Tiptoe
2 Capítulo 2
Notas iniciais
No dia seguinte meu corpo decidiu acordar junto com o sol. Bem, ele não teve muita escolha: é difícil se manter em sono profundo quando os gritos estridentes da sua mãe ecoam pela casa inteira. No momento que eu reganhei a consciência eu desejei que não o tivesse feito. Mal tive tempo de sentar antes que minha mão invadisse meu quarto como um canhão e me puxasse para um abraço efusivo que para mim, que havia acabado de acordar de um sonho envolvia diferentes tipos de pão, não tinha nenhum motivo aparente.
—Ah, minha Nora! – chorou ela toda contente enquanto esmagava minhas costelas – Estou tão orgulhosa de você.
Eu levantei meu braço e dei alguns tapinhas hesitantes nas costas dela. Alguma coisa eu tinha feito certo, pois minha mãe nunca me chama de Nora, a não ser quando está muito feliz. Devido a minha personalidade, ahem, levemente masculina minha mãe sempre me chamou de “Noro”, o que, na cabeça dela, seria o equivalente masculino do meu nome. Esse apelido me acompanha desde que eu falei meu primeiro palavrão, então eu diria que por volta dos meus dois anos. Meu pai me diz que minha primeira palavra grande foi “caralho”, apesar do fato de que minha mãe insiste em dizer que foi “cavalo”.
—Isso é ótimo, mamãe. – murmurei – Mas o que eu fiz?
—Você assinou o papel da Seleção! – ela exclamou como se fosse óbvio – Minha filha vai ser uma princesa! Não! Uma rainha!
Uma risada alta veio da porta. Ben, meu irmão mais velho, estava apoiado no batente e ria abertamente. Ben era apenas um ano mais novo que eu, mas nós podíamos facilmente nos passar por gêmeos. Tínhamos o mesmo cabelo castanho-arruivado e os mesmos olhos grandes e verdes. Ainda dividíamos a mesma personalidade afiada e a incrível capacidade de fazer mamãe querer puxar os próprios cabelos.
—Noro? Rainha de Illéa?! – riu ele como se a ideia fosse absolutamente ridícula, o que realmente era – Uma revolução popular começa antes de alguém colocar Noro no comando de qualquer coisa.
—Ei, eu seria uma ótima rainha! – exclamei ofendida enquanto atirava um travesseiro nele.
—Ah, sim. – disse ele com sarcasmo enquanto atirava o travesseiro de volta para mim – Uma rainha que come como se nunca tivesse visto comida, que tem o vocabulário chulo de um marinheiro e a capacidade de manter um arroto por mais de um minuto: É exatamente disso que o país precisa!
—Benedict Hathaway, eu te proíbo de falar assim da sua irmã! – gritou mamãe escandalizada.
—Está tudo bem, mamãe. – garanti fazendo um gesto de descaso com a mão – Ele está com inveja porque o arroto dele não dura nem 20 segundos.
—Isso é um desafio...?
Mamãe se levantou exasperada e acertou um tapa certeiro na nossa testa.
—Eu desisto de vocês! – berrou ela enquanto deixava o quarto – Estejam lá embaixo em 30 minutos para o café ou vão sair com fome!
Eu suspirei, agarrando meu travesseiro e afundando meu rosto nele para abafar um grunhido irritado. Senti o colchão afundar do meu lado e levantei meus olhos a tempo de ver Ben se jogar em cima de mim, esticando seus braços e pernas por tida a extensão da cama.
—E ai, majestade?
—Jesus cristo, Ben, saia de cima de mim, seu gordo! – gemi, tentando inutilmente empurra-lo para fora da cama.
—Acho que vou ficar aqui mesmo. – ele respondeu se espreguiçando em cima de mim – Está bem confortável.
Com um grunhido alto, juntei todas as minhas forças e com um empurrão hercúleo eu o joguei para o chão. Ele aterrissou de cara no chão com um “hunf” e um baque surdo enquanto eu gargalhava ainda deitada Ele se levantou, massageando a própria bunda e se sentou na beira da minha cama, ainda com um sorriso nos lábios porém com os olhos sérios.
—Por que você fez isso, Nora? – ele perguntou , me encarando com intensidade – Você não é como as outras meninas. Não tem interesse algum em ser princesa. Por que se inscreveu pra Seleção.
Eu respirei fundo antes de responder.
—Eu preciso sair daqui, Ben. – eu dei de ombros, tentando fazer meu desconforto parecer menor do que realmente era – Bankston está me sufocado.
Ben baixou a cabeça, parecendo magoado.
—É por causa da gente? – perguntou num fiapo de voz.
—Não! – neguei rapidamente, me sentando num pulo – É claro que não, Ben.
Ele levantou aqueles olhos exatamente iguais aos meus.
—É por causa do Augustus?
Eu assenti.
—Entre outras coisas.
Ben deitou-se na cama e eu não hesitei em me deitar ao seu lado, apoiando minha cabeça em seu peito. Quando éramos crianças costumávamos a dormir juntos o tempo todo, principalmente no inverno.
—Eu sumo com ele se você quiser, Noro. – Ben sussurrou – Eu mando ele para longe. Mas não vá embora.
Ele me apertou contra ele, afundando o rosto no meu cabelo. Diferente dos nossos outros irmãos, Ben era muito tímido e tinha poucos amigos, sendo eu a principal deles. Sempre fomos muito próximos, e a ideia de me separar dele doía, ainda que fosse uma possibilidade pequena.
—Eu não vou ser selecionada, Bennie. – murmurei, passando a mão em seu cabelo de leve – As chances são minúsculas.
—Mas e se você for?
—Eu não vou...
—Mas e se?
Suspirei pesadamente, tentando não criar esperanças.
—Olhe para mim, Ben. – respondi – Você acha que eu, Noro, tenho capacidade de ser princesa? Eu vou chegar no castelo e vão rir da minha cara e vão me mandar de volta.
Minha piada péssima funcionou: Ben soltou uma risada abafada e pareceu relaxar um pouco.
—Você não é tão ruim assim. – ele discordou – Acho que fica pelo menos uma semana.
—Céus, obrigada. Isso é realmente animador.
—Aposto que vão te fazer usar vestidos.
—Estou começando a me arrepender da minha decisão.
Ele se levantou da cama com um sorriso no rosto e começou a deixar o quarto, quando pareceu se lembrar de algo e deu meia volta.
—Meu arroto dura mais que o seu. – disse ele e saiu correndo.
Atirei o travesseiro no lugar onde ele estava segundos antes.
—Nem fodendo! – gritei e ouvi sua risada alta.
—Noro Hathaway, olha essa boca! – mamãe berrou do andar de baixo.
Fiz uma careta para a porta e me levantei. Lancei um olhar de deseja para minha cama quentinha e fui me trocar para começar mais um dia de plebeia.
***
O dia se passou da mesma forma que sempre: apressado e barulhento. Minha família não era exatamente silenciosa. Eu era a única menina de cinco filhos. Tinha dois irmãos mais novos (Ben e Aidan) e dois mais velhos (Tom e Dean), todos eles grandes, desajeitados e metidos a engraçadinhos. Havia também meu pai, que achava todo o nosso estardalhaço e nossa falta de maneiras extremamente engraçado. Era dele que eu e Ben havíamos puxado nosso cabelo escuro (ainda que o dele já estivesse um pouco grisalho) e olhos verdes. Ele era professor de música em uma das escolas chiques do centro da cidade e era o único quieto da casa, mas de longe o mais gentil e compreensivo. Meu pai era a minha pessoa favorita no mundo.
Por fim havia minha mãe, uma mulher maravilhosa em todos os sentidos. Um pouco estressada, sim, mas uma ótima pessoa. Eu, infelizmente, não me parecia nada com ele. Mamãe era alta e esguia, com cabelos loiros da cor do trigo e olhos escuros. Ela parecia ser uma mulher delicada e elegante que nunca levantava a voz, mas tinha um par incrível de pulmões para gritar quando estava irritada. Ela costumava a ser uma bailarina, como eu, mas sua carreira acabou um pouco depois que eu nasci, quando ela machucou seu joelho em um acidente terrível. Ela havia sido proibida de dançar e obrigada a usar uma bengala para caminhar. Ela até poderia voltar a ser bailarina, mas isso exigia uma cirurgia cara de mais para pagarmos. Por isso mamãe tinha desistido de sua carreira promissora e virado professora. Ela tentava não mostrar, mas eu sabia que ela ainda se sentia profundamente infeliz com sua condição.
Não éramos ricos, mas não passávamos fome mais e isso bastava. Apesar de sermos muitos, conseguíamos viver tranquilamente numa casa de quatro quartos pequenos. Éramos, no geral, uma família feliz.
Ainda era cedo quando deixei o conforto da minha casa para ir trabalhar. Dean me acompanhava, pois trabalhávamos na mesma academia de artes, ele como professor de violão para crianças e eu como assistente nas aulas avançadas de balé. Dean havia puxado o lado de mamãe, por isso era alto com uma cabeleira loira incontrolável. Ele não era tímido como Ben, mas era mais silencioso que eu; Ele preferia agir a falar, por isso nunca fugiu de briga alguma, muitas das quais ele se metia devido a sua língua afiada.
—Então – Dean começou enquanto caminhávamos por uma avenida abarrotada de gente – você se inscreveu para a Seleção.
Eu assenti sem encará-lo. Sabia o que iria ver em seus olhos. Dean era completamente contra a Seleção. Alegava que aquilo era apenas um reality show baixo usado para desviar a atenção do povo dos problemas reais da sociedade. Para ele, as selecionadas não passavam de meninas maleáveis que o príncipe poderia controlar sem maiores problemas e que estavam apenas a procura de uma vidinha melhor.
—O que você pretende fazer com isso? – ele indagou com um tom de voz sério extremamente parecido com o de mamãe que só me deixou mais irritada.
—Que inferno, Dean! – explodi – Não pretendo fazer nada com isso, eu não vou ser selecionada! As pessoas podiam parar de agir como se eu já estivesse com um pé no castelo.
Dean não estava impressionado com meu pequeno discurso. Não era a primeira vez que ele me ouvia explodir e ele sabia muito bem que minha raiva não durava muito tempo.
—Pare de agir como se você ser selecionada não fosse uma possibilidade – ele replicou calmamente, o que só me deixou ainda mais brava.
—É uma possibilidade muito pequena.
—Ainda assim, uma possibilidade. – ele insistiu – Pense no que fez, Noro. A Seleção não é uma brincadeira. Você vai realmente ter que casar com esse cara, você vai ser controlada e virar apenas um entretenimento para o povo, sem opinião nem vontade própria. Se ele te escolher, Noro, você conseguira viver na sombra do príncipe para sempre?
A seriedade do que ele me disse me atingiu como um tijolo na testa. E se o príncipe me escolhesse? Eu não o queria, de jeito nenhum, mas como poderia dizer não para a realeza?
Minha raiva foi substituída por remorso. Eu não passava de uma interesseira. A vergonha me consumiu quando percebi o que havia feito. E se o príncipe gostasse de mim (ah tá, como se isso fosse acontecer!)? Eu não havia considerado os sentimentos dele, o pobrezinho que só queria achar alguém.
—Eu só queria sair de Bankston – murmurei de cabeça baixa.
Dean passou os braços ao redor do meu ombro e me puxou para um abraço torto. Ele adorava qualquer tipo de contato e isso era algo que tínhamos em comum. Nós adorávamos abraços, mãos dadas e carinhos, éramos completamente abertos a qualquer de toque.
—E eu queria te ver fora daqui. Eu sei o quanto você odeia esse lugar. – ele falou enquanto afagava meus cabelos – Mas não à custa da sua dignidade. Você já não tem muita.
Ei! – exclamei ofendida, levantando minha cabeça tão rápido que fique tonta.
Dean se limitou a rir, me puxando de volta para seu abraço.
—Hoje meus irmãos tiraram o dia para me ofender. – grunhi amargamente.
—O que Ben disse? – ele perguntou com um sorriso bobo.
—Que eu seria uma péssima rainha. Você não acha que eu seria uma péssima rainha, acha?
O silêncio dele era uma resposta boa o suficiente.
—Traidor! – gritei me livrando de seu abraço e dando de cara com ele as gargalhadas – Eu vou virar rainha e meu primeiro decreto vai ser uma ordem de prisão pra você.
Dizendo isso eu o deixei rindo e fui embora pisando forte.
—Ah, Noro, não fique chateada! – ele pediu ainda rindo, mas eu não me virei – Volte aqui!
Eu apertei meu passo e me afastei dele, dobrando a esquina da rua. A Academia de Artes de Bankston era localizada em um prédio grande de arquitetura antiga, com muitos arcos e colunas, e ficava no fim daquela rua sem saída onde eu me encontrava, rodeada de casas bonitas onde residiam as famílias mais ricas de Bankston. E é claro, entre seus residentes havia August.
Nas primeiras semanas depois do nosso... Desentendimento, eu pensei em largar meu emprego. Só a ideia de ver a cara daquele cretino todos os dias, de ter que aguentar suas provocações, me causava arrepios de terror. Mas eu não podia desistir da Academia. Eu era bem paga, e precisava do dinheiro. Além disso, os diretores da Academia permitiam que eu comparecesse á algumas aulas e me deixavam ensaiar em seus estúdios. Eles conheciam minha mãe e eram grandes amigos dela, por isso eram generosos comigo. Eu não podia simplesmente jogar esses privilégios fora por causa de um babaca que decidiu se divertir á minha custa. Então eu fiquei.
Nessas primeiras semanas, August sempre esperava na porta para me ver passar e me provocar. E eu suportei em silêncio, envergonhada demais para rebater. Mas meu silêncio o incentivou e suas “brincadeiras” se tornaram mais ofensivas e ousadas, e eu tinha medo de que ele fosse um dia se cansar de apenas falar.
Não demorou muito e August se cansou dessas brincadeiras e decidiu ser mais agressivo. Mas se ele achava que poderia fazer o que quisesse comigo ele estava mais que enganado. No primeiro sinal de ataque eu cansei de bancar a vítima e fiz o que meus quatro irmãos sempre haviam me ensinado a fazer: eu ataquei de volta. Quando ele me chamava ou me ofendia, eu o ofendia de forma igualmente terrível. Se ele tornasse a tentar me tocar, eu o acertaria com tanta força que até seus dentes iriam sangrar. E com o tempo ele começou a me deixar em paz.
Ninguém, além de Meredith, sabia dos avanços físicos de August. Deus, se meus irmãos soubessem não haveria Augustus para empestear o mundo. Não, eles não sabiam e eu tinha vergonha demais para um dia contar.
Naquele dia, August estava sentado na calçada com alguns amigos. Era como se Deus tivesse decidido que meu dia não estava ruim o suficiente e que poderia ficar pior. Eu soltei um suspiro angustiado, troquei de calçada e tentei me esconder nas sombras das árvores. Mas é claro que meus esforços foram por nada e ele me avistou. Lançou um sorriso arrogante na minha direção e disse em voz alta o suficiente para que eu pudesse ouvi-lo com clareza.
—Olha só se não é a vagabunda de Bankston.
Soltei um suspiro cansado e revirei os olhos. Ai estava, esse era o boato que ele havia espalhado pela cidade: que eu havia me deitado com ele por dinheiro. O que era uma grande mentira, pois eu era tão virgem quanto a própria Virgem Maria.
—Você deve esta me confundindo com alguém. – eu disse com uma voz falsamente calma que eu desenvolvi através dos anos – Com sua irmã, talvez.
Golpe baixo, eu sei. Eu não era de mexer com a família dos outros e, para ser sincera, nem conhecia a irmã dele. Mas ele também estava jogando sujo e eu não era o tipo de pessoa que pensava antes de falar
August se levantou e rosnou baixo ao ouvir a menção nada honrosa de sua irmã. Ele não se aproximou, então não estava bravo o bastante para me assustar.
—Você tem uma língua muito afiada para uma vadia. – ele falou entre dentes.
Deus, ele parecia um disco quebrado. Vadia isso, vadia aquilo. Será que ele não conhecia nenhuma outra ofensa?
—E você tem uma língua afiada demais para alguém que beija tão mal.
Eu ouvi seus amigos dando risada atrás dele e soltei um sorrisinho debochado que só serviu irritá-lo ainda mais.
—Olha aqui sua grande... – ele começou, mas foi interrompido por uma voz atrás de mim.
—Não termine essa frase, Waters, ou vai ser a última frase que vai dizer na sua vida.
Era Dean, que estava a poucos passos de mim com os braços cruzados parecendo ameaçador. August, apesar de ser um grande babaca, não era burro. Ele sabia que meus irmãos podiam acabar com ele e que se ele mexesse com Dean (que, devo acrescentar, era pelo menos 15 cm maior que ele) iria direto para o hospital sem pelo menos dois dentes. Então, pela primeira vez em sua vida inútil, ele fez a coisa inteligente: calou a boca e entrou em casa.
—Obrigada. – eu disse para o meu irmão que ainda encarava a porta como se pudesse botar fogo na casa com um olhar – Mas eu tinha a situação sob controle.
—Eu sei. – ele respondeu desviando os olhos da porta e lançando um sorriso maroto para mim – Falar da irmã foi golpe baixo, mas a do beijo foi genial. – ele elogiou.
—Dei de ombros, fingindo modéstia.
—Eu faço o que posso para ofender quem merece,
—E eu não sei? Sou constantemente alvo de seus xingamentos criativos.
Eu lhe lancei um sorriso falsamente inocente e o puxei pelo braço em direção a Academia.
—Vamos embora. Não vale a pena se atrasar por causa daquele ser humano com defeito de fábrica. – eu disse e com um último olhar mal humorado para a casa de August, nós nos afastamos.
***
Eu só cheguei em casa naquele dia depois do jantar, tendo ficado presa no estúdio fazendo hora extra na esperança de ganhar um pouco mais de dinheiro para comprar um novo par de sapatilhas negras que eu havia visto em uma das lojas esportivas da província. Mamãe não ficara nada satisfeita com meu atraso, mas não reclamou (muito). Ela ainda estava extremamente feliz com a perspectiva de eu me tornar rainha. Todos nós sabíamos que a possibilidade de eu ser selecionada era minúscula, do príncipe me escolher menor ainda, mas ela não nos dava ouvidos. Enquanto esquentava meu jantar ela murmurava algo sobre “finalmente ter netos”.
Desculpe te decepcionar, mãezinha, pensei entre uma garfada de comida e outra, mas não pretendo ter pestinhas tão cedo.
Naquela noite eu fui me deitar cedo, ignorando os pedidos dos meus irmãos de que eu jogasse uma partida de pôquer (não sei por que eles insistiam em pedir que eu jogasse, eu ganhava toda vez, nem era divertido mais). Já deitada na cama, deixei minha mente divagar até a Seleção, só que dessa vez eu tentei ver tudo pela perspectiva do príncipe James. Devia ser ótimo para ele, ter 35 meninas suspirando por ele. Céus, certamente aquilo faria maravilhas para seu ego, como se ser um príncipe não fosse o bastante. E ao mesmo tempo, o processo todo devia ser extremamente cansativo, tendo que lidar com um país inteiro e um monte de garotas. Deus sabia que meu pai mal conseguia lidar comigo.
Quando finalmente adormeci, tive uma série de sonhos estranhos que envolviam bebês com o rosto do príncipe James me estrangulando até a morte.
E as pessoas ainda me perguntavam por que eu não gostava de crianças.
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