Notas iniciais
"Como você tem a cara de pau de aparecer depois de uma semana e mais alguns dias, dona Jessie?!" Ai, acalmem-se meu povo. Tudo tem uma explicação. Mas eu explicarei ali em baixo, então os vejo lá. Só uma coisinha: tenho alguns leitores cujas fics eu também leio. Sei que não tenho aparecido, mas realmente não está dando. Não significa que eu perdi o amor pela fic de vocês, então já aproveito pra recomendar aqui Faça Suas Apostas, do divo Márcio Gabriel, e Amor Internacional, da diva Walker. Vou aparecer assim que der minha gente, e compensarei nos comentários. Por falar em comentários, responderei os lindos de vocês, enquanto ainda posso :( De novo, leiam as notas finais. E boa leitura!

Senhores, apresento-lhes Bianca Albertini, mãe da dona Anna.

(...) — Anna? Anna?! É você? – A voz preocupada do meu pai ecoou pelo celular.

– Sim, sou eu papai. – minha voz saiu fraca.

Ouvi-lo fez com que eu me lembrasse da minha cidade natal, dos meus amigos, da minha casa.

Anna, querida. Estou com tantas saudades! Por que você não nos mandou notícias? Já faz dois meses que está ai! Como estão indo as aulas? Tudo bem?

Sorri com o interrogatório. Típico de Alessandro Albertini.

– Sim papai, está tudo bem. Também estou com saudades. – hesitei por um momento. – E mamãe, onde está?

Sua mãe está no escritório, é claro. – papai anunciou com um breve suspiro. – Você sabe que ela vive pelo trabalho.

– Sim, eu sei. – respirei fundo, de repente notando que todas as minhas frases começavam com um “sim”, como em toda ligação com meu pai. Mordi o lábio inferior. – Ela ainda está com raiva?

Acho que ela já se acostumou à ideia de que você não quer ser uma advogada como ela. – papai afirmou com um tom duvidoso. – Mas não vamos falar disso meu bem. Do que você precisa? Quer que eu te mande mais dinheiro?

Ri com a pergunta. Eu realmente precisava de mais dinheiro. Na verdade, eu vivia reclamando do fato de Marcelo viver à custa dos pais, mas comigo não era muito diferente. Papai concordara desde o início que eu podia fazer seja lá o que eu quisesse. Já mamãe não foi muito a favor disso, o que a levou a me deixar contra a parede.

*Flashback on*

Eu estava sentada em uma poltrona, no meu quarto; o que eu ocupei durante toda a minha infância. Papeis de parede azuis, com pinturas de flores em uma linha horizontal. Teto branco com algumas luzes piscando em diversas cores. Pôsteres de algumas bandas grudados por todas as partes.

Escutava uma banda nova com meus fones de ouvido, completamente feliz por ter decidido fazer Música, como eu queria desde o início. Ainda mais com o meu melhor amigo. Seria perfeito.

Uma batida na porta interrompeu meus pensamentos. Gritei para que entrasse, tirando os fones, já imaginando quem poderia ser.

– Anna! – Bianca Albertini berrou, cruzando a porta do meu quarto. – Que história é essa de que você vai fazer... Música?! – pronunciou a última palavra com desprezo.

Tentei me explicar, mas as palavras simplesmente não saiam da minha boca.

– Mamãe... Eu...

– Eu o quê, Anna Clara?! – gritou ainda mais alto, arrastando os saltos até mim. Estava de terno, com uma blusa de colarinho por dentro, e uma saia lápis. A advogada e futura juíza, senhora minha mãe, sempre andava bem arrumada.

Inspirei o máximo de ar que pude, antes de me levantar.

– Direito, mamãe?! – perdi a paciência, batendo o pé. – Olhe pra mim! Tenho cara de quem quer ser advogada?

Senti-a me segurando pelo braço. Mamãe me arrastou até a cama, e me fez sentar ao seu lado.

Pareceu contar até três mentalmente... Algo que ela fazia muito. Eu, natural e consequentemente, também tinha o costume.

– Anna... – tentou soar mais calma. – Não foi isso o que nós planejamos? Desde que você era uma bebezinha, minha filha. Por que mudou de ideia agora?

Cruzei os braços, com o olhar baixo.

– Não mamãe, isso é o que você planejou pra mim. Eu nunca quis isso. Nunca. – falei num fio de voz, com medo de sua reação.

Ela respirou fundo, em vão. Eu já notava seu rosto ficar vermelho de raiva novamente, outra coisa que tínhamos em comum.

– Foi aquele Luiz, não foi?! Desde que você começou a andar com aquele garoto, tem agido diferente! Me respondendo, me desobedecendo... Não foi assim que eu te criei, Anna!

– Ora mamãe, por favor! – foi minha vez de gritar. – Ninguém fez nada comigo. Eu apenas cresci, quero tomar minhas próprias decisões.

Levantei-me, ficando em pé diante dela, ainda com os braços cruzados. Esperava por sua réplica.

– Tudo bem, Anna. – respondeu após alguns segundos. – Se é isso o que você quer. Mas saiba de uma coisa: se quer mesmo ir contra mim, que vá. Só fique sabendo que, a partir de hoje, eu não estarei mais aqui, já que você é tão grandinha e pode tomar suas próprias decisões. Eu não vou lhe dar um centavo para bancar essa escola de Música, então sugiro que arranje um trabalho. – as palavras saíam pesadas da sua boca, e eu não sei se aquilo doía mais em mim do que nela própria. – Procure um apartamento e fique livre de mim e das minhas exigências. – concluiu, se levantando.

Fiquei em silêncio, vendo-a se dirigir até a porta.

– Espera mãe... Não foi isso o que eu... – comecei a falar, porém ela já estava atravessando o corredor.

Então era aquilo? Mamãe havia me expulsado de casa?

Senti meu corpo amolecer. Apoiei-me na cama, caindo de joelhos. Enterrei o rosto no colchão, sentindo os olhos arderem e as lágrimas caírem.

...

Três horas depois do ocorrido, resolvi que seria melhor fazer o que ela pedira. Eu não tinha escolha. Não queria fazer um curso contra a minha vontade. E também não queria sair de casa, eu ainda era completamente dependente. Mas era o jeito. Arrumava as minhas coisas, com uma mistura de raiva, desespero, medo, tudo isso sob o olhar atento de Luiz.

– Ora Anna, isso é ridículo! – ele resolveu se pronunciar, detendo minhas mãos. – Você sabe que ela não falou sério. – ergueu uma sobrancelha, transformando a afirmação em pergunta. – Não sabe?

– É claro que ela falou sério, Luiz. Você não vê? A mamãe é muito cabeça-dura. – suspirei, colocando de volta as roupas que Luiz insistia em tirar do lugar. – Se eu não fizer o que ela quer, vai ser isso mesmo.

– Mas... Anna! – bufou, alcançando minhas mãos mais uma vez e as prendendo. – Escute aqui, você não vai sair de casa porcaria nenhuma. Está ouvindo?!

Abaixei a cabeça, cansada de discutir. Eu entendia que Luiz estava preocupado, afinal, era óbvio que eu mal conseguia me virar sozinha. Mas que escolha eu tinha?

– Eu vou. – falei num fio de voz. – E vou trocar pra Universidade da capital. Não quero continuar aqui.

Luiz se levantou subitamente, surpreso com a notícia.

– Vai sair da cidade? – perguntou descrente. – Você viveu toda a sua vida aqui, cresceu aqui! Pense direito Anna, por favor.

Terminei de arrumar as roupas que Luiz havia bagunçado, e me levantei para encará-lo.

– Eu já pensei, e estou decidida. – afirmei, com os braços cruzados.

Luiz tomou ar, pensativo.

– Certo. E como você vai se sustentar?

Desviei o olhar. Eu não sabia ainda, mas daria um jeito.

– Eu... Vou trabalhar. – respondi de repente.

Luiz franziu o cenho.

– Trabalhar...? Anna Clara Albertini, trabalhando. – gargalhou sonoramente com as próprias palavras. – Aí está algo que eu preciso ver.

Fechei a cara diante da provocação. Que problema tinha? Eu podia muito bem trabalhar, sim. Certo...?

– Cale-se. Pode ficar tranquilo, porque é algo que você não vai ver. Eu vou embora, é definitivo. – anunciei.

Luiz se aproximou, afastando um punhado de cabelo dos meus ombros.

– Pode acreditar que eu não vou perder isso por nada, meu bem. – piscou, beijando a minha testa.

Levantei o rosto para fitá-lo, confusa.

– Como assim? Você não está dizendo que... – arregalei os olhos. – Está?

Luiz me puxou pra perto dele, me cobrindo com um abraço.

– Eu vou com você, é claro. – sussurrou, trazendo-me um pouco de felicidade instantaneamente.

Apertei-me contra seu peito, agradecendo aos céus pela melhor pessoa que aparecera na minha vida.

...

No dia seguinte, Luiz foi até a minha casa bem cedo de manhã. Trazia uma mala, que deixou na sala. Subiu ao meu quarto, deparando-se com uma Anna dorminhoca e, provavelmente, roncando. Eu mal havia conseguido dormir na noite anterior, por conta da minha alta ansiedade. Fazia poucos minutos que eu havia pregado os olhos, mas já dormia como uma pedra.

Luiz, observando a cena, aproximou-se da minha cama e se ajoelhou, tocando no meu cabelo. Como não havia reação da minha parte, ele chegou ainda mais perto, colando os lábios ao meu ouvido. Sussurrou meu nome, uma e outra vez. Murmurei um som quase inaudível em resposta.

– Anna... – ele continuava, dessa vez um pouco mais alto, enquanto deslizava uma mão pelo meu braço.

– Hum? – resmunguei, sem noção do que perturbava meu sono sagrado.

– Anna! – Luiz gritou, me fazendo levar uma mão ao coração.

– O que foi menino?! Quem morreu? – berrei desesperada, prendendo o cabelo completamente armado em um coque.

– Ah, você está acordada. Que bom. – ele falou calma e simplesmente.

– O quê?! Você... Luiz! – exclamei furiosa, atacando-o com tapas.

– Ei. – ele resmungou, afastando-me. – Vim trazer isso. — e, com um sorriso, me mostrou duas passagens para a capital.

– Caramba! – exclamei, de repente animada, esquecida da raiva recente. Tomei as passagens das mãos dele, analisando-as.

– São para daqui cinco horas. Já temos um lugar para ficar quando chegarmos lá. – anunciou. – E então, satisfeita Anna?

– Sim, mas... Como você conseguiu tão rápido? – perguntei desconfiada.

– Não questione meus métodos, Anna Clara. – Luiz falou num tom sério.

Arqueei uma sobrancelha para ele, percebendo o que ele falara há alguns segundos.

“Temos um lugar para ficar”.

– Quer dizer que vamos... Morar juntos? – indaguei, fazendo uma careta.

– Ninguém vai morar junto. – papai anunciou, abrindo a porta.

Olhamos para ele subitamente. Luiz parecia tranquilo, apesar de tudo. Colocou as mãos nos bolsos e deu passagem para papai entrar no quarto.

– Papai... Você não devia estar trabalhando? – questionei, sem ter mais o que falar.

– Eu estava de saída, quando vi aquela mala na sala. – naquele momento, eu o escutava sem entender mais nada. Olhei para Luiz, que só pela expressão deu a entender que era a mala dele. Ele realmente estava levando aquilo a sério. Papai continuou: – Então, me lembrei da conversa que tive ontem com sua mãe. Como assim sair de casa, Anna? Você perdeu a cabeça?!

Respirei fundo, para então respondê-lo.

– O que mais eu posso fazer, papai? Eu não quero, de jeito nenhum, fazer Direito! Se não tenho escolha em casa, então vou para outro lugar, onde eu possa fazer o que eu quero. – disparei determinada, embora internamente eu estivesse receosa.

– Sua mãe não estava falando sério, Anna! – papai exclamou, conseguindo o apoio de Luiz imediatamente.

– Eu avisei isso a ela. – Luiz expôs.

– Mas mesmo assim você a apoiou nesta loucura! – meu pai retrucou, deixando Luiz surpreso. Ele até esperava aquela reação da mamãe, mas não do papai, que sempre o tratou extremamente bem. Porém, Luiz logo abandonou a expressão de espanto, substituindo-a por um gesto de confirmação com a cabeça.

– É claro que eu a apoiei. Alguém nesta casa tinha que fazê-lo. Ora, se a menina quer fazer Música, qual o problema? O que importa se depois ela vai morrer de fome?! – questionou com um tom de sarcasmo, sabendo que aquela era exatamente a opinião dos meus pais. – Isso é responsabilidade unicamente dela.

Papai o observava falar, atento as palavras. No fim, sentou-se na cama, ironicamente, com um sorriso no rosto.

– Eu gosto de você. – papai anunciou, e em seguida direcionou o olhar para mim. – E quanto a você, mocinha, realmente precisa aprender a ser responsável. Se você escolheu a forma mais difícil, quem sou eu pra ir contra. Venha cá. – chamou-me com uma das mãos. Fui até ele e me sentei ao seu lado. – Espero que você saiba o que está fazendo.

Assenti. Porém, era óbvio que eu estava mais perdida que Adão no dia das mães.

– Mas não pense que os dois bonitinhos irão dividir a mesma casa. – prosseguiu meu pai, olhando diretamente para Luiz. Não contive o riso quando Luiz fez uma cara feia. – Por mais que eu confie em você, rapaz, não vou deixar minha Anna sozinha com homem nenhum.

– Eu entendo sua preocupação, Alessandro. – Luiz respondeu calmamente.

– Olhe, eu vou alugar uma casa pra você ficar lá durante esse ano. Também vou mandar algum dinheiro todo mês, pra você se manter e comprar seus livros, ou seja lá o que for. Mas preste atenção, é só durante este primeiro período. Depois disso, você terá uma ideia bem clara se quer mesmo continuar com isso. E se for sim, minha filha, você terá que trabalhar. – papai explicou, segurando minhas mãos. – Caso o contrário, você nunca vai crescer.

Fechei os olhos por um momento. Bom, aquele com certeza era um plano melhor que o meu inicial. Afinal, nem havia planejado nada ainda antes. Então sorri para o meu pai, entrelaçando-o ao redor do pescoço e lhe dando um beijo no rosto.

– Tudo bem papai. Obrigada!

– Sim, sim. Mas, ouça, é melhor que sua mãe não saiba dessa história. – papai alertou após retribuir o beijo.

Refleti por alguns segundos.

– Então isso quer dizer...

– Que é melhor você não se despedir. – Luiz completou meu pensamento.

Senti um aperto repentino no coração. Como poderia ir embora sem o consentimento da minha própria mãe? Mas papai tinha razão, ela não me deixaria ir se soubesse.

Concordei, tentando controlar a vontade de chorar mais uma vez.

...

Papai nos deixou no aeroporto e se despediu rapidamente, pois precisava ir para empresa.

– Não se esqueça de me ligar querida. – pediu ele, enquanto se afastava, depois de um abraço demorado.

– Tudo bem. – respondi, enxugando as lágrimas com os dedos. – Virei visitá-los em breve! – anunciei e papai assentiu com a cabeça, já distante.

– Você está bem? – Luiz perguntou, enquanto meu pai sumia no meio da multidão.

– Em parte, sim. – respondi sinceramente. Luiz se aproximou e passou um braço pelo meu ombro, beijando o topo da minha cabeça, enquanto caminhávamos até o portão de embarque.

– Anna! – alguém gritou atrás de nós.

Ouvi claramente a voz da minha mãe. Olhei para trás subitamente, pensando estar escutando coisas. Até que a vi, andando apressadamente – nunca correndo – em minha direção, desviando-se das outras pessoas.

– Anna. – ela repetiu ao me alcançar. Luiz observava atento ao meu lado.

– O que foi mamãe? – perguntei temerosamente.

– O que pensa que está fazendo?! – ela retrucou a pergunta. – Pare com isso imediatamente!

Cruzei os braços, indignada.

– Se a senhora veio me impedir, então pode desistir. Eu já tomei minha decisão.

– Você não pode estar falando sério. – desafiou, ainda que sem muita certeza na voz. Mamãe me conhecia muito bem, afinal, eu era uma cópia perfeita dela.

– Eu estou. E, se for só isso, eu realmente preciso ir agora. – anunciei, virando-me dramaticamente.

– Não faça cena. – mamãe debochou, agarrando-me pelo pulso.

– Mamãe, é sério. – falei num fio de voz. – Eu tenho que ir.

Bianca Albertini me estudou por alguns segundos.

– Anna, por favor... – mamãe me segurou pelos ombros, com os olhos vermelhos. – Tenha cuidado. – falou por fim, soltando-me.

Senti os olhos arderem, e, por impulso, abracei-a. Após alguns segundos, ela retribuiu, entrelaçando os braços ao redor dos meus, e se afastando em seguida.

– Adeus mamãe. – balbuciei, indo para perto de Luiz.

– Até mais Bianca. – ele se despediu, sem obter resposta. Passou um braço pelo meu ombro mais uma vez, guiando-me até a porta de embarque. Senti por todo caminho, o olhar da minha mãe nos acompanhando.

– Não se preocupe, vocês vão se acertar. – Luiz sussurrou pra mim, como se lesse meus pensamentos.

*Flashback off*

Notas finais
Então, o que eu queria dizer. Minhas aulas (in)felizmente já começaram. E, com elas, vieram alguns livros pra ler (tipo, já), apostilas de leve e alguns textos pra analisar, então... Estou sufocada (fico meio assim sobre pressão); mas o curso é ótimo, recomendo rsrs. Enfim, o que eu queria dizer: isso tem me tirado tempo pra escrever, e também para ler (que aliás quero começar Rebirth do Márcio Gabriel - eu persigo este menino - e não consigo). Mas enfim, seria uma filha da putagem abandonar a fic a esta altura, certo? Não farei isso. E, quanto as fics que leio, vou aparecer nem que seja depois de a fic ter acabado (espero que não chegue a tanto). Mas, pois é. A partir deste capítulo, é difícil que eu consiga respondê-los. Prometo de dedinho que vou ler todos os comentários com o maior amor e carinho que tenho por vocês (awn), então espero que não me abandonem. No mais, é isso. AH, SIM: vou demorar mais uma semana (eu acho) pra postar o próximo, porque vou tentar escrever o máximo possível, e postarei capítulos maiores também (como este aqui). Espero que me entendam, eu sei que irão. Beijos, e até o próximo o/