Timeline: Choice Your Future
2 Capítulo 2
Em primeiro lugar, no lugar de um perfil desatualizado, encontrei na foto do perfil uma mulher bonita de cabelos lisos sorrindo em preto e branco. Em segundo lugar, essa tal mulher deveria ter uns 30 anos. Foi então que observei a data de nascimento: era a mesma que a minha. Não era possível. Essa mulher aparentava ter mais de 30 anos, como ela tinha nascido na mesma data que eu, com 17!?
Fui nos álbuns. Tinham inúmeras fotos dessa mulher em vários lugares que eu não consegui identificar, mas que com certeza deveriam ser fora do país. Tinham também várias fotos dessa mulher com pessoas e uma em especial com dois homens e um bebê.
Ok, pra mim chega. Fui olhar as publicações. Coisas normais... até que olhei tanto que surgiu no canto da tela o seguinte aviso: Veja todas as suas publicações importantes num vídeo com menos de 1 minuto (Facebook View Timeline Advanced). Cliquei no aviso. Em menos de 15 segundos, o vídeo começou.
Primeiro mostrou uma foto dessa mulher comendo num escritório e sorrindo; uma foto dessa mulher segurando um bebê, àquele de antes, onde ela estava com dois homens; uma foto dessa mulher beijando um homem ruivo, os dois se beijavam e sua última atualização de trabalho: atualmente ela trabalhava no que deduzir, ser seu próprio escritório. E fim.
Depois disso fui olhar em seus amigos e não encontrei ninguém que eu conhecesse. Espere um segundo. Observei a pessoa que me atentamente e, embora estivesse completamente diferente e mais velha, tinha certeza absoluta de que era Sam.
O que estava acontecendo? Será que Sam tinha feito uma pegadinha comigo? Só poderia ser isto.
Fui no bate-papo e procurei o nome de Sam. Pronto. Apareceu uma janela de bate-papo. Tentei ver mensagens antigas, mas não consegui. Então digitei algo.
“Sam?” Disse.
“Olhe quem está falando comigo! Pensei que tinha esquecido os velhos amigos.”
“Sam, que droga você fez no meu perfil?”
“Como assim? Eu só o criei há... sei lá... 20 anos? E depois nunca mais entrei, eu juro.”
“20 anos? Mas você criou meu perfil em 2013! E ainda estamos em 2014.”
“Querida, nós estamos em 2032.”
“Muito engraçado.”
“Olhe seu calendário! Lauren, você está drogada?”
Processei a informação por um instante. Tem alguma possibilidade disso ser real? Não. Mas, pensando bem, a mulher do perfil se parecia muito comigo. Tirando o cabelo liso, o sorriso e os olhos eram muito parecidos. E ela morava no mesmo lugar que eu! Excluindo a possibilidade de eu nunca ter pensado em alisar meu cabelo na vida aquela poderia ser eu daqui a 18 anos, sim. Mas, como era possível eu estar vendo meu perfil 18 anos adiantado?
“Lauren?” Sam perguntou.
“Oi. Desculpe.”
“Ainda está nova pra ter Alzheimer, mas é uma possibilidade né?”
“Você não tem nem ideia do que está acontecendo.”
“O que!?”
Pensei na possibilidade de Sam levar a sério o que eu iria dizer e resolvi que era melhor não falar. Se isso tinha acontecido, eu poderia muito bem saber oque todo mundo almeja: como será seu futuro! Isso seria demais, se não fosse tão estranho.
“Nada. É que eu estou meio maluca hoje. Desculpe.” Disse.
“Se eu fosse psicóloga também seria meio maluca, eu acho.”
“Psicóloga?”
“Sim.”
“Eu sou uma psicóloga?”
“Não, Lauren, minha avó que é. Você está bem hoje?”
Eu desejava ser jornalista desde que eu me lembro. Não me via seguindo outra profissão, exceto jornalismo. Nunca pensei que iria mudar de ideia e não seguir essa carreira; nem em meus piores pesadelos pensei em ser psicóloga, eu simplesmente não tinha vocação pra isso.
“Muito engraçada.” Disse.
“Sério, você está bem, Lauren? Está começando a me preocupar.”
“Sim, sim. Quanto À psicologia, você sabe quando eu decidi isso?”
“Acho que foi depois de beber muito, afinal, quem troca jornalismo por psicologia? Não sei, querida.”
“Eu não te falei?”
“Não, mas por que não pergunta aos seus outros amigos? Nem sei entendo porque falou comigo agora. Faz muito tempo.”
“Como assim tanto tempo?”
“Lauren, você mal falou comigo desde que se mudou daqui, e, quando voltou, não foi diferente.”
Sam e eu havíamos nos distanciado? Nunca imaginei isso em toda minha vida. Era mais que óbvio que seguiríamos caminhos diferentes, mas nunca cheguei a imaginar que perderíamos o contato. Isso me arrasou por dentro.
Mesmo arrasada, precisava conseguir mais respostas; Sam era minha melhor opção, apesar de tudo.
“Então, o que você soube de mim ultimamente?” Perguntei, como quem não quer nada.
“Você está falando do seu caso com o Brian Alguma Coisa? Sim, eu já sei disso.”
“Como assim?”
“Eu sei que você está tendo um caso com ele, seu paciente. Acho que todo mundo sabe. Não sei nem como você ainda tem licença de psicologia.”
Nossa. Então quer dizer que eu tinha um caso com um paciente? Eu não me imaginava sendo psicóloga, imagine tendo um caso com um de meus pacientes. Eu nunca faria isso. Não podia ser verdade.
“Por que você acha isso?” Perguntei.
“Porque, Lauren, você vai a casa dele todo dia à noite e acho que dorme lá, sei lá.”
“Você sabe por que ele é meu paciente?”
“Não, mas talvez ele seja ninfomaníaco.”
“Muito engraçada.”
“É isso que a Tia Tifanny diz, querida.”
“Sua fonte é a Tia Tifanny? Vendedora de cupcakes do refeitório? Que decadência.”
“Ela agora tem uma franquia, pra sua informação. O melhor cupcake do mundo!”
“Que seja.”
Disso eu nunca tive dúvidas: Sam continuar seu vício por cupcakes.
“Lauren?” Sam perguntou.
“Sim?”
“Sinceramente, você se arrepende de não ter continuado com o Dave?”
Dave. Nós havíamos terminado? Já era de se esperar, com essa nova eu, que era o oposto de mim. Infelizmente, essa informação não mudava nem um pouco oque eu estava sentindo dentro de mim.
“Não sei. Acho que não sei de mais nada.” Respondi simplesmente.
“Não é por nada, mas, olha pra ele! Tem uma posição no time estadual de futebol americano! Isso é impressionante. Quem imaginaria isso?”
Eu. Ele era muito bom. Sempre soube que ele conseguiria algo grande.
“Você sabe por que não ficamos juntos?”
“Você terminou com ele ao se mudar daqui, não lembra?”
“Ah sim. Lembro. E quando eu voltei pra cá?”
“Acho que você estava muito focada na psicologia pra pensar em qualquer outra coisa.”
Sam parecia continuar a mesmo, fora algumas grandes mudanças em sua aparência. Continuava com seu espírito brincalhão de malicioso. Mas, por que eu tinha mudado tanto? Pensei, então, que poderia ser algo que aconteceu depois que eu me mudei.
“Sam, o que aconteceu comigo durante o tempo em que estive fora?” Perguntei.
“Se você não sabe, como eu vou saber? Mas você pode perguntar ao Brian ou outra pessoa.”
“Por que ele?”
“Vocês tem um caso, não é? Devem fazer mais do que trocar DNA.”
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