To Listen To a Hard Hard Heart
5 Capítulo 04
Capítulo 04
Gokudera não apareceu para o trabalho no dia seguinte.
O Sol já estava forte no céu de Namimori quando o Guardião da Tempestade retornou ao seu apartamento. A noite anterior aparecia em sua mente em pequenas partes. O bar, os copos de whisky, a música, as conversas...
Porém, antes de desabar em sua cama, o homem de cabelos prateados tirou o celular do bolso e ligou para Tsuna. Havia duas ligações do Décimo, e apenas ao encarar o visor do telefone foi que Gokudera se deu conta da hora. Já passava das nove da manhã, e se ele recordava-se bem, deveria estar no escritório há pelo menos uma hora atrás.
Tsuna atendeu ao telefone no primeiro toque. O Décimo parecia visivelmente preocupado, indagando se algo de ruim havia acontecido ao seu braço direito. As respostas soavam sérias, mas vagas. O Guardião da Tempestade desculpou-se pelo atraso e pediu para ser dispensado durante o restante daquele dia. Alegando não sentir-se disposto (ele jamais mentiria para Tsuna), Gokudera conseguiu permissão para ficar em casa, desejando um excelente dia para o Décimo.
Colocando finalmente o celular no criado mudo, o homem de cabelos prateados fechou os olhos e deixou seu corpo cair com barulho no colchão.
No minuto seguinte ele dormia profundamente.
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O Guardião da Tempestade acordou quando já havia anoitecido.
Do quarto para o banheiro e do banheiro para a cozinha. As atividades daquele dia consistiram em um longo banho e um rápido jantar, e então Gokudera estava novamente deixando seu apartamento.
Seu carro foi estacionado em uma vaga desconhecida. Aquela seria a primeira vez que ele visitaria aquele bar. Por frequentar os mesmos lugares, as pessoas começavam a reconhecê-lo, e a última coisa que ele precisava era encontrar alguém que pudesse acabar com suas preciosas horas noturnas.
Quando pisou dentro do novo bar, Gokudera deixou para trás todas as suas preocupações. Elas poderiam ficar observando-o do lado de fora.
O local não era muito diferente dos últimos bares que ele visitou. Havia mesas de um lado, sofás de outro e o fiel e bom balcão. Sua tolerância para o álcool aumentara nos últimos tempos, e a ingestão exagerada de bebidas começava a mostrar seus efeitos colaterais. Mesmo com uma leve dor de cabeça, o Guardião da Tempestade pediu uma dose dupla de whisky para começar mais uma de suas noites. Porém, ao contrário dos outros dias, daquela vez ele não ficaria solitário.
Os convites começaram a surgir a partir do terceiro copo. A banqueta ao lado de Gokudera era ocupada por homens e mulheres. A maioria começava com uma conversa trivial, para no final convidá-lo descaradamente para deixarem o bar e se dirigirem para um local mais privado. O homem de cabelos prateados rejeitou todos os pedidos que recebia. Seus olhos mal encaravam as pessoas ao seu lado. Nenhuma delas era quem ele procurava.
O relógio em seu pulso marcou três da manhã quando sua sorte pareceu mudar. A porta foi aberta e segundos depois alguém ocupou o local vazio ao seu lado. Alguns minutos atrás uma jovem mulher o havia convidado para mudarem de ambiente, mas Gokudera permaneceu onde estava. Pela presença, agora ele tinha certeza de que era um homem.
Seus lábios encostaram-se à beirada do copo, pronto para dar o último gole antes de ir para casa. Havia trabalho no dia seguinte, e de maneira nenhuma ele poderia se ausentar. Porém, antes que a bebida pudesse tocar sua boca, a atenção do homem de cabelos prateados foi para sua nova companhia.
O cheiro. Aquele homem usava a mesma colônia que Yamamoto.
Gokudera virou levemente a cabeça, encarando apenas partes do bar. Ele conseguia ver o homem sentado ao seu lado, mas o mesmo parecia embaçado, assim como quase tudo. Não havia dúvidas de que o Guardião da Tempestade exagerara na bebida novamente.
O cheiro o deixou ainda mais embriagado. Seu bom senso deu lugar a pensamentos absurdos, e se dissessem depois que partiu dele mesmo a ideia convidar o homem para acompanhá-lo até seu apartamento, ele jamais acreditaria.
O convite foi direto e feito com olhos verdes e sedutores. As palavras cantaram através de seus lábios rosados, enquanto seu corpo antecipava o que aconteceria depois. Foi preciso apenas sentir o cheiro de Yamamoto novamente para cada centímetro de seu corpo lembrá-lo de que ele não havia feito sexo desde a noite da briga oito meses atrás.
- Você dirige, eu mal consigo lembrar onde deixei o carro.
O Guardião da Tempestade ficou de pé, retirando a chave do carro e atirando-a na direção do homem. Dando finalmente o último gole em seu copo de whisky, Gokudera deixou o bar acompanhado de sua nova companhia.
O carro não estava estacionado muito longe, e ao sentir o fofo assento do passageiro, o homem de cabelos prateados virou o rosto para enxergar um pouco melhor seu motorista. Era moreno, alto e tinha cabelos curtos. A descrição o fez sorrir, imaginando quantos japoneses não se encaixariam naquele tipo físico. O homem parecia forte por baixo do terno que usava, e foi impossível para ele continuar impassível com algo tão tentador ao alcance de suas mãos... Literalmente falando.
O homem deu partida no carro, e Gokudera deixou que uma de suas mãos apalpasse sem nenhum tipo de pudor o baixo ventre da pessoa ao seu lado. A reação de sua companhia foi automática, e aquele jogo de permitir-e-não-permitir acabou excitando ainda mais o braço direito do Décimo. Seu corpo projetou-se um pouco mais para baixo, e com uma facilidade incrível ele abriu o zíper da calça do homem, deixando que seus lábios tocassem com pressa o membro exposto.
O barulho do carro seguindo pela rua misturava-se aos suspiros do motorista, e ambos serviram como plano musical para o ato do Guardião da Tempestade. A ponta de sua língua brincava com a ereção do homem, em torturantes e divertidos movimentos. Quando o clímax era inevitável, Gokudera ergueu a cabeça, deixando que sua companhia chegasse ao orgasmo em sua mão. A velocidade do carro diminuiu, e foi com um maldoso sorriso que o homem de cabelos prateados limpou as mãos com alguns lenços retirados do porta-luvas.
Ele mal poderia esperar pelo prato principal.
O restante do caminho foi feito no mais puro silêncio. Gokudera admirou seu estranho, não lembrando se tinha aberto a boca para dizer as coordenadas.
Todavia, ambos chegaram ao prédio onde o braço direito do Décimo vivia, mas ele precisou de ajuda até o seu apartamento.
- F-Feche a porta... — O Guardião da Tempestade tentava tirar os sapatos com os pés, mas não entendia como poderia estar vendo seis pernas — E cuidado com o degrau. Eu mesmo já cai várias vezes.
- Eu posso ajudá-lo.
A voz do homem fez Gokudera virar o rosto, sorrindo largamente. Era grossa e masculina, e fez seu coração bater mais rápido.
- Por favor.
O homem de cabelos prateados sentou-se no degrau da entrada, observando o homem retirar seus sapatos e suas meias. Seu rosto tornou-se ainda mais corado com a proximidade, e foi impossível para ele se controlar.
Suas mãos seguraram o rosto do homem à sua frente, beijando-o com vontade. O beijo de inicio não foi retribuído como Gokudera esperava. Houve hesitação e receio, mas nada disso pareceu tirar a excitação que ele sentia. Suas mãos puxavam o homem para cima, e quando suas costas finalmente encostaram ao chão, o beijo finalmente tornou-se quente.
A camisa preta que Gokudera vestida foi tirada de seu corpo a força. Os botões foram estourados, batendo com barulho na parede. Os lábios do homem mordiscavam com força seus mamilos, arrancando de seus lábios gemidos eróticos e necessitados. Seu baixo ventre também recebia atenção, e sem saber como e quando, o Guardião da Tempestade não notou que em segundos estava completamente nu, apertando com força os cabelos curtos do estranho em seu apartamento. O homem parecia devorar sua ereção com os lábios e a língua, fazendo com que ele gemesse a ponto de sentir sua garganta arranhar-se.
Há quanto tempo ele não sentia tamanho prazer? Há quantos meses seu corpo não era desejado daquela forma? Quando ele se tocava, não existia toda aquela excitação e prazer. Suas mãos não alcançavam certos pontos. Ele não era capaz de emitir aqueles sons por si mesmo.
Entretanto, o que mais surpreendia Gokudera não era o êxtase que seu corpo vivenciava naquele momento, mas o simples fato de que aquela era a primeira vez que outra pessoa o tocava.
Por vinte e um anos a única pessoa que o amou e o desejou havia sido Yamamoto. Sua primeira e última vez foi com o moreno, coincidentemente naquele mesmo apartamento. Os anos tornaram o sexo entre eles incrivelmente prazeroso, a nível enlouquecedor. Tudo o que sabiam eles haviam aprendido um com o outro, e saber que outros dedos invadiam seu corpo era a forma que Gokudera encontrou de seguir em frente. Nos meses que passou na Itália, o único contato sexual que teve com outra pessoa foi àquele terrível incidente do Motel, mas nada sério havia acontecido. Ele checou cada parte de seu corpo ao retornar para casa, mas a culpa o seguiu como uma sombra nos meses seguintes.
Porém, isso tudo era passado, e o Guardião da Tempestade soube que não poderia mais voltar atrás quando se sentiu virado e seus joelhos e cotovelos sustaram o peso de seu corpo. Seus dentes cerraram-se antecipando a dor que provavelmente seria colossal. Ele não sabia direito o que aconteceria, mas tinha consciência de que o homem não o preparara por mais do que um minuto. O pensamento o fez sorrir amargamente. O que ele poderia esperar? Que um estranho teria a mesma paciência e preocupação que Yamamoto? O Guardião da Chuva passava o tempo que fosse necessário garantindo que Gokudera não sentisse nada além de prazer.
O rosto do homem de cabelos prateados virou-se o suficiente para que ele pudesse avisar seu parceiro para usar preservativo. Mesmo bêbado, o Guardião da Tempestade não era louco de correr um risco daqueles.
A resposta foi rápida. O homem já estava com o preservativo pronto, mas fez questão de jogar a embalagem na frente de Gokudera. A expressão em seu rosto era séria, e foi suficiente para dissolver boa parte da excitação que o braço direito do Décimo sentia.
Tudo o que veio em seguida foi apenas dor e uma das piores noites de sua vida.
O sexo foi exatamente como ele esperava: selvagem, cru e totalmente físico. As estocadas foram fortes, e em certo momento ele sentiu seus dedos tentarem arranhar o piso de madeira, tamanha pressão que recebia. As mãos apertavam fortemente sua cintura, deixando marcas vermelhas de dedos, assim como suas costas receberam inúmeras mordidas. A voz do homem mal era ouvida, e a de Gokudera sumira depois do primeiro orgasmo, dando lugar a gemidos roucos.
E mesmo tendo seu corpo tratado de forma tão insensível, o Guardião da Tempestade chegou ao clímax até sua consciência esvair naquela noite. Eles passaram do corredor para o quarto, e a última coisa que Gokudera se lembrava era de ter chegado ao quinto orgasmo quando o dia já havia amanhecido. Ele estava sentado sobre o colo do homem. Ambos estavam uma verdadeira bagunça. O quarto estava claro e sua mente já não estava tão cheia de álcool, permitindo que ele visse os olhos do homem antes de perder a consciência. Eram sérios e sem brilho.
E então, tudo desapareceu na escuridão de sua consciência.
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Gokudera demorou alguns minutos para conseguir abrir os olhos.
Sua cabeça doía absurdamente, assim como todo o restante de seu corpo. Seu quadril parecia levemente dormente, e foi preciso outros minutos para que ele pudesse tentar lembrar o que havia acontecido a sua pessoa. O seu lado do quarto estava uma bagunça. O lençol estava no chão e ele aparentemente estava dormindo nu. Também pudera, o Sol estava brilhante e forte do lado de fora.
Com um grande e doloroso esforço, o Guardião da Tempestade sentou-se na beirada na cama, juntando as sobrancelhas. Havia uma dor intensa em seu quadril, e foi preciso apenas olhar para o lado para ver que havia sangue na roupa de cama... E um par de pernas.
Os olhos do homem de cabelos prateados se arregalaram, e ele voltou a olhar para frente. A noite passada não fora um sonho.
Cada segundo passou diante dos seus olhos. O bar, o corredor, a cama... Tudo. As cenas o fizeram fechar os olhos e cobrir o rosto, tentando não se afogar na vergonha que sentia. Suas pernas tremiam, e mesmo sentindo vontade de correr dali, Gokudera sabia que não conseguiria se quer ficar de pé.
O barulho do outro lado da cama o fez arregalar os olhos. Sua companhia aparentemente havia acordado.
O braço direito do Décimo permaneceu no mesmo lugar. Suas mãos desceram até o colchão, apertando firme a beirada de espuma. O homem levantou-se e seus passos mesmo baixos pareciam ecoar por todo o quarto.
O homem de cabelos prateados sentia que seria inevitável olhar para a pessoa com quem passara a noite, mas a ideia de ter aquele rosto marcado em sua mente para sempre era aterradora. Um vislumbre e nada mais. Uma olhada e ele teria oficialmente seguido em frente.
O homem parou à porta. Gokudera permitiu que sua cabeça se virasse um pouco, o suficiente para ter uma rápida realização da realidade.
O ar parou de entrar e sair de seus pulmões. Seu coração já não batia em seu peito. Como uma bola de neve de emoções, a noite de oito meses atrás se misturava com as cenas da noite passada, formando um desagradável flashback.
O Guardião da Tempestade mentira para si mesmo. Ele nunca seguiria em frente.
Porque parado a sua porta, olhando-o com os mesmos olhos sérios e sem brilho da noite anterior estava Yamamoto Takeshi.
Continua...
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