Time Well Spent
35 Retorno
Notas iniciais
P. O. V. Luna
A noite já havia caído, tingindo o céu cinzento de um negro esfumaçado e coberto por nuvens. O dormitório feminino da Corvinal estava apinhado de garotas e eu me preparei para tomar um banho, ainda com os devaneios perturbadores de mais cedo...
Eu não posso virar as costas para a Armada de Dumbleodore. Céus, nós já havíamos passado por tanta coisa!
E quem sou eu para resolver apoiar o Você-Sabe-Quem? Sentia náuseas só de me imaginar condenando trouxas e acusando bruxos à torto e direito de serem sangue-ruins...
Me despi no banheiro e preparei a banheira, permitindo que uma fumaça quente de vapor se dispersasse pelo cômodo apertado. O espelho do banheiro começou a ficar embaçado quase que imediatamente e eu o rabisquei com o dedo tentando me concentrar em outra coisa senão minha culpa por ser “a péssima amiga do ano”.
Quando a superfície da água se tornou morna e o espelho já não me distraia, finalmente me rendi à tranquilidade e ao conforto de um bom banho quente.
Pensava em Draco. Por Merlin, como eu podia sentir tanto por um garoto que mal conhecia? A carta dele ainda estava no fundo do malão porque eu não conseguira queimá-la, mesmo só precisando enunciar um feitiço simples. “Não se esqueça de que você é minha”, a última linha enunciava e eu quase podia ouvir a voz confiante de Malfoy por trás de cada sílaba.
Os dias sem Draco se arrastavam como uma eternidade. Ele falou que partiria na segunda, mas eu não o vira durante todo o domingo e agora já era a madrugada de terça-feira, sem notícias. O Prof. Snape foi substituído por algum professor aleatório durante as aulas de Defesa Contra as Artes das Trevas, o que me levou a pensar que o plano já estivesse sendo realizado. Eu ainda comparecia às reuniões da AD, a última sendo marcada por uma palestra feita por Harry sobre como deveríamos tomar cuidado com em quem confiamos nesse “período difícil” e eu pude jurar que seus olhos se colaram aos meus pelo menos umas vinte vezes.
Saí da banheira decidida, apanhando a toalha carmim que estava próxima e a enrolando no meu corpo rapidamente. Senti frio por ainda estar molhada ao entrar no dormitório, mas tentei ignorar o fato enquanto me direcionava à cama, fechando as cortinas para poder me vestir. Me livrei da toalha, espremendo o corpo dentro de um suéter rosa e de um short de dormir. Geralmente não usava roupas assim para sair, mas o que eu tinha que fazer não exigia nenhum traje trabalhado. Apenas prendi o cabelo em um rabo-de-cavalo alto e apanhei uma pena e um pergaminho, tentando fazer tudo rápido antes de perder a coragem.
Fui até a Sala Comunal, onde algumas pessoas estudavam em grupos. Cho Chang e Ernesto acenaram para mim quando me viram, uma alegria despreocupada nos rostos. Tentei parecer descontraída ao responder o cumprimento, mas todos os meus músculos estavam rígidos enquanto eu me dirigia para fora da Sala.
Atravessei os corredores com uma ansiedade crescente no peito e agradeci aos céus pelos quadros já estarem dormindo, afinal não aguentaria sustentar uma conversa amigável com os bruxos ali representados. Desci as escadarias até estar longe da torre, em um dos últimos andares da Escola. Encarei a tapeçaria já conhecida de trasgos dançantes, me concentrando na Sala Precisa e naquilo que desejava, ou seja, uma mesa e algum tempo distante de tudo.
O portão finalmente se materializou e eu senti um sorriso aflorando nos cantos dos lábios com aquela visão, me adiantando para a aldrava.
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P. O. V. Draco
–O que você acha? –Snape perguntou em um tom displicente.
Estávamos em um salão largo e luxuoso. Lustres de cristal pendiam do teto em uma dança lenta regida pelo vento, o qual movia também as longas cortinas brancas. Antônio Dolohov podia ser muita coisa, mas não era nada humilde. Sua casa espelhava apenas a grandeza que o mesmo achava ter, em cada objeto ornamentado e valioso.
–Acho que conserto isso em uma semana. –Dolohov falou, dando de ombros. –É um caso simples. O menino Malfoy deveria ter me procurado antes, se é isso tudo o que falta para o plano ser realizado.
Senti a frustração me invadindo como um sopro, lutando para manter-me calado. O homem não prestava atenção em minha reação, parecendo muito envolvido com o mecanismo do Armário Sumidouro.
–Voltamos então neste intervalo? –O professor se ergueu da poltrona de couro negro onde se sentava, andando até o outro Comensal.
–Claro, claro. Não querem passar a noite por aqui?
–Não, temo que já notaram o meu sumiço da Escola e talvez os pais de Draco tenham recebido advertências sobre a ausência do filho. Acho que tudo será melhor quanto mais cedo retornamos.
–Vão usar uma das passagens secretas?
–Sim, do porão da Dedos de Mel.
–Tenham cuidado para não serem pegos. –Preveniu Dolohov com um semblante severo.
–É claro. –Respondi duramente enquanto também me erguia, pronto para abandonar aquela casa.
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Chegamos ao castelo em um estado deplorável. Eu sentia minha cabeça latejar em uma enxaqueca tremenda e o suor havia banhado minhas vestes em vários pontos, Snape não menos imundo com os cabelos ensebados mais molhados que nunca.
Saímos atrás de uma das esculturas em um corredor vazio, os quadros silenciosos ao nosso redor sendo a única coisa que se movia.
Snape me instruíra para que eu fosse até a Sala Comunal primeiro e ele esperaria uns vinte minutos para fazer o mesmo. Assim o fiz, cambaleando de modo sonolento e sôfrego, a exaustão me transformando em um zumbi maltrapilho.
Foi quando ouvi o tilintar de um riso conhecido à minha direita, em um corredor perpendicular. Mádi gargalhava e soltava algumas exclamações, sua voz seguida por outra mais baixa e masculina. Tentei mudar de rota ao perceber a aproximação do som, mas não havia nenhuma outra opção senão retornar até a velha escultura, onde Snape ainda esperava. Dei de ombros frustrado, continuando a caminhar até que Mádi se materializasse na primeira curva, as mãos dadas com um garoto alto e de cabelos loiros, Zacarias Smith. Ao encontrar meu olhar, a garota maquinalmente desprendeu-se do outro, um sorriso tímido no rosto delicado.
–Draco! –Ela soltou um gritinho meigo, se adiantando para plantar um beijo em minha bochecha. –Senti sua falta enquanto esteve fora.
–Ah, sim. Eu pude perceber isso. –Estreitei os olhos, fazendo meu melhor para parecer furioso.
A verdade era que eu não ligava para Mádi, mas a escola inteira achava que estávamos namorando. Finalmente, fiquei frustrado pela fama que aquilo podia me render, sendo traído por um qualquer como Smith, um dos admiradores de Potter.
Ela sorriu, os dentes brancos iluminados pelas tochas dispostas no corredor enquanto ela enlaçava meu pescoço com os braços.
–Está com ciúmes, Malfoy? –Ela ronronou baixo, a voz suave.
Zacarias encarava tudo nauseado, o sorriso de segundos atrás sendo substituído por uma carranca de desaprovação. Ele deveria compartilhar meu pensamento: Mádi era uma completa vadia.
Me desprendi do aperto da garota, subitamente com repulsa.
–Vá a merda, Mádi. Eu não tenho nada com você. –Revirei os olhos me afastando, pronto para seguir o caminho até a Sonserina.
–Não foi o que pareceu no Baile da escola. –A voz infantil da garota se propagou, alta, pelo corredor.
–Foi algo de uma noite. Igual isso daí. –Indiquei Zacarias com a mão.
–Draco, você vai se arrepender. –Ela subitamente ficou séria, a voz inexpressiva.
A encarei por alguns segundos, o semblante da garota subitamente ameaçador. Os cabelos loiros e longos estavam em um coque bagunçado e ela sustentava um olhar desafiador e sensual, o rosto levemente tombado.
–A única coisa da qual me arrependo é de sujar meu nome com você, Mádi.
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