Tmnt - 2014

10 Raphael e Erika


Deveria ser 06:30 Am, esse era o horário que Erika acordava quando queria tomar banho antes de ir para o colégio.

– Ei, cara, você deveria dormir mais um pouco — disse Erika olhando Raphael se levantar e olhar pela janela.
– Não posso — respondeu Raphael — tenho que encontrar meus irmãos... Eu não faço nem ideia de onde eles estão, mas sei que não estão seguros.
– Por quê? — perguntou Erika erguendo a cabeça.
Raphael se voltou para menina e respondeu:
– Porque nenhum de nós está seguro, em nenhum lugar.

Erika ficou bem chocada com a resposta.

– Me deixa pensar se eu fosse eles onde me procuraria. — começou Raphael sentando-se na cama — se eu fosse o Mike... Não, o Mike é o pior de todos... Provavelmente foi o Leo quem decidiu o lugar...
– Vocês não tem um ponto de encontro? Ou uma casa? — perguntou Erika, que logo em seguida se sentiu bem idiota pensando nos quatro mais uma mãe e pai tartaruga arrumando a casa ou jantando ou de férias. "Como eles poderiam ter uma casa?!" Ela concluiu batendo em sua testa.
– Temos uma casa que é um ponto de encontro, mas não podemos voltar agora. — ele respondeu com um olhar que demonstrava raiva do mundo.
– Uma casa? Igual essa? — perguntou Erika surpresa.
–Não como essa — respondeu Raphael — ela é totalmente diferente.... Mas é um lugar legal — ele concluiu sorrindo lembrando-se das coisas que gosta no esgoto.

Erika pensou em na vista de fora da sua casa quando chegava da escola , nos cômodos e olhou as paredes de seu quarto.

– Uma casa não é um lar... — ela disse baixinho.
– Já sei onde eles estão — concluiu Raphael

Raphael estava muito mais no centro de NY do que seus irmãos, provavelmente seria uma péssima ideia voltar pros esgotos pelo menos a partir dali. O sol já estava para nascer e as coisas abrem muito cedo em cidades comerciais.

– Você pode me ajudar? — perguntou Raphael — vou ficar te devendo uma — ele terminou com uma voz confiante e meio arrogante.
– Salvei sua vida, cara — respondeu Erika indo pegar mais medicamentos.
– Pode ser, mas eu não tinha pedido — ele respondeu — então não te devo nada — concluiu no mesmo tom de voz.
– O que é? Comida? Remédios? Alguma coisa pra substituir as sais — perguntou Erika lembrando do que tinha na cozinha pra poder fazer um lanche pra escola — eu vou trocar o curativo do seu olho.

Quando Erika retirou o curativo do olho esquerdo de Raphael ele ficou bem surpreso de conseguir enxergar quase que normalmente com ele. Erika percebeu isso.

– Achou que tinha ficado cego? — ela perguntou segurando o sorriso — eu coloquei o curativo no seu olho inteiro pra você não ficar piscando e abrindo as feridas.

Raphael percebeu que Erika era uma pessoa bem confiável, ela também não se assustava com a aparência dele, ela também era corajosa e habilidosa.

– Eu quero que você me ajude a chegar até onde meus irmãos estão — Raphael disse, por fim.

Aquele pedido fez Erika mudar de postura rapidamente. Ela deu alguns passos para trás demonstrando medo e falta de companheirismo além de sua que expressão não passava segurança.
Raphael se sentiu meio ofendido. Quebra de expectativa é uma das melhores e piores coisas que se pode sentir. Ele achou muito bom que Erika não se assustasse com ele, pânico era a reação esperada de um humano; depois ele achou muito ruim que ela não tenha aceitado seu pedido assim que o fez, porque ele criou um expectativa de que ela o ajudaria como fizera até aquele momento.

Erika não sabia direito o que fazer, tudo o que ela havia decidido fazer nos últimos meses haviam levado á decisão que ela deveria tomar agora.
"Se eu não tivesse saído de noite aquela primeira vez"; "se eu não tivesse ido no restaurante"; "se eu não tivesse saído hoje"; "se eu não tivesse ajudado ele". Ela pensou que fazia tudo escondido e que se fosse com Raphael ela faltaria na escola, o pai dela perceberia que ela saiu escondido e se não desse pra chegar no trabalho a tempo?...

– Esquece — disse Raphael dando as costas (o casco?) para Erika.
– Espera — Erika disse segurando na mão dele.
Ele se virou. Eles olharam um no olho do outro.
– Eu prometo que não vou sair de perto de você até você estar com seus irmãos.

Era mais uma decisão impulsiva, a segunda que precedia muitas que ainda viriam durante aquele mês.

Notas finais
Obrigada por ler
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.