Tinha que ser você
1 Prólogo.
Notas iniciais
O primeiro registro no diário de Elena Gilbert dizia o seguinte:
“Querido diário, hoje, vou ficar noiva do homem dos meu sonhos.”
Era um declaração simples e otimista, sem o menor presságio da dramática cadeia de acontecimentos que estavam prestes a ocorrer.
Era um desses dias raros e felizes em que nada podia sair errado, em que nada ousaria sair errado. Elena Gilbert não tinha o menor interesse por astrologia, mas naquela manhã, ao folhear o Washington Post, um horóscopo na coluna de astrologia assinada por Zoltaire atraiu sua atenção.
CÂNCER (21/06 a 20/07 ) A LUA NOVA ILUMINA SUA VIDA AMOROSA. VOCÊ ESTÁ NO AUGE DE SEU CICLO LUNAR AGORA E DEVE PRESTAR MUITA ATENÇÃO A UM EVENTO NOVO E EXCITANTE EM SUA VIDA. O SIGNO COMPATÍVEL É LEÃO. HOJE SERÁ UM DIA MEMORÁVEL, PREPARA-SE PARA DESFRUTÁ-LO.
A astrologia era um absurdo, uma distração para os tolos.
Elena Gilbert era assistente social na NUPAD, em Seattle. Tinha três reuniões marcadas para aquela tarde. Havia um caso de uma garota de 15 anos em sua mão, que estava sendo difícil resolver, já que a adolescente não para na casa de nenhum casal adotivo.
Aos 20 e poucos anos, com o corpo esguio e provocante, Elena Gilbert tinha uma aparência sedutora e exótica: olhos castanhos escuros, maçãs do rosto saliente, cabelos cor de mel, compridos e elegantemente simples. Uma amiga de Elena, lhe dissera em uma ocasião:
— Se você é bonita, tem um cérebro, e uma vagina, pode dominar o mundo.
Elena era linda e inteligente, mas considerava sua aparência uma desvantagem. Os homens lhe passavam cantadas e alguns até a pediam em casamento, mas poucos lhe davam ao trabalho de tentar conhecê-la de fato. Ela acreditava em contos de fadas, e acreditava que poderia sim, existir a pessoa certa pra ela.
Além de suas duas amigas, Caroline, que era uma secretária e Bonnie que trabalhavam na NUPAD, Elena era a única mulher na empresa. Os outros 8 funcionários eram homens. Elena levara menos de uma semana, para constatar que era mais inteligente, e que sabia como lidar com os problemas com mais facilidade do que todos eles, uma descoberta que decidira guardar para si mesma.
No inicio, ambos os sócios, Jim, em homem gordo e de fala suave com seus 35 anos, e Henry, anoréxico e hiperativo, dez anos mais novo que Jim, tentaram levar Elena para cama, ela os dissuadira sem muita dificuldade.
— Peça mais uma vez, e eu vou embora.
Não houvera muitas tentativas. Elena era uma funcionária valiosa demais, para que perdessem.
O dia memorável prometido pelo astrólogo começou ás 11 horas daquela manhã. Elena chegou em seu escritório animada, pelo o que o dia lhe preparava.
— Então é hoje!
— Acho que é! – Elena comemorou com as meninas, ela realmente acreditava que ele a pediria em casamento, depois de quatro anos de namoro.
— Ele nunca tinha falado sobre isso?
— Nós temos planos. Eles vai se estabilizar como fotógrafo, e eu vou entrar num curso de artes, vamos comprar um flat e montar um estúdio para os dois. — Elena parou, e pensou por um momento – Ér, ou talvez ele só me chame pra morar com ele.
— Não aceite! – Bonnie e Caroline falaram em coro.
Mas suas expectativas foram por água.
— Eu tenho uma coisa importante para te dizer... Eu consegui... Ganhei a bolsa, a bolsa do sapo! Elena, eu estava esperando isso do governo, pra viajar pelo mundo, tirando foto de sapos.
Não era exatamente aquilo que Elena esperava de Stefan. Não depois de quatro anos de namoro.
A primeira parte da infância de Elena, foi difícil. Ela era uma criança extremamente inteligente, o pai era um professor de inglês na Community College na Carolina do Norte, e a mãe, dona de casa. Ele era um homem bonito, aristocrático e intelectual. Um pai dedicado, que cuidava para que a família sempre viajasse junto nas férias.
— Você é a queridinha do papai – Dizia ele.
Sempre comentava que ela estava linda, nunca deixava de elogia-la por suas notas, seu comportamento, sua amigas. Elena não fazia nada de errado aos olhos dele. Em seu nono aniversário, o pai comprou um lindo vestido de veludo marrom com punhos de renda. E a exibiu aos amigos quando apareceram para o jantar.
— Ela não é linda?
Elena o idolatrava.
Certa manhã, um ano depois, numa fração de segundo, a vida maravilhosa de Elena desmoronou. A mãe, com um rosto manchado de lágrimas, chamou-a e a colocou sentada em sua frente.
— Querida, seu pai... foi embora.
Elena não entendeu a principio.
— Quando ele vai voltar?
— Ele não vai mais voltar.
Cada palavra foi como uma faca afiada a penetrá-la.
“Minha mãe o afastou de mim.” pensou Elena. Ela sentia pena da mãe, porque agora haveria o divórcio, e uma briga pela custódia da filha. O pai nunca renunciaria a ela. Nunca mesmo, “Ele virá me buscar” garantiu Elena a si mesma.
Mas semanas se passaram e o pai não a procurou. “Não querem deixar que ele venha me visitar” concluiu Elena, “Mamãe o está punindo.”
Foi a tia de Elena, que a explicou que não haveria uma batalha por sua custódia. O pai de Elena, havia se apaixonado por uma viúva que era professora universitária e fora viver com ela, em uma casa na Virgínia.
Um dia, quando saíram para fazer compras, a mãe de Elena apontou e disse amargurada:
— É ali que eles vivem.
Elena resolveu visitar o pai. “Ao meu ver, papai vai querer voltar para casa.”
Numa sexta-feira, depois das aulas, Elena foi até a casa onde seu pai estava, e tocou a campainha. A porta foi aberta por uma garota de sua idade. Ela usava um vestido de veludo marrom com punhos de renda. Elena ficou chocada.
A garota a encarava com uma expressão de curiosidade.
— Quem é você?
Elena saiu correndo.
Ela decidiu que nenhum homem jamais faria isso com ela.
Entrou no ensino médio, e se formou com honras pela faculdade de Artes. Em seu ultimo ano de faculdade, venceu o concurso de beleza. Recusou diversas propostas de agencias de modelos.
Ela teve dois namoros breves, o primeiro com um astro de futebol americano da universidade, o outro com seu professor de arte. Ambos a deixaram entediada rapidamente. O problema foi o fato de ser mais inteligente que os dois.
E por ultimo, logo depois que terminou a faculdade, para assistente social, conheceu Stefan, um fotógrafo, que a encantou. Sempre pensou que ele nunca faria nenhum mal a ela. Ele era um rapaz inteligente, bonito, e depois de quatro anos, a decepcionou. A deixou, para tirar fotos de sapos.
Elena chegou em casa atordoada, tudo aquilo era um pesadelo. Despertaria dentro de poucos minutos e descobriria que não passara de um sonho.
Mas não era um sonho. Ela fora abandonada de novo. “Seu pai não vai voltar.” Ela foi ao banheiro, e contemplou sua imagem pálida no espelho. “Por que? O que eu fiz de errado? Em que o decepcionei?” Mas lá no fundo ela sabia que fora Stefan que a decepcionou. Ele se fora.
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