Tinha que ser você

8 Um soco por um Beijo


— Filha tenho uma coisa muito importante para te contar – esperei que ele continuasse, não entendi o que isso tinha haver com o que eu acabei de contar – uma coisa relacionada ao contrato de sociedade com os Uchicha.

— Pai o que isso tem haver com minha saúde – perguntei muito confusa, aquilo não estava fazendo sentido para mim.

— Filha tenho algo a te dizer, mais você tem que prometer que irá me escutar até o fim sem julgar – enquanto ele falava, vinha em minha direção e sentou ao meu lado olhando nos meus olhos, vi naqueles olhos tão parecidos com os meus uma angustia, não sabia o que dizer então assenti com a cabeça esperando ele continuar. – Você lembra quando descobriu sua doença, tínhamos acabado de se mudar e então você foi fazer aquele exame de rotina, quando você ficou sabendo do resultado se trancou no quarto o dia inteiro, não atendeu nem a ligação do Sasori, nem desceu para comer nada e no outro dia saiu de lá sorrindo, ate hoje me lembro do abraço que você deu em mim e na sua mãe e disse ‘vamos aproveitar a vida, porque não sabemos o quanto ela vai durar’ – ele disse isso tentando imitar a minha voz e eu deixei um riso escapar, eu me lembrava muito bem daquele dia – então você ligou para os seus amigos e marcou para sair, quando voltou se trancou novamente no quarto, e Naruto nos contou sobre o termino.

— Pai..... – tentei falar alguma coisa mais ele me interrompeu.

— Não Sakura, deixe eu terminar por favor – ele se levantou e começou a andar pelo escritório passando a mão pelo cabelo, mostrando todo o seu nervosismo – depois disso vimos você se fechar para o amor, no inicio achamos que era normal, pois você tinha acabado de descobrir sua doença, e a pessoa que você amava nem esperou para te dá apoio, mais depois de um tempo..... – ele parou de falar.

— Depois de um tempo – minha mãe começou a falar, dando continuidade ao assunto – vimos as operações cupido que você fazia – ela dizia com um sorriso triste nos lábios e segurando minha mão – primeiro Naruto e Hinata, depois Neji e Tenten e um dia ate escutei sem querer sua insistência com a Ino para ajuda-la com o Gaara – eu estava muito confusa, não sabia aonde eles queria chegar com aquilo tudo – mas percebemos que quando se tratava de você, você fugia, Naruto nos contava quantos fora você colecionava na faculdade – aquele fofoqueiro de uma figa – não fique zangada com ele – minha mãe pediu vendo minha reação – ele só estava preocupado com você e nós também.

— Vocês sabem porque eu fiz isso – falei limpando uma lagrima que escorria na face da minha mãe e olhei para os dois – eu não sabia como eu iria reagi aos tratamentos e não achava justo envolver mais gente no meu sofrimento.

— Eu sei filha – disse minha mãe me abraçando pelos ombros – mais então sua doença se estabilizou e você continuou com a mesma atitude, espantando todos os pretendentes que nós escolhíamos pra você.

— Foi ai que surgiu essa oportunidade – disse meu pai se sentando ao meu lado novamente – eu já estava conversando com Faguku sobre essa sociedade, então ele me contou sobre o seu filho e a historia dele, uma historia que não posso lhe contar mais que te surpreenderia, e eu contei sobre você e então fizemos um contrato.

— Que contrato – perguntei espantada, eu estava torcendo pra não ser o que eu estava pensando.

— Nossa sociedade estaria fechada, mas você teria que se casar com Sasuke – quando ele terminou já não olhava nos meus olhos, mas agora foi a minha vez de me levanta e ficar andando pelo escritório.

— Por que¿ — pergunte com um nó na garganta, sentia as lagrimas invadir meus olhos, mais não iria derrama-las – vocês não me querem mais aqui em casa, eu posso sair.... – antes de terminar senti minha mãe me abraçar por trás e me pai pela frente chorando muito.

— Não fale assim minha filha, por favor – disse meu pai muito angustiado – nós te amamos e se eu fiz isso foi pra sua felicidade, não queríamos ver você presa a tudo isso e se fechar para o amor. – não sabia o que falar, aquilo me pegou desprevenida, me separei deles dois ainda muito seria.

— Eu preciso de um tempo pra pensar – falei já saindo do escritório minha mãe ainda me chamou, mas não queria mais ouvir nada, subi para o meu quarto peguei minha bolsa de malhar e sai para o único lugar que eu consegui me acalmar.

Enquanto eu me dirigia para lá me lembrava do dia que soube do meu diagnostico, meus pais acham que eu passei o dia no quarto, mas na verdade eu sai, fui pra academia de luta, desde muito tempo eu faço artes marciais sem meus pais saberem, era uma coisa minha, nem meus amigos sabiam, lá eu me acalmo dando uns bons socos. Ao chegar na academia já me direcionei ao meu lugar favorito, encarei o boneco de borracha e comecei a bater, quanto mais eu batia mais eu permitia que as lagrimas corressem pelo meu rosto, e um determinado momento percebi meu celular tocando, dei um tempo para ver quem era, se fosse meus pais não iria atender, eu precisava de um tempo só pra mim. Mas pra minha surpresa era Sasuke, como era sábado ele não deve estar no escritório, mas não sei o que ele podia querer comigo, minha curiosidade venceu então eu atendi.

— Alo.

— Sakura – ele disse, e aquela voz grossa me causou um arrepio na espinha, como pode ele só em fala causar essa sensação em mim.

— Oi Sasuke, o que você quer¿ — falei e escutei um risinho do outro lado, sabia que estava sendo um pouco grossa, mas eu queria volta a bater naquele boneco.

— Sempre direta em Haruno, então vou ser direto com você também, eu queria te ver, aonde você esta¿ — aquilo me surpreendeu, não sabia se valia a pena ter ele por perto, ainda não tinha me decidido sobre o contrato, e queria me afastar o máximo possível para poder tomar uma decisão de cabeça fria.

— Você sabe aonde fica a academia de luta Taijutso¿ — perguntei, quem sabe eu não poderia dá umas boas porradas nele e descontar toda a minha frustação.

— Sei, chego ai em vinte minutos – ele disse já desligando o telefone, pode uma coisa dessa, mas guardei o celular e comecei a bater naquele boneco e perdi um pouco de noção do tempo naquele momento os únicos que existia era eu e aquele boneco.

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SASUKE ON

Quando aquela noite chegou ao fim decidi ir direto para meu apartamento, desisti de me embebedar, queria só dormi, mas não foi o que aconteceu, quando cheguei em casa tudo que consegui foi pensar nela, naquela dança e na forma que nossos corpos se encachavam perfeitamente, como nossos passos foram bem sincronizados e em como o seu cheiro me entorpecia, me embriagava. Aquela noite não foi nada como planejei e nesse momento cheguei a conclusão inevitável. Eu Sasuke Uchicha estou irrevogavelmente apaixonado por um ser rosa e irritante.

Adormeci tentando me acostumar com essa situação, era a primeira vez que eu estava nela e não sabia o que fazer, na verdade a primeira coisa que eu tenho certeza que eu tenho que fazer é conquistar aquela irritante e eu colocaria aquele plano em ação naquela manha. Acordei naquele dia determinado, passava das 10 da manha então me levantei fiz minha higiene matinal, tomei um banho e vesti uma roupa confortável, fui ate a cozinha fiz meu café, de manha eu gostava de tomar só café bem forte, peguei meu celular e liguei pera aquela irritante, quando ela me disse que estava na academia que eu costumava lutar quando morava aqui, me surpreendi, subi ate meu quarto e vesti uma roupa de luta, se ela estava lá tenho certeza que não seria pra dançar né. a academia ficava bem perto do meu apartamento então fui de pé mesmo se ela estava de carro vai ser uma oportunidade de pega uma carona, pensei comigo mesmo.

Quando cheguei lá me direcionei a atendente perguntando pela rosada e ela me mostrou o local, cheguei lá e fiquei observando ela bate naquele boneco, tinha que admitir que ela tinha jeito pra coisa, seria interessante fazer um mano a mano com ela. Percebi que já estava na hora de fazer ela me perceber então simulei uma torci e ela imediatamente parou o que estava fazendo e olhou pra mim.

— Você é boa – disse me aproximando dela

— Obrigada – ela respondeu ofegante, percebi uma gota de suor descendo da sua testa e seguindo um percurso muito tentador aos meus olhos, passando pelas bochechas descendo pelo queixo, pescoço e passou pelo vale entre os seios, quando voltei os meus olhos para os dela percebi que eles estavam vermelhos, mostrando que ela estava chorando.

— Vocês esta bem ¿ — perguntei, não pude conter a preocupação com ela.

— Vou fica – ela disse bem evasiva – quando estou estressada, preocupada, triste, frustrada ou simplesmente de TPM eu venho aqui, e desconto tudo isso nesse boneco sabe, — ela começou a conta e eu não a interrompi, queria saber mais sobre ela – ninguém sabe disso, nem Naruto, nem as meninas, nem mesmos meus pais, essa é uma antiga paixão minha, fora meu sensei, só você – ele contou, enquanto voltava a bater no boneco.

— E pela forma lastimável que esse boneco se encontra percebo que você esta muito irritada – disse tentando descontrair, e também tentando obter mais informações sobre ela.

— Na verdade eu estou confusa, muito confusa, e um pouco triste – ela falou ainda sem me olhar – e bater me ajuda a limpar a mente, só assim eu vou poder tomar uma decisão de cabeça fria.

— Posso te ajudar – falei e ela parou de bater no boneco e olhou para mim com uma cara de duvida – vamos fazer um mano a mano, bater em carne maciça é melhor do que num boneco – eu disse para convence-la, então ela se virou em minha direção e deu um sorriso irônico.

— Se prepara para apanhar – não contive um sorriso de lado, a marca do Uchicha, então me posicionei para nosso combate.

Nossa luta foi bastante interessante, enquanto lutávamos percebi que ela tinha muita técnica, e muito gingado, eu me defendia e atacava e ela vazia a mesma coisa, a cada soco ou chute que ela acertava em mim via um sorriso de desafio surgi nela, e cada vez e que a acertava ela me lançava um olhar de ódio, tenho que admitir que aquilo estava me divertindo muito.

— E então – tentei puxar assunto no meio da luta, quem sabe com ela distraída eu não consiga uma respostas mais diretas – o que te deixou triste a ponte de chora¿ — ela parou um pouco, e nisso quase acerto seu rosto, mais ela desvia na ultima hora.

— Não sei se devo confiar em você – e dizendo isso ela pediu tempo na luta, e foi ate sua bolsa e tirou uma garrafa de agua e se sentou no tatame – você consegue guarda um segredo¿ — ela me pergunto, mas seu olhar esta tão distante que fique sem saber se era uma pergunta retorica ou não, então me sentei ao seu lado.

— Não sou um pessoa de muita conversa – respondi esperando que isso a ajudasse a confiar em mim, então ela deu um suspiro cansado, olhou de lado para mim e voltou a olhar para frente.

— Quando eu tinha 17 anos de idade voltei para Kanoha, mas tinha deixado um namorado em Suna, por quem eu dizia esta apaixonada – ela começou a narra e percebi que seu olhar estava perdido em memorias – dois meses depois da minha mudança ele me liga para falar que não aguantava mais a distancia, nesse dia eu estava numa lanchonete com o pessoal – ela deu um sorriso triste e amargurado que cortou meu coração, minha vontade naquela hora era abraça-la, mas me contive não sabia como ela poderia interpretar minha intenções – mas o que ninguém sabia, era que um dia antes eu tinha descoberto que estava com leucemia. – ela disse e baixou a cabeça.

— Sakura ....- tentei falar mais ela me cortou com um sorriso brincalhão.

— Por favor Uchicha sem demonstrações de sentimentalismo ok, isso não combina com você – dei um sorriso de lado e esperei que ela continuasse – então a pessoa que eu pensei que me “amasse” – e ela fez aspas com os dedos quando disse isso – não chegou a saber e eu preferi assim, não queria ninguém comigo por pena, então comecei meus tratamentos, foram dois anos ate conseguimos estabilizar a doença, enquanto isso eu decidi que viveria normalmente sabe, eu ainda tinha chances de faze muitas coisas na vida, percebi que não podia esconder isso do pessoal e contei para eles, e recebi um apoio muito grande, e então veio a melhor parte, a doença estava controlada eu poderia viver normalmente mais com alguns cuidados que não mudaria minha rotina. – ela parou de falar um pouco e parecia pensar se deveria continuar ou não, eu permaneci calado esperando – naquele dia que nos encontramos no cinema eu tinha recebido uma ligação mais cedo do meu medico me avisado que tive complicações no meu caso e deveria voltar aos tratamentos e exames mais aprofundados, se fosse só um alarme falso tudo bem, mais se não... – e ela não finalizou e eu entendi aonde ela queria chegar, e aquilo doeu em mim, e eu não sabia o que fazer – decidi contar hoje para os meus pais, queria que a festa que minha mãe tinha preparado para mim fosse perfeita, e aquela dança com os meninos foi ideia deles – ela sorrio em meio as lagrimas – então estou aqui batendo naquele boneco para alivia toda essa pressão, não quero pena de ninguém, não preciso disso – quando ela terminou de falar olhou para mim e eu não conseguia tirar meus olhos dela, mas percebi que tinha mais alguma coisa que ela não queria falar, e nem eu iria insistir.

— Venha – disse me levantando e estendendo a mão para ela, enquanto ela me olhava demostrando incerteza – você ainda não me acertou nem um soco decente – provoquei e ela me lançou um sorriso provocador e começamos a nossa luta.

Aqueles minutos foram muito bem aproveitados, enquanto lutávamos riamos e provocávamos um ao outro e num momento em que ela fez um movimento muito provocante com o quadril eu me distrai e ela acertou uma gancho de direita no meu queixo e a ultima coisa que me lembro antes de apagar foi o seu olhar de surpresa.

Quando abri meus olhos estava com a cabeça apoiada no seu colo, e a primeira coisa que vi foi suas esmeraldas sobre mim, seu olhar era de preocupação, olhei para os ladas mais não tinha ninguém além de nós, e confesso que fiquei aliviado, seria um pouco constrangedor aquela situação inusitada, e quando voltei a olhar para ela percebi seu sorriso, e não consegui segurar o meu.

— E então o que você achou do meu gancho de direita – ela perguntou me provocando, então não resistir e levantei a mão e peguei na sua nuca.

— Da pro gasto – então antes que ela falasse qualquer coisa a puxei para um beijo, não queria que ela pensasse que eu estava com pena dela, então tentei demostra com aquele beijo meus sentimentos que eu tinha descoberto a pouco tempo. Depois de superar a surpresa ela correspondeu ao meu beijo e percebi que nossa historia tinha começado ali.