To Listen To a Hard Hard Heart
9 Capítulo 08
Capítulo 08
A missão no fim de semana não obteve nenhuma informação relevante. Nenhum dos Guardiões viu ou ouviu nada diferente, e com exceção do relatório de Chrome — este feito por Mukuro, que achou incrivelmente divertido escrever meia dúzia de palavras e preencher o restante das páginas com ameaças contra Tsuna — não houve nada que merecesse algum tipo de atenção ou segundo pensamento.
A falta de pistas só aumentou a desconfiança de Reborn, que pela primeira vez em anos foi escoltar Dino pessoalmente até o aeroporto. O pequeno Arcobaleno mencionou somente com o Décimo Vongola sobre suas suspeitas, dizendo que por mais forte que o Chefe dos Cavallone fosse, havia uma parte do louro que sempre estaria vulnerável.
Tsuna em especial estava bastante nervoso naquela segunda-feira. Seus inimigos na maioria das vezes o encaravam de frente, permitindo que ele tivesse a oportunidade de defender-se no mesmo instante. Porém, dessa vez seus amigos também eram alvos, e imaginar o que poderia acontecer a Dino, Enma e até mesmo Xanxus o deixava preocupado.
A tensão não passou despercebida pelo fiel braço direito do Décimo. Gokudera sabia que tinha sido uma ótima ideia ter ido trabalhar naquele dia, e durante as horas que permaneceu no escritório, seu tempo foi gasto tentando acalmar Tsuna e distraí-lo com alguma outra coisa. Seus próprios problemas pareceram irrelevantes, e o homem de cabelos prateados só se deu conta do que o esperava quando duas batidas na porta de sua sala o lembraram do jantar marcado com Yamamoto.
- Pronto?!
O Guardião da Chuva entrou com metade do corpo dentro da sala.
Gokudera estava de costas, mas nem foi preciso se virar para perceber que o moreno estava de bom humor. Eles se encontraram algumas vezes durante a tarde, e em todos esses momentos Yamamoto manteve o sorriso nos lábios e o humor elevado. Esses pequenos detalhes deixavam o braço direito do Décimo levemente incomodado, pois ele não poderia compartilhar sua atenção com outra pessoa além de Tsuna naquele instante. Entretanto, o Jyuudaime havia ido embora com Reborn, e não havia mais nenhuma pessoa tão merecedora da atenção de Gokudera do que Yamamoto.
- Soube que Tsuna lhe deu alguma coisa brilhante relacionada aos seus fogos de artifício — O Guardião da Chuva entrou na sala, olhando ao redor.
Gokudera revirou os olhos. O Décimo o havia presenteado com uma caixa contendo pólvora importada do Egito. Por anos ele tentou encontrar esse produto, mas suas buscas não conseguiram nada. Somente alguém como o Jyuudaime para obter um material de tão alto nível.
- Sim, o melhor presente do mundo — O Guardião da Tempestade olhou com carinho a caixa embaixo de sua estante — Eu só preciso arrumar esses papéis e podemos ir.
- Sem pressa. O restaurante ficará aberto até mais tarde — O moreno tinha as mãos nos bolsos e olhava a sala com curiosidade — Nee, Gokudera, você notou algo diferente enquanto esteve na Itália? Quero dizer, em relação à situação atual? Porque há anos eu não via o Tsuna tão preocupado.
- Não, nada. O rumor começou quando já tínhamos a volta marcada, e ouvimos muitos boatos então não demos importância — Gokudera parou de arrumar os papéis em sua mesa, suspirando — Eu vou esperar mais alguns dias, e se a situação não mudar, vou sugerir que o Jyuudaime passe alguns dias na Itália. Ele não consegue se concentrar enquanto pensa nos amigos que moram no Ocidente. Mesmo sabendo que nada mudaria se estivesse lá, pelo menos ele teria um pouco de paz de espírito.
- Você fará companhia se ele for? — Yamamoto parou ao lado de uma das poltronas, mexendo com o tecido que a revestia. Seu sorriso havia desaparecido e seus olhos não ousavam encarar sua companhia.
- Sim.
Gokudera fechou a gaveta e levantou-se. O Guardião da Chuva virou-se e sorriu.
Nenhum dos dois disse mais nada relacionado ao trabalho enquanto deixavam a sala, e conseqüentemente o prédio. O carro do braço direito do Décimo foi o escolhido, já que o restaurante ficava embaixo da casa de Yamamoto.
O caminho foi feito de maneira um pouco embaraçosa. A conversa no escritório parecia ter acertado um ponto que ambos tentavam esquecer, mas o inicio de uma simples e discreta conversa partiu do Guardião da Tempestade. Ter o moreno ao seu lado no carro era extremamente nostálgico, e enquanto dirigia e respondia, Gokudera lembrava-se das noites que sonhou com os passeios que haviam feito e as conversas que haviam compartilhado.
A naturalidade que os anos construíram não havia desaparecido, e não houve momento mais reconfortante naquele dia do que entrar no restaurante dos Yamamoto e ser saudado com animação por Tsuyoshi.
O pai do moreno e os ajudantes os receberam com o jantar praticamente pronto. Havia algumas mesas cheias, mas o Guardião da Chuva reservara uma afastada da entrada, onde eles poderiam comer sem serem perturbados.
Enquanto aguardava, Gokudera encarou por alguns segundos o pequeno copo de sake que estava sendo servido, sentindo-se levemente envergonhado. Yamamoto olhava na outra direção, mas o rosto corado demonstrava que ele também se lembrava daquela noite.
O jantar foi exatamente como o Guardião da Tempestade lembrava. A comida possuía o mesmo gosto. Tsuyoshi continuava sendo o melhor cozinheiro em sua opinião e Yamamoto nunca percebia quando seus sashimi eram roubados. Os assuntos entre os dois variavam entre algumas lembranças do tempo de Colégio, momentos embaraçantes de Tsuna e afins.
Quando Kyoko foi citada, o homem de cabelos prateados segurou seu copo de sake, virando o conteúdo de uma vez. Ele sabia que tocar naquele assunto seria extremamente arriscado, mas ignorar aquele tipo de tópico seria o mesmo que agir como um adolescente.
- Sua namorada... Ela é bonita.
O comentário saiu baixo e sem nenhum tipo de segunda intenção além de realmente citar a beleza física da garota. Porém, foi como se o moreno tivesse ouvido uma notícia trágica ou algum comentário extremamente ofensivo.
O hashi que segurava um pedaço de salmão parou na metade do caminho entre o prato e sua boca. Seus olhos negros encararam Gokudera no mesmo instante, sérios e insultados. As sobrancelhas se juntaram e no mesmo instante o Guardião da Tempestade se arrependeu de ter dito aquelas palavras.
- Ela não é minha namorada.
Yamamoto respondeu e comeu o pedaço de salmão.
O braço direito do Décimo abaixou os olhos verdes e continuou a comer, achando impossível abrir sua boca o restante da noite para qualquer outra coisa que não envolvesse degustar o jantar. Ele sentia os olhos do Guardião da Chuva em cima dele, quase o perfurando.
- Eu disse que ela não é minha namorada.
- Eu ouvi — O Guardião da Tempestade olhou para o lado, mas percebeu que seria rude não responder. A culpa havia sido dele pela total falta de discrição e tato. — Não é da minha conta de qualquer forma, eu apenas comentei por comentar.
O clima durante o resto do jantar foi de ruim a péssimo, como se uma nuvem negra estivesse em cima dos dois rapazes. Os pratos e copos tornaram-se vazios, e soltando um longo suspiro, Gokudera agradeceu pela comida. Ele se sentia completamente satisfeito, e com aquele tipo de ambiente, não haveria motivos para continuar ali.
- Eu já vou. Agradecerei seu pai, obrigado pelo jantar.
O Guardião da Chuva meneou a cabeça e levantou-se, acompanhando o homem de cabelos prateados. O braço direito do Décimo agradeceu à Tsuyoshi e seus ajudantes o delicioso jantar, e mesmo achando que não aconteceria, o moreno o acompanhou até a calçada.
Gokudera caminhou sem pressa até seu carro. Seus olhos não se viraram uma única vez, e somente ao contornar a primeira esquina foi que ele olhou pelo retrovisor, tendo certeza de que não veria mais nenhum vestígio de Yamamoto.
Ele não recebeu parabéns pelo seu aniversário. Ele não recebeu nenhum presente cheio de sentimentos. Ele não recebeu se quer um boa noite.
Parando o carro em um dos lados da rua, o Guardião da Tempestade apoiou a testa no volante e respirou fundo. Não seria fácil. Tentar se aproximar do moreno novamente seria provavelmente a missão mais difícil que ele realizaria.
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O homem de cabelos prateados não seguiu direto para casa. O apartamento vazio não lhe parecia nem um pouco convidativo, e por alguns minutos tudo o que ele fez foi andar em círculos pela cidade até escolher um lugar sossegado para passar algum tempo. E o mais incrível foi que não havia local mais tranquilo do que o Templo Namimori.
O carro foi estacionado em silêncio e embaixo da grande escadaria. Os olhos verdes do braço direito do Décimo olharam ao redor por várias vezes, e enquanto subia as escadas, suas mãos estavam dentro dos bolsos, prontas para atacarem caso ele fosse atacado.
O topo da escadaria chegou e até aquele momento não havia sinal de que o dono do lugar notou que tinha companhia. A casa do templo ficava afastada, então pelo menos por uma hora o Guardião da Tempestade poderia ficar ali sem ser incomodado. Escolhendo um dos bancos de madeira espalhados, o homem de cabelos prateados sentou-se e acendeu um cigarro, apoiando os cotovelos nos joelhos.
Sua mente estava cheia e seu coração parecia pesado. Era difícil acreditar que aquele era seu vigésimo segundo aniversário, e que ele estava naquela cidade à apenas oito anos. A sensação que Gokudera sempre teve foi de que com exceção de algumas lembranças — basicamente todas as que envolviam sua mãe — sua vida somente aconteceu quando ele chegou a Namimori. Todas as pequenas e grandes coisas que lhe aconteceram foram graças àquela cidade, e mesmo tendo esse conhecimento, naqueles momentos o Guardião da Tempestade gostaria de ter uma terceira opção para onde pudesse fugir. Por anos seu local favorito foram os braços de Yamamoto. Ali ele poderia ser ele mesmo, sem se preocupar com represálias e tendo a certeza de que por mais difícil que fosse a situação ele sempre teria seu porto-seguro o esperando.
Entretanto, enquanto observava o céu estrelado, o homem de cabelos prateados não sabia mais para onde fugir. Se a chuva não pudesse mais ser o refúgio da tempestade, então quem mais seria?
- Você tem coragem de invadir a minha propriedade a essa hora da noite como um meliante, Gokudera Hayato.
O Guardião da Tempestade fechou os olhos devagar e suspirou.
Há quantos minutos ele estava ali? Vinte? E por Deus, ainda não eram nove da noite, como alguém poderia chamar isso de "essa hora da noite"?
- Eu já estava de saída — Gokudera ficou de pé, encarando Hibari de frente. O Guardião da Nuvem tinha seu habitual par de tonfas, e se não fosse a pele extremamente pálida ele teria passado despercebido por causa do kimono negro. — E não acho que a sua propriedade inclua esse banco.
- Minha propriedade tem o tamanho que eu queira que ela tenha — O moreno não tinha expressão alguma. Raiva, irritação, rancor? Nada. Era como se Hibari não sentisse coisa algum em nenhum momento.
O homem de cabelos prateados apagou o cigarro no cinzeiro que carregava no bolso e resolveu não discutir. Sempre que caia nas provocações do Guardião da Nuvem ele se sentia discutindo com uma criança. Porém, após dar o terceiro passo na direção das escadas, Gokudera virou-se.
- Sobre a situação atual, você descobriu alguma coisa, Hibari?
- Todas as informações estavam no relatório, acredito que você tenha lido.
A veia na testa do braço direito do Décimo começou a tornar-se visível.
- Você tem entrado em contato com o Haneuma? O Jyuudaime estava preocupado com ele essa manhã. — Ao contrário das respostas anteriores, dessa vez Hibari se deu ao trabalho de virar metade de seu rosto. Seus olhos estavam semicerrados, e Gokudera teve certeza de que atingira um ponto que não deveria. — Ele é seu Tutor afinal de contas.
- Tutor? — A voz do moreno soou levemente irônica — Apenas aqueles que tem algo à ensinar recebem esse nome. Aquele italiano não me ensinou nada. Vocês herbívoros possuem o péssimo hábito de se importarem uns com os outros.
- Certo...
O Guardião da Tempestade apertou o maxilar, sentindo-se estranhamente irritado com aquele comentário. Ele mesmo não era fã de Dino e nos anos em que conviveram juntos, muito pouco ele sabia sobre como o louro agia fora de seu cargo como Chefe de uma das mais importantes Famílias italianas. Porém, o homem de cabelos prateados lembrava bem da expressão que viu em seu rosto quando os dois estavam juntos naquele bar. Além do fato de que Dino lembrava-o vagamente de Yamamoto. Talvez fosse a personalidade ou o sorriso sempre presente no rosto. Talvez fosse a maneira como os dois pareciam não levar quase nada a sério ou a calma e tranquilidade que transmitiam.
O motivo em si não importava, pois quando o braço direito do Décimo virou e abriu a boca para dizer as próximas palavras, ele já tinha consciência de que estava pedindo por uma surra.
- Você está certo, e acredito que Reborn deveria ter enviado o Haneuma para treinar uma pessoa que desse o valor que ele merece, porque você visivelmente não sabe reconhecer tal coisa — Gokudera sabia que não estava falando sobre o problema entre Dino e Hibari. A similaridade de Yamamoto com o italiano o fez colocar-se no lugar do Guardião da Nuvem e pela primeira vez ele via o quão irritante isso soava.
- Oh, alguém quer ser mordido até a morte esta noite — O moreno apertou os tonfas entre seus dedos e sorriu de canto. O mesmo sorriso que ele tinha quando via uma presa fácil diante de seus olhos.
- Isso não mudará o fato de que você sabe que estou falando a verdade. Continue afastando a única pessoa que aparentemente importa-se com você e prepare-se para perceber que nem mesmo o idiota do Haneuma aguentou esse seu gênio ruim e essa personalidade distorcida.
As dinamites estavam nas mãos do Guardião da Tempestade, mas seus lábios não pareciam dispostos a pararem. Era como se ele estivesse diante de um espelho e que todas as aquelas palavras deveriam ser ditas para ele mesmo.
- Um dia você vai acordar em uma manhã e perceber que passou tempo demais esperando. O telefonema que você deveria ter feito, o pedido de desculpas que deveria ter sido dito, ou simplesmente a mínima noção de que você se importava. Pode não ser hoje, amanhã ou nem neste ano, mas quando essa manhã chegar você vai se odiar como nunca se odiou. Porque ao contrário das outras vezes, não vai existir volta. Nada do que você diga ou faça vai mudar a situação.
O braço direito do Décimo fez uma pausa. A maneira como o homem a sua frente não respondia só demonstrava o quanto suas palavras faziam sentido.
- Eu honestamente não dou a mínima para você, Hibari, mas eu falo isso pelo Haneuma. Talvez você consiga o que sempre quis: ficar e manter-se sozinho para sempre. Eu não o vejo em Namimori ultimamente, talvez ele tenha encontrado alguém para treinar na Itália...
Hibari moveu-se em uma velocidade absurdamente impossível.
Os olhos do homem de cabelos prateados se arregalaram, e seus braços instintivamente protegeram seu rosto antes que um dos tonfas o atingisse. A força do golpe foi descomunal e fez com que ele sentisse o que acontecia com aqueles que provocavam o moreno. E mesmo protegendo seu rosto, foi impossível para Gokudera não sentir o impacto que o fez voar para trás, batendo as costas em uma das árvores. Seus pés o colaram em pé novamente, a tempo de se esquivar de um segundo ataque, tão potente quanto o primeiro.
Por alguns segundos tudo o que ele fez foi fugir. Não havia muito que fazer quando seu oponente era o homem mais forte de Namimori (com exceção do Jyuudaime, claro). A chance para usar suas dinamites só apareceu quando seus pés quase escorregaram do alto da escada. A explosão serviu como distração e o Guardião da Tempestade desceu a escadaria com passos rápidos, entrando em seu carro e fechando muito bem a porta.
Ele odiava ter de fugir, mas não tinha munição nem disposição para uma luta séria contra Hibari.
O lado esquerdo de seu rosto latejava por causa do golpe, mas seu coração sentia-se um pouco mais leve. Mesmo usando o Guardião da Nuvem como válvula de escape, ele sentia-se melhor por imaginar que talvez suas palavras chegassem até o frio coração do moreno, e que com isso ele não cometesse o mesmo erro.
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A última parada antes de sua casa foi uma pequena farmácia. Subindo os degraus até seu apartamento, o homem de cabelos prateados passava a língua por dentro da bochecha, sentindo que ganharia um hematoma. De qualquer forma ele comprara um analgésico caso a dor aumentasse durante a noite.
O último lance de escadas foi suficiente para cansá-lo. A adrenalina que a luta com Hibari lhe causou havia passado, mas outro sentimento fez com que seu coração voltasse a bater em uma velocidade absurda.
Aparentemente aquela noite estaria cheia de surpresas.
Gokudera caminhou lentamente até seu apartamento. Seus olhos estavam fixos na entrada de sua porta, mais especificamente na pessoa que estivera sentada e que se levantara quando o vira entrar no corredor.
Aquela cena era extremamente nostálgica. Desde os tempos de Colégio seu visitante o esperava no mesmo lugar, e todas as vezes que tinha aquele tipo de surpresa, o Guardião da Tempestade sentia-se especial. E naquela noite principalmente ele se sentiu feliz.
Yamamoto vestia um simples conjunto esportivo que lhe caia muito melhor que o terno e a gravata. Os dois homens se encararam e o moreno coçou a nuca, visivelmente envergonhado.
- E-Eu vim por--- whoa, o que aconteceu com seu rosto?!
O Guardião da Chuva deu um passo a frente, tocando a mancha vermelha no rosto do braço direito do Décimo, fazendo-o recuar um passo por causa da dor.
Hibari aconteceu.
- Nada que eu não merecesse — O homem de cabelos prateados suspirou. Aquele tipo de resposta vaga só faria com que o idiota se preocupe mais, e pela maneira como Yamamoto olhava, ele já estava preocupado o suficiente — Hibari me enxotou do templo, nada de novo.
- O que você foi fazer lá? — A expressão do moreno suavizou-se levemente.
- Nada, eu estava apenas de passagem. Mas o que você faz aqui?
- Oh, eu vim porque me esqueci de entregar — Yamamoto retirou um pequeno embrulho da jaqueta vermelha. A caixa cabia na palma de sua mão — Feliz Aniversário.
Gokudera sentiu o rosto corar, e foi difícil não estender a mão e segurar a caixa. Seus olhos brilhavam e pela primeira vez naquela noite algo bom havia lhe acontecido.
Encarando o homem a sua frente, o Guardião da Tempestade abriu a caixa e foi amor a primeira vista. No fundo havia um relógio cuja pulseira era preenchida por pequenas caveiras prateadas.
- Espero que sirva. Eu não sabia que relógios possuíam tamanhos, mas eu posso trocar se não servir.
- O-Obrigado — O homem de cabelos prateados fez uma pequena reverência com a cabeça.
- Não é uma caixa de fogos de artifício egípcia, mas espero que goste.
O braço direito do Décimo sorriu. Se estivesse sozinho provavelmente teria colocado o relógio no mesmo instante e desfilado um pouco com ele para ver como ficaria. Porém, havia coisas mais importantes naquele momento.
Após entregar o presente, Yamamoto colocou as mãos nos bolsos e não disse mais nada. Gokudera permaneceu alguns segundos em silêncio, retirando as chaves do bolso e levando uma delas até a porta. O clima era constrangedor, e pela primeira vez ele não sabia como deveria agir.
Convidar o moreno para entrar poderia soar como outra coisa, e isso levaria a outro mal entendido igual ao jantar. Desviando os olhos para o lado, o Guardião da Tempestade agradeceu novamente o presente e desejou um baixo boa noite antes de girar a chave.
Quando sua mão puxou a porta para fora, a voz de Yamamoto fez todo seu corpo se arrepiar.
- Eu posso entrar?
Gokudera segurou a maçaneta com mais força.
Felizmente ele estava de costas ou o Guardião da Chuva teria visto seu rosto tornar-se vermelho.
- Eu acho melhor você ir embora — A resposta soou ainda mais baixa e era completamente oposta aos reais sentimentos do braço direito do Décimo.
- Eu quero entrar — O moreno deu um passo à frente, aproximando o rosto da nuca do homem de cabelos prateados — Eu quero passar o resto desse dia com você, Hayato.
O Guardião da Tempestade apertou o maxilar e deu um passo em direção a entrada do apartamento, deixando a porta aberta.
Yamamoto entrou e segurou o ombro de Gokudera, fazendo com que ele se virasse. Ambos se encararam com a mesma expressão séria, apesar de terem os rostos corados. Ambos deram um passo à frente, diminuindo a distância entre eles. Ambos pareciam receosos e temerosos, pois excetuando a terrível noite semanas atrás, aquela era a primeira vez que o Guardião da Chuva entrava no apartamento depois de ter dito que jamais retornaria.
A porta foi fechada, os dois homens ficaram um de frente para o outro, e como um imã que o impulsionasse a se mover, o moreno esticou a mão, tocando a pele pálida do rosto do Guardião da Tempestade. Seu rosto aproximou-se um pouco mais, seus lábios se entreabriram e então tudo ficou escuro.
Era impossível aproveitar um beijo de verdade com os olhos abertos.
Continua...
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