Time Well Spent
33 Trenó Sumidouro
Notas iniciais
P. O. V. Luna
Assim que o trenó iniciou sua descida, esqueci momentaneamente a discrição, agarrando a cintura de Peter aos primeiros sinais de instabilidade. O trenó deslizava mais rápido à medida em que a descida se tornava mais íngreme, fazendo com que eu me alarmasse
Esquadrilhei os rostos ao redor temendo pelos boatos que poderiam estar se formando. Quem diria, Luna Lovegood se importando com boatos? Certo, eu ainda não me importava com a fofoca em si, mas com o que ela podia causar. Me importava com Draco e não queria que informações alteradas chegassem aos seus ouvidos.
O trenó finalmente estacou e eu não me demorei um segundo em continuar sentada. Peter me encarou com curiosidade, como se eu fosse algo que ele jamais conseguiria entender.
–Acabei de lembrar que eu não gosto tanto assim de trenó. –Murmurei enquanto tirava alguns flocos de neve da minha roupa.
Ele franziu o cenho, ressentido.
–Sinto muito se fomos muito rápido. –Sua voz era gentil.
–Não, não foi sua culpa. –Eu mordi o lado interno das bochechas, um hábito nervoso. –Eu tenho medo de altura. –Menti dando de ombros.
Ele deu um sorriso torto, estendendo uma mão em minha direção. Quase dei um passo para trás, mas me mantive quieta com certa dificuldade enquanto seus dedos se enlaçavam no meu cabelo.
–Tem um floco preso aqui. –Ele puxou suavemente um ponto branco, os olhos escuros fincados aos meus.
–Ah, obrigada. –Murmurei sentindo o rosto corar.
Ele apenas estendeu o sorriso. Esquadrilhei mais uma vez os rostos ao nosso redor, focando apenas em um: Gina. A garota estava sorridente como uma criança na manhã de natal, nos encarando enquanto mantinha uma conversa com Harry.
Droga. Eu já até escutava o sermão dela sobre como o Peter era bem melhor que Draco, sobre como qualquer um era melhor que Draco. Revirei os olhos para o pensamento, começando a me afastar de Peter.
–Ei, você já vai? –O garoto perguntou.
–Hum, desculpa. Eu ‘estou me sentindo mal. –Coloquei uma mão na barriga forçando um sorriso triste. –A gente se fala por aí?
–Claro. –Ele parecia magoado, mas tentava encobrir com um falso semblante descontraído.
Comecei a me afastar, correndo para o Castelo.
XXX
P. O. V. Draco
Olhei para a tapeçaria de trasgos dançantes pelo que deveria ser a milésima vez naquele ano letivo, me preparando para entrar na Sala Precisa.
–Parece que todo mundo anda usando esse lugar bastante. –Severo falou, um tom orgulhoso alterando sua voz.
Suspirei anuindo com a cabeça.
–Vocês acham que nós alunos não conseguimos encontrar nada. –Soltei com um sorriso triste.
–Muito pelo contrário. –Snape ergueu um dedo, sorridente. –Acho que mantemos esses lugares como um teste à capacidade de pesquisa de vocês.
–Isso é bem digno de Dumbleodore. –Concordei. A simples menção de seu nome fez com que eu estremecesse e percebi Snape fazendo o mesmo.
Lá estávamos nós dois. Planejando o assassinato do maior bruxo da história.
Um grande portão se materializou na parede da Sala Precisa, negro e com o pé direito alto. Estendi a mão para alcançar a aldrava, tentando espantar os pensamentos de culpa da minha mente.
O ar morno e agradável da Sala nos envolveu, nos dando as boas-vindas. Observei a reação de Snape enquanto ele encarava sorridente o Armário Sumidouro, que ainda soltava fagulhas douradas.
–Seu plano é incrível, Malfoy.
Assenti com a cabeça, esboçando um sorriso.
–Demorei bastante tempo. –Sentei em um dos já conhecidos sofás de veludo vermelho, pegando um dos livros de conserto mágico.
Snape andava ao redor do armário a fim de encarar as fagulhas mais de perto.
–Você sabe exatamente onde o par deste está? –Ele apontou para o objeto.
–No escritório do Diretor. –Respondi distraidamente. –Não tenho as coordenadas exatas, mas está do lado daquela mesa de tranqueiras do Dumbleodore. –Brinquei.
–Muito bem.... Eu falei com o Antônio e ele está muito feliz em poder ajudar. –Snape sorriu, os dedos batucando sobre a madeira do Armário.
–Ótimo.
–Mas Draco.... Eu quero saber se você está totalmente comprometido com esse plano.
–Caro Snape, eu estaria comprometido com qualquer coisa que salvasse meu pescoço. –Revirei os olhos.
Ele deu um sorriso triste.
–Estou falando sobre a menina Lovegood. Não estava brincando quando disse que ela poderia ser uma distração.
Senti um arrepio com a menção à Luna. Tentei disfarçar com um suspiro de descaso.
–Eu acho que você cuidou para que ela fosse tirada do caminho, não é Snape? –Perguntei erguendo os olhos para encará-lo e me referindo à carta que ele enviara ao Potter.
Snape tentou disfarçar o sorriso satisfeito que cruzou seu semblante, constrangido.
–Ah, sim. Espero que entenda.
–Eu entendo, Professor. Tem coisas mais importantes no momento. –Eu estivera folheando o livro “Conserto de Objetos Mágicos para Leigos” quando o marquei com um dedo para estendê-lo a Snape. –Talvez encontre algo útil aqui.
Batidas se propagaram repentinamente pela Sala Precisa. Merlin, tinha alguém na porta.
Encarei o professor, alarmado. Ele apenas fechou os olhos e se pôs quieto.
–Sabemos que estão aí, seus ratos!
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