Tirando a capa -Reneslec
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Pov Jane
Estávamos na sala do trono, meu mestre tinha chamado a todos pra comunicar qual seria a próxima missão. Iríamos para um pequeno vilarejo aqui perto, ainda na Itália, parece que um grupo de vampiros anda fazendo bagunça. Iriamos eu, meu irmão, Demetri e Félix, o grupo de sempre. Fiz minha reverência e já ia sair quando escutei o conhecido som de ossos quebrados. Virei-me na direção do som e vi Chelsea despedaçada, um isqueiro vindo do nada havia sido lançado nela. Levei um segundo a mais do que precisava para constatar, Chelsea estava morta.
Aro percebeu que ninguém de sua guarda iria fazer algo, então o mesmo fez. Atacou o nada e de repente mais um som de ossos quebrados, Aro estava com a cabeça de um vampiro nas mãos.
Olho para trás, Demetri estava com uma expressão curiosa, sede de sangue, ele soluçou um pouco antes de partir para cima de Aro.
— Isso tudo é sua culpa Aro, ele era meu irmão! – Demetri rosnou enquanto lutava contra Aro.
— Demetri pare. Renata! – Aro pediu cheio de ódio.
Renata pareceu pensar se intervia ou não, atitude estranha vinda de qualquer Volturi, nunca questionamos as vontades de Aro. Por fim decidiu aceitar e foi para perto de Aro fazendo com que Demetri fosse “arrastado” para o outro lado.
— Como ousa afrontar seus mestres? – Caius berrou se aproximando de Renata.
— Como eu ouso? Aro matou meu irmão... – Parei de dar atenção ao Demetri, pois o vampiro que jazia caído no chão se reconstruiu e levantou indo para perto de seu irmão.
— Não há mais porque deles lhe obedecerem Volturis, Chelsea está morta e com isso os laços romperam.
Isso fazia sentido, o dom de Chelsea só me foi apresentado quando entrei no clã, manipulação de emoções, era por isso que nos sentíamos tão ligados aos Volturi. Mas agora Chelsea está morta, eu não me importo, na verdade não me importo com ninguém nesse recinto além de mim e do meu irmão que agora estava ao meu lado.
— Aro eu estou saindo dos Volturi, irei procurar Amun, me desculpar e quem saber entrar de volta para o clã. – Demetri falou.
— Ele aceitara de bom grado você de volta irmão. – O vampiro falou pondo suas mãos nos ombros do Demetri.
— Nós também partiremos Aro. – Falei trazendo a atenção para mim.
— Meus queridos...
— Nós já pagamos nossos anos de obediência Aro. – Alec falou. De imediato lembrei-me das palavras de Aro no dia nebuloso. O dia quando tornei-me vampira, o dia em que nosso vilarejo foi morto. Sem querer soltei um rosnado. Os Volturi mataram mais que aldeões furiosos naquele dia, eles mataram meus pais e minha irmã. Sempre fui grata por manterem a mim e ao meu irmão vivo, mas parece que não é mais o suficiente. A quanto tempo será que deixei de amar meus mestres? A quanto tempo não sou mais grata? Não consigo lembrar de quando me cansei desse lugar e dos caprichos de Aro, tenho a sensação de que meus sentimentos estiveram desconectados de mim por muito tempo e só agora percebo o quão enojada estou. Chelsea, você era muito importante por aqui...
— Eu irei aonde Demetri for. – Renata pronunciou.
— Eu também partirei, não atrás do Demetri, nunca iria. Mas não suportarei nem mais um segundo dentro desse castelo. – Dito isso Afton saiu em disparada.
— Queridos vocês estão e sempre estiveram livres para ir... – Aro deu sua pausa estratégica, mas dessa vez não deu certo. Nesse momento alguns vampiros saíram uns indo procurar sobreviventes de seus ex-clãs outros atrás de seus parceiros. Aro suspirou e voltou-se para mim e meu irmão. – Vocês não irão me deixar, não é meus filhos?
— Pagamos a dívida a mais de duzentos anos Aro. Nunca esqueceremos o que fizeram, mesmo depois de pedimos não se importaram. Agora nada nos liga a vocês e podemos ver claramente o que realmente queremos. – Alec falou me puxando para fora dali.
— Para onde iremos irmão? – Perguntei ainda correndo.
— Primeiro atrás de Demetri. –Respondeu.
Seguimos o rastro deles e os encontramos se alimentando num beco. Demetri sorriu para mim um pouco receoso. Seu irmão me olhava com nojo.
— Poderíamos seguir com vocês? – Perguntei ignorando o vampiro.
— Creio que Amun não aceitaria os gêmeos bruxos. – Respondeu o irmão de Demetri dando um sorriso sarcástico.
Senti uma vontade de tortura-lo, nada me é negado. Meus dentes rangeram e me concentrei naquele ser asqueroso. O vampiro caiu no chão se contorcendo de dor. Escutei algum resmungo a minha direita e depois a mão de Alec em meus ombros. Entendi, eu estou me excedendo. Parei.
— Entendemos, desculpe por isso Demetri. – Alec agradeceu enquanto Demetri ajudava seu irmão.
— Me desculpe Dimmy, não queria chatear você. – Falei olhando nos olhos do meu antigo amigo.
— Tudo bem Jane, mas acho melhor você se controlar. Largou a proteção de Aro, não pode continuar a ser a Bruxa Má. – Falou e em seguida sumiu correndo com seu irmão.
Abracei meu irmão que agora era minha única família, sempre fomos eu e ele, mas nesse momento isso era mais evidente. Antes tínhamos família, depois os Volturi, agora nada...
— Para onde iremos? – Perguntei.
— Não sei. Creio que como o clã egípcio outros clãs nos recusarão. – Ele falou.
— E o que faremos? Sabe que não sobreviveríamos sem ninguém. Não sou boa em me virar sozinha, você sabe que sempre tenho que obedecer a alguém. Alec, preciso de uma família, preciso de alguém que me ponha em rédeas. – Falei soluçando, ninguém fora Alec e Aro sabia dessa minha fraqueza. Embora demonstrasse que não seguia regras, eu sou a que mais gosta delas.
— Eu sei irmã. Mas se nada der certo posso fazer isso por você
— Oras, encaremos os fatos. Você sempre me mimou. E além do mais, não somos tão diferentes nesse quesito. Temos apenas catorze anos.
— Você sabe muito bem que nenhum clã sensato irá nos acolher, se muito esbarraremos em algum que nos use como armas ou nos mate. – Inimigos, tínhamos conquistado uma lista imensa deles ao longo dos séculos.
— Então iremos para onde? – Perguntei.
— Você sabe que só há um lugar aonde temos uma chance de nos aceitarem. – Ele falou.
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