Toda garota precisa de um melhor amigo
12 Capítulo 11
Notas iniciais

Sem suspense dessa vez. Luiz, garotas, garotas, Luiz. Controlem esses orgasmos.
***
POV Anna
– Não acredito que fizemos isso de novo. – falo após um suspiro.
Cansada, suada, e nua nos braços do meu melhor amigo.
Luiz tinha um brilho de graça nos olhos, mas não ria. Ele ainda segurava minha mão contra a porta, e permanecia dentro de mim.
Minhas bochechas de repente começam a arder num tom rubro.
Luiz finalmente soltou uma risada, desprendendo-se das minhas pernas que há pouco o entrelaçavam pela cintura.
– Anna, eu não quero nenhum pirralho me chamando de papai. – comentou entre risos, enquanto pegava minha roupa no chão.
Luiz não havia tirado mais do que sua camisa. Ou melhor, eu a havia tirado. Enfim, ele deixou sua calça intacta nas pernas e só precisou subir o zíper no final. Homens...
– Não se preocupe com isso. – dei de ombros, aceitando minha calcinha lilás de renda. Eu tomava pílulas, já que minha vida sexual com Marcelo havia começado há algum tempo.
Vesti-a rapidamente, sem aguentar mais aquele olhar de Luiz queimando em minha pele.
– Agora que parei pra observar, fica bem em você. – Sorriu, entregando-me minha calça.
– Ah, obrigada. – agradeci com todo o meu sarcasmo.
Luiz abriu uma carranca, com meu sutiã em mãos.
– Olha Anna, você que me atacou. Pela segunda vez! Não venha reclamar agora. – bufou.
Cruzei os braços, irritada. Ele estava certo. Mas foda-se, ele nunca saberia disso.
Num suspiro, tomei a peça da mão dele, e passei as alças pelos braços. Fiquei de costas e afastei os cabelos pra um só lado.
– Fecha pra mim, por favor?
– Claro, é o mínimo que posso fazer depois de tê-lo desabotoado. – riu, aproximando-se.
– No segundo. – indiquei.
Luiz fez menção de abotoar o sutiã, mas hesitou.
– Hum... Anna, temos um problema.
Virei o rosto para encará-lo.
– O que foi?
O cinismo característico reinava nos olhos azuis.
– Não fecha no segundo. Parece que alguém está ficando gordinha.
Fiquei vermelha outra vez, porém de raiva. Empurrei-o e abotoei eu mesma, no segundo ganchinho. Senti-me sufocada por alguns segundos, estava mesmo apertado.
Luiz me fez encará-lo. Ao ver minha expressão, entrelaçou os braços ao meu redor e alcançou o fecho do sutiã, colocando-o no lugar certo, um pouco mais folgado.
– Teimosa. – resmungou, ainda com os braços ao meu redor.
Finalmente consegui respirar direito. Por que ficara tão apertado? Eu jurava que tinha fechado no segundo ganchinho mais cedo... Certo?! Olhei para Luiz, confusa.
Este abaixou os olhos, até os meus seios precisamente.
– Com certeza estão maiores. – sorriu, voltando a me fitar nos olhos. As mãos que antes estavam nas minhas costas, deslizaram até meu quadril.
– E desde quando você fica prestando atenção no tamanho dos meus peitos? – indaguei rouca.
“Controle-se Anna, controle-se.”
– Difícil não notar.
Luiz estava sério. E minha visão estava embaçando novamente. Tudo que vi foi uma das suas mãos subindo até meu sutiã, para então pressioná-lo. Apesar da barreira de algodão, o toque me deixou arrepiada. Minha cabeça involuntariamente caiu para trás, dando-lhe todo espaço para explorar onde quisesse. Subitamente, Luiz agarrou meus cabelos, encostando-me novamente à porta. A porta da perdição – apelido carinhoso –. Aproximou o rosto do meu, até que eu sentisse perfeitamente sua respiração. Fechei os olhos, esperando que seus lábios se encontrassem com os meus.
Entretanto, em vez disso, Luiz me soltou. Abri os olhos, com a visão ainda enevoada de desejo e frustração, e me deparei com uma expressão de espanto.
Luiz me entregou a minha blusa, e correu pra vestir a sua.
– Tem alguém vindo aí.
***
POV Narradora
Mari se afastou de Kauã e ficou mais próxima a Robert. Observava-o explicar os melhores ângulos para uma boa foto, completamente encantada.
Esperava que ele a notasse. Porém, Robert dava atenção a ela tanto quanto a qualquer outro aluno.
– Professor! – chamou Mari após o término da explicação.
Robert foi para o lado dela, com uma câmera em mãos.
– Pois não, Mariana?
Mari tentou pensar em algo para dizer... Qualquer coisa.
– Hum... Estou pensando em comprar uma câmera nova. Qual o senhor me recomenda?
Mari achava tão estranho chamá-lo de “senhor”. Ele era tão novo, não devia ter nem trinta.
Robert sorriu com a pergunta.
– Bom, pra você... Deixe-me ver. – pensou por alguns segundos. – Que tal começar com uma compacta? Uma bridge, por exemplo, tem controles manuais e um ótimo zoom. A qualidade não é perfeita, mas está bom para começar.
Mari mal prestava atenção ao que ele falava, apenas o admirava. Ele era tão lindo explicando coisas...
– Uma Canon Powershot SX40? – perguntou distraída.
Robert mostrou os belos dentes num perfeito sorriso.
– Perfeito.
Kauã segurava a própria câmera, capturando algumas flores. O visor mostrou a cena mais a frente, de Mari literalmente babando pelo professor Robert. Clicou rapidamente e se virou, para se concentrar outra vez na paisagem.
A seu ver, Mari era uma garota linda, mas um tanto ingênua... Ora, apaixonar-se pelo professor?! Que coisa mais idiota.
***
POV Anna
– Você só pode estar ficando surdo. – murmurei, com a bochecha colada contra a porta. Eu não ouvia passo algum.
– Anna, juro que ouvi alguém andando pelo corredor. – Luiz insistiu.
Desgrudei da porta amaldiçoada que me deixava excitada toda vez que Luiz me encostava a ela, e virei para encará-lo.
– E não podia ser apenas alguém só passando não, Luiz?
Luiz riu, aproximando-se. Por sorte, já estávamos devidamente vestidos.
Puxou-me pela cintura e me beijou no rosto.
– Desculpa, Anna. Vou compensar isso.
Empurrei-o, rindo.
– Não quero ser compensada, obrigada. – menti.
Vi Charles atrás dele e corri pra pegá-lo, lembrando-me de que precisava voltar pra aula.
– Caramba, o professor Lúcio me mandou vir buscar meu violão. Essas horas ele já deve estar pensando que eu morri!
– Espera, Anna. Ainda preciso falar com você.
– Não dá tempo, depois a gente conversa.
Luiz estava pronto pra protestar, quando alguém bateu na porta.
Mordi o lábio, olhando para Luiz. Este, com a expressão fechada, foi até a porta e a abriu.
Cíntia, nossa representante de classe, entrou perguntando por mim, surpresa ao ver Luiz.
– Ela está aqui. – informou, afastando-se pra que Cíntia entrasse.
A garota olhou pra mim, depois para Luiz e esboçou uma expressão de desconfiança.
– O que vocês estavam fazendo sozinhos e trancados aqui?
Menina enxerida.
– Nada que interesse a você. – respondeu Luiz secamente. A menina lhe lançou um olhar de desprezo, e direcionou a atenção a mim.
– Anna, o professor me mandou vir aqui ver o motivo da sua demora.
Claro, e a enxerida não fez nenhuma objeção a isso.
Olhei para Luiz, que continuava emburrado. O que era tão importante que ele não podia esperar pra me contar? Eu hein.
– Já estou indo, Cíntia. Luiz, você vem?
Luiz suspirou, saindo da sala.
Balancei a cabeça, indo atrás dele. E, atrás da gente, vinha a enxerida.
Alcancei-o.
– Onde você está indo? – perguntei tolamente.
Ele caminhava tranquilamente, com as mãos nos bolsos.
– Para aula, ué.
Suspirei, e segui ao lado dele. Cíntia se juntou a nós, esperando por alguma fofoca que ela pudesse espalhar no outro dia.
...
– Até que enfim! – professor Lúcio exclamou ao nos ver entrar pela porta. – E você, Luiz, onde estava?
– Resolvendo uns assuntos. – deu de ombros e se sentou no banquinho da bateria. Lúcio não o questionou mais, apenas assentiu com a cabeça.
– E você, Anna? Foi buscar Charles e se perdeu pelo caminho?
Sentei-me em uma cadeira, com meu violão no colo.
– Mais ou menos.
O professor suspirou, vendo que seria inútil insistir.
– Eles estavam trancados sozinhos na sala teórica! – A enxerida se pronunciou, atraindo a atenção de todos na sala.
Lancei-lhe um olhar de morte, mas ela sorria satisfeita. Já havia feito seu show do dia, podia agora tocar tranquilamente seu teclado.
Luiz não esboçou qualquer reação. Ficava lá, batucando naquela bateria, com o olhar perdido em pensamentos.
– Eu nem me atrevo a perguntar a respeito dessa história. – o professor anunciou num dar de ombros.
Suspirei aliviada. Tudo o que eu não queria naquele momento era um monte de questionamento em cima de mim.
Cíntia pareceu um pouco decepcionada, o que me deixou um tanto mais feliz.
Após alguns minutos, Luiz se sentou ao meu lado. Eu estava no chão, treinando uma nova composição.
– Ei.
– Hum? – murmurei concentrada.
Luiz segurou minhas mãos pra que eu parasse.
– Anna. Por favor, seja sincera.
Fitei-o, prestando atenção.
– Claro.
Ele hesitou por um momento.
– Estamos de boa, não é? – perguntou por fim.
Pensei por alguns instantes.
Estávamos? Quero dizer, tínhamos ficado duas vezes, embora sem beijo algum. Isso era um bom sinal, acho que o estrago não tinha sido muito grande. E eu sentia falta dele como meu amigo...
Sorri.
– Sim.
A nossa recém e última aventura já havia sido suficiente. Podíamos retomar nossa amizade, finalmente.
Luiz retribuiu o sorriso, sem graça.
– Certo. Sinto sua falta, loirinha. – disse, bagunçando meu cabelo.
Encostei a cabeça em seu ombro.
– Eu também.
Luiz pegou Charles do meu colo, e começou a tocá-lo pra mim, como nos velhos tempos.
***
POV Narradora
Mari estava sentada na grama, junto a Kauã, capturando a paisagem como Robert pedira. O sinal tocou, anunciando o fim da aula de Fotografia, para sua tristeza.
De repente Mari sentiu alguém pousando a mão em seu ombro, causando-lhe surpresa.
– Mariana.
Mari levantou a cabeça pra ver se não estava sentindo ou ouvindo coisas, pois podia jurar que era a voz de Robert. Então o viu atrás de si, sorridente.
Robert lhe ofereceu a mão para ajudá-la a se levantar. Mari aceitou de bom grado, dando batidinhas no traseiro ao se levantar, para tirar qualquer rastro de sujeira do chão.
Kauã permanecia sentado, com os ouvidos atentos.
– Eu estava pensando, se você quiser é claro, em marcar um dia para comprarmos sua câmera juntos. Eu posso te dar algumas dicas.
Mari pensou estar sonhando por um momento. Seria aquele um convite para saírem juntos? Inacreditável. Mari sorriu, esforçando-se para que a voz saísse sem falhas.
– Claro, seria ótimo! – sua voz saiu doce e perfeita, como sempre. Sucesso.
– Certo. Aqui está meu cartão. Ligue-me quando for melhor pra você. – piscou e se afastou para recolher suas coisas.
Mari fitou o cartão do seu até então amor platônico, boquiaberta.
Kauã se levantou, ficando de frente para ela.
– Mariana, acha mesmo que é uma boa ideia? – questionou, preocupado.
Mari guardou o cartão no bolso do vestidinho que usava e cruzou os braços.
– Oras, por que não seria? Ele apenas vai me ajudar a escolher uma câmera nova. – anunciou, levemente irritada.
Kauã sorriu. Que tolinha.
– Tudo bem. Ei, Mari. Sabe sua amiga? Anna eu acho... A loirinha.
– Sei. – afirmou Mari, descruzando os braços. A irritação deu lugar a interesse. – O que tem ela?
– Ela é muito linda. Você sabe se ela tem namorado?
Mari pensou por alguns segundos... Então Kauã estava atraído por Anna. Muito interessante.
– Olha, ela tem sim.
Kauã pareceu decepcionado.
– Mas... – prosseguiu Mari. – Ele é um idiota.
Kauã ouviu a afirmação, pensativo.
– Devo tentar a sorte?
Mari se lembrou de Luiz. Porém, Anna não dava nem sinais de que gostasse dele...
– É, vai em frente.
Kauã ficou feliz com a resposta, entretanto Mari não estava assim tão confiante de que aquilo daria certo. Anna fora feita pra Luiz, ela tinha total convicção disso. Eles só não sabiam ainda.
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