Existem algumas vantagens em ser cria de um demônio responsável por escravizar vários planetas,por exemplo,eu posso usar feitiços para resolver quase qualquer coisa,me tele-transportar e até conceder poderes para alguém. Depois disso você deve pensar que eu tenho uma vida ótima com tantos poderes mas existe uma pequena desvantagem em ser cria de demônio: Os demônios são mestres em atormentar a vida das pessoas.

—Ravena! Eu estou falando com você !-Disse o meu pai,Trigon.

—É. Eu percebi que meu ouvido sentiu vontade de se suicidar. -Respondi com cara de tédio.

—Já chega. -Ele disse mais para si mesmo do que pra mim. -Vou te mandar para a terra.

—Tanto faz.-Falei sem prestar atenção no que ele estava dizendo.

—Eu quero que você use seus poderes para escravizar as pessoas de lá.

—Tá! -Respondi irritada.

Ele abriu um portal e me empurrou por ele.

—Ei! Arg! Que droga! -Reclamei.

Tentei abrir um portal de volta mas não pude,Trigon tinha cuidado para que eu não pudesse.- Ótimo! -Falei sarcasticamente enquanto olhava ao redor. Eu estava no meio de um beco sujo e escuro,cheio de lixo e fedido a xixi,em suma,um lugar "perfeito" para se dominar e escravizar um planeta.

Flutuei até o fim do beco que dava para uma avenida deserta,decide caminhar um pouco. Aquele era um lugar bem estranho e olha que eu vivia com um demônio,mas Trigon tem apresso pela higiene pelo menos. Nunca vi cidade tão suja e largada,ninguém devia morar ali,porque meu pai me mandou para um lugar desse?

—Olá! -Ouvi uma voz feminina. Me virei lentamente e encarei uma garota que parecia ter a minha idade. Ela flutuava,e tinha algumas outras características de quem não era desse planeta ou então era uma espécie de mutação.

—Quem é você?-Perguntei.

O sol estava se pondo e uma luz alaranjada nos cobria ali naquela calçada cheia de lixo e batia nas janelas quebradas do prédio de paredes pichadas ao nosso lado.

—Meu nome é Estrelar de Tamarã. -Ela respondeu. Seu rosto era meigo e cheio de inocência.

—Que lugar é este Estrelar de Tamarã? — Ela apontou para o lado. Ali havia uma placa parcialmente derretida onde li: Bem Vindo a San Fra... A placa estava derretida na outra metade. Prestei atenção ao meu redor. Tinha muitas coisas parcialmente queimadas,coisas quebradas ao meu,coisas grandes,como postes e carros. Encarei a tal Estrelar de Tamarã e logo percebi o que estava acontecendo.

—Você fez isso! — Constatei.

Ela abaixou a cabeça e desceu até seus pés tocarem o chão.Seus olhos ficaram tampados pela franja. Vi uma lágrima descer pela sua bochecha,a pequena gota d'água brilhou á luz do sol e caiu no chão.

—Eles me assustaram...eu não queria...eu não queria...aqueles homens...tinha uma arma...-As lágrimas agora desciam sem parar e ela tremia.-Eu não queria...

—Como? -Perguntei. Eu estava muito curiosa,ela parecia inofensiva .-Como você fez isso?

Ela virou o rosto para o lado. Por um momento achei que ela não queria responder mas então,de repente,um raio verde saiu dos olhos dela e estraçalhou uma vitrine do outro lado da rua. Os cacos de vidro voaram por toda parte. Fiquei olhando boquiaberta.

—Eu sei...é horrível. Você deve ter horror de mim.

—Não,acho que podemos fazer uma boa parceria.

—Você acha?

Aquele poder e o meu poder juntos com certeza daria jeito em qualquer um.

—Vamos dominar este planeta juntas! -Disse estendendo minha mão.

—O que? Eu não quero dominar o planeta Terra. -Ela falou,escandalizada com a minha proposta.

—Então porque você fez isso tudo?-Perguntei.

—Eles me assustaram. -Ela falou

—A cidade toda? — Perguntei

Ela começou a chorar novamente.

—Eu não queria...matar eles...eu não quero ser um monstro... -Ela se deixou cair de joelhos no chão.

—Para de chorar. -Falei

—Eu...Eu...N-Não consi-i-go...-Ela respondeu entre soluços.

Rangi de raiva. Eu estava em uma cidade destruída e a pessoa que destruiu a cidade não parava de soluçar. Virei as costas para ela e comecei a flutuar novamente.

—Espera!-Ela disse.-Eu preciso de ajuda!

—Acho que você consegue se cuidar sozinha.-Falei sem olhar para ela e continuei meu caminho.

—Mas eu preciso consertar isso. -Ela falou.

Eu não aguentei,dei uma gargalhada. Me virei para ela e disse:

—Não tem como concertar isso. -Abri os braços para ela ver o tamanho da destruição ao redor.

—Deve haver! Tem que haver! -Ela praticamente gritou,sua voz denunciava o desespero que ela sentia.

—Porque você se importa? -Perguntei.

— Eu não queria ter feito isso. Havia inocentes.

—Não existe pessoa inocente.-Eu disse.

—Eu não quero ser um monstro.-Ela falou.

—Destruir uma cidade não te faz um monstro. Os monstros moram na cabeça das pessoas e matam elas lentamente.

Ouvi um barulho.

—A policia! -Constatei.-Vem comigo,vamos sair daqui.-Eu disse enquanto abria um portal.

—Não!Eu vou me entregar! -Ela respondeu.

—Você é burra? Eles vão matar você!

—Eu mereço. Sou uma assassina.

—Arg! Para de drama! — Olhei para trás os carros da polícia já estavam bem próximos e na frente deles vinha um carro preto com detalhes de morcego.

—Mãos para cima!- disse um policial.

Estrelar levantou as mãos. Eu pensei por um instante: Dar o fora ou acabar com eles? Acabar com eles! Fechei o portal e formei bolas negras nas mãos,meus olhos ficaram vermelhos e um novo par de olhos menor se abriu acima dos outros dois.

Os policias começaram a atirar. Fiz um escudo para me proteger,depois lancei raios das palmas das mãos,muitos deles foram arremessados e seus carros pegaram fogo

Os policiais saíram correndo procurando onde se esconder. Apenas um homem continuou de pé me encarando. Estava todo vestido de preto e usava mascara.-Quem é você? -Perguntei.Ele não me respondeu. Rangi os dentes e lancei um raio negro poderoso contra ele. Houve grande barulho,fogo e vidro estilhaçado por toda parte. O homem não estava mais ali. Sorri vitoriosa. Então ouvi um barulhinho: Pii piii piiii...Olhei para baixo e vi que havia algo com formato de morcego grudado em mim. E era disso que vinha o barulho. De repente uma explosão. Sou arremessada contra a parede e deslizo por ela até chegar no chão.Minha cabeça estava zonza. Vi um par de botas pretas se aproximando. Olhei para cima e encarei um rosto coberto por uma mascara de morcego.-Venha comigo se quiser viver. -disse com voz grave.-Você não pode me matar.Eu sou imortal-Falei.-Venha comigo se não quiser que eu faça você implorar pela morte.- Ele respondeu.Me levantei com dificuldade e o segui. Passamos por Estrelar que estava encolhida em um canto.-Venha comigo. -Ele disse para ela.Nos duas o seguimos. A noite já havia caído mas algo me dizia que não era hora de descansar.
Notas finais
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Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.