To Die With The Sun
12 Capítulo 12 - Agitada Noite.
Notas iniciais
Sophie entrou no escritório de Dumbledore e o encontrou sentado em uma cadeira que estava no meio da sala, e tinha uma outra a sua frente. Não foi preciso pensar muito para perceber que o diretor estava esperando por ela e isso só fez com que ela se irritasse. Afinal o que significava aquilo? Dumbledore sabia que aquilo ia acontecer?
— Boa noite, Sophie. — Disse ele sem olhar para ela mas com a voz calma. — Sente-se. — Nisso apontou para a cadeira de frente para ele.
Sophie deu a volta por Dumbledore, olhando para ele como se ele fosse alguma presa e ficou atrás da cadeira que era para ela sentar, olhando nos olhos de Dumbledore e pela primeira vez ela não conseguia decifrar aquele olhar.
Ela ainda estava tremendo de raiva e medo. Sua mão tremia como se estive em algum lugar bem gelado, em sua cabeça só se passava o rosto assustado de Harry quando ela apontou a varinha para ele.
— O que está acontecendo comigo? — Perguntou ela olhando para o rosto de Dumbledore.
— Você está com raiva. — Disse Dumbledore calmamente. — Está se permitindo sentir raiva de seu irmão depois de longos anos.
— Por que agora? Por que? — Perguntou Sophie tentando respirar devagar. — Estava tudo indo bem...
— Porque você viu como sua família seria no espelho. — Disse Dumbledore. — Sophie, eu sei como se sente.
— Não. Não o senhor não sabe como eu me sinto. — Disse Sophie negando com a cabeça. — Por favor não diga que você sabe porque o senhor não faz ideia de como eu me sinto.
Ele não sabia. Dumbledore nunca saberia pelo que ela estava sentindo ou passando. Ele ficava ali, sentado e falando palavras vazias como se conhecesse ela. Deus, aquele homem não a conhecia. Ele nunca iria conhecê-lá.
— Não tenha vergonha de sentir isso Sophie. — Disse Dumbledore. — Essa sua raiva que guarda só mostra o quão forte você é.
— Forte?.. — Disse Sophie dando um sorriso com ironia. — O senhor realmente não... não sabe..
— O que eu não sei Sophie? — Perguntou Dumbledore calmamente.
Sophie sentiu a raiva que estava segurando se soltar por todo seu corpo, se tornando maior e ela começou a sentir um enorme desejo de ferir Dumbledore por sua alma e suas palavras vazias.
— Foi um erro vir aqui. — Disse se virando para ir embora.
— Sophie sentir essa raiva só mostra como você tem guardado isso por um tempo muito longo e como está amadurecendo agora. — Disse Dumbledore fazendo ela parar de andar. — Faz parte da sua humanidade...
— ENTÃO EU NÃO QUERO SER HUMANO! — Gritou Sophie dando a volta e olhar para Dumbledore. — EU NÃO QUERO SENTIR ISSO! NÃO QUERO ENTENDER O QUE ESTÁ ACONTECENDO! — Nisso pegou a cadeira que estava de frente para Dumbledore e atacou na mesa dele fazendo todas as coisas em cima dela se espatifarem. — CHEGA TÁ LEGAL? EU NÃO QUERO SABER O QUE VAI ACONTECER SE VOLDEMORT VOLTAR PORQUE NÃO ME IMPORTA!
— Te importa sim. E você sabe disso. — Disse Dumbledore que não havia se mexido enquanto Sophie destruía seu escritório. Nem mesmo parecia se importar.
— NÃO! HARRY É O MENINO QUE SOBREVIVEU! NÃO EU! — Gritou Sophie tão alto que pensou que perderia a voz. Olhou para Dumbledore sentiu vontade de quebrar o bruxo também; quebrar aquele rosto velho e calmo, sacudi-lo, machucá-lo, fazê-lo sentir um pedacinho do horror que havia sentido quando viu Aslan caído no chão ou quando havia percebido que tinha quase matado o irmão. — FOI ELE QUE COMEÇOU ISSO! ELE MATOU MEUS PAIS! POR CULPA DELE MINHA MÃE E MEU PAI ESTÃO MORTOS! — O que ela estava dizendo? Por que ela estava dizendo aquilo? — SE NÃO FOSSE POR ELE SIRIUS ESTARIA AO LADO DO REMUS, MAMÃE E PAPAI ESTARIAM VIVOS!
— Continue. — Disse Dumbledore.
— E O SENHOR NÃO SABE COMO EU ME SINTO! O SENHOR DIZ QUE SABE MAS NÃO FAZ A MINÍMA IDEIA! OS ÚNICOS QUE SABEM SÃO SIRIUS, REMUS E... — Então ela parou como se tivesse levado um soco no rosto.
— E? — Incentivou Dumbledore.
Sophie olhou para Dumbledore e sentiu-se como se fosse desmaiar. Era como se ela tivesse acabado de acordar de um pesadelo e percebesse as coisas que havia feito. Mas por mais triste que seja ela ter falado aquilo, ela se sentiu aliviada, como se tivesse tirado todo o peso de suas costas falando aquelas coisas sobre seu irmão. Ela colocou as duas mãos no rosto e o sentiu molhado de suas lágrimas.
— Continue, Sophie. — Disse Dumbledore calmo.
— Harry... Deus... Harry.. Deus o que eu fiz eu... — Disse ela chorando com os soluços saindo abafados. Caiu de joelhos e se permitiu chorar mais.
— Você acabou de soltar o que estava segurando desde do dia que Remus lhe contou sobre a morte de seus pais. — Disse Dumbledore abrindo um pequeno sorrindo.
Sophie continuou chorando e quando finalmente olhou novamente para Dumbledore viu que ele sorria com carinho para ela.
— O senhor sabia.. não é? — Perguntou Sophie suspirando com as lágrimas saindo. — Quando me mandou impedir o Harry de continuar olhando o espelho. Sabia que quando eu visse a minha família eu iria culpá-lo...
— Me desculpe por isso Sophie. Mas se você continuasse a reprimir a raiva que tinha do seu irmão iria acabar morrendo. — Disse Dumbledore simplesmente. — Teve horas que eu olhava para você e via uma bomba de sentimentos sufocados andando por Hogwarts.
— Que tipo de irmã culpa o irmão por um crime que ele não cometeu? — Perguntou Sophie tristemente. — Como eu pude fazer tal coisa?
— Sophie, desde do dia em que Harry chegou aqui você só tem o protegido. Cuidou dele e o amou, enquanto dentro de você, bem no fundo, você sentia raiva dele. E mesmo assim, continuou cuidando. Sofrendo pelas palavras de Snape para protegê-lo. Mas eu tinha que fazer você soltar esse sentimento preso em você, para que no futuro, isso não venha te atacar. E bem, em relação a culpar irmãos, eu culpei o meu irmão por roubar meu pelúcia uma vez. — Disse Dumbledore sorrindo. — Sendo que.. eu havia destruído o bichinho.
— Senhor! — Disse Sophie rindo em meios as lágrimas.
— Eu consegui escapar de uma bronca pelo menos. — Disse Dumbledore sorrindo. — Aberforth nunca foi muito esperto de qualquer maneira.
Sophie sorriu e se levantou, olhou em volta e ficou assustada ao ver o estrago que havia feito. Olhou para Dumbledore e viu que ele parecia não se importar. Então suspirou.
— Significa que eu vou para de culpar meu irmão? — Perguntou. — Isso vai parar?
— Isso era sua raiva Sophie.. -Disse Dumbledore sorrindo. — E sim, você vai deixar de culpar seu irmão agora que a soltou. Mas permita-me lhe dizer para não segurar sua raiva para não machucar os outros sim? Machucar a si mesma não é certo.
— Sim senhor. — Disse Sophie sorrindo.
— Sabe, eu estava enganado. — Disse Dumbledore pensativo.
— Com o que senhor? — Perguntou Sophie.
— Você se parece mais com seu pai do que com sua mãe. — Disse Dumbledore olhando para Sophie. — James não gostava de descontar raiva nos outros, ele odiava machucar os outros. Preferiria mil vezes se ferir descontando a raiva em si mesmo do que solta-lá para alguém que amava.
— Mas ele vivia fazendo brincadeirinhas com Snape. — Disse Sophie franzindo a testa.
— Professor Snape, Sophie. — Disse Dumbledore. — Sim é verdade, seu pai fazia muito isso mas ele fazia isso por ciúmes de sua mãe com Severus. Tenho certeza que ele sentiria ciúmes da sua relação com Fred Weasley...
— Senhor! — Disse Sophie agora ficando vermelha. — Eu e o Fred não temos nada!
— Ainda.. — Sussurrou Dumbledore sorrindo. — Agora, acho que você deva ver Aslan sim?
— Deus é verdade.. — Disse Sophie sentindo o coração se apertar ao lembrar de Aslan. — O que o senhor acha que o atacou?
— Eu ainda não sei. — Disse Dumbledore pensativo. — Mas seja o que for, vai voltar.
— Hum.. — Sussurrou Sophie. — Eu vou ir ver Aslan. E desculpe por ter destruído o seu escritório. Eu realmente não queria.. quer dizer eu acho que eu queria.. eu não sei.
— Não ligue para isso! Vá! — Disse Dumbledore sorrindo.
Sophie concordou e correu para a Ala Hospitalar. Se sentia bem, o coração estava leve. Quando entrou, viu que Fred estava ao lado de Aslan acariciando a sua juba.
— Eu sou uma péssima mãe. — Disse Sophie fazendo Fred olhar para ela e sorrir.
— Oi.. — Disse ele voltando a olhar para Aslan.
— Como ele está Fred? — Perguntou Sophie se sentando do outro lado de Aslan ficando de frente para Fred.
— Melhorando. — Disse Fred sorrindo com carinho para o leão. — Neville me deu um baita susto dizendo que Aslan estava morrendo.
— Mas ele não estava não é? — Perguntou Sophie com medo.
— Não. — Disse Fred. — Madame Pomfrey pensou que ele havia levado alguma maldição quando o viu. Mas seja o que for que o atacou, sabia o que estava fazendo.
— Por que? — Perguntou Sophie erguendo a sobrancelha.
— Sophie, a criatura que atacou Aslan, quase quebrou todos os ossos dele. — Disse Fred com um tom de voz sombrio. — Eu não sei quem fez isso, particularmente estou assustado.
— Eu cheguei a ver. — Disse Sophie. — Não o rosto, mas eu vi que rastejava.
— Será que Dumbledore não sabe? — Perguntou Fred pensativo.
— Não, eu perguntei para ele. — Disse Sophie suspirando.
— Ah sim, Neville me contou sobre o incidente com o Harry. — Disse Fred. — Você apontou sua varinha para seu irmão?
— Ah eu tenho que pedir desculpa para Harry por isso. — Disse Sophie passando a mão no rosto cansada. — Eu estava fora de mim Fred, eu vi o Aslan no chão e... culpei Harry.
— Bom, pelo menos você está melhor.. não é?
— Sim, sim. Eu e o Dumbledore conversamos. — Disse Sophie sorrindo. — Tudo vai melhorar agora.
— Ótimo. — Disse Fred sorrindo e pegando a mão de Sophie. — Afinal, vou precisar de você bem para cuidar do nosso filho.
Sophie riu e acariciou o pelo de Aslan que abriu os olhos e ronronou. — Eu to aqui parceiro. Sempre.
Eles ficaram acariciando Aslan e conversando quando a porta da Ala Hospitalar se abriu e Harry entrou com a cabeça abaixada sem olhar para cima e sem perceber que Sophie estava lá. Parecia pensativo. Quando ficou de frente para a cama de Aslan, levantou a cabeça e ficou vermelho ao ver Sophie olhando para ele.
— Eu.. eu.. queria saber como ele estava. — Disse Harry nervoso e olhando para baixo.
Fred olhou para Sophie e sorriu com carinho, se levantou com a desculpa de ir ao banheiro. Sophie suspirou e olhou para Harry que ainda estava com a cabeça abaixada.
— Me desculpe. — Disseram os dois ao mesmo tempo e sorriram um para o outro timidamente.
— Você não tem pelo que se desculpar, Harry. — Disse Sophie olhando para o irmão e depois para Aslan.
— Mas se não fosse por mim...
— A culpa foi minha. Não sua. — Disse Sophie ainda olhando para o leão que voltara a dormir. — Eu pedi para Aslan te proteger. Essa foi a outra coisa que eu havia pedido para ele, além de se comportar. Proteja Harry Potter. Eu não estava pensando quando apontei minha varinha para você, desculpe.
— Sem problemas. — Disse Harry sorrindo. — Mas mesmo assim, me perdoe por não ter protegido Aslan também.
— Harry...
— Por favor. — Suplicou Harry.
— Muito bem, muito bem. — Disse Sophie sorrindo. — Te perdoo.
— Ótimo! — Disse Harry sorrindo. — Sophie..
— Sim? — Olhou para Harry que agora estava sério.
— Eu posso te contar uma coisa? Eu contei para o Rony e para Mione mas acho que talvez você.. não sei, me entenda melhor.
— Parece sério. — Disse Sophie. — Diga.
— Bem, na floresta, eu, o Draco e o Aslan estávamos procurando o unicórnio e a gente encontrou, o problema foi que o unicórnio que encontramos ainda estava sendo morto pela criatura. — Disse Harry nervoso. — Então o idiota do Malfoy fez um barulho que chamou a atenção da criatura para nós, e quando ele começou a se aproximar, Malfoy correu e eu caí porque minha cicatriz começou a doer com força; Aslan rugiu partindo para cima do bicho que fugiu; eu tente impedir de Aslan ir atrás dele mas ele correu atrás mesmo assim. Enfim, eu estava assustado e minha cicatriz estava doendo muito.
"Nessa hora, enquanto eu estava no chão, um centauro chamado Firenze apareceu e me ajudou a se levantar, claro que eu perguntei o que havia sido aquilo e.. ele começou me dizendo que é um crime terrível matar um unicórnio, que só alguém que não tem nada a perder e tudo a ganhar cometeria tal crime. Ele me disse que o sangue de unicórnio mantem a pessoa viva, mesmo quando ela está a beira da morte..."
— Harry você está me contando tudo que eu já sei sobre unicórnios. Vá direto ao ponto sim? — Disse Sophie olhando atentamente para Harry.
— Certo, desculpe. Bem, ele disse que a coisa estava bebendo sangue de unicórnio para que sobrevivesse tempo suficiente para beber outra coisa, algo que vai devolver toda a força que ele precise para voltar. E é algo que signifique que ele jamais vai poder morrer. E claro me toquei na hora que era a Pedra Filosofal! O Elixir da vida! Mas quem iria querer isso? Eu perguntei e ele me disse se eu não conseguia pensar em ninguém que estivesse esperando por longos anos para retomar o poder, que se apegou à vida..
— Voldemort. — Disse Sophie se levantando. — Por isso sua cicatriz doeu. Você sentiu ele perto de você.
— Exatamente! — Disse Harry. — Sophie ele vai tentar roubar a Pedra Filosofal!
— Eu devia perguntar como você sabe da Pedra mas eu já imaginava que você iria querer descobrir o que o cão esconde. — Disse Sophie sorrindo mas ficando séria. — Mas ele não pode entrar em Hogwarts.. é impossível.
— Não se ele tiver ajuda. — Disse Harry baixo.
— Quem você acha que iria ajudá-lo? — Perguntou Sophie franzindo a testa.
— Snape? — Sugeriu Harry.
— Faz sentido não? — Perguntou Sophie sorrindo. — Ele é todo malvado. Mas eu acho que não Harry, por mais que seja boa sua teoria de ser o Snape eu não acredito. Mas temos que ficar atentos, principalmente você. Se sua cicatriz voltar a doer você me avisa está bem?
— Sim, está bem. — Disse Harry suspirando.
— Agora, vá dormir. Amanhã você tem exame para fazer. — Disse Sophie sorrindo. — E se quer uma dica, acorde bem cedo para relembrar algumas coisas, peça para Mione te ajudar. — Disse Sophie. — Agora vá.
— Está bem, obrigado Sophie. — Disse Harry sorrindo e saindo da Ala Hospitalar.
Sophie esperou cinco minutos, beijou o pêlo de Aslan e correu para sala de Dumbledore que por sorte ainda estava acordado e usando um pijama com ursinhos.
— Professor eu.. — Disse Sophie mas parou ao ver o diretor de pijama. — Ursinhos?
— É fofo. — Disse Dumbledore dando de ombros. — Que bom que você está aqui Sophie.
— Aconteceu alguma coisa? — Perguntou Sophie indo para perto do diretor.
— Sinto em lhe dizer, mas hoje vai ser uma noite bem agitada para você. — Disse Dumbledore. — Sente-se, por favor. — Disse Dumbledore calmo mas parecendo um pouco tenso. — Bem, Sophie, eu acabo de receber uma carta do ministério. E nela diz algo que eu particularmente não gostei de ler.
— Que seria? — Perguntou Sophie com medo.
— Eles me chamaram para ir lá para participar de uma audiência. — Disse Dumbledore. — E querem sua presença também.
— Minha? Por que? — Perguntou Sophie confusa.
— Porque, a audiência é para Remus. — Disse Dumbledore. — O Ministério o prendeu.
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