Titanic

6 Capítulo 5 – TAKE HER TO THE SEA, MR.MURDOCH


Notas iniciais
Eu sei, vocês devem estar quase me matando.

Desculpem pela demora, é que eu me envolvi com a gincana do meu colégio e com uma apresentação musical do show de talentos e acabei ficando sem tempo.

Mas agora estou de férias! E prometo escrever com mais rapidez os capítulos.

Já planejando a fic da I Guerra Mundial.

Descobri porém que os deuses só se mudaram para os EUA depois da II Guerra e do Tratado dos Três Grandes. Então já planejando no mínimo uma trilogia.

Agora, sem mais delongas, o capítulo! Enjoy:

11/04/1912 – Porto de Queenstown, Irlanda.

13:30 – Horário da Irlanda

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ATHENA’S POV


Depois de uma madrugada tranquila, dormindo na minha suíte em uma confortável cama com travesseiros de pena de ganso escocês, o Titanic ancorou em Queenstown, no sul da Irlanda. Mais uma vez atracamos fora do porto, graças ao tamanho descomunal do Titanic. Os barcos de apoio embarcaram os novos passageiros rapidamente.

O almoço se passou com o navio ainda ancorado, mas logo depois, ainda durante a sobremesa os motores foram ligados e finalmente estávamos em direção à Nova York, sem mais nada à nossa frente, somente o mar aberto.

Hermes checou o relógio de bolso que trazia ao bolso.

–Uma e meia. – declarou – Saímos no horário.

–Que maravilha! – exclamou meu pai. Hera sorriu satisfeita levando a colher com um pedaço de Crème Brûlè à boca.

Terminada a sobremesa fui ao convés observar pela última vez o continente. Ficaríamos alguns dias longe de qualquer pedaço de terra. Eu iria ficar ilhada no meio do “território inimigo”.

–Mãe, venha comigo até a ponte, quero que você veja de perto. – Thomas chamou da escada que ligava o convés ao deque restrito à tripulação.

Subi as escadas e caminhamos até a Ponte de Comando sob olhares curiosos de Oficiais que nunca imaginaram que uma mulher passaria por ali.

O Capitão estava tomando um chá, do lado de fora. O Primeiro Oficial Murdoch estava ao seu lado. Quando Thomas se aproximou o Capitão o saudou e depois deu as boas vindas à ponte de comando.

–Vamos lá, Capitão. Força total à frente. – disse Sr.Ismay, também chegando, mas pelo outro lado da ponte. Thomas ergueu a prancheta e puxou uma caneta de dentro do paletó.

–“Take her to the sea, Mr.Murdoch.” – disse o capitão. – Vamos deixá-la esticar as pernas.

–Força total à frente! – gritou o Primeiro-Oficial, entrando na cabine.

Ele e mais um oficial puxaram as manivelas que indicariam aos engenheiros, oito andares abaixo, para aumentarem a pressão das câmaras de vapor para conseguirem mais potência para Titanic e seus dois imensos motores que movimentariam as três hélices de bronze na parte traseira do navio. Nem imaginávamos que dezenas de manivelas e engrenagens estavam sendo giradas e apertadas e que dúzias de homens se movimentavam nas caldeiras colocando mais carvão no coração do Titanic.

Um minuto depois o barulho com que estávamos acostumados aumentou, ficou mais forte, mais alto. Todos os ponteiros indicadores na Ponte subiram, Thomas passou olhando cada um deles e fazendo anotações.

Por um momento o navio vibrou e o oficial que estava responsável pelo timão teve dificuldades em manter o rumo. Um olhar de terror preencheu os olhos de Thomas. Eu sabia que um dos principais problemas do Olympic, o navio-irmão do Titanic, tinha sido vibrações constantes e excessivas. Porém, antes mesmo da velocidade se estabilizar, as vibrações pararam, trazendo alívio para Thomas, e para mim também, já que, como toda mãe, torço pelo sucesso de meus filhos.

–21 nós, Capitão. – anunciou Sr. Murdoch, voltando para onde nós estávamos. Thomas veio com ele.

–Ótima velocidade! – falou Thomas, alegre, comemorando este momento grandioso na carreira dele.

–Parabéns, Sr.Andrews. – falei. Ele acenou de leve a cabeça.

Dava para perceber o aumento de velocidade do Titanic, mais ondas se formavam nas laterais do navio e o vento batia com mais força em nosso rosto. Observei as pessoas andando pelo deque, felizes e conversando. Afrodite, mais uma vez com sua comitiva de madames, caminhava pelo convés. Margareth Brown, por sua vez, conversava com um casal.


ELISABETH’S POV

Fiquei aliviada quando, naquela manhã, cheguei ao Cafè Parisien para o desjejum e vi Tobias inteiro e, principalmente, vivo. Quando minha mãe apareceu no corredor na noite passada e depois o levou, puxando-o pelo corredor, temi pelo pior.

Mas ele estava bem, era isso que importava. Me aproximei dele.

–Bom dia. – ele falou – Como passou a noite?

–Estava preocupada com você, Tobias. Minha mãe tem certo requinte para crueldade, Aracne e Medusa são só alguns exemplos.

Ele olhou para os dois lados para ver se estávamos sozinhos e me beijou.

–Não se preocupe mais. – falou abrindo um sorriso. – Se eu te contar o que sua mãe falou comigo ontem à noite, você não vai acreditar.

Ele ficou me encarando, para ver se eu arriscava algum palpite. Por fim pedi para que me falasse logo.

–Ela me deu um voto de confiança. Ela vai nos deixar casar e ser felizes.

Eu não estava acreditando, olhei de forma incrédula para o filho de Poseidon. Minha mãe dando um voto de confiança para um filho de seu maior inimigo? Era estranho, e até perigoso.

–O que foi? – perguntou Tobias, vendo minha expressão preocupada.

–Minha mãe não é de ficar distribuindo votos de confiança por aí. É difícil de acreditar que ela daria um para você, já que você é filho de Poseidon.

–Você está dizendo que não acredita em mim? – falou, parecendo um pouco magoado.

–Não! – disse prontamente – Não é isso que quis dizer. O que eu estou falando é que é estranho e podemos considerar como uma ameaça. Talvez ela esteja planejando alguma coisa. – pensei melhor – Talvez, não. Com certeza ela está armando alguma coisa.

–Como assim?

–Talvez ela tenha feito isso para a gente abaixar a guarda, ficar menos preocupados.

–Você acha?

–Não tenho certeza, mas nós não podemos parar de ficar atentos.

–Não vamos. Tudo vai dar certo, Elisabeth. Nós vamos desembarcar em Nova York e a primeira coisa que vamos fazer é falar com seu pai, eu vou pedir sua mão em casamento e vamos casar o mais rápido possível.

Eu abri um sorriso tímido e Tobias me abraçou. Senti um beijo no meu pescoço, uma sensação incrível viajou pela minha coluna, fazendo me arrepiar toda. Afastei Tobias, e com um olhar carinhoso falei:

–Pare, as pessoas já estão começando a comentar sobre nós.

–Eu não me importo com as outras pessoas.

–Eu também não. Mas pode acabar nos prejudicando, você sabe como as aparências são importantes nos dias de hoje.

–Aparências e status. – completou. – Duas coisas inúteis que acabam abafando grandes talentos. Você sabe que eu ajudo minha mãe com seus projetos de caridade. E um deles é um centro de treinamento de natação em Charlotte, lá tem um garotinho que nada fantasticamente bem. Eu tentei fazer a inscrição dele em um campeonato infantil.

–E por que não conseguiu? – perguntei, mas eu tinha quase certeza da resposta.

–Ele é negro, Elisabeth. Só por que ele é negro eu não consegui inscrevê-lo no campeonato. Eu tenho certeza que se eu tivesse conseguido ele teria trazido muitas medalhas.

Ele olhou triste para o porto.

–Às vezes eu fico pensando. E se minha mãe não fosse casada com um governador que me acolheu como filho, será que eu teria conseguido ganhar uma medalha Olímpica de ouro?

Afaguei a mão dele para confortá-lo.


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À tarde, estávamos no deque. O navio já tinha deixado o porto já fazia quase uma hora. Margareth Brown nos acompanhava, ela era filha de Afrodite e estava comentando em como os deuses não estavam conseguindo se disfarçar direito. Zeus já tinha sido visto na cabine de uma mortal, Poseidon também. Ártemis quase matou um passageiro só porque ele tentou tirá-la para dançar no jantar de ontem. Minha mãe, bom, minha mãe tinha dado aquele showzinho na Grande Escadaria e Afrodite tinha se exposto demais para as outras senhoras da Primeira Classe.

Margareth era muito engraçada, não tinha como não rir com ela. Também tinha uma grande presença, ela preenchia os ambientes, não tinha como não a perceber se ela estivesse lá. E como estávamos em um navio, sua presença era constante.

–E vocês, como estão? – perguntou.

–Estamos bem. – respondeu Tobias.

–Bem preocupados. – completei.

Ela franziu a testa.

–Com sua mãe? – deduziu corretamente.

–Sim. Ela está muito esquisita. – falei – E deu um voto de confiança para Tobias.

–Para o Sr. Jackson? – perguntou perplexa, para confirmação.

–Ei! – protestou Tobias.

–Desculpe, não quis dizer que o senhor não era digno de confiança.

Ele acenou afirmativamente com a cabeça, aceitando as desculpas. De repente o barulho do motor aumentou, o vento começou a bater mais forte, eu e Margareth seguramos nossos chapéus, com medo de que voassem.

–O que está acontecendo? – perguntei. Sra. Brown respondeu:

–Ouvi Sr. Andrews comentar que iriam colocar o Titanic em força total hoje.

–O navio ainda não estava em sua velocidade máxima? – perguntei perplexa.

–Não, estava em meia força.

–Sra. Brown tem razão. – falou Tobias. – A velocidade está aumentando, já estamos a 19 nós. Estávamos a 15 antes.

Margareth Brown olhou surpresa para Tobias.

–Como você sabe disso rapaz?

–Poderes de Poseidon. Eu ainda posso te dizer que estamos nas seguintes coordenadas: 50°24’ N e 13°15’ O.

Ela olhou para Tobias impressionada.

Depois de alguns minutos sentamos em uma das mesinhas que tinham espalhadas pelo deque. Tínhamos voltado a falar de minha mãe.

Lady Athena realmente está muito esquisita. – falou Margareth – Ela estava assustada com essa proximidade de vocês.

–Assustada?

–Sim, a primeira coisa que ela foi fazer depois de fazer aquela cena na Grande Escadaria foi ir falar com Poseidon. Eu vi, eles conversaram baixinho sobre alguma coisa, os dois estavam assustados. E de noite, pelo que eu ouvi, eles tiveram uma discussão acalorada no deque.

Eu olhei para Tobias, ele estava pensativo.

–Eu não sei o que pensar disso. – falei. Margareth ergueu os ombros como se dissesse “só quis passar a informação para vocês”.

Só fomos para o interior do navio na hora do Chá das Cinco.


ATHENA’S POV

Era impressionante a quantidade de champagne que conseguiram embarcar no Titanic, pois era recém a segunda noite e os passageiros se enchiam da bebida. Tomavam vinho durante as refeições, mas antes e depois era só champagne. Tinham alguns homens que nem tomavam o brandy depois do jantar, levavam a taça do espumante para a sala de fumantes.

Poseidon me tirou para dançar, eu aceitei só porque achava interessante a reação dos outros deuses quando eu e o deus do mar resolvíamos fazer alguma coisa juntos.

Os músicos tocavam uma valsa de Strauss, e Poseidon me conduzia magnificamente pelo salão, estávamos tão absortos na dança que nem percebemos quando uma das passageiras saiu de rompante do Salão Restaurante esbarrando em um garçom que segurava um réchaud que quase colocou fogo na cortina.

–Athena, sobre ontem. Me desculpe.

–Não posso te desculpar Poseidon, você é meu rival.

–Deixe de ser chata.

–Com você? Nunca.

Ele me fez dar um giro para longe e depois me puxou de volta. Nem percebemos também, que Afrodite assistia satisfeita, talvez até mesmo emocionada, eu e Poseidon dançando juntos.

–Estou preocupada com Tobias e Elisabeth.

–De novo com isso Athena?

–É que eu estou sentindo que eles não são o casal da profecia.

Poseidon errou um passo, pisando no meu pé.

–Ai! Cuidado.

–Desculpe. Como assim eles não são o casal da profecia?

–Eu não sei Poseidon. Mas eu sinto uma sensação esquisita.

–Você acha que os dois não vão ficar juntos.

–Este é o problema. Os dois se amam de verdade. Tenho certeza que vão ficar juntos pelo resto da vida. Só vão se separar se...

–Se...?

–Algo der muito errado.

–E quando você fala “muito errado” significa se um deles morrer?

Eu acenei afirmativamente com a cabeça. Poseidon me olhou irritado.

–Se você matar o meu filho... Eu não tenho nem como colocar em palavras o que vou fazer com você.

–Por isso que eu permiti que os dois se casassem, para eu não fazer uma besteira. Mas eu continuo sentindo a sensação.

–Que sensação é essa Athena? – perguntou, já cansado de tanto suspense. Eu olhei no fundo dos olhos verdes do deus do Mar, que eram tão profundos e misteriosos quanto o próprio oceano, e falei:

– Poseidon, seu filho não vai sair vivo deste navio. E eu não vou ter nada a ver com a morte dele.



Notas finais
E aí, gostaram?

Espero que sim...kkk

Amanhã já vou atualizar minha outra fic, se você ainda não leu, leia! (Ótima propaganda, não?)

SEM VOCÊ
http://fanfiction.com.br/historia/382912/Sem_Voce