To Listen To a Hard Hard Heart
6 Capítulo 05
Capítulo 05
Gokudera não soube dizer quanto tempo permaneceu sem conseguir fazer nada além de encarar o Guardião da Chuva parado na entrada do quarto. Sua expressão era tão visivelmente perturbadora, que o próprio Yamamoto sentia-se desconfortável em mover um só dedo. Grandes e assustados olhos verdes o encaravam, como se ele tivesse brotado da terra e aparecido ali naquele momento.
O homem de cabelos prateados sentia uma mistura de pavor e familiaridade. O cheiro da colônia foi a primeira evidência que ele precisava para explicar o que havia acontecido. Entretanto, sua cabeça doía demais para que ele pudesse dissecar novamente todas as cenas da noite anterior.
Se Yamamoto era o homem com quem ele passou a noite, então o que aconteceria dali em diante?
- Eu vou embora...
O Guardião da Chuva apontou para o corredor atrás de suas costas e afastou-se vestindo apenas a calça social. Gokudera não se moveu, ele não conseguia se quer ficar de pé.
O barulho da porta de entrada abrindo e fechando-se o fez deitar-se novamente na cama. Seu estado físico e mental era lamentável. O quarto estava bagunçado, sujo, mas nada parecia mais imundo do que ele mesmo.
Por um tempo indefinido o Guardião da Tempestade permaneceu deitado na mesma posição, com a cabeça no mesmo lugar e encarando a mesma parte da cortina. Milhões de pensamentos cruzaram sua mente. Centenas de ideias o fizeram tremer, ansiar e temer o que poderia acontecer. Dezenas de sentimentos pareceram apertar seu coração e o sufocar a ponto de que até mesmo respirar tornou-se doloroso.
O dia passou e o homem de cabelos prateados não se deu conta de nada que estivesse além dos limites daquela cama. O vento que batia em sua janela anunciava que uma forte chuva de verão se aproximava. O céu já estava escuro com a chegada da noite quando Gokudera finalmente conseguiu ficar de pé. Os passos necessários até o banheiro foram feitos vagarosos, precisando do auxilio da parede por boa parte do caminho.
A água morna bateu em seu rosto como um tapa. Seu olhar estava baixo, e enquanto sentia seu corpo ser lavado, o Guardião da Tempestade esperava que sua vergonha também pudesse ser levada ralo abaixo. Sua testa tocou o azulejo, e pela primeira vez em meses ele chorou.
Começou com apenas uma lágrima que escorreu pelo canto de um de seus olhos, misturando-se com a água do chuveiro. As demais lágrimas vieram logo atrás, seguidas por um doloroso choro. A garganta de Gokudera ainda doía por causa da noite passada, e sua voz saia ainda mais penosa. Suas mãos abraçaram seus braços, como se protegessem seu corpo de um inimigo invisível.
Por longos minutos tudo o que ele fez foi chorar. Grossas e pesadas lágrimas que transmitiam todos os sentimentos de arrependimento e rejeição sentidos nos últimos meses. A distância, a volta ao Japão, Yamamoto e a garota no Colégio, a terrível noite passada... A tradução do seu sofrimento só poderia ser através daquele solitário choro.
Quando não havia mais lágrimas ou voz para personificar a sua humilhação pessoal, o homem de cabelos prateados pôde dar a seu corpo a atenção necessária. Seu estado era terrível, e a ideia de que o moreno o havia deixado daquele jeito doía ainda mais.
O Guardião da Chuva não o perdoara. Qualquer que fosse o motivo que o fizera aceitar o convite de Gokudera naquele bar, seu corpo denunciava exatamente a maneira como Yamamoto o via. As marcas, as mordidas, os arranhões e os machucados se curariam com o tempo. Porém, os sentimentos demorariam muito mais para cicatrizarem.
Se o que o Guardião da Tempestade precisava era um motivo para finalmente seguir em frente, então depois da noite passada não existia mais nada que o prendesse àquele relacionamento.
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Gokudera permaneceu dois dias sem sair de seu apartamento. No terceiro dia após a terrível noite que passou com o Guardião da Chuva, o homem de cabelos prateados acordou bem cedo e ajeitou uma pequena mala em cima de sua cama. Algumas trocas de roupa, seu laptop, cigarros, documentos e dinheiro. O próximo passo foi deixar uma mensagem na secretária eletrônica do escritório do Décimo. Estranhamente Tsuna não entrou em contato nos últimos dias, mesmo Gokudera tendo visivelmente deixado de trabalhar sem dar nenhuma explicação. A mensagem foi curta e cada palavra foi dita com arrependimento. O Guardião da Tempestade se odiava por ter de pedir alguns dias de férias, sabendo que deixaria seu precioso Chefe sem seus sábios conselhos. Porém, o braço direito do Décimo precisava de alguns dias longe, e após desligar o telefone, Gokudera pegou sua mala e deixou o apartamento.
O destino para sua semana de férias forçadas foi uma pequena pousada em algum lugar de Osaka. O local foi escolhido por mero acaso, enquanto ele navegava pela internet. Era pequeno, familiar e por alguns dias ele poderia manter-se afastado de Namimori.
A semana passou exatamente como o homem de cabelos prateados esperava. Seus dias eram calmos e pacíficos. As pessoas o atendiam com gentileza, as refeições eram deliciosas, os passeios prazerosos e todas as noites ele passava algum tempo sentado na varanda, fumando e observando as estrelas. Durante esse período, o Guardião da Tempestade não ingeriu uma gota de álcool, apreciando somente a culinária local e vez ou outra um pedaço de bolo de alguma confeitaria próxima.
O período de reclusão não poderia ter sido passado em seu apartamento. Aquele lugar guardava memórias que por mais que ele soubesse que jamais esqueceria, naquele momento elas não trariam nada além de dor. Encarando outro quarto e dormindo em outras roupas de cama, Gokudera pôde dedicar-se totalmente a si mesmo. A solidão que sempre fora sua inimiga dessa vez foi recebida de braços abertos. As cenas desagradáveis voltaram a passar por sua mente, mas dessa vez era por um bem maior. O Guardião da Tempestade precisava amadurecer ou não conseguiria manter seu trabalho ao lado do Décimo. Ele sabia que teria de conviver com Yamamoto, e o quanto antes conseguisse superar toda aquela história, mais cedo retornaria a ser o eficiente braço direito de Tsuna.
Como todo período de descanso, aquela semana inevitavelmente chegou ao fim. Há anos Gokudera não tirava alguns dias de férias, e ao retornar ao seu velho apartamento, o homem de cabelos prateados soube que estava diferente. Nada drástico ou milagroso, apenas diferente.
Quando deixou sua casa na semana anterior, ele não estava totalmente recuperado. Seu corpo ainda estava muito mal tratado, e o máximo que aguentou foi fazer uma simples limpeza no que era realmente necessário. Após entrar, fechar a porta e encarar sua sala, o Guardião da Tempestade soube imediatamente o que precisava fazer.
Levariam dias, provavelmente semanas ou até mesmo anos, mas ele esqueceria Yamamoto. Ele trabalharia duro para isso. Ele se dedicaria a trancar o moreno em uma parte importante de seu peito e deixá-lo lá para sempre. Aquela noite não seria mais vista como um erro. Suas ações apenas receberam as devidas consequências, era a vida.
Segurando firme a alça de sua mala, o homem de cabelos prateados seguiu em direção ao quarto. Aquele seria o primeiro lugar a ser mudado.
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Tsuna recebeu seu braço direito com lágrimas nos olhos.
Gokudera apresentou-se no escritório no dia seguinte, pedindo perdão de joelhos por sua ausência, descaso e qualquer outro tipo de sentimento que se assemelhasse a negligência. Prometendo que aquilo jamais aconteceria novamente, o Guardião da Tempestade sentiu-se a pessoa mais sortuda do mundo quando o Décimo o abraçou e pediu milhões de vezes que ele o ajudasse com os relatórios. Havia um número absurdo de papéis em cima da mesa, além de envelopes, selos e pacotes. Tsuna continuava o mesmo.
Os dias que seguiram o retorno de Gokudera foram ocupados e cheios de trabalho. Ele e o Décimo passavam basicamente todo o tempo no escritório, dividindo os afazeres e tentando solucionar os problemas que surgiam. Vez ou outra alguém aparecia, mas as visitas variavam entre Kyoko, Ryohei e Reborn. Hibari apareceu rapidamente em um fim de tarde, apenas para ameaçar Tsuna e provocar uma briga inútil. O moreno parecia extremamente mal-humorado, e mesmo sabendo que não era da sua conta, o Guardião da Tempestade não pôde deixar de recordar-se das últimas semanas e em como o clima não parecia muito agradável entre Hibari e Dino. O que quer que estivesse acontecendo parecia sério o suficiente para mover o orgulhoso e autoritário Guardião da Nuvem de seu Templo.
- Eu vou morrer~
Tsuna bateu com a testa na mesa, fazendo seu braço direito ficar de pé no mesmo instante para ajudá-lo a sentar-se novamente. Nas últimas horas o Décimo não parou de assinar papéis, e sua mão mal conseguia segurar a caneta. Ele definitivamente chegara ao seu limite.
- Jyuudaime!! — Gokudera recolocou a caneta nos dedos fracos de seu Chefe — Só falta mais uma assinatura. Você consegue!
- Nee, Gokudera — Os olhos de Tsuna pareciam girar nas órbitas — Se eu morrer, por favor, falsifique minha assinatura.
- Você não vai morrer, Jyuudaime!
O Guardião da Tempestade permaneceu ao lado do homem de cabelos castanhos, garantindo que o último papel fosse assinado. O Décimo Vongola deixou-se cair na cadeira, visivelmente cansado com tudo aquilo.
- Pode ir para casa, Jyuudaime. O restante eu posso cuidar sozinho. Descanse que amanhã pela manhã os relatórios restantes estarão separados por prioridade, assim poderemos terminar de acordo com a agenda.
- Obrigado, Gokudera, mas não quero que passe mais uma noite no escritório — Tsuna passou as mãos nos cabelos. Ele sabia que seu braço direito não estava indo para casa. — Não quero que trabalhe a ponto de desmaiar em algum sofá ou cair em alguma rua.
- Isso jamais acontecerá, Jyuudaime — O homem de cabelos prateados corou com a possibilidade de seu precioso Chefe estar preocupado com seu bem estar. — Estou apenas fazendo meu trabalho. A culpa é toda minha se os relatórios acabaram acumulando, então não se preocupe!
O Décimo Vongola suspirou, apoiando os cotovelos na mesa. Seus olhos encaravam as costas do Guardião da Tempestade, sentado no sofá com uma montanha de papéis.
Por um momento Tsuna hesitou. Ele sabia que poderia simplesmente ir embora e descansar, retornando na manhã seguinte para mais um dia de trabalho. Entretanto, sua outra parte, aquela que não queria ter nenhuma ligação com a Máfia, reuniões ou contratos não desapareceu. Ela continuava viva e existindo para seus melhores amigos.
E foi essa parte que o fez tomar coragem para tocar em um assunto que há muito o estava incomodando, mas que permaneceu mudo por não achar que deveria ser mencionado.
- Nee, Gokudera-kun — O Décimo levantou-se, caminho em direção ao sofá da frente. Seu amigo e braço direito parou o que fazia e o olhou no mesmo instante. Sempre foi assim, não? Não importasse o que Tsuna falasse ou fizesse, por mais louco e absurdo que parecesse, Gokudera sempre o ouviria e concordaria mesmo que isso colocasse sua vida e felicidade em jogo. — Você me perguntou esses dias porque não me importei com a sua ausência apesar da quantidade de trabalho. Eu disse que você merecia suas férias, e isso é completamente verdadeiro, porém, existe um outro motivo para eu não ter me preocupado com a sua ausência nos últimos dias.
O Guardião da Tempestade juntou as sobrancelhas prateadas ouvindo atentamente.
- Na manhã do primeiro dia, eu sabia que você não viria. Você é sempre o primeiro a chegar, e além do mais, assim que entrei no escritório havia uma mensagem na secretária eletrônica. Yamamoto avisou que você não viria trabalhar por não se sentir bem, e que provavelmente ficaria afastado por alguns dias. Eu reconheço que fiquei preocupado, já que aquela foi a primeira vez que você se ausentou do trabalho — Tsuna coçou a cabeça, meio desconcertado — O próprio Yamamoto veio falar comigo pessoalmente dois dias depois, e no terceiro dia eu recebi sua mensagem e o seu pedido de férias. Para ser franco, eu fiquei feliz por você ter finalmente aceitado alguns dias de descanso, Gokudera-kun. Por anos permaneci preocupado quando você não aceitava as férias, então ao ouvir a mensagem eu me senti bem mais aliviado. Porém...
O Décimo retornou ao semblante sério e Gokudera fez o possível para permanecer impassível.
Ele desconhecia totalmente as partes que envolviam o Guardião da Chuva, e jamais passou pela sua cabeça que o fato do Jyuudaime não ter entrado em contato quando ele sumira fora porque Yamamoto o avisara antecipadamente. Naquela manhã também, quando os dois acordaram lado a lado, o moreno aparentemente acordara antes e fizera a ligação.
Por um momento Gokudera sentiu o peito apertado. Apesar de tudo Yamamoto ainda o surpreendia com sua gentileza.
- Porém, eu sei que sou inútil e desligado na maior parte do tempo, mas eu também sei que algo está acontecendo — Tsuna continuou. O tom de voz tornou-se mais pesado, e a expressão em seu rosto era dolorosa. Ver seus amigos sofrerem era para o Décimo como se ele mesmo fosse vitima do sofrimento — Eu sei que existem coisas que eu não posso fazer. Problemas que eu não posso solucionar. Batalhas que eu não posso lutar. Mas não consigo ficar cego e surdo quando meus amigos estão sofrendo. Você, Yamamoto e até mesmo Hibari-san. Eu não posso fazer nada além de assisti-los enquanto vocês vivem suas vidas, mas se existir qualquer coisa... Eu digo sinceramente, qualquer coisa que eu possa fazer, por favor, diga. — O Décimo tinha uma das mãos sobre o peito e sua voz mudou de séria para levemente desesperada.
- J-Jyuudaime...
Os olhos verdes do Guardião da Tempestade estavam surpresos.
Seu corpo queria mover-se até onde Tsuna estava, apenas para se ajoelhar à sua frente e pedir perdão por preocupá-lo daquela maneira. Entretanto, no fundo o homem de cabelos prateados sabia que se fizesse isso faria com que toda a sinceridade do Décimo não significasse nada. As palavras de preocupação e amizade se tornariam inúteis, e os sentimentos colocados naquele pedido teriam sido em vão.
Lutando contra si mesmo, Gokudera permaneceu no mesmo lugar, limitando-se a menear a cabeça e agradecer do fundo de seu coração por aquelas palavras. Tsuna era definitivamente a melhor pessoa que existia no mundo.
- Eu realmente agradeço por tudo, Jyuudaime, e tenho que pedir desculpas por preocupá-lo, mesmo que não aceite. Infelizmente não posso falar por ninguém além de mim mesmo, então acredite em minhas palavras — O braço direito do Décimo colocou as mãos sobre as pernas — Foi com grande vergonha e relutância que me afastei do seu lado na semana passada, mas o fiz porque precisava realmente de alguns dias de férias e não conseguiria ser eu mesmo se tivesse permanecido. O que aconteceu não se repetirá, então, por favor, Jyuudaime, não se preocupe mais com esse assunto.
Tsuna ouviu, concordou e por mais que quisesse falar e fazer mais, ele sabia que havia chegado ao seu limite. Dali em diante ele não poderia prosseguir. Sua função era apenas assistir e ajudar seus amigos. Os problemas tinham de ser resolvidos por eles mesmos.
O Décimo Vongola tinha conhecimento de que havia um assunto comum entre seus Guardiões da Chuva e Tempestade. Sua preocupação extra era com Hibari, cujo incomodo tornou-se extremamente evidente em sua última visita. O que quer que ele pudesse fazer pelo moreno, teria de ser feito de maneira bem mais sutil e discreta, ou o resultado seria doloroso e envolveria tonfas e hematomas.
- Aceitarei sua sugestão e irei para casa — Tsuna ficou de pé. O cansaço regressou aos seus ombros.
- Avise Reborn-san que está de saída. Não volte para casa sozinho, Jyuudaime — Gokudera virou a cabeça encarando o telefone em cima da mesa — Se quiser posso dirigi-lo até sua casa.
- Não, não, muito obrigado — O Décimo sorriu sem graça — Reborn provavelmente já está no prédio, e ele não me deixaria dirigir sozinho de qualquer forma. Bem, eu vou procurá-lo no estacionamento, boa noite, Gokudera-kun.
O Guardião da Tempestade ficou de pé, fazendo uma polida reverência e desejando uma excelente noite para seu Chefe.
Tsuna saiu e o homem de cabelos prateados afrouxou a gravata, sentando-se com barulho. Sua nuca apoiou-se no alto do sofá e seus olhos verdes encararam o teto.
As palavras do Décimo ecoavam por sua mente, fazendo-o pensar em coisas que até aquele momento não haviam sido consideradas. As atitudes de Yamamoto contrastavam totalmente com aquela noite em seu apartamento, ainda mais se ele considerasse que desde que retornou ao trabalho, o moreno não havia aparecido.
Talvez não fossem apenas os sentimentos de Gokudera que foram machucados. Talvez Yamamoto tivesse as mesmas cicatrizes, ou até ferimentos mais profundos para se preocupar.
A porta abriu-se novamente e o Guardião da Tempestade esperou ver seu Chefe retornar. Porém, quem apareceu foi a pequenina figura de Reborn. O Arcobaleno acenou, perguntando "Para onde foi aquele inútil do Tsuna", recebendo uma meia resposta atravessa de Gokudera.
- Eu vou procurá-lo então, boa noite.
Reborn deixou a sala, mas a porta permaneceu entreaberta.
O homem de cabelos prateados suspirou e levantou-se. Havia muito trabalho pela frente, e tudo o que ele não precisava era de algum empregado do prédio aparecendo para atrapalhar sua concentração.
Ao chegar à metade do caminho, o Guardião da Tempestade parou. A porta foi aberta novamente, e dessa vez não foi nem Tsuna nem Reborn que apareceu em seu campo de visão.
Yamamoto tinha a mão na maçaneta, e pela expressão em seu rosto, aquele definitivamente não era um encontro casual.
Gokudera permaneceu no mesmo lugar, sentindo o constrangedor silêncio entre eles tornar-se longo demais. Aquele momento era inevitável e não poderia ser mais adiado. Sua resolução estava pronta para ser colocada em prática, e já que a situação apareceu literalmente diante de seus olhos, ele não pretendia desperdiçá-la.
O adeus oficial precisava ser dito em palavras ou o Guardião da Tempestade não conseguiria seguir em frente, e passaria o resto de seus dias vivendo na sombra de um relacionamento que terminara há muito tempo.
- Precisamos conversar, Yamamoto.
A voz do braço direito do Décimo saiu clara e direta.
O moreno abaixou os olhos e pisou dentro da sala, fechando a porta.
Os dois homens se encaram de verdade pela primeira vez depois de tantos meses. A distância entre eles fisicamente era pequena, mas ao mesmo tempo enorme e intransponível. Os olhos de Yamamoto continuavam opacos e sem vida. Seus lábios que nasceram para esboçar o infantil e doce sorriso mal se moveram para responder aquele convite. A voz, entretanto, saiu extremamente audível e séria.
- Sim, nós precisamos conversar, Gokudera.
Continua...
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