Bulma estava fraca ainda, sentia dores no pescoço, seus pais ficaram assustados ao ver a marca no pescoço dela causada por Raditz, e a levaram até a enfermaria da Cc pra cuidar do machucado dela. Bulma também sentia um pouco de dores pelo corpo, pois quando Raditz a soltou, indelicadamente, no chão, ela se machucou também.

Mas isso não era nada comparado com a angústia que ela estava sentindo por Vegeta ter saído junto de Raditz pra ir lutar em outro lugar.

Ela não sabia explicar o porquê estava se preocupando tanto com ele, só sabia que não queria que ele se machucasse e que não morresse.

Bulma olhava pela janela o céu lá na rua, com a esperança de que fosse ver Vegeta voando de volta pra casa. Mas ele conseguiu voar até um pedaço do caminho, quando chegou à cidade, não agüentava mais, teve que pousar e ir caminhando.

Todos olhavam pra ele assustados, pois Vegeta estava com muito sangue na sua roupa, não só dele, mas também o sangue de Raditz.

_ Bulma. – chamou sua mãe.

Ela não respondeu.

_ Querida, tente não se preocupar tanto com o Vegetazinho... – Sra. Briefs tentava acalmar a filha.

_ Ele está... Demorando tanto... – comentou Bulma sem perceber.

_ Eu sei que você gosta muito dele. Mas...

_ ORA ESSA, MAMÃE! EU NÃO GOSTO DO VEGETA! ELE É GROSSO, INSENSSIVEL, EGOISTA! – ela gritou saindo de frente da janela e caminhando pro meio do quarto.

_ Mas ele é bonito, atraente, e você mesma disse que se não fosse por ele, aquele outro homem teria te matado. Vegeta salvou você querida, porque se preocupa contigo.

Bulma se abraçou e olhou pro lado, deixando uma lagrima escorrer, ao se lembrar do que havia acontecido algumas horas antes. Ela saiu da enfermaria e desceu a escada lentamente, perdida em pensamentos.

Ela não queria admitir, nem a si mesma que estava começando a gostar de Vegeta. Ele não era uma boa pessoa, ele era um assassino que veio de outro planeta, ele sempre a ameaçava... Por que motivo ela poderia gostar dele?

Quando Bulma chegou ao ultimo degrau, viu Vegeta entrar na sala, completamente machucado.

Ela não sabia se havia ficado feliz em vê-lo vivo, ou triste em vê-lo todo ferido. Mas sua reação não foi outra. Ela correu até ele e o abraçou com lagrimas nos olhos.

_ Vegeta!! Você está vivo!!! Eu fiquei com muito medo. – admitiu.

Vegeta não respondeu, não correspondeu ao abraço, e nem se quer olhou pra ela.

_ Você está muito ferido! Precisa cuidar desses machucados! – ela falou o puxando pela mão, mas ele não deu nenhum passo e puxou a mão dele que ela segurava.

_ Eu estou bem! Não preciso de nada, não preciso da sua ajuda.

_ Deixa de ser orgulhoso Vegeta! Você não está em condições de discutir esse tipo de coisa!

_ Grr! Não se meta! – ele falou mancando até as escadas pra subir pro seu quarto, mas estava tão fraco que mal se agüentava em pé. Vegeta não conseguiu chegar até o fim das escadas, fraquejou e caiu de joelhos no chão. Ele estava com um corte um pouco fundo próximo a barriga que ainda estava sangrando, Vegeta levou sua mão até o corte, pois estava doendo.

Quando Bulma viu que Vegeta havia caído ela correu até ele.

_ Vegeta! – ela colocou a mão no rosto dele e levantou, fazendo com que ele olhasse pra ela. Ela viu que ele estava com dor, mas antes de poder pedir novamente pra ele ir até a enfermaria, Vegeta desmaiou.

Algumas horas depois, Vegeta abre os olhos lentamente, ele estava deitado em uma cama, todo enfaixado e sentindo seus machucados doer mais que antes, afinal, seu corpo havia esfriado e agora sim começara a sentir as dores de seus ferimentos.

_ Vegeta! Finalmente acordou! – exclamou Bulma sentada em uma cadeira ao lado da cama, ela se levantou.

Ele olhou pra ela se sentindo um pouco confuso e sentou-se na cama.

_ Você perdeu muito sangue com os ferimentos... Eu não sei o que foi que aconteceu, mas é melhor que fique pelo menos hoje aqui, ainda está fraco e precisa descansar.

Vegeta estava acostumado com tanques de regeneração, alguns minutos e estava curado, mesmo com os ferimentos mais fundos e graves. Ele nunca precisou ficar um dia em uma cama descansando pra ficar melhor.

_ Grr!! Vocês humanos não tem tecnologia suficiente pra criar um tanque de regeneração onde eu possa me curar em alguns minutos?! – perguntou irritado.

_ O que? Tanque de regeneração?? Não... Nós temos os mais variados tipos de medicação pra curar uma pessoa, algum ferimento ou doença!

_ Hunf! Seres inúteis! Alem de não terem poder algum de luta, não são nem inteligentes pra criar tecnologia! – falou Vegeta, mesmo sabendo que Bulma e seu pai eram muitíssimos inteligentes.

_ Escuta aqui Vegeta! Eu não sei o que vocês têm de tecnologia no seu planeta, ou em outros lugares pelo universo a fora, mas eu sou muitíssimo inteligente, e meu pai é um dos melhores cientistas que existe aqui na Terra! Você deve mais respeito a nós!

_ Se são tão inteligentes assim, construa um tanque de regeneração pra mim!

_ Não é assim tão simples Vegeta! Eu não faço nem idéia como é esse tal “tanque de regeneração” muito menos como ele é feito, eu não iria conseguir construir algo assim tão rápido sem conhecer a idéia principal! Seria impossível construí-lo antes de você se recuperar completamente.

_ Eu não estou falando pra agora, mulher! Falo pras outras vezes!

_ ... Outras vezes? O que você quer dizer com isso?

_ Você não está achando que isso vai acabar aqui, ou está?!

_ Eu... Não sei... Não estou entendendo... Vegeta.

Vegeta desviou o olhar de Bulma.

_ Eu matei Raditz... – simplesmente falou. Bulma ficou imóvel apenas ouvindo o que ele tinha pra dizer. – Alguns dias antes, meu pai se comunicou comigo através do Scouter, perguntou por que eu ainda estava aqui, se eu já tinha encontrado Kakarotto, mas eu falei que iria matar a todos quando eu achar melhor, e eu disse que eu ainda não iria voltar... – Vegeta ficou um tempo em silencio antes de voltar a falar. – Eu sentia que depois daquilo alguma coisa iria acontecer... – Vegeta suspirou fundo. – Como você acha que será a reação do meu pai quanto souber que matei Raditz? Que recusei matar os terráqueos pra ficar aqui?

_ Eu não sei...

_ Ele não vai aceitar! Ele vai ficar incomodando até eu voltar pro planeta Vegeta!!

_ Vegeta... Por que você não desiste de juntar as esferas e volta pro seu planeta? Assim evita ficar brigando com seu pai. – falou Bulma mesmo no fundo não querendo que ele se fosse.

_ Não vou voltar! Eu quero muito fazer meu pedido e nada vai me fazer mudar de idéia!

_ Então... Por que não fala pra ele o verdadeiro motivo? Você acha que ele não iria aceitar?

_ Não é o fato de ele aceitar, eu faço o que eu quiser a hora que quiser! Se eu contar pra ele o poder das Dragon Balls, ele vai querer vir aqui e usá-las pra ele mesmo, me tirando a chance de fazer meu pedido!!

_ E o que você pensa fazer?

_ Eu vou ficar aqui até as Dragon Balls voltarem, ele gostando ou não. Eu quero ficar mais forte e nunca estive tão perto disso, eu vou me tornar o Super Saiyajin e então todos terão que me temer!!

Bulma ficou em silencio e olhou pro lado.

_ Bom... Eu vou tentar construir esse tal de tanque de regeneração... Mas você vai precisar me ajudar! – Bulma sentou-se na cama e olhou pra ele – Você promete me ajudar?

Vegeta ficou olhando pra ela por um momento.

_ Você vai conseguir fazer? Não pretendo perder meu tempo.

_ Se você realmente me ajudar, eu com certeza vou conseguir fazer.

Ele não respondeu, mas Bulma entendeu que ele iria ajudá-la.

_ O que mais você vai querer que eu construa? – perguntou Bulma.

_ Como assim?

_ Bom... Eu pensei que talvez você fosse querer mais alguma coisa... Talvez pra treinar... Alguma sala especial? Robôs?

Vegeta ficou pensando confuso.

_ Por que você está querendo me ajudar?

_ Bem... É... – Bulma não sabia responder, na verdade, nem ela sabia o porquê estava querendo ajudá-lo, mas no fundo imaginava que era porque estava começando a gostar dele, só que ela sabia que não poderia admitir isso a ele, Vegeta não tinha sentimentos, ela não poderia se iludir com algo que jamais daria certo. – Eu estou querendo ajudar, por que eu gosto de ajudar as pessoas...

Vegeta olhou pra ela desconfiado, sabia que ela estava escondendo algo, mas de qualquer forma, isso não o interessava, se ela queria ajudar, ele não seria idiota de não querer... Mesmo com seu orgulho todo, ele sabia que ela poderia fazer algo realmente bom pra ele treinar.

_ E também... – continuou Bulma. – Eu não quero mais ver você machucado desse jeito, eu pedi pra você não ir lutar com aquele homem!

_ Eu falei pra você que ele iria matá-la se ele não morresse. – falou.

Bulma olhou pra ele, será que ele estava preocupado com ela? Será que ele estava se importando? Ele quis protegê-la? Bulma sorriu e num momento de carência se aproximou dele e o beijou.

Vegeta não impediu, pois ficou imóvel, e mesmo sua mente dizendo que não devia, começou a corresponder aos poucos, era muito difícil conseguir resistir, pois também tinha suas necessidades. Ele não sabia como conseguia agüentar ficar perto de Bulma sem tomá-la em seus braços toda vez que a via, o simples fato de sentir o cheiro dela o fazia querê-la.

E a cada dia que passava Vegeta sentia algo estranho dentro de si, algo que nem ele sabia explicar, nunca havia sentido algo parecido por outra mulher, nem mesmo por uma mulher Saiyajin. Todas as noites antes de dormir ele pensava em Bulma, e ainda podia sentir o gosto doce dos lábios dela.

Vegeta só podia estar ficando louco, pois aos poucos pode entender que desejava Bulma, e se condenava por isso, ele não poderia desejar alguém de outra raça, ainda mais uma raça inferior.

Bulma acariciou o cabelo dele com uma das mãos e a outra deixou sobre seu ombro, Vegeta puxou Bulma pra mais perto querendo senti-la, começando pouco a pouco deslizar a mão pelo corpo dela.

Bulma sentiu seu corpo arrepiar e o abraçou.

O corpo de Vegeta queria ir mais alem com Bulma, mas sua cabeça o dizia que não devia, e que seria muito humilhante para o príncipe dos saiyajins dormir com uma Terráquea. Ele não sabia se iria conseguir agüentar por muito tempo, então o melhor a fazer era impedir.

Ele empurrou Bulma com cuidado, e ela o olhou, confusa.

_ O que foi? Não está gostando? – ela perguntou.

_ Não seja idiota. Você é apenas uma Terráquea. – ele falou.

Bulma o olhou se sentindo humilhada por ele.

_ Se sou apenas uma Terráquea... Por que me salvou?

Ele olhou pra ela confuso, se lembrando do que havia sentindo naquele momento quando viu Raditz machucando Bulma. Vegeta não queria admitir que ficou com medo de que ele a matasse, pois sabia que ia alem de querer ela viva pra realizar seu desejo quando as esferas voltassem. Sim, ia muito alem disso, mas não queria entender, com medo de descobrir o que sentia.

_ Te salvei por que preciso de você viva pra realizar meu desejo. – mentiu.

Bulma o olhou com um olhar triste.

_ Ah... Então é só isso?

_ Claro, o que mais pensou que seria?

_ Eu pensei que... – ela falou, mas parou. – Não... Eu não pensei nada... Não teria outro motivo mesmo pra você ter me salvado.

_ Que bom que você sabe.

Bulma suspirou fundo se condenando por ter sido idiota em achar que Vegeta pudesse sentir algo por ela. Ela se levantou da cama e seguiu até a porta.

_ Quando estiver melhor, me encontre no laboratório pra me ajudar com o projeto do tanque de regeneração... Se você ainda quiser. – falou e saiu dali.

Vegeta ficou sozinho e se deitou na cama olhando para o teto. Droga, maldita garota! Ela estava enlouquecendo ele.

Agora sim ele não iria conseguir mais dormir a noite.

Bulma entrou no seu quarto com raiva. Ela não devia ter beijado ele novamente, havia sido muito ingênua acreditando que ele pudesse gostar dela. Idiota!

Mas... Por que ele correspondia? Se fosse tão humilhante assim ficar com uma Terráquea, por que permitia ser beijado por ela? Não importava se ela estava começando a gostar dele, ela não iria mais beijá-lo...

Não mais.