Tinha Uma Hippie No Meio Do Caminho...
2 Uma Anfitriã Improvável
Notas iniciais
Coringa acordou sentindo um cheiro horrível de lavanda misturada com ervas que ele não soube identificar, mas que irritaram imediatamente o caminho entre seu nariz e seu pulmão, graças à intensidade forte do aroma. Instintivamente colocou a mão no seu ferimento e notou que uma grossa e áspera faixa envolvia-o completamente, dando um aspecto mais limpo ao seu corpo antes coberto por suor e sangue.
Tentou se mexer e descobriu que seu abdômen doía em pontadas incômodas, porém nem de longe comparava-se à forma agonizante que fez o ferimento à bala queimar em sua pequena caminhada até o casebre isolado, e essa melhora certamente devia-se aos cuidados que parecia estar recebendo. Conseguiu sentar-se, apesar das insistentes fisgadas que o acompanhavam até mesmo nos menores e mais sutis movimentos, e começou a analisar o quarto em que estava, mantendo os olhos bem atentos aos detalhes que poderiam dar-lhe alguma pista sobre o seu misterioso salvador...
Tudo ali era estranhamente muito simples, provinciano até... uma cama dura e barulhenta ocupava boa parte do quarto, envolta por paredes que pareciam feitas de uma madeira vagabunda, no entanto muito bem tratada, e no ponto médio entre o teto e o chão havia uma simples janela improvisada que dava vista a um campo esverdeado, o mesmo local que ele lembrou ter caído e desmaiado em sua última caminhada até aquela... casa. Tudo ali era precário e abaixo até mesmo dos padrões daquele homem, que sempre se infiltrava onde a escória dominava, mas ainda assim tinha um ar estranhamente vivo...
...E acima de tudo perigoso, pela forma com que se esforçava para parecer inocente.
Não pôde deixar de se perguntar o porquê de estar recebendo tratamento e cuidados médicos. Parecia uma situação um tanto quanto inusitada que alguém quisesse sua cura depois de tudo o que ele já havia feito com os habitantes de Gotham, chegando a torturar e matar muitos deles... Sem mencionar os danos irreparáveis causados a vários monumentos de importância incontestável para cidade, grande parte destruída pelos seus caprichos de tentar quebrar a grossa barreira de hipocrisia que sempre cerca uma sociedade.
Simplesmente não sabia o que esperar da pessoa que estava cuidando de si, e essa sensação de incerteza o irritava profundamente... Porque Coringa não admitiria deixar o posto de manipulador que era sua marca, e somente um conhecimento mais profundo a respeito de seu anfitrião poderia devolver-lhe o controle da situação. Um controle que ele jamais abriria mão.
Não era ingênuo ao ponto de acreditar que receberia qualquer tipo de clemência por parte de Gotham. Nunca fora digno dela nem mesmo quando ainda se guiava pelos grilhões das leis, que dirá agora, que se libertara. Muito provavelmente, ao salvá-lo, o dono daquele casebre buscasse vingança, e sendo assim, não permitiria que o Palhaço tivesse uma morte rápida com aquele ferimento desferido pelo policial no momento de sua fuga. Com certeza recebia cuidados agora para provar do próprio veneno com torturas cruéis mais tarde, recebendo a mesma cortesia com que costumava tratar suas vítimas...
Coringa lambeu nervosamente o canto dos seus lábios desidratados, um hábito que já se tornara até impensado.
Em meio às suas tentativas em decifrar o que o aguardaria naquela estadia forçada, uma mulher entrou de repente no quarto, carregando uma samambaia numa mão e uma cesta cheia de ervas na outra, fechando a porta com os pés de forma desajeitada. Tal visão acabou destruindo as expectativas que o Palhaço nutria quanto ao seu "salvador" de intenções cruéis. A mulher sobressaltou-se quando viu que seu hóspede já havia despertado, e seu rosto se iluminou num sorriso simpático que transparecia satisfação genuína.
– Ah, finalmente acordou, Libélula Saltitante! — ela anunciou alegremente enquanto se aproximava da cama com entusiasmo, quase cantarolando de felicidade, e ainda com aquele mesmo ar sereno e convidativo irradiando de seu rosto.
Coringa estreitou os olhos, sentindo a confusão reinar sobre suas expressões — normalmente zombeteiras e maliciosas.
– Do que me chamou? — sibilou fracamente pelo desuso da voz, não conseguindo dar ao seu tom a ameaça que programara. Enfureceu-se de uma forma mais íntima, desagradado até o último grau.
– Pobrezinho, além de tudo é surdo... – abstraiu consigo mesma, em seguida pontuando lentamente cada sílaba para que seu interlocutor a compreendesse – Li-bé-lu-la Sal-ti-tan-te. É o seu nome espiritual — explicou — Quando eu estudava a Progressão Meridional Analítica das Antilhas do Norte, aprendi a descobrir o nome espiritual das pessoas, e o seu é, sem dúvidas, Libélula Saltitante — falou com orgulho, quase estufando o peito ao mencionar aquela débil... capacidade?!
– Você sabe com quem fala, por acaso? – ele perguntou num tom que beirava a arrogância e a perplexidade. Mesmo estando ferido, manteve a pose dominadora que sempre gostou de exercer sobre as pessoas, e com essa atitude esperou encontrar o terror nos olhos da mulher. Irritou-se ainda mais quando tudo o que reconheceu neles resumiu-se apenas a uma curiosidade sincera sobre o histórico de seu hóspede ferido.
Coringa sentiu-se verdadeiramente confuso e contrariado com a despreocupação evidente transmitida pelas feições suaves da mulher. O Palhaço ajeitou-se na cama, incomodado. A madeira deu um leve rangido como resposta ao deslizar nada sutil de seu corpo, mas ele estava concentrado demais em tentar desvendar aqueles olhos curiosos e gentis, que o fitavam com um certo divertimento e amplo interesse, como se ele não passasse de um enigma estimulante a ser desvendado.
O Psicopata sustentou o olhar destemido da moça à sua frente, tentando decifrá-la da mesma forma que ela fazia. Exasperou-se com a inconsequência desmedida daquela postura tão tranquila diante de si, e foi incapaz de evitar os traços gélidos que tomaram conta de suas feições endurecidas.
A anfitriã deslocou-se para mais perto do homem, parando bem na frente do Palhaço e dedicando-se a analisar cada pequeno detalhe do seu peculiar rosto, parecendo fazer um enorme esforço para tentar descobrir quem era aquele estranho homem à sua frente. Uniu as sobrancelhas, franzindo a testa com intensidade, e de repente deu um enorme sorriso de contentamento, como se finalmente o reconhecesse depois de uma longa tentativa. Como se encontrasse a resposta a uma pergunta antiga.
– Já sei! — estalou os dedos, satisfeita com o próprio palpite — Você é aquele agroboy enrustido que atuou em “O Segredo de Brokeback Mountain”! — arriscou, e sua expressão estava repleta de expectativa pelo palpite. — Torci muito pra você ficar com o Jack, que casal lindo!
Coringa a fuzilou com a potência maléfica de seus olhos, e aquele semblante do Palhaço seria suficiente para fazer qualquer um tremer de medo, porém não provocou nenhum efeito sobre sua anfitriã, e isso o irritou ainda mais. Lambeu mais uma vez o canto de suas cicatrizes, como se o gesto o ajudasse a se controlar.
A negativa hostil em seus orbes foi resposta suficiente, fazendo com que a inusitada mulher desse de ombros, parecendo levemente frustrada.
– Bom, então eu realmente não sei! A julgar pelo estado que você chegou aqui, algum palhaço famoso que anima festas infantis, talvez? Eu particularmente não conheço esse ramo, mas sei como as crianças podem ser assustadoras quando querem, não me admira você ter chegado aqui quase sem vida – ela parou de encará-lo e começou a remexer a cesta de ervas que trouxe consigo, procurando por algo específico, sem nunca largar a enorme samambaia da outra mão.
Coringa continuou fitando aquela estranha mulher, e enquanto o fazia, seus pensamentos o arrebataram dali com força, pelo modo improvável com que ela agia na presença do psicopata. Seria unicamente coragem mesclada a um tipo de humor autodestrutivo? O Palhaço duvidava muito disso!
A postura despreocupada dela foi o que mais chamou a sua atenção, além da insolência. Ninguém nunca havia estado diante do criminoso sem exalar desespero, ou pelo menos sem ficar evidentemente tenso por sua mera presença, que por si só já era suficiente para fazer nascer o caos... A única exceção à regra era Batman, porém havia uma discrepante diferença, pois o Cavaleiro das Trevas se protegia atrás daquela máscara de morcego, encobrindo suas verdadeiras feições.
“Não é possível que ela nunca tenha ouvido falar de mim... Mesmo nesse fim de mundo essa tola deveria saber quem eu sou" — refletiu consigo mesmo, ainda sem desviar uma única vez a atenção da mulher sorridente – "Com certeza se trata de um ardil para baixar minha guarda. Melhor terminar de uma vez com esse estúpido teatro, e fazer com que ela se arrependa por ter zombado do próprio agente do caos...”
Logo que aquele pensamento se calou em sua mente, o Palhaço se deu conta de que estava sem sua arma. Respirou fundo, desacostumado a ser contrariado de forma tão constante. Era óbvio que ela tiraria de seu alcance tudo aquilo que pudesse fazê-lo sobrepujá-la, mas ainda assim esse fato o irritou profundamente.
Detestava, mais do que tudo, perder o controle.
– Eu sei bem o que pretende com tudo isso, menina, mas já aviso... — sorriu, ameaçador — Não vai funcionar. E se prosseguir por esse caminho, vai ser muito pior pra você, acredite. Então vou perguntar apenas uma vez. Onde estão meus pertences? — perguntou lentamente, agora conseguindo dar alguma potência de ameaça à própria voz.
– Eu entendo que você tá irritado e impaciente, mas tente manter a calma, Libélula Saltitante...
– Não me chame assim! – Rugiu, enfurecido, novamente lambendo o canto esquerdo do lábio, como uma preparação ao ataque
– Vamos falar sobre seu estado de nervos mais tarde. Quanto às suas tralhas, você chegou aqui só com a roupa do corpo e com um revólver que eu joguei fora. – respondeu tranquilamente, ainda concentrada em revirar e analisar aquela cesta que carregava.
– Quem pensa que é para me desafiar assim, garota estúpida? – o Palhaço exaltou-se, e pela primeira vez a mulher desviou os olhos das ervas para poder encará-lo, parecendo não se abalar em nada com o tom grosseiro do homem.
– Acalme seus instintos mundanos, Libélula! No final das contas eu lhe fiz um enorme favor, afinal, é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã, porque se você parar pra pensar, na verdade não há! — ela citou a frase como se toda a sabedoria do mundo se transmitisse através dela para aquelas palavras.
“Louca! Talvez realmente não saiba quem eu sou, ninguém fingiria tão despreocupadamente assim! Ninguém...”
Coringa analisou brevemente a situação, desgostoso de sua própria sorte. Achou prudente certificar-se de que ela realmente não sabia nada sobre ele, antes de chegar a qualquer conclusão concreta sobre a dimensão da sua ignorância ou, mais provavelmente, farsa. Era impossível que aquela estranha figura continuasse sem demonstrar medo, ódio ou nojo por muito mais tempo se tudo aquilo não passasse de fingimento... Decidiu apenas sondar por enquanto, forçando-se a adotar uma postura mais neutra, beirando o afável, por mais que essa prática superasse a dor que experimentou com o ferimento em seu abdômen, que agora o tornava uma vítima à mercê das intenções desconhecidas daquela mulher.
– Não sentiu medo de ajudar um estranho que apareceu aqui, sem mais nem menos, baleado e de posse de uma arma carregada? — sondou, obrigando-se a controlar a voz.
– Não. Eu sei por que você estava baleado e tinha uma arma — debochou de sua pergunta, fazendo transparecer que a resposta era óbvia demais.
“Sabia que ela não podia ser tão estúpida assim!” — Coringa pensou, já se preparando para ouvir as tradicionais acusações e ameaças sobre os seus inúmeros delitos.
Que a máscara dela caísse de vez!
– Minha teoria é simples: você encontrou um grupo de skinheads que bate em travestis, e você já andava armado para situações como essa, que aliás devem ser bem corriqueiras na sua rotina, mas eles foram mais rápidos e atiraram em você primeiro. — deu de ombros ao final, como se nada mais pudesse explicar a presença de Coringa ali. — Mais sorte na próxima.
O Palhaço foi incapaz de evitar a queda de seu queixo... Pela primeira vez, via-se inteiramente sem reação diante de uma pessoa, parecia-lhe uma situação muito esdrúxula para ser real. Seus pensamentos estavam confusamente embaralhados dentro de sua cabeça — alguns o alertavam do perigo de que aquilo tudo poderia não passar de um truque, uma farsa engenhosa para capturá-lo, enquanto outros tentavam tranquilizá-lo, com a alternativa de que a mulher realmente nunca ouvira falar no psicopata e todos os seus grandiosos feitos. Continuou com aquela guerra de pensamentos conflitantes por um breve instante, até que uma das teorias pareceu prevalecer, embora ambas se mostrassem confusas.
Somente o fato de imaginar que alguém, por mais corajoso ou imbecil que fosse, conseguisse dissimular todos os sentimentos adversos que sua simples presença ou menção provocava nas pessoas, já se mostrava um forte indício de que a ignorância era a opção mais cabível. Parecia um tanto irreal que alguém que de fato o conhecesse, conseguisse aproximar-se do Psicopata sem um único indício de temor ou repúdio pela sua imagem.
Talvez aquela mulher de aspecto hippie realmente não soubesse quem era o homem que ela hospedou em sua própria casa, e com certeza essa ignorância acabaria se tornando o seu pior erro. E ao mesmo tempo, seria algo extremamente vantajoso para o Palhaço!
– Mas agora não há mais com o que se preocupar, Libélula Saltitante, você está seguro aqui! — sua voz soou com a intenção de tranquilizá-lo, despertando-o de todas aquelas cadeias sem fim de pensamentos, que ainda colocavam em dúvida qual seria a melhor maneira de agir naquela situação única.
– Quem é você? — foi impossível conter a pergunta, que soou com uma sinceridade que há muito o Palhaço não ouvia na própria voz.
– Quem sabe ainda sou uma garotinha, esperando o ônibus da escola, sozinha... — ela deu um suspiro longo, voltando-se novamente para a infinidade de ervas que tanto revirava.
O silêncio tomou conta do quarto enquanto o Palhaço parecia refletir, estreitando os olhos à medida que apenas cogitava a melhor forma de proceder.
– Mais alguém mora aqui? — Coringa julgou conveniente perguntar.
– Não, só eu e minha samambaia. — avisou, parecendo empolgada por finalmente encontrar o que tanto procurou dentro daquela cesta bagunçada, recheada até o topo com uma infinidade de ervas que Coringa sequer sabia diferenciar — Aqui, achei, mastigue isso!
E antes que ele pudesse protestar ou sequer perguntar do que se tratava, ela já havia colocado um punhado generoso dentro de sua boca. Ele começou a mastigar devagar, com um pouco de receio, até que seus olhos se arregalaram e ele começou a tossir desajeitadamente, cuspindo tudo ao ser dominado por uma ardência insuportável na língua e na garganta, que agora parecia coçar internamente do jeito mais desagradável possível. Seu hálito saiu muito mais quente do que o de costume quando finalmente falou em tom de protesto.
– Pimenta crua! Qual o seu problema?
– Nossa, verdade! Não tinha percebido... — a mulher prestou atenção nos olhos marejados de seu hóspede, resistindo à vontade de rir da pequena confusão que fizera — Desculpe, me enganei. Esse era o tempero da minha sopa, você tem que mascar esse aqui. É muito bom para conter hemorragias. — Vendo que o homem a encarava com ceticismo, sem nenhuma vontade de seguir sua sugestão, acrescentou: — Você quer melhorar ou não? Eu não tenho muitos remédios alopáticos à disposição por aqui, não sei se você reparou, mas eu moro num fim de mundo... Preciso te tratar com o auxílio de ervas in natura também.
Ele a fitou com desagrado, ciente da possibilidade de tudo aquilo ser uma armadilha, mas também entendendo que se tratava da sua melhor chance de se recuperar.
Se ela o quisesse morto, oportunidades não faltaram durante sua inconsciência.
Coringa examinou atentamente a estranha folha fina e de cores opacas que estava em sua mão, até se convencer de que não era nenhum tipo de condimento ardente. Ao terminar sua análise, colocou na boca e começou a mastigar devagar, contrariado. Estranhou o gosto áspero e adstringente que invadiu o seu paladar.
– O que é isso? – franziu o cenho, ainda mastigando algumas vezes antes de finalmente engolir com algum alívio.
– Alfafa. – respondeu prontamente, deixando que um meio sorriso se formasse à visão de pura repulsão de seu inusitado hóspede – Como eu já disse, a alfafa tem propriedades interessantes contra a hemorragia, e no seu estado, eu prefiro usar qualquer tratamento alternativo que seja eficaz, além do padrão.
O Palhaço crispou os lábios, descontente e enojado, tendo novas crises de uma incontrolável tosse, que pareceu tingir seu rosto numa tonalidade intensamente avermelhada por causa do esforço. Seu abdômen ardia a cada vez que tossia, como um lembrete inconveniente de seu fracasso ao submetê-lo àquelas fisgadas.
– Preciso de água – avisou num timbre brusco e marcado pela rouquidão, limpando a garganta com novos pigarros que pareciam não ter fim.
– Nada disso, você tem que ficar três horas sem beber água agora.
– A pimenta que me deu era ardida... – começou a protestar, sentindo-se um completo tolo por aquele papel que fazia, mas logo foi interrompido.
– Devia ter pedido a água antes de mastigar a alfafa! Se você beber água agora pode diminuir o efeito anti-hemorrágico. – explicou, ainda sorridente – Daqui a pouco eu volto para passar um remédio no seu ferimento! Você levou um tiro que quase acertou seu intestino, foi muita sorte, danificou apenas a superfície do músculo... Não está tão grave agora, mas você perdeu muito sangue, por isso está fraco ainda. Tente não se mexer muito, a dor pode piorar bastante se não ficar em repouso.
Ela já estava saindo quando uma dúvida atingiu Coringa, entontecido por sua própria situação.
– Há quanto tempo eu estou aqui?
– Você está dormindo há cerca de dois dias — avisou, já abrindo a porta e encostando-se ao batente.
Aquela informação o surpreendeu, e de imediato sentiu-se um pouco mais abatido ao se imaginar desacordado por tanto tempo. Tentou desviar o pensamento inconveniente, forçando-se a focar na mulher.
– E posso saber qual é o seu nome? — Ergueu uma sobrancelha, não verdadeiramente interessado.
– Alice Rubídia de Assis Romanov III, mas pode me chamar de Alice, tanto faz... — deu de ombros.
Coringa a encarou, incrédulo, com um meio sorriso debochado fazendo ascender aquela porção de sua cicatriz.
– Rubídia? Sério?
– É que a minha mãe fez uma promessa que se ela fosse aceita na faculdade, ia colocar o nome de um elemento da tabela periódica na filha. A faculdade não a aceitou, mas ela colocou esse nome em mim assim mesmo, porque eu fui uma gravidez indesejada e ela quis se vingar — Alice deu de ombros novamente, querendo parecer indiferente àquele fato.
“Isso realmente explica muita coisa...”
– Se precisar de mim é só chamar – ela concluiu, e dizendo isso, Alice saiu do quarto, deixando Coringa sozinho, pensando em como aquela mulher era estranha, apesar de convidativa.
– Daria uma bela Arlequina se não fosse tão esquisita... – disse a si mesmo, rindo internamente da mulher – Vai ser muito fácil continuar dobrando esta estúpida riponga! – o Palhaço sorriu ao ser invadido pela certeza daquele fato.
Os dias de Alice estavam contados.
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