Time Well Spent

27 Severo Snape


Notas iniciais
Me desculpem pela demora, nos vemos lá embaixo

O coração de Draco parecia prestes a quebrar suas costelas, espremido pela adrenalina da situação. Luna parecia ter fechado a porta novamente e anunciava um feitiço em voz baixa, em seguida repetindo, com a voz levemente abafada.

–O que... –Draco começou a perguntar, mas então uma gigante bola de ar, semelhante a uma usada no Torneio Tribuxo, abafou a voz dele idem e o fez perder parte do equilíbrio.

Luna pareceu puxar novamente a porta e conjurou luz na ponta da varinha. O ponto de luminosidade fraquejava, aos poucos sendo distorcido por uma substância gasosa branca que espairecia no ar entre eles.

–Que diabos é isso? –Draco franziu o cenho, se aproximando da garota, que já se esgueirava silenciosamente, também com uma bolha na cabeça, pelo portal do quarto de Snape.

–Eu usei algumas Octusempras Hortalefes. Roubei do laboratório de Herbologia, elas fazem as pessoas...

–Desmaiarem. –O garoto completou, subitamente se recordando de uma ocasião em que a Prof.ª Sprout havia lhes apresentado a tal planta.

–Alguém andou estudando. –Uma nota de empolgação brincou na voz de Luna. –Sim, pareceu muito útil na hora. Eu recolhi algumas hoje de tarde, para mostrar pra Armada. Mas uma ocasião mais importante apareceu e eu só tive que colocar um pouco dessa solução –Ela indicou um frasco de vidro vazio na sua mão –...na planta e jogá-la lá dentro. Já deve ter feito o efeito agora.

A luz bruxuleava, banhando o quarto em uma claridade fraca e oscilatória que se distorcia na fumaça branca. Numa cama alta de casal, o Prof. Snape repousava, um braço pendendo para fora do colchão, usando pijamas azuis e um gorro preto.

Draco viu um espelho de moldura dourada e seu próprio reflexo o fitou, assombrado e desgrenhado. Tratou imediatamente de repor sua expressão determinada, tentando parecer firme.

–O que procuramos, exatamente?

–Nada em especial. Qualquer coisa pode ser importante. –Luna pegou um pedaço de pergaminho dentro de uma gaveta da cabeceira de Snape.

Draco acenou em concordância, sentindo um suor frio escorrer na nuca. Abriu as portas do guarda-roupas, tirando todas as caixas de sapato, que acolhiam provas de alunos, exercícios, etc. Foi quando ele abriu uma das últimas caixas, que parecia momentaneamente vazia, o fundo negro como a escuridão que ainda lhes parecia tão próxima.

Era o tecido preto e lustroso que era tão familiar aos olhos do Malfoy. Quando tocou, já sabia que notaria as vestes de seda lhe deslizando pelas mãos, sentindo o mesmo medo e o mesmo poder que havia sentido ao tocar uma veste semelhante àquela pela primeira vez.

Sentiu uma pontada de desespero lhe invadir assim que ouviu a voz suave de Luna:

–Conseguiu algo importante?

–Não, não. –Continuou a passar as mãos pelas vestes, seu motivo de medo e vergonha tão materializado quanto seria possível naquele maldito pedaço de tecido.

–Ok. Eu acho que logo o efeito pode passar e eu recolhi alguns pedaços de pergaminho. Isso vai ter que servir por algum tempo. –A voz de Luna era controlada, calma.

Foi quando Malfoy sentiu um objeto circular fino e comprido, gélido ao se comprimir aos poucos contra suas mãos.

–Já vou. –Anunciou, guardando as caixas, mas mantendo o objeto, que apenas emanava um brilho prateado na luz oscilante. Mesmo que talvez não fosse importante, ele não queria sair com as mãos desocupadas.

–Rápido. –Pediu Luna.

Os dois saíram do quarto de Snape, as bolhas de ar estourando alguns segundos depois.

–Agora você vai pro dormitório. Eu acho que é melhor eu levar as suas provas também, porque se Snape procurar, será mais difícil me achar na outra Casa... –Lovegood continuou falando, meio ofegante.

–E é por isso que você é da Corvinal. –Draco se inclinou para entrega-la o que agora identificava como um porta-retratos. –Eu não sei se é útil, mas foi o que consegui.

–Obrigada. –Luna sorriu, orgulhosa e apanhando o objeto.

Ela o enfiou no bolso interno do casaco que usava e puxou Draco para si pela gola do casaco, ainda iluminados pela luz das varinhas.

–Você é incrível. –Malfoy murmurou, um sorriso atravessando suas feições quando ela o beijou.

–Boa-noite. –Ela o soltou para respirar e deu uma piscadela antes de se virar.

–*-

Luna havia passado a noite na Sala Comunal da Corvinal, a luz da lareira bruxuleando e jogando sua claridade amarela sobre ela e os móveis. A garota havia espalhado suas provas pelo carpete da Sala e as estudava separada e demoradamente. Havia pego pelo menos três trabalhos de alunos de Poções, mas quando chegou no quarto pergaminho, finalmente achou algo relevante.

Era uma carta, ela observou, amassada e que não havia sido enviada. Ela se estendia por toda uma página, a caligrafia apertada e pequena de Snape adornando o pergaminho:

Querida L.,

Eu sinto muito. Por tudo. Sinceramente não tenho palavras para expressar o quanto eu me odeio desde aquele maldito dia infernal. Eu não consigo me encarar sem enxergar o monstro no qual me tornei sem você. Dizem que os amores de infância são os mais sinceros e irracionais.

Mas o meu era racional. Qualquer um que se apaixonasse por você é racional. Você era a pessoa mais adorável, incrível e sensata do mundo e, por Merlin, se pudesse, eu trataria de fazer cada um de seus dias nesse mundo miserável e traiçoeiro serem felizes. Porque, se existia alguém que merecia a felicidade, essa pessoa era você, L.

Se eu pudesse ouvir a nota de um sorriso na sua voz de novo, se pudéssemos fazer uma última brincadeira e eu pudesse te impressionar novamente com um truque qualquer de mágica, Merlin, eu daria tudo o que tenho (não que seja muita coisa, é verdade. Nada que valha isso tudo) por um segundo disso. Porque essa é a minha felicidade. E eu desejaria morrer logo em seguida, porque não suportaria morrer sabendo que conheci essa felicidade e a perdi tão estupidamente.

E o seu garoto, ele está bem. Ele tem seus olhos, L. Eu não aguento olhá-los porque sou sugado por uma ciência feroz de que você ainda está bem e viva naqueles olhos, quando na verdade não está. Você não está –E aqui a letra de Snape oscilava, se transformava em apenas rabiscos até aos poucos se tornar ilegível-, não está, não está, n ão es tá ...

Notas finais
Espero que tenham gostado e nos vejamos nos reviews, por favooor!