Notas iniciais
Eu não quereria, se me fosse dada a escolha, ter chegado até aqui. A garota que fui não teria sido tão forte. Hoje, eu sei que meu caminho já estava traçado, e ninguém poderia ter me impedido. Nem mesmo eu.

Poucas flores florescem em tempestades.

Enquanto a maior parte das criaturas teme as Noites, em sua insaciável destruição, era apenas assim que minhas Flores, meu legado, cresceriam. Ao observar um instinto primal desenvolvido praticamente por todos os homens, como assim queriam os sábios, distanciei-me de praticamente todas as concepções que eu carregava anteriormente. Descobri, nesse tempo, que poucas Flores florescem sob a chuva – mas menos espécies ainda resistem a tempestades.

Ao devotar-me, destituí de todo e qualquer valor meu povo original, e isolei-me de ambas as civilizações que me aceitavam em ambas as épocas. Minha força de vontade excedia quaisquer limitações impostas pela catástrofe que, em tempos, se fortaleceria. Foi aí, então, que recuperei a consciência de Sabrak.

Poderia eu relembrar que, quando jovem, eu o considerava um prêmio, notado e composto por várias motivações carnais e emotivas. Dediquei um exagerado período de minha vida para conquistar tal prêmio. Hoje, com os conhecimentos que adquiri, e as maneiras que o utilizei – que me levaram a ser rejeitada, simultaneamente a minha falta de proximidade com os valores do povo – posso afirmar, contudo, que minha visão Sabrak mudou totalmente.

Hoje, eu apenas preciso contar minha história.

Depois de minha renúncia, meu convívio entre as fileiras da guerra se tornou comum. Sendo isso necessário para meus objetivos, eu articulei planos que jamais habitariam sonhos de muitos clérigos. Meus valores renasceram em carne, fogo e água. Mesmo assim, todas as manifestações de minha fé, estranhamente, permaneceram intocadas e quem sabe fortalecidas – acontecimento que eu, então, tomei como sinal de positividade.

Agora, já prontamente infiltrada nas fileiras – sim, nas fileiras – Yudeanas, prestes a cumprir o desejo moribundo de meu admirado Mestre que, com o tempo tornou-se meu próprio objetivo de vida, procuro não chamar a atenção. Mantendo minha forma inalteradamente como a terceira forma que eu já assumi, decido não destituir-me, sempre, de minha identidade principal. Eu oculto minha Sybille da vista das pessoas – ou criaturas, pois muitas ali coexistiam, reveladas ou não – mas deixo, finalmente, que meu apelido me persiga novamente. Hoje, sem nome mas portando uma identidade, deixo que os rumores de minha chegada chegue até os ouvidos da 5ª Companhia. Ele não me reconhecerá mais, e isso me incita a cumprir o pedido de “Orvalho Gelado” – pseudônimo do meu falecido Mestre – de uma maneira infelizmente infalível. Pois aqui, para ele, é apenas hoje que a minha chegada aconteceu.

A Flor do Deserto acabou de florescer novamente.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.