápidos. O inimigo balança seu bastão, mas Rakan consegue desviar como o vento.

— Não consegue, né? — Provoca Rakan, empurrando Ekko sempre que abre uma oportunidade.

Ekko começa a ficar zonzo com os círculos que Rakan faz em torno de si e acaba tomando vários socos por de trás na cabeça.

— Peteleco!

— Fica parado, não seja ridículo!

Sem parar de correr, Rakan gargalha.

— Eu estou sendo ridículo?

Ekko ergue seu bastão para frente na altura das pernas e Rakan, sem perceber, tropeça em cheio.

— Ai!

— Te peguei.

Rakan, ainda deitado, se vira e apoia a cabeça no punho fechado, assoprando as unhas da outra mão.

— E vai fazer o quê? Me matar de tédio? Você não faz nada além de balançar esse brinquedinho que você deve usar para outras coisas quando não tem ninguém olhando.

Furioso, Ekko se prepara para golpear Rakan em cheio enquanto ele está deitado no chão, este por sua vez se levanta rapidamente e circula o corpo de Ekko muito perto várias vezes enquanto sua asa brilha lindamente um tom de verde claro. Depois, ele corre para ajudar Neeko.

— Come minha poeira estelar! — grita, olhando para trás. Ekko cai no chão com sua cabeça girando e com enjoo. — Fraquinho.

Rakan chega perto de Vladimir e o joga para trás com sua asa pesada e grossa. Ele cai cansado, não foi derrotado ainda, mas não tem vontade de se levantar. Sabia que isso era perca de tempo, preferira ter ficado em casa aproveitando a suspensão com seus videogames.

Darius e Sett não tinham terminado ainda. Darius conseguira acertar Sett algumas vezes com seu machado. Ele sangra, mas não é o suficiente para pará-lo. Seus socos continuam rápidos e fortes.

Sett o empurra com um soco e vê a lâmina do machado de seu inimigo brilhar. Tão vermelho que não consegue ver o seu sangue que escorre dela. Sett cai sobre o próprio joelho, cansado, enquanto Darius limpa seu rosto com as luvas surradas e escuras, sentindo a lâmina mais pesada que o normal, e diz:

— Testemunhe a verdadeira força.

Ele empunha seu machado com as duas mãos e dá um salto muito alto com a ajuda do morceguinho rosa e da libélula gorduchinha azul, e desce com tudo mirando em Sett. Rakan, que via de longe, reage rápido: ele bate as asas e dá um longo e breve salto até seu companheiro e o protege com suas asas e sua capa. Sett grita uma exclamação, mas ambos são atingidos pela força brutal de Darius, Rakan tendo absorvido todo o impacto. Ele cai nos braços de Sett, derrotado.

— Ai, isso doeu.

— Sh-shh! — Sett acaricia a bochecha de seu amado que luta para não fechar os olhos. — Não força. Você não precisava fazer isso.

Rakan ri.

— Claro que precisava. Relaxa, eu não vou morrer, meus escudos conjurados são fortes.

Darius gargalha.

— É claro, os vastaya estão apaixonadinhos!

Neeko aparece correndo de quatro patas, com seu olhar furioso. Darius se prepara para atacá-la, correndo para cima dela de volta.

— Não mexer com os amigos de Neeko!

A voz veio de outro lado. A garota que Darius corria atrás era só um clone projetado que se desfaz em poeira. Neeko prospera uma gigantesca flor embaixo de si atrás de Darius e salta no ar, fazendo com que todo o chão ao redor deles exploda em amarelo, a cor de sua estrela.

Darius, derrotado, cai ajoelhado. Sua roupa rasgada, seu peito puxando ar sem parar. Sett abandona Rakan e vê uma oportunidade perfeita para atacar.

— Hora de finalizar!

Ele corre em sua velocidade máxima e agarra Darius, saltando e o levando junto de ponta-cabeça. Ao aterrissar, uma cratera se abre e sobe uma grande nuvem de poeira. Darius solta um alto lamento, fecha os olhos e declara derrota, exausto. Sett bate as mãos para tirar a poeira das luvas.

Neeko corre para ajudar suas amigas, que continuavam paradas no tempo.

— Hum, Neeko confusa.

Janna, que também estava presa sob a redoma, invoca ventos revigorantes do seu cajado, tão fortes e refrescantes, que quebra como vidro a cúpula de Ekko e se desfaz como mágica. Como tudo é. Sarah cambaleia para trás e tropeça.

— Ai, que dor nas costas!

Ahri olha para os Guardiões inimigos deitados no chão e mexe as orelhas quando ouve a respiração de Rakan. Xayah também ouve e corre para sua alma-gêmea.

— O que aconteceu aqui? — Pergunta a líder, parabenizando por conseguirem derrotar todos os inimigos sozinhos.

— A gente acabou com eles! — responde Neeko, entusiasmada.

— É — diz Xayah —, eles acabaram com o Rakan também.

Sett segura a mão de Xayah enquanto segura Rakan com o outro braço, apoiando-o no seu joelho.

— Ele me salvou.

Rakan ri e puxa Xayah para um abraço triplo.

— Relaxa, amor, o gatinho aqui é duro na queda.

Com o abraço, o coração de Sett amolece. Ele não quer soltá-los nunca mais.

Janna, que flutua a meio metro acima do chão, chama a atenção de todos.

— Ainda não acabou! Zoe ainda está por aí esperando uma abertura.

Neeko monta retaguarda, analisando cada perímetro.

— Neeko proteger.

Sett deixa Xayah cuidando de seu amor e se levanta, concordando com Neeko.

— Ela está certa, não podemos deixar essa abertura passar. Janna, conte-nos o que você sabe.

Ela balança a cabeça e todos os outros fazem um círculo ao redor dela.

— Um pouco antes de Sett receber sua estrela, Zoe já tinha planejado os ataques. Ela convenceu os garotos a se unirem a ela e os deu estrelas corrompidas, que um dia pertencera a Guardiões fortes. Por isso seus trajes são assim, escuros. O primeiro ataque foi apenas para testar vocês, já no segundo ela não contava com um Guardião a mais na equipe e acabou perdendo todo o exército, mas ela não se deu por vencida e os trouxeram para cá do mesmo jeito. Eu sinceramente não sei onde estamos, mas consegui rastrear a estrela recém-nascida de Sett e criei um portal para algum lugar perto. Fui surpreendida e encurralada por esse bobocas que não acertavam nada e consegui achar vocês quando senti a força juvenil de Sett. Não foi difícil, mas eles acabaram me seguindo. Eu sinto muito, mas vocês conseguiram derrotá-los, bom trabalho!

Neeko soca o ar e repete:

— Neeko proteger!

Sarah prende Boki e Baki no seu colo.

— Pode nos levar de volta?

Janna confirma com a cabeça, mas antes que ela possa fazer qualquer coisa, uma forte pancada explode nas suas costas e a joga longe. Rakan, que estava deitado, salta do chão carregando Xayah para perto de seus amigos, todos olhando em volta.

— De onde veio isso? — Pergunta Rakan, surpreso.

— Deve ter sido Zoe — responde Ahri. — Ela é poderosa, fez parte do primeiro grupo de Guardiãs. Reza a lenda que depois de ter se rebelado e traído a Primeira Estrela, ela teve seus poderes reivindicados e sua voz silenciada para todo o sempre. Ela forjou seu próprio poder, a matéria corrompida. É tão forte que é capaz de corromper estrelas brilhantes sem nenhum esforço.

Xayah coça a cabeça.

— Voz silenciada? Bem que me disseram que tinha uma mudinha no primeiro ano.

— Isso é sério, Xayah! — repreende Sarah. Ela estava tão concentrada na história de Ahri que não vira uma pequena gema estelar vindo rapidamente na sua direção, a atingindo em cheio no estomago e a arremessando na direção oposta de Janna, a apagando na hora. Xayah se assusta.

— Merda!

Um portal escuro materializa-se acima deles e de dentro surge a grande vilã. Zoe, tão pequena, mas tão agressiva, usa um vestido escuro de tutu com uma estrela roxa no meio do peito. Outra estrela roxa está centralizada em sua tiara que separa da testa um longo e volumoso cabelo azulado e brilhante.

— Eu vou te pegar, sua desgraçada! — exclama Xayah, ouvindo apenas uma risadinha de volta.

Antes que ela pudesse lançar uma pena, Zoe levanta uma mão e Xayah grita, como se estivesse sendo devorada de fora para dentro.

— Rakan! — ela pede e ele corre para tentar ajudá-la.

Ahri salta e tenta derrubar Zoe com sua esfera, mas a inimiga é mais rápida e entra de volta no portal e o fecha. Quando Ahri toca o chão, Zoe abre outro portal atrás dela e traz consigo uma estrelinha desviada e também derruba a líder do grupo.

Sett não sabe o que fazer. Se vê perdido. Xayah continua se contorcendo e sua roupa começa a escurecer, como a dos meninos. Uma risada soa antes de Sett e Neeko também se contorcerem em dor. É demais para o adolescente aguentar. Não é como lutar contra Darius, é como se estivesse sendo cozido vivo. Dói. Neeko tenta lutar contra a escuridão, mas é tão forte que ela só tenta sobreviver mais um pouco.

— Rakan — murmura Sett.

O vastaya olha e se apavora. Toda a sua equipe está abatida. Xayah está indo embora, Neeko e Sett estão se contorcendo em dor. Ele ouve uma risadinha irritante e vê Zoe indo embora por um portal escuro. Ela se safou dessa vez, deixando todos os soldados gravemente feridos.

— Rakan — diz Xayah, por fim. — Salve-o.

— Mas e você!?

— Vamos estar juntos — ela responde. — Para sempre.

E seu brilho escurece, seus cabelos evaporam e Xayah se desfaz em pó.

Rakan concorda. Xayah já se foi e não tem mais volta, mas ele ainda pode salvar seu amor. Ele passa por Neeko, lutando, e sente um frio correr por sua espinha. Ele olha para trás e lá longe vê uma figura dourada correndo, se escondendo pela escuridão afora. Ele sabe que ela escapou e o chamariz que deixou para trás evapora, mas apenas Rakan sabe de seu segredo.

— Sett.

— Dói! — grita Sett, ajoelhado. — Dói!

Rakan o abraça e derrama algumas lágrimas.

— Todas as estrelas se apagam, Sett. — Ele beija o Guardião na boca, curando toda a dor que ele sente e sugando toda a escuridão que corrompe seu brilho. — Mas a sua não vai se apagar tão cedo.

Rakan, lotado de corrupção, cai nos braços de Sett e se apaga, partindo junto de Xayah. Sett tenta agarrar toda a poeira que um dia fora um vastaya jovem e animado. Ele lamenta e grita:

— Não!

Janna levanta devagar e invoca outro furacão refrescante, mas dessa vez regenerando as energias de todo mundo, incluindo a de Sett. Ahri, ainda com dor, cambaleia até seu amigo e se agacha atrás dele, segurando seu ombro.

— Eles se foram, não é?

Ele apenas balança a cabeça, sentindo suas lágrimas quentes pingarem na sua luva suja e rasgada. Ahri soluça, apanhando as gemas quebradas e destruídas que seus companheiros deixaram para trás. A única evidência de que existiram.

— Eu sinto muito. Mas temos que ser fortes. Vamos reunir nossas forças e fortalecer nosso aprendizado para, futuramente, pegarmos essa desgraçada e fazer ela pagar caro por fazer isso com nossos amigos.

Ela se levanta, deixando o adolescente de coração devastado ter seu momento de luto. Ele sente que falhou, ele quem deveria ir no lugar de seus amigos. Do seu amor. E volta a chorar.

Sarah se aproxima de Sett e aponta para uma brecha bem grande no grande palácio. É noite e lá longe uma estrela brilha forte, igual a estrela que Sett vira no seu quarto no dia que beijou Rakan pela primeira vez. Primeiro no seu quarto, depois no parque. Ele nunca mais vai sentir seus lábios novamente.

— Lá! — diz Sarah, a voz rouca, triste, mas confiante. — Rakan ainda está lá fora em algum lugar nos observando e torcendo por nós. Você sabe como ele era. Ele é... positivo! E ele não está só, ele tem Xayah e Neeko para fazer companhia. Oh, Neeko! — Ela enfia os dedos no cabelo e abaixa a cabeça. — Tão inocente.

Sett, sem tirar os olhos da estrela, se levanta e desembravece de uma vez por todas:

— Não haverá misericórdia pelo que fizeram com vocês. Se você realmente estiver aí fora, Rakan, eu vou te encontrar. Eu sei que vou. É meu dever!

Janna finalmente abre um portal para a cidade de Valoran e Sett olha para trás mais uma vez antes de passar por ele, na esperança de Rakan aparecer de volta, mas a única coisa que ele vê são os corpos caídos dos três patetas da escola. Sett dá de ombros, eles devem saber o caminho de volta. Ele também vê algum bicho rechonchudo dourado pulando por aí, mas prefere deixar para lá e seguir em frente na sua jornada.

Quando chegam na cidade o sol já estava raiando, Ahri dá de recordação a estrela de quatro pontas azul que pertencera a Rakan. Sett a segura e a aperta bem forte. Ele já começa a ensaiar toda a história para contar para a sua mãe, que o deve aguardar com uma xicara de café matinal fazendo carinho em seu novo companheiro Fuwa.

Vingar Rakan será uma tarefa difícil e Sett terá muito tempo para se preparar até lá.

Mas vai.

Notas finais
Este foi o último capítulo! Obrigado a quem chegou até aqui e espero que tenham gostado ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!