Tinha que ser você...
18 Brigas...
Notas iniciais
–Trish, de quem é esse carro?? Porque até onde eu sei o nosso já era. – Dez falou ligando o carro.
– De um amigo que mora perto do meu sitio... – Ela falou colocando o cinto.
– “Amigo” sei!! – Dex e Austin falaram juntos. Fazendo Trish e eu rir.
– Ele já é aposentado... Credo... – Trish olhou para Austin com nojo, fazendo todos rirem.
– Gente... O meu pai ta sabendo de tudo o que ta acontecendo?? – Perguntei desviando minha atenção da janela.
– Seu pai sabe que estamos indo pro sitio da Trish. – Dez arrumou o retrovisor.
– Quando vocês vão contar?? – Perguntei pensando no show que meu pai vai fazer quando souber. Ele vai matar todo mundo.
– Então... Vai meio que ser Surpresa!! – Trish se virou pra me ver e deu um sorriso amarelo.
Voltei minha atenção para a janela. Tudo aconteceu tão rápido. Um acidente. Eu não ando mais. Eu não ando mais.
Eu não ando mais... Essa frase ficou dando voltas e voltas na minha cabeça. Eu não acredito que isso esteja mesmo acontecendo comigo. Quando percebi eu estava chorando. Limpei tudo muito rápido antes de alguém perceber. E deu certo.
Acabei pegando no sono. Quando acordei já estávamos no sitio de Trish. Austin abriu a porta e me ajudou a me sentar na cadeira.
Tudo era como eu lembrava. A cor laranja e as redes penduradas... Tudo tão confortável. A casa ficava no começo do enorme terreno... Então tinha varias arvores, e um lago no fundo. Trish era boa de grana.
– Finalmente chegamos!! Vamos para as nossas ultimas férias. – Trish falava animada empurrando minha cadeira para dentro de sua casa.
Subimos para os quartos. Tinha quatro quartos. Era um para os pais dela, um pra ela, pro irmão e de hospedes. Entramos em um acordo e eu iria dormir no quarto dos pais dela... Ou seja, cama de casal pra mim!!
O acordo que eu digo é Trish ameaçando todos. Mais o importante é que vou ficar com o melhor quarto.
– Precisamos comprar algumas coisas... – Trish disse assim que entramos na cozinha.
– Vamos enquanto eu estou de bom humor. – Austin pegou as chaves do carro e abriu a porta.
Dez me empurrou até o carro e me ajudou a me sentar. Coloquei o sinto e fomos para o mercado.
Assim que chegamos as pessoas ficavam olhando para mim e eu comecei a me sentir incomodada. As pessoas tinham a atenção em mim.
– Gente, eu quero voltar pro carro... – Falei olhando pros meus pés.
– Eu levo você, vamos. – Dez se pronunciou me virando e indo em direção a saída do Mercadinho.
Achei o Austin não fazer nada. Ele não dirigiu nenhuma palavra a mim desde que chegamos na Trish.
– Você percebeu como o Austin ta estranho?? – Perguntei enquanto Dez me colocava de volta no carro.
– Não por que?? – Dez guardou a cadeira no porta mala.
– Porque ele ta estranho... – Falei revirando os olhos, e me ajeitando no banco.
– Ela ta normal pra mim!! – Dez se sentou no banco da frente e se virou ficando de frente para mim.
– Ok... – Revirei os olhos novamente e fiquei esperando Trish e Austin chegar.
Eles chegaram um bom tempo depois e já guardaram as coisas no porta malas. Teve bastante coisa porque ate o Dez foi ajudar. Dez dirigiu o carro de volta e todos foram guardar as compras e eu fiquei sentada olhando tudo.
Me senti uma inútil ficando apenas olhando. Queria poder ajudar... Fui rodando a cadeira até chegar na sala e ligo a TV. Coloquei em um canal qualquer. Logo o pessoal já foi fechando. E se sentaram no sofá.
– Ally, quer sentar no sofá?? – Dez parou na minha frente.
– Pode ser. – Ele me ajudou a me sentar.
Austin estava muito estranho. E eu tinha que saber o que estava acontecendo.
– Queria pedir pizza... Mais lembrei que a gente ta no meio do nada... – Trish disse mudando varias vezes de canal.
– Fala nada que quem deu a ideia de vir aqui é você!! – Austin começou a rir.
– Ah... É verdade... – Trish revirou os olhos e começamos a rir.
– Então vamos fazer sanduiche!! Tem hambúrguer, queijo... – Dez levantou do sofá.
– Eu ajudo!! – Trish se levantou e os dois foram pra cozinha. Deixando eu e Austin sozinhos.
– É... Você pode me ajudar aqui?? – Pedi e Austin me colocou na minha cadeira. – Austin... Ta tudo bem?? Você ta tão estranho... – Me ajeitei na cadeira.
– Não é nada. To normal. – Austin ficou na defensiva.
– Austin, você não falou comigo desde que chegamos. – Olhei seria para ele.
– Nada... É só tudo isso sabe?? – Austin não olhava em meus olhos em momento algum.
– Tudo isso o que?? – Falei sem entender o que ele estava dizendo.
– Tudo isso que aconteceu. É coisa de mais pra mim sabe?? – Ele me olhou de cima a baixo.
– Austin, foi coisa de mais pra todo mundo!! Não só pra você... – Falei me encostando na cadeira.
– Mais não vai ser fácil pra mim. – Ele falou coçando a nuca.
– Austin, não é você que esta numa cadeira de rodas sem andar!! – Elevei o tom de voz.
– Mais não é fácil ok?? – Austin elevou o tom de voz igual eu, e então eu percebi o que ele estava dizendo.
Não vai ser fácil continuar namorando comigo nessas condições. Não vai ser fácil para ele continuar ME namorando. Olhei pra ele incrédula.
– Acho melhor darmos um tempo!! – Falei respirando fundo pra não perder a cabeça. Austin assentiu com a cabeça e deslizei a cadeira para o meu quarto o mais rápido possível.
Fechei a porta e deixei tudo aquilo que eu estava guardando sair.
Chorei muito.
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