Timeline: Choice Your Future
5 Capítulo 5
Em um minuto a tela com meu perfil futurístico do Facebook estava na minha frente e depois simplesmente sumiu, a escuridão dominou a tela, bem no meio do que Dave estava me falando.
Depois de um tempo mexendo sem parar no mouse, me conformei que ele devia ter desligado de vez e o liguei novamente. Mesmo que eu já tivesse conhecimento suficiente sobre meu futuro e minhas escolhas, não poderia perder a chance de investigar mais a fundo e, principalmente, de saber qual o resto da mensagem que Dave me mandou.
Um minuto depois meu computador já estava completamente ligado. Só faltava a internet que, para o meu espanto e familiaridade, não conseguiu se conectar de início. Foram precisas 3 tentativas no total para que se coctasse. Depois disso, abri o navegador e simplesmente fui direto ao Facebook.
Esperei os primeiros 5 minutos na frente do computador. Depois, por puro reflexo, olhei para o canto da tela pela primeira vez naquele dia, pois já era noite. 18:00 em ponto. Tinha passado 4 horas inteiras no Facebook!
Aceitando que iria demorar mais do que eu podia esperar sem ficar entediada, percebi o local ao meu redor. O sanduíche e a Coca ainda estavam à mesa. Como eu não conseguia pensar em nada melhor para fazer durante o tempo que a página carregava, e estava morrendo de fome, desci a escada e pus o sanduíche no micro-ondas e a Coca no congelador.
Assim que o micro-ondas apitou eu tirei o sanduíche, mesmo muito quente, e o comi apressadamente. Depois, corri ao congelador e também peguei a Coca e a bebi num gole, derramando metade em minha camiseta. Não comia há quase 6 horas, não me importava com atitudes extremas!
Voltei ao computador. A página já estava carregada. Coloquei o e-mail e a senha no espaço desejado e, novamente, esperei muito tempo para que a página carregasse completamente, dessa vez sem sair do lugar. Estava muito ansiosa por isso.
Assim que a página carregou completamente, percebi que não era meu perfil futurístico. Era apenas o perfil que Sam havia criado pra mim ainda esse ano. Não tinha foto de perfil, localização, nem nada desse tipo. Eu só tinha 2 amigos, e, os dois eram Sam! Seu perfil fake e o normal. Não tinha como ser mais desanimador.
No fundo, eu sabia que isso ia acontecer. Quer dizer, eu não tinha nem ideia de como tinha conseguido entrar no meu perfil do futuro, não imaginei que fosse acontecer de novo. Agora já tinha as informações mais importantes, se eu ficasse mais tempo por ali, descobriria apenas coisas desnecessárias, como minha cor favorita, comida favorita ou algo assim.
Avaliei minhas opções e decidi de imediato oque iria fazer, aquilo era essencial. Desliguei o computador e comecei a procurar meu celular. Assim que o achei, vi que tinham 3 mensagens não lidas e o dobro do número de ligações não atendidas. As mensagens eram de Dave, Sam e minha mãe. As ligações apenas de Dave e minha mãe.
Dave: Lauren? Está tudo bem? Você não me atendeu, nem entrou no Facebook. Estou preocupado. Me liga!
Sam: Não esqueça de levar meu guarda-chuva amanhã. Trate-o como um rei, afinal, ele salvou seu cabelo.
Mãe: LAUREN? ACONTECEU ALGUMA COISA? ME LIGUE, ESTOU MUITO PREOCUPADA!!! ACHO QUE VOU ME ATRASAR HOJE POR CAUSA DA CHUVA, ENTÃO NÃO ME ESPERE ACORDADA.
Não, minha mãe não estava irritada, ela apenas, não utiliza bem o celular. Foi um milagre, ela ter conseguido me mandar essa mensagem sem nenhum erro gramatical.
Mandei apenas uma mensagem pra minha mãe: Estou bem. Te ligo depois, estou fazendo dever de casa. Tchau. Ah, desculpa por não atender antes.
Não podia perder mais tempo, além do mais, nem queria pensar no humor da minha mãe com essa chuva, esse atraso e sua preocupação comigo.
Depois de mandar a mensagem, liguei para Dave.
“Lauren?” Ele perguntou.
“Sou eu.”
“Lauren, o que aconteceu? Por que não me atendeu?”
“Longa história.”
“Pode fa...”
“Sam e eu estaremos aí daqui a uns 10 minutos. Pode deixar a janela aberta?”
“Você e Sam? Lauren, o que está acontecendo?”
“Te explico quando chegarmos aí.”
“Mas...”
“Dave?”
“Oi?”
“Te amo.”
E desliguei, sem ouvir a resposta. Dave e eu não éramos um casal meloso, apesar de tudo, e essa não era a primeira vez que eu dizia essas palavras, mas dessa vez foi diferente. Como se eu sentisse as palavras dentro do meu coração.
Sabia que não precisaria ligar pra Sam pra saber sua resposta. Sair à noite e escondido era algo que Sam adorava fazer, mas, apesar disso, liguei.
“Olá baby.” Sam falou.
“Oi. Esteja na frente da sua casa em 5 minutos. Vamos sair.”
“Uau! Que repentino. Para onde vamos?”
“Surpresa.”
“Te encontro em 5 minutos, ah, e, Lauren?”
“Sim?”
“Vá com uma roupa descente e leve meu guarda-chuva! Tchau.”
E Sam desligou.
Olhei pela janela e vi que ainda chovia, mas nem de longe, tão forte quanto na hora em que eu cheguei da escola. Subi as escadas apressadamente para trocar minha camiseta molhada, por uma seca e vestir um casaco e calçar um par de botas no meu quarto.
Desci as escadas para pegar meu celular, colocando-o no bolso da calça, e o guarda-chuva, que, já estava seco. Assim que fiz isso, saí.
Na rua, felizmente, dava pra andar apenas com o guarda-chuva e não se molhar. Mesmo com todos os postes acesos, a rua estava escura por causa da chuva. Embora a chuva tivesse abrandado, as nuvens no céu indicavam que ainda iria chover muito àquela noite.
Não andei muito pra chegar até à casa de Sam e, como eu havia pedido, já estava na frente de casa, na parte coberta, de braços cruzados.
“Então, pra onde vamos sta. Mistério?” Sam perguntou.
“Casa do Dave. Acho que o guarda...”
“O que!? Você me convidou pra ver um espetáculo entre você e seu namorado na casa dele? Eu passo essa.”
“Sam, isso é muito importante! Eu preciso de vocês dois! Por favor!”
Sam me avaliou por uns 10 segundos antes de responder.
“Ok, mas, se a coisa começar a esquentar eu vou embora.”
Começamos a andar silenciosamente. Por incrível que pareça, nós estávamos dividindo o guarda-chuva e nenhuma de nós estava se molhando, mesmo que Sam reclamasse de pingos a cada minuto.
A casa de Dave ficava depois da escola. Acho que duas ou três ruas à frente. Assim que chegamos lá, Sam me mostrou a língua e já ia tocar a campainha, quando eu segurei seu braço.
“Ai! O que foi?” Sam perguntou.
“Não vamos entrar pela porta da frente...”
“NÂO! Você não está insinuando o que eu acho que está, não é?”
“Nós vamos ter que entrar pela janela.”
“Que droga, Lauren!”
Para minha felicidade, Sam disse apenas isso, antes de contornarmos a casa para ficar de frente para a janela de Dave, que, estava aberta.
Por sorte, a janela de Dave ficava ao lado de uma escada de emergência, então seria moleza subir até lá. Antes de subir, verifiquei se a escada aguentava meu peso, quando vi que sim, comecei a subir, mas antes disso, falei com Sam.
“Eu subo primeiro e depois você sobe, ok? Não quero arriscar.”
Sam apenas revirou os olhos e fez que sim com a cabeça.
Quando cheguei ao lado da janela de Dave, tive que ter muito cuidado para conseguir me apoiar nela. Assim que Dave me viu, veio me ajudar a entrar completamente.
Fiz um sinal com as mãos para Sam que Sam começasse a subir e fiquei perto da janela para que eu pudesse lhe ajudar a entrar.
Antes que pudesse ver as mãos de Sam, Dave me puxou pra trás e me deu um beijo rápido. Depois olhou diretamente nos meus olhos.
“Te amo.” Ele disse.
Antes que eu pudesse falar qualquer coisa, Sam começou a bater na janela freneticamente e eu e Dave corremos ao mesmo tempo para poder ajudar.
“Já estou aqui, baby. O que você quer?” Sam perguntou assim que conseguiu entrar no quarto.
“Ok. Sentem-se.”
Sam e Dave foram se sentar na cama, que ficava no meio do quarto e eu fiquei na frente deles, em pé.
“Apenas escutem, ok? Perguntas depois.”
Os dois assentiram.
“Sam, quero que você saiba que é uma pessoa muito especial pra mim! Minha vida seria tão sem graça sem você, que acho que eu assistiria àqueles reality shows a que tantos criticamos. Eu não mudaria nada em você, nada. E, eu quero que, se você conseguir, me conte até as coisas que você acha que eu não entenderei porque, acredite, eu posso compreender.”
Sam apenas me olhou, mas, por um segundo, vi que seus olhos brilhavam no escuro.
“Dave, eu sei que brigamos muito às vezes, mas eu te amo. Eu não sei se ficaremos juntos por muito tempo ou se isso não vai acontecer, mas, quero que saiba, que eu sempre vou me lembrar de você, independente do que acontecer. Dave, eu não quero te magoar, nunca quis. Isso pode não ter importância agora, mas, acredite, você vai entender.”
Dave sorriu e continuou a olhar pra mim.
“Eu não quero perder vocês e queria que fosse assim pra sempre, mas, como nosso futuro é incerto, queria agradecer a vocês por tudo, pedir desculpas por tudo que eu fiz ou fizer que possa magoar vocês e dizer que vocês dois me fazem muito feliz.”
Os dois ficaram calados, até que eu falei.
“Perguntas?” Perguntei.
“Por que tudo isso agora, Lauren?” Sam perguntou.
“Porque eu não sei se terei outra oportunidade de falar e não sei por quanto tempo vou ter vocês dois em minha vida, então resolvi falar o mais rápido possível.”
“Sinceramente, acho está usando LSD.”
“Talvez sim, talvez não.”
Fale com o autor