'Tis The Damn Season
2 2. We could call it even

Meia hora se passou. Ginny estava em casa descansando enquanto os gêmeos estudavam e Lily Luna sendo cuidada na casa da avó.
A madrinha desta, entretanto, decidiu caminhar até o mercado, se lembrou de comprar alguns doces para o natal. Quando entrou no local, um grupo de adolescentes que estavam perto da sessão de bebidas foi em sua direção. Sorriu, eles a fizeram se lembrar de seus amigos e da época do colégio.
—Luna Lovegood! -disse um deles- Nós somos muito seus fãs!
—A gente pode tirar uma selfie com você? -pediu mais um.
—Mas é claro que sim! -respondeu, sorrindo.
Conversaram um pouco, principalmente sobre seu novo artigo na Forbes, e quando o assunto acabou, os adolescentes foram embora e Luna pôde, enfim, começar suas compras.
Quando passava pela sessão de laticínios, se viu dividida entre dois tipos diferentes de iogurte, um era de morango e o outro de banana. Por fim, decidiu levar os dois, e então virou o corredor para ir até o caixa.
Quando enfim deixou o estabelecimento, sentiu o celular vibrar no bolso de seu sobretudo. Temendo ser algo importante, pegou o dispositivo e respondeu a mensagem de seu editor, enquanto andava em direção a casa de seus pais. E, quando estava prestes a enviar, se esbarrou em alguém, que vinha em sua direção.
—AI! -exclamou a pessoa, também distraída no celular.
—Me desculpa... -disse Luna, finalmente tirando os olhos da tela para encarar quem estava em sua frente.
E quando viu aqueles olhos, aquele rosto e aquele cabelo todo bagunçado, sentiu o coração bater descompassadamente, não acreditando no que estava realmente acontecendo.
O homem, por sua vez, partilhava o mesmo nervosismo. Era como se tivesse perdido toda a sua capacidade de raciocinar, falar, e agir. Mas era o que sentia toda vez que estava na presença dela.
Efeito Luna. Era como chamava!
Se encararam por alguns segundos, apenas perdidos no olhar um do outro, tentando se reconhecer após tantos anos separados. Até que:
—Neville? -indagou Luna.
—O-oi, Luna... -respondeu.
—O que faz aqui?
—Eu quem deveria fazer essa pergunta...
Uma risadinha da loira se fez presente.
—É verdade! Afinal, quanto tempo faz... sete anos?
—Oito! Fazem oito anos...
—Oito... -repetiu, e, por algum motivo, a palavra soou amarga na boca da mulher.
Lágrimas silenciosas escapavam dos olhos dos jovens.
—Eu... eu preciso ir, meus pais estão me esperando. -disse Luna, após algum tempo de silêncio.
—É claro, vai lá. Talvez, possamos nos encontrar?
Luna assentiu, concordando.
—Que tal amanhã? Naquela pracinha em frente a nossa antiga escola... as vezes matávamos aula lá, você se lembra?
—E como eu ia me esquecer? -se permitiu a tirar um cílio que repousava perto do olho da loira, a fazendo fechar as íris azuis. -Eu me lembro de tudo, Luna!
—Então... está marcado! As dez, ok?
Neville sorriu e assentiu, concordando.
Luna, então, seguiu seu caminho, apesar de, bem lá no fundo, querer ter permanecido ali, em frente ao amor de sua vida.
{...}
A atmosfera fria fora substituida pelo aconchego do chalé 15, residência ocupada por Neville desde o falecimento de sua avó. Apesar de manter a casa no centro, nas férias e finais de semana era o chalé quem o recebia. Neville preferia assim, afinal, a casa de sua avó tinha muitas lembranças. Não que elas fossem ruins, mas, nunca fora bom em lidar com elas.
Ligou a lareira e se deitou no sofá, apenas absorvendo os acontecimentos do dia. Há poucas horas atrás considerava a ideia de encontrar Luna quase impossível, pois não esperava que ela fosse sair tranquila de casa, considerando sua fama. Por outro lado, ele sabia que esse encontro era o que ele realmente desejava e esperava. Mas eram tantos pensamentos... era como se de repente sua mente fosse tomada por um filme com todas as lembranças de seu passado com Luna, fechou os olhos e se permitiu revisitar todas elas. A primeira vez que eles mataram aula, todas as vezes que ele a ajudou a escapar de todos os concursos de beleza que sua mãe a inscrevia, quando ela o consolou quando completou dez anos do falecimento de seus pais, o pedido de namoro, e tantas outras que era quase impossível se lembrar de todas.
Mas ele lembrava.
Pegou o celular no bolso da calça e clicou em um dos contatos.
—Alô, Hermione?
—Oi Nev! Como você está?
—Estou bem! Mas aconteceu uma coisa hoje e, eu precisava conversar com alguém...
—Hum... o que foi? Suas plantas foram congeladas de novo? Você sabe que não pode cultivar no inverno...
—Não, não é isso! É sobre... é sobre a Luna! -fez uma pausa- Nós nos esbarramos hoje e combinamos de nos encontrar amanhã. Será que eu já posso falar pra você esquecer tudo que eu disse sobre não ter mais volta?
Um silêncio se fez presente no outro lado da linha, era nítido que Hermione estava pensando, ela sempre fazia isso quando um assunto a pegava de surpresa.
—É uma notícia boa, Nev, mas... -fez uma pausa- vai com calma, ok? Não crie expectativas, se lembre que a vida da Luna não é mais aqui, e que ela agora é uma biologa famosa e você o completo oposto disso.
—Eu sei, e foi por isso mesmo que te liguei, você sempre tem os melhores conselhos!
Hermione riu
—Eu sei, e é por isso que eu sou sua melhor amiga, Nevilzinho!
—Não me chama assim. -deu uma risadinha- Preciso desligar, manda um abraço para o Ron.
—Pode deixar!
Assim que a ligação se encerrou, colocou o celular na mesa de centro da sala e subiu para o andar de cima.
{...}
—Não é medo, é insegurança!
Dizia Luna para si mesma quando chegou ao local marcado. Havia poucas crianças no local, devido a neve que caia. Neville ainda não havia chegado, mas Luna não se incomodou, aproveitou para admirar a paisagem. Sua cidade havia mudado muito desde que partira, mas continuava a mesma de sempre!
—Oi Luna! -uma voz a tirou de seus devaneios.
—Oi Neville! -cumprimentou, estendendo a mão.
—Como você está? -apertou a mão dela.
—Estou bem... senta aí -apontou para o banco e ambos se sentaram.
—E então... o que você tem feito? -perguntou o homem -Quero dizer, além do que aparece na mídia
—Ah, eu tenho lido bastante, tirado muitas fotografias e nadado também. Eu descobri que sou uma ótima nadadora! -sorriu.
—Que bom! E ainda pinta? Eu me lembro que você amava pintar, voce pintava paredes, quadros...
—Não... eu tive que parar, meu tempo não permitia mais.
—Ah sim, entendo...
—E você? O que tem feito? Quero dizer, além de ensinar biologia para crianças...
Neville a olhou com as sobrancelhas arqueadas.
—Como você sabe?
—Ora! Eu mantenho contato com a minha família e amigos, sabia? Minha mãe me contou há uns anos atrás!
—Então você ainda tem interesse em mim? -perguntou, com um sorriso maroto nos lábios.
Um sorriso que Luna desconhecia.
A pergunta repentina a fez perder a fala e mudar o rumo da conversa.
—Está frio aqui... você quer ir para outro lugar? Ontem eu fui com a Ginny no Três Vassouras... ou então podemos apenas dirigir pela cidade, sei lá...
—Pode ser! Eu gostei da ideia! Você está de carro?
—Não, eu vim caminhando.
—Ótimo! Então vamos no meu!
Luna assentiu e então atravessaram a rua até estarem em lados opostos de uma caminhonete.
—Estou chocada que você ainda tem essa caminhonete velha e que ela ainda funciona! -disse Luna, quando entraram.
—Ei! Para sua informação, ela só tem dez anos, ok? -respondeu, ironizando quando deu marcha.
Luna riu.
—Eu me lembro que você não me deixava dirigir... só uma vez, quando você machucou o pé enquanto catávamos pedrinhas...
—Verdade! Você se lembra o porque estávamos fazendo aquilo?
—Acho que era para colocar nos vasinhos de plantas que estávamos montando para meus pais e sua avó... fizemos como um presente de natal. E os meus ainda tem os deles, está no jardim.
—Ah sim... -fez uma pausa- o que você acha que voltarmos lá? Só para ver como está.
—Seria uma boa, mas eu não me lembro de onde era exatamente...
—Eu acho que era uma praia, aquela perto da casa dos Weasley.
—É, deve ser sim!
Ambos se entreolharam e sorriram.
{...}
Quando chegaram ao local, se depararam com o mar congelado e alguns flocos que caiam. No entanto, havia um velho quiosque, de frente a paisagem. Decidiram que iam se abrigar nele. Neville segurou a mão de Luna, para a auxiliar a andar no chão nevado. E, quando chegaram, ficaram lado a lado, apenas observando aquela vista.
—Que... lindo! -disse Luna.
—É lindo mesmo! -concordou Neville.
E em repentino gesto, a loira deitou a cabeça nos ombros do rapaz, que, surpreendido com o gesto, sorriu e a abraçou.
Não precisaram dizer mais nada, sabiam que ainda se amavam, que esse sentimento nunca havia morrido, estava apenas adormecido. Sabiam que o amor que sentiam um pelo outro era como aquela neve que caia na praia; estranho, mas lindo pra caralho! E, em um súbito, se entreolharam mais uma vez, e foi aí que a mágica se fez presente, novamente.
Neville segurou o rosto da loira, como que o levantando, ela repetiu o gesto, e então, se beijaram. Um beijo cheio de amor e saudade, um beijo que ambos necessitavam!
E, quando ele acabou, se olharam e então, sorriram, se abraçando logo depois.
—Olha, eu não sei você... mas estou com muita vontade de fazer guerra de bola de neve! -disse Luna.
Neville deu uma risadinha.
—Típico de você! -disse e então se levantou, oferecendo sua mão para que Luna a segurasse e se levantasse.
E então, começaram a correr, fizeram bolas e atiraram um no outro. Por um instante, se esqueceram da verdadeira idade e voltaram a ser crianças.
Essa era uma das melhores sensações existentes!
No entanto, enquanto preparava outra bola, Luna escorregou e caiu no chão nevado, fazendo com que um Neville preocupado corresse até seu socorro.
—Lu! Lu! Você está bem? Está doendo muito? -se sentou ao lado dela na neve.
Mas, para sua surpresa, Luna não estava chorando. Pelo contrário, estava rindo.
—Você tinha que ver sua cara! -disse. -Eu estou ótima! Só acho que não vou mais conseguir brincar hoje.
Neville então, sorriu para ela novamente, um sorriso tranquilo.
—Por sorte meu chalé fica há poucos minutos daqui.
Luna olhou para ele com a sobrancelha arqueada.
—Tem um chalé?
—Te explico no caminho! Vem!
Ele se levantou e então pegou a Lovegood no colo, voltando para a caminhonete. Porém, dessa vez, o lugar de Luna seria no banco de trás.
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