Erika estava no metrô a caminho da escola, em uma das paredes tinha uma propaganda ambientalista onde haviam quatro tartaruguinhas verdes, ela começou a se lembrar daquela noite estranha. Ela ficou um tempo tentando se converser de que ela havia imaginado aquilo, estava “escuro”, ela estava “com sono”, aquilo era “totalmente impossível”, mas “tão impossível assim?”, “claro que sim”, “se tem crocodilos no esgoto porque não tartarugas?” “não existem esses crocodilos nem tartarugas que lutam kunf fu” ela terminou fazendo que sim com a cabeça. Ela ouviu umas risadinhas, duas meninas estavam olhando pra ela, ela devia ter feito expressões estranhas enquanto pensava no assunto. — “se estivessem sozinhas não teriam rido, vacas...” pensou Erika fechando a cara

Ela viu outro pôster.

– “estou ficando louca?” – ela pensou preocupada cerrando os punhos.

Durante a aula Erika conseguiu se concentrar normalmente, com exceção da aula de física e de história nacional porque ela não gostava da professora. Nas últimas três aulas ela estava bem mais calma.

Agora ela podia se voltar para outra preocupação: dinheiro para tirar carta e comprar uma lambreta adorável em 20 “suaves prestações”. No dia anterior ela viu um restaurante de comida japonesa com a seguinte placa:

“Precisa-se de faz tudo, homem ou mulher com ou sem experiência”

Ela havia ligado assim que chegou em casa para agendar uma entrevista, era no dia seguinte, em outras palavras: agora mesmo.

Quando se vai fazer uma entrevista de emprego costuma-se entrar pelos fundos, assim Erika se dirigiu para porta de trás trinta minutos antes do horário marcado.

O fundo do restaurante não era nada atraente, havia uma daquelas latonas de lixo que provavelmente não era limpa há anos e os muros tinham tinta acinzentada que estava descascando.

–“eu vou ter que limpar isso?” – pensou Erika com cara desgosto

Ela procurou ficar bem calma e repetir que ia dar tudo certo, mas as vozes de dois dos clientes não deixavam ela se concentrar, um deles era bem alegre e fazia piadas com qualquer coisa o outro era meio antagônico em relação ao primeiro: dizia que ele era “um idiota” com uma voz carregada de raiva.

– Donatello, que horas são? – perguntou o dono do restaurante.

– 04:20 — respondeu “Donatello”

– Preciso que vocês saiam agora, meninos – começou o cozinheiro – uma menina vai vir aqui fazer entrevista de emprego e acho que ela poderia se assustar com vocês.

– “por que” – perguntou aquela pessoa que tinha uma voz divertida

– “porque somos tartarugas mutantes” – responderam outras três vozes impacientemente.

– “Mike” – completou a voz agressiva.

– “Ow... é, esse é um bom motivo” – concordou aquele de voz alegre se levantando.

Erika ficou completamente estática, ela piscou algumas vezes e começou a se lembrar de todos os lugares onde ela havia visto tartarugas desde aquela noite estranha: roupas, desenhos, propagandas, internet, lápis de escrever, mochila, óculos e em cima de uma vã lutando kung fu.

Ela ouviu um barulho se aproximando e imediatamente se escondeu atrás da lata de lixo. A porta se abriu e ela viu, ainda que não perfeitamente, duas tartarugas meio humanas usando sobretudos cinza escuro, uma delas usava uma faixa vermelha nos olhos.

– o que vamos fazer agora? – perguntou aquele da faixa vermelha que tinha uma voz mais agressiva.

– voltar lá pra baixo, o que mais? – respondeu um outro que já começava a andar dando um comando apara que o seguissem

– qual é? Splinter vai nos fazer treinar uma 80 katas... (posições)

– é eu gostaria de tentar ver uma loja com equipamentos e peças mais profissionais, April disse que pode comprar alguma coisa que eu escolher e eu não quero escolher só pelos catálogos – disse aquela voz que devia ser de Donatello.

– ... retiro o que disse, vamos voltar e... – começou aquela voz agressiva agora cheia de sarcasmo.

Ele empunhou as sais e virou para a lata de lixo.

– não dá pra fazermos isso essa hora do dia... – disse aquele que tinha sempre aquele ar de liderança em tudo que falava

– você não já não tem tudo... – começou aquela voz alegre

– shhhh, Mike – disse a voz agressiva – eu ouvi algu...

Erika se encolheu atrás da lata.

– ahhh! – gritou ele – uma barata – ele disse pegando as sais e tentando acertá-la no chão.

– ainda tem medo disso, Rapha? – perguntou aquela voz com ar de liderança.

– Calado! Leo! – respondeu Raphael com a barata enfiada no sai – tão nojentas e asquerosas – ele completou limpando o Sai na parede.

Mike havia levantado a tampa de um bueiro e depois que os outros três entraram ele os acompanhou.

...

– Donatello — nerd

– Mike – bobo alegre

– Leo — certinho

– Rapha – irritado

...

– “acho que eles tem muitos defeitos para serem imaginários” – pensou Erika antes de dormir