Notas iniciais
Oioi gente! Tudo bom? Mais um capítulo aqui pra vocês, espero que gostem!

No domingo, no banquete de Halloween (que aconteceu no dia seguinte da festa de Kate Hunning), o principal assunto era o casal que Scorpius Malfoy e Rose Weasley formavam. Praticamente todo mundo no Grande Salão tinha uma opinião a dar sobre isso.

Algumas garotas ficaram devastadas, alguns garotos ficaram surpresos, mas todos os sonserinos com toda a certeza ficaram espantados com a coragem de Scorpius Malfoy de inventar de ir atrás de uma Weasley, ignorando toda a rixa pública entre Draco e Ronald.

Bom, quase todos os sonserinos. Andrômeda estava cada segundo mais irritada com o sumiço do irmão. Rose Weasley não tinha nada demais, só um cabelo bonito e uma língua afiada, pelas histórias que o irmão contava. Não fazia sentido ele deixar de aproveitar o banquete de Halloween, o jantar que ele mais gostava no ano todo, por causa dessa garota.

Matt comia ao lado dela e não fazia a menor ideia do que estava acontecendo ao redor. Ele só comia, às vezes puxava algum assunto com Andrômeda, mas nunca demonstrava muito interesse em suas respostas. A loira estava muito irritadiça e ele não queria mais confusão para seu lado.

Enquanto isso, o único assunto na família Weasley era a demora de Rose para aparecer no Grande Salão. Todos sabiam que ela estava com Scorpius Malfoy, ela só tinha dado as caras no almoço do domingo, alternando entre dormir e sumir pelo castelo com o sonserino por todo o resto do tempo.

James e Fred até se preocupariam com ela se não fosse a insistência de Dominique para que os dois deixassem a mais nova viver um pouco. Ela já tinha muitos olhos voltados pra ela por ser filha de Hermione e Ronald Weasley pra ter mais dois super protetores querendo saber de cada passo que ela dava. No fim, os garotos concordavam.

Alvo estava o tempo todo evitando os olhares dos primos. Todo mundo ali sabia que ele sempre teve um carinho diferente por Rose, por mais que ele nunca tivesse contado a ninguém, e por isso todo mundo olhava com uma espécie de pena para ele, um sentimento do qual ele só queria distância. Ele não queria que sentissem pena dele. Era só uma situação mal resolvida.

Hugo, por outro lado, olhava o tempo todo para a porta, esperando ver Rose entrar.

— Hugo, por que você não para de olhar pra porta? — Lily o perguntou e ele olhou para ela. — Isso não vai fazer a Rose vir mais rápido.

— Lilyzinha do meu coração — ele começou e a ruiva revirou os olhos. Odiava quando a chamavam de Lilyzinha -, eu só olho para ver se aquele loiro aguado fez algum mal para a minha irmã. Quero ver em primeira mão, para ir lançar uma azaração muito bem dada se ela aparecer com o rosto um tiquinho de nada triste.

Lily revirou os olhos e espetou mais um pedaço do pernil com seu garfo, trazendo para seu prato. Era impossível o quanto aquele garoto era cego para os sentimentos da irmã, até parecia um irmão mais velho ciumento.

— Hugo, ela não vai aparecer triste — Lily garantiu e ele levantou uma sobrancelha. Claramente ele não acreditava no Malfoy. — Eles dois sentem coisas há vários meses. Ela tá feliz com ele agora, então você para de ficar pensando desse jeito negativo.

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As costas de Rose bateram em um armário de madeira quando Scorpius a empurrou contra ele para conseguir ficar ainda mais perto da ruiva. Isso fez um barulho absurdamente alto e os dois pararam de se beijar rindo, olhando ao redor esperando que alguém abrisse a porta da sala, mas nada aconteceu então voltaram ao beijo como se a vida deles dependesse disso. Bem, no momento dependia.

As mãos passavam para cima e para baixo, entrando embaixo de blusas, saindo, puxando cabelos e soltando. As mãos de Scorpius percorreram todo o corpo da ruiva, chegando até suas coxas e as puxando para cima, para que ele levantasse Rose e, assim, ficasse mais fácil beijar a menina. Ela se deixou levantar com prontidão e enlaçou a cintura dele com suas pernas.

Os dois se afastaram para respirar e Rose abriu os olhos para absorver que aquele momento realmente estar acontecendo, mas acabou servindo para que ela visse o relógio no fundo da sala.

— Scorp — ela chamou puxando o rosto dele para longe dela, mas ele não largou, apenas apertou as coxas dela com mais força. — Scorpius — ela começou a fazer cafuné no pescoço dele e ele parou, abrindo um sorrisinho de quem estava gostando demais da situação. — Vai acabar o banquete já.

— Mas eu prefiro ficar aqui, não to com fome — ele responde olhando nos olhos dela, ao mesmo tempo que o estômago dele solta um ronco. Ela começa a rir e solta suas pernas da cintura dele, voltando ao chão. — Ah, que foi?

— Você tá morrendo de fome, nem vem falar que não — ela empurra ele com delicadeza, mas é impedida quando ele segura sua mão, a puxando de volta para perto de si.

— Ah, sabe como é, a gente perde a comida mas não perde a namorada.

— Meu querido, isso pra você é um pedido de namoro? — Rose pergunta de sobrancelhas erguidas e Scorpius sorri amarelo. — Pra me chamar de namorada tem que fazer muito mais que isso — ela continua, rindo dessa vez. Ela o beija outra vez, mas logo se solta. — Tchauzinho.

Dessa vez ela realmente sai da sala, finalmente indo para o banquete. O que era alguns minutos juntos virou um longo tempo de beijos numa sala de aula vazia e quase fez com que ela perdesse o banquete. Mas que vergonha, ela nunca perderia o banquete por uns beijos. Ah, mas se são do Scorpius você perde sim, aquela vozinha chata ecoou no fundo da mente da ruiva.

Rose balança a cabeça para afastar esse pensamento e finalmente entra no Grande Salão, indo até a mesa da Grifinória encontrar seus primos.

— Oi gente — ela cumprimentou sentando entre Lily e Fred. Todos a cumprimentaram de volta com sorrisinhos maliciosos, menos Alvo que se contentou com um aceno de mão e um oi um pouco desanimado.

— Tem uma coisa aqui ó — Dominique provocou Rose apontando para o próprio pescoço e a ruiva ficou da cor de seus cabelos. Ela tinha totalmente esquecido do que Scorpius tinha feito no seu pescoço, então agora ela que sofresse as zoeiras dos primos, né?

— Ele bateu em você? — Hugo perguntou começando a ficar irritado e todos o olharam com expressões de confusão.

— Isso é um chupão, Hugo — Fred corrigiu o mais novo e Rose sentiu todo o seu rosto pegando fogo. — Um muito bem dado a propósito, ótima escolha de boca pra beijar, Rose — Fred continuou e Rose quis cavar um buraco no chão e se esconder nele. — Foi um beijo muito bonito inclusive, parecia coisa de cinema…

— Obrigada Fred, vamos voltar a comer? — Rose interrompeu antes que Fred continuasse a deixando constrangida.

Quando ela pegou seu purê para comer junto com o pernil, Scorpius passou pelas portas duplas do Grande Salão parecendo um raio de sol de tanto que brilhava de felicidade. Rose ficou olhando para ele com aqueles olhos de filhote, quase deixando o purê cair na mesa e não em cima de seu prato, mas se recompondo quase que imediatamente.

— Relaxa que ela tá bem, Hugo — Lily murmurou para o primo com um sorriso bobo em seu rosto, mas Hugo ainda não parecia muito convencido disso. Deu de ombros e voltou a comer. Talvez se ocupar com a vida amorosa da irmã não devesse ser sua prioridade.

********

Quando a sobremesa estava terminando de ser servida e McGonagall ainda ia fazer seu discurso, James e Fred levantaram da mesa com pressa e saíram correndo para fora do salão. Dominique olhou preocupada para o namorado (eles não tinham oficializado nada, mas ao mesmo tempo os dois sabiam que tinham oficializado a relação, era muito óbvio), mas ele piscou pra ela e ela relaxou.

Os dois saíram e foram em direção ao armário de vassouras do primeiro andar, um que ficava perto de um banheiro onde tinham jogado uma bomba de bosta muito fedida e desde então ninguém entrava e, por consequência, ninguém entrava nesse armário de vassouras. Bem, quase ninguém.

— A caixa tá aí? — perguntou James do lado de fora do armário. Os dois até cabiam juntos nessas coisas quando começaram suas travessuras, mas a essa altura um armário só era muito pequeno.

— Tá, só preciso alcançar ela — Fred respondeu e James revirou os olhos.

— Porque a gente não aprendeu Wingardium Leviosa no primeiro ano, então você não sabe usar o feitiço mais básico de todos — o moreno provocou e dois segundos depois Fred saiu do armário com uma caixa enorme da Gemialidades Weasley e sua varinha na mão. James riu e os dois desceram até o Grande Salão.

Eles pararam antes de entrar no Grande Salão e sorriram um para o outro, sorrisos com uma ponta de tristeza. Essa última pegadinha estava mexendo mais com os sentimentos deles do que os primos queriam admitir. James abriu a caixa e se deparou com a enormidade de aranhas ali dentro, transformando o sorriso para um genuinamente animado logo depois. Sem o menor medo, virou a caixa no chão.

Sendo de onde eram, as aranhas não eram simples aranhas. Por isso, os dois sentaram em seus lugares de novo, tranquilamente aguardando o resto.

De repente, começaram a ouvir gritos de algumas vozes que pareciam primeiranistas, sendo seguidos por outros gritos assustados. Em outras partes do salão viam-se pessoas com expressões satisfeitas.

Fred e James fizeram seu cumprimento debaixo da mesa, mas isso não escapou o olhar de Rose.

— Vocês não cansaram ainda de usar as coisas do seu pai, Fred? — ela perguntou rindo e eles deram de ombros.

— Não faço a menor ideia do que você tá falando — Fred respondeu e ela revirou os olhos.
— Então porque as aranhas come-grito tão aqui? — ela levantou uma sobrancelha e os dois mais velhos coraram.

A aranha come-grito é um… doce? não, não podemos chamar de doce. É uma coisa, melhor assim, que Jorge criou quando Fred II ainda estava no segundo ano. São aranhas que devem ser postas na mesa de jantar, elas se espalham por magia até chegarem perto de alguém. Quando a pessoa que vê acha que é uma aranha de verdade, ela se torna uma aranha de verdade. Quando a pessoa não tem medo, ela se torna uma aranha de chocolate. Era uma ótima invenção, mas Rose nunca gostou muito delas, assim como seu pai.

— Você sabe né… — Fred coçou a parte de trás da cabeça e Rose riu da expressão desconfortável dele.

— É seu último ano, né — ela começou a fazer carinho nas costas dele e ele relaxou. Era o último ano mesmo, ele não teria outra chance de fazer isso. — Essa nem é muito malvada. Você tá ficando mole — ela continuou rindo e apertou uma bochecha dele agora.

Do outro lado de Fred, Dominique ria das expressões apavoradas dos primeiranistas que não sabiam o que estava acontecendo e James só olhava para ela com uma expressão de felicidade.

Lily olhava para isso e não conseguia se impedir de pensar se algum dia teria alguém sentado do lado dela no banquete de Halloween a fazendo rir a qualquer custo, como se isso não fosse problema nenhum. E, por menos que ela quisesse, pensar nisso a fazia pensar na garota que ela havia beijado na festa.

Era estranho que ela quisesse encontrar a menina outra vez? Talvez sua família achasse estranho ela estar tão fascinada por uma menina que ela nem sabia o nome.

Mas é assim que as paixonites adolescentes funcionam, certo? Você encontra uma pessoa num dia, planeja o resto da sua vida com ela no dia seguinte e uma semana depois já nem lembra o rosto da pessoa. Mas para Lily, não era só a paixonite, claro que não, era também o fato de ter sido por uma menina de olhos verdes e delineador verde ao redor deles. Ninguém nunca tinha falado com ela sobre garotas que gostam de outras garotas, Lily não sabia se isso era normal, ou algum feitiço, ou até mesmo uma poção do amor.

— Lils? — Hugo começou a chamar a ruiva, mas ela não respondia. — Lils? — ele tentou de novo, mas ela estava em outra dimensão. Ele cutucou a menina e ela pulou em seu assento, completamente assustada.

— Por que você não é que nem uma pessoa normal e me chama?

— Eu te chamei e você não me ouvia, ué — ele se justificou e ela se sentiu corando. A que ponto chegamos, hein?

— Desculpa, eu tava pensando na… é…

— Na menina que você beijou na festa da Kate Hunning? — Hugo a interrompeu e ela ficou ainda mais vermelha. — Tudo bem, Lils. Todo mundo fica assim no primeiro beijo.

— Não foi meu… — ela tentou se defender, mas ele levantou uma sobrancelha e ela nem continuou. — Eu acho que você tá certo.

Hugo abriu um sorriso convencido e mexeu no cabelo dela, como que dizendo que tudo ia ficar bem. E ia mesmo, né? Era só uma reação ao primeiro beijo. Não tinha nada a ver com o gosto de cereja que ele teve.

********

Andrômeda ainda não conseguia engolir Scorpius e Rose sendo uma coisa (ela se recusava a dizer casal). Era irreal demais. Ela não queria nem ver o que o pai deles diria quando chegasse o baile de Natal e Scorpius aparecesse com a ruiva no braço. O baile ia virar ringue.

Quando o irmão chegou à mesa da Sonserina, quase quando a sobremesa estava para ser servida, Andrômeda estava pronta para dar um sermão nele, mas parou ao ver a expressão no rosto do irmão. Fazia tempo que ela não o via assim, com um sorriso no rosto por nada.

— Você tá assim por causa da Weasley? — Andrômeda perguntou com uma expressão de desdém e Scorpius revirou os olhos, tentando fechar a cara mas não conseguindo.

— Não enche, Andy — ele retrucou com o apelido que fazia tempo que ela não ouvia da boca dele. Muito tempo. E ele não tinha parado de sorrir ainda.

Andrômeda ficou olhando para o irmão enquanto ele comia seu jantar rapidamente, antes que ele fosse tirado da mesa. Não era possível que ele estivesse feliz daquele jeito só por causa da Weasley. Ele nunca tinha ficado assim por causa de garota nenhuma, isso não era hora de começar. Ela não era a pessoa pra começar.

Depois da brincadeira dos Weasleys (que Andrômeda achou completamente idiota, diga-se de passagem), a sobremesa veio e durante todo o tempo que ela estava ali Scorpius conversava com um garoto do sétimo ano e com Matt mas não parava de dar olhadas rápidas para a mesa da Grifinória, sempre soltando um sorriso quando era correspondido.

Talvez a Weasley não fosse tão ruim assim, mas Andrômeda ainda teria que conversar melhor com Mackenzie sobre isso. Se bem que Mackenzie tinha ido pro lado da ruiva também. É, ela ia dar um jeito.

Assim como veio, a sobremesa foi embora. Matt ofereceu a mão para Andrômeda e eles foram se dirigindo para a porta do Grande Salão, mais para o fundo da massa de sonserinos. Scorpius ia mais a frente, praticamente sozinho indo atrás de Mackenzie, o que claramente era uma desculpa para ficar perto de Rose de novo.

— Mais fácil só aceitar — ela murmurou pra si mesma e Matt a olhou com a testa franzida, completamente confuso.

— Só aceitar o que? — ele perguntou e ela deu de ombros. Ele aproveitou a deixa e começou a se afastar do grupo que ia em direção às masmorras.

Andrômeda abriu um sorriso e os dois foram para os jardins. Assim que saíram da luz que vinha do castelo Matt começou a beijar a menina, sem nenhum deles pensar direito no que estavam fazendo.

No dia seguinte Andrômeda acordou com o corpo todo dolorido, ela não lembrava de muita coisa, apenas uns flashes dos beijos que ela trocou com Matt e das mãos dele pelo corpo dela, o que fez ela ter certeza que alguma coisa tinha acontecido com Matt e que muito provavelmente ela tinha gostado.

Notas finais
Pois é, não aconteceu muita coisa, mas ele é importante pra gente entender algumas coisas que vão acontecer nos próximos capítulos. Espero que tenham gostado, bjokas e até mais
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.