Timeless
1 Prólogo
Notas iniciais
Hoje o dia começou como outro qualquer. Dia claro, comum, com algumas nuvens calmas pairando no céu de Londres. Era cedo, levantei, tomei meu café em paz, pois morava sozinha. Meus pais estavam a viajar para outro continente, e eu... Bem, não pude lhes acompanhar. Meu trabalho quase não me permitia tirar folgas. Era bem estressante e cansativo, mas eu gostava do que fazia.
Há pouco mais de 10 anos, a conhecida área 51 foi dividida em várias, e fundaram diversas agências em cidades bases. Estados Unidos, Brasil, China, Japão e outras cidades na Europa, contando com Londres. A sede de Londres tornou-se uma grande agência de Desenvolvimento e Pesquisa de Viagens Dimensionais — DPVD. Além de ter fundado uma “central de detetives”, juntamente a polícia local.
Na Central, que funciona conforme as pesquisas realizadas pela agência de Desenvolvimento e Pesquisa, vários funcionários que são treinados para viagens dimensionais, para se infiltrar como cidadãos normais nas diversas dimensões que são descobertas dia após dia, trazendo informações, como vivem por lá, hábitos, convivência, etc.. Até porque, a cada nova descoberta mais e mais, aprendemos com todos os outros mundos que estão acontecendo junto a todos nós.
É simplesmente fascinante este imenso mundo! Concluímos que, além de existir possíveis vidas em outros planetas, ainda existem dimensões alternativas em que vivem pessoas completamente diferentes, uma das outras, tem convivências diferentes, e até mesmo... “Coisas” diferentes! Um animal falante, um ser que achávamos ser apenas mitologia, seres de diversas dimensões que nos cercam e nos fazem aprendermos com eles, mais e mais.
E bem... Eu me sinto muito honrada em estar vivendo em uma época que possamos viajar e conhecer culturas diferentes, além de me sentir mais honrada ainda em fazer parte da central de detetives! É algo tão realizador! Tive formação em história, e a cada nova descoberta, uma nova pontinha vermelha da história que eu vivencio, me deixa tão excitada!
Terminei a pouco mais de dois anos a faculdade, para começar a pós logo depois para poder me tornar uma historiadora. Assim que entrei na Central, sempre quis realizar uma viagem dimensional para conhecer e vivenciar com meus próprios olhos a descoberta de uma dessas dimensões. Entrei no curso para poder ser detetive também, fazendo outros minicursos diferentes para me especializar, e assim ter mais chances de ser selecionada a realizar uma viagem.
Chamo-me Niywa Hill e trabalho como auxiliar no setor de monitoramento do trabalho de campo da Central de Detetive em Londres, ou seja, no setor que monitora todas as viagens dimensionais. Bem, todos quando não estão fazendo outras coisas mais importantes, ficam aqui. Até alguns detetives que estão de licença e tudo mais. Então acho que poderia ser a próxima selecionada a ir à próxima viagem dimensional, hehe. Bom, posso estar sonhando demais...
Coloquei um sorriso de canto constrangido por estar querendo coisas impossíveis, e comecei a me arrumar, o relógio estava quase marcando 13h, a hora que costumo almoçar. Quando estou prestes a me levantar, ouço passos apressados sendo direcionadas ao meu setor, e pouco depois ouvisse ruídos baixos, indicando conversa. Os ruídos ficam mais fortes, e as palavras mais entendíveis. Estão com pressa, se aproximando cada vez mais rápido. O que está acontecendo?
—EXPLIQUEM-SE! EU QUERO EXPLICAÇÕES, AGORA MESMO!!! – uma voz familiar adentra o recinto com toda a sua fúria exaltada. Era o Diretor Geral, Elói Herket. Parecia estar soltando fogo pelas ventas de tão furioso que tava. – COMO NINGUÉM TEM NOTÍCIAS DO OLIVER? JÁ TEM DOIS MESES QUE O MANDAMOS AQUELA DIMENSÃO DA MURALHA E NADA DE NOTÍCIAS! ALGUÉM ME DÁ UMA EXPLICAÇÃO PLAUSÍVEL A ISSO, AGORA MESMO!
—SENHOR! Parece que perdemos sinal de transmissão com Oliver. Na última transmissão que tivemos com ele há um tempo, a única coisa que ele havia dito foi referente a uma guerra que estava por vir, onde os titãs e os humanos entrariam em um confronto onde o mundo jamais poderia prever como acabaria! Lembro-me que ele havia se alistado no exército local, provavelmente a partir daí começamos a ficar sem nenhuma notícia do mesmo, senhor! – Falava um dos representantes do meu setor, um colega de trabalho.
—AHHHHHHHHHGR – esbravejou – E SÓ AGORA QUE ME INFORMAM SOBRE ISSO?! VOCÊS SÃO MUITO IMPRESTÁVEIS! MERDA! – O diretor socava com ambas as mãos, concomitantemente, uma mesa próxima dele, que por sorte, estava vazia.
O homem era robusto, musculoso, grandalhão, para abranger um todo. Era estilo servente militar, se bem que... Ele já havia servido ao exército americano quando tinha lá seus vinte e poucos anos. Ele era um soldado experiente, e um tanto impaciente. Pela sua vida militar, ele ganhou a tão dita cuja “ignorância” militar, e sempre exigia tudo dos seus funcionários... Até quem comeu a última torrada na hora do café. E, como ele havia saído tem uma semana ao chamado urgente da agência de Desenvolvimento e Pesquisa, ele literalmente deixou o Centro a “Deus dará”. Lógico, tinha o chefe do departamento que deixava tudo em ordem, ele quase nunca deu a graça de sua presença por aqui, então ninguém reparou quando foi convocado e se ausentou.
—O QUE EU FAREI AGORA?! RESPONDAM-ME SEUS MOLENGAS! AHHHHHGRR! – esbravejou mais, para todos que se encontravam ali presentes.
—SENHOR! COM LICENÇA, SENHOR! Por que o senhor não envia outro detetive para descobrir o que aconteceu com Oliver, senhor? Além de conseguirmos novas informações, ainda podemos descobrir mais da nova dimensão e do que está acontecendo. – dizia outro colega de sala, que dessa vez se encontrava ao meu lado, também deve ter sido pego de surpresa antes de sair do almoço.
Eu não tinha muitas amizades, ali. Eram 20 pessoas que trabalhavam naquela parte da Central. O primeiro que dirigia a palavra ao diretor se chamava Gustav, e era um dos que menos trabalhavam no setor; o segundo, que estava ao lado de minha mesa, chamava-se Derek. Esse último era esforçado, e vez ou outra puxava assunto comigo. Era legal de conversar com ele, além de ser uma boa companhia na hora do almoço. Provavelmente estava parado perto para me chamar para o almoço.
—Hmmmmmmmm.. COMO SE EU JÁ NÃO TIVESSE PENSADO NISSO, IMBECIL!!! – O diretor ficou com tanta raiva, que acabou por fazer uma força para frente da mesa, erguendo-a e tombando-a com a força colocada. A sala ecoou por uns cinco minutos o barulho que a mesa fez ao ir de encontro ao chão gélido.
—Desculpe-me, senhor! – Falava Derek, cabisbaixa.
—AAAAAAGGRRRRR! O QUE FAREI? Todos os meus agentes de campo estão em missões, espalhados em diversas dimensões diferentes! Não tem ninguém para chamar para dar um jeito nisso! – Falava enquanto chutava a mesa a sua frente, tombada por conta do golpe anterior. Estou sentindo pena da mesa... ESPERA UM MINUTO!
—SENHOR! PROPONHO-ME A ASSUMIR UM LUGAR COMO DETETIVE E FAZER A RONDA NA DIMENSÃO, SENHOR! – Me levantei eufórica. Mal pensei em minhas atitudes, coloquei minha voz em alto e bom som para que todos ouvissem e chegassem até o nosso querido diretor-coronel que estava parado ainda em frente à mesa com o pé em um dos “pés da mesa” que havia derrubado. Ele me olhou, incrédulo.
—E QUEM VOCÊ PENSA SER, AUXILIAR? O QUE ACHA QUE TE DÁ O DIREITO DE SER UM DETETIVE? – ele me cerrava com olhos frios, gélidos. Colocando medo. Parou de torturar a mesa e começou vir em direção a minha mesa. Não deixava os olhos desviarem por um segundo dos meus e isso era aterrorizante! – Vamos! Diga-me quem é você OH tão corajosa auxiliar detetive! Dê-me argumentos plausíveis de que seria uma boa escolha de Detetive Dimensional para cumprir esta missão!
—Sim, senhor! Senhor, meu nome é Niywa Hill, e sou formada em História, fiz pós-graduação para que pudesse ser historiadora. Fiz vários cursos e mini cursos para que pudesse estar mais apta ao cargo de detetive aqui na Central. Fiz até um curso extra de jornalismo, para poder estar por dentro e informar todos daqui sobre os ocorridos. Fiquei mais de dois anos, Senhor, me preparando para conseguir fazer a tão assustada prova para detetive! Tenho aqui minha circular de inscrição! – mostro a ele a circular, para que pudesse acreditar em mim. – Tenho total certeza, senhor, que não te decepcionarei caso o senhor me permita realizar esta viagem!
—Permita-me dizer-lhe, mas o senhor não tem muitas opções no momento! Acho prudente de o senhor chama-la, será de uma grande importância para a investigação. Se ela se diz tão competente a esse ponto, acho que não é problema algum manda-la a uma investigação nesta dimensão. – interrompeu sua fiel secretária, era ela quem organizava toda a vida do diretor, de reuniões a saídas. O que corre pela Central, é que o diretor Elói não vive sem a sua secretária e, sem ela, ele não seria nada. Quem diria, não? Hehe
—Hmmm, Louise, você tem toda a razão! – falava ele pensativo, sua expressão mudava da água para o vinho quando sua secretária sugeriu, então, me mandar para a expedição. Sendo isso sua única escolha, caso quisesse ter informações de Oliver e da dimensão. – Pois bem, me encontre amanha de manha, no setor de desenvolvimento de protótipos para as explorações dimensionais. Passaremos todas as informações básicas que você precisará saber para a sua viagem, as informações que temos até agora, e tudo sobre a viagem em si. Esteja lá, pontualmente! Sem mas! – o homem, sem querer perder sua compostura, expressa sua intimidação como sempre fez. Não posso decepciona-lo amanha!
O dois que se encontravam próximos a minha mesa, em que o clima estava tão tenso que parecia que a pressão do ar toda estava a fazer uma tempestade dentro do recinto, deram meia volta e saíram da sala. Assim que ninguém mais ouviu os passos dos mesmos, relaxamos. Tudo fez meu coração acelerar, estava ansiosa para o dia que estava por vir!
Todos suspiravam aliviados quando o diretor e sua secretária saíram, eu logo relaxei, com minhas mãos em cima da mesa para me apoiar, pois meu equilíbrio tinha ido para o espaço! Levei uma mão ao peito e respirei profundo, meu coração estava acelerado, quase saiu pela garganta. Dei um leve sorriso de canto, nervosa, com medo, assustada e ansiosa. Todas as emoções juntas. Estava imersa em meus pensamentos. Em seguida, ouviam-se as conversas logo tomarem conta do recinto. Pessoas de um lado aliviadas, de outro me encaravam assustada, outros me olhavam com raiva e inveja, e outros, como Derek, me encararam com orgulho, assim que a tensão sumiu, veio me parabenizar.
—Olha só quem vai conseguir realizar a tão sonhada viagem dimensional! A grade auxiliar, Niywa! – riu, ao dar-me alguns toques, como tapinhas, amigáveis no ombro. Fez-me despertar na hora de meus pequenos devaneios.
—Haha, engraçadinho você, Derek! Por que –também não se manifestou, talvez fosse em meu lugar! Mas, nossa! Finalmente! Um grande sonho estar por se realizar! – falava com um brilho no olhar. Sentia-os brilhar intenso. Derek novamente notou meus devaneios, deu um pequeno sorriso de canto, e me tocou. Acordei.
—Vamos almoçar? Conversaremos mais sobre isso no almoço, que tal?!
—Tudo bem, vamos! – respondi com um sorriso, estava animada para com a missão e lógico, queria compartilhar com alguém.
Recompus-me e suspirei, aprontei-me, peguei minha carteira, identidade, um casaco, pois mesmo com o céu limpo do lado de fora, sempre havia rajadas de frente fria por vir. Ainda mais que estávamos em meados do outono.
Saímos do prédio, as folhas amarronzadas voando com o vento que tinham acabado de ser arrancadas de seus galhos secos. Como bem disse, um vento gélido cortou nosso rosto na hora, mas ainda sim, era agradável. Uma paisagem agradável juntamente com o sol e o vento. Era um dia bonito, e se tornou mais perfeito ainda com o reluzir do sorriso e da alegria estampadas em meu rosto.
Tomamos nosso caminho e nos dirigimos a um restaurante a dois quarteirões da central. Era onde sempre costumávamos comer, sossegados de toda aquela correria das famosas ruas de Londres, dos turistas tirando fotos no parque e dos ônibus e carros que passavam por ali. O restaurante ficava em uma avenida calma, quase que uma ruela, um beco. Alguns até pensariam se tratar do Beco Diagonal, citado no famoso livro de Joanne Rowling. Acho que ela deve mesmo ter se inspirado nele para cria-lo. Abafei o meu riso rouco ao pensar nisso.
Ao chegarmos, sentamos e pedimos nosso almoço. Eu decidi pedir algo leve para tentar acalmar-me, provavelmente algo pesado depois de toda a pressão que passamos agora com o diretor, iria me dar um mal estar daqueles, e eu não queria que nada estragasse meu dia. Já Derek, bem... Pediu um prato com o melhor da casa! Uma costela e uma picanha, tirando as guarnições.
Derek era alto, moreno, cabelo mediano que sempre prendia em um coque, ou repartia e metade prendia em um rabo de cavalo e o resto, deixava solto. Ele era bem vaidoso, e eu achava muito bonito homem que se cuidava, do jeito que ele fazia. Era magro, mas forte. Ninguém imaginaria que ele comia igual um touro! Haha
Acho que podia considera-lo um amigo. Sempre se importava comigo, conversava, saíamos para o bar ou para aproveitar uma boa noite juntos. Penso que posso muito bem contar com ele. Hehe
Depois de realizarmos nosso pedido, ficamos conversando um com o outro sobre como tinha sido o fim de semana. Ele dizia e exaltava a minha coragem de ter me oferecido, que depois que ele foi calado pelo diretor, ele se tremeu todo e nem se ofereceu, com medo de levar outra bronca. Cai na gargalhada com ele contando, e eu falando que não fora bem assim. Estava me cagando de medo, para ser sincera. O diretor era mesmo assustador e todos nós tínhamos medo dele, era cada coisa que ouvíamos dentro da Central que só de ouvir seu nome um frio na espinha percorria o corpo de todos.
O tempo passou. O almoço veio e logo, havíamos terminado. Pagamos, levantamos e nos direcionamos novamente à Central. O dia passou rápido e logo, já estava de saída, batendo o ponto e me encaminhando até minha casa. Mal podia esperar! Derek morava por perto, então caminhou até parte do caminho comigo, dizendo que me esperaria amanha cedo para voltarmos juntos até a Central. Ele iria fora do horário dele, mas gostaria de me fazer companhia nesse dia. Assenti. Despedi-me dele e nos separamos.
Chegando a minha residência, não pude conter meu grito de alegria! Estava muito feliz! Fui direto tomar um banho e preparar minhas coisas. Dei uma pausa para preparar o jantar e então, comer. Voltei a arrumar. Não podia levar muita coisa, duas mala de mão, simples, mas grande. Que coubesse uma toalha e roupas que eu pudesse lavar com certa facilidade. Coisas de higiene pessoal, simples, e discretas. Como não sabia exatamente como era a dimensão que eu iria, seria bom eu não chamar muita atenção. Terminei tudo, e agora... era só esperar pelo dia seguinte.
“O que será que me espera?” — Adormeci rapidamente perdida em meus pensamentos, ansiosa pelo dia seguinte.
CONTINUA...
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