Time Well Spent
37 Reencontro
Notas iniciais
P.O.V Luna
“Luna, é você?”
Fiquei em um silêncio inquietante, engolindo o choro como uma criança de cinco anos faria.
–Ei, pode falar. –A voz era mansa, acalentadora.
Finalmente, alguém ligou um abajur próximo à minha cama. A luz repentina me deixou tonta, mas me mantive impassível em frente à garota que me encarava: Cho. Seu rosto calmo me analisava demoradamente, um sorriso amigável nos lábios.
–Eu não quero falar. –Respondi, seca.
A garota pareceu não se abalar, estendendo uma mão para tocar meu ombro.
–Sei disso. Bem, eu não tenho ideia do que você está passando, mas estou aqui caso precise.
Dei um sorriso triste diante disso, brincando com os lençóis ao meu redor.
–Obrigada mesmo. Desculpa por te acordar com meu choro... –Sussurrei.
–Não liga para isso. Eu já ‘tava acordada. –Ela deu de ombros.
Foi quando tive a ideia: A carta! Cho entenderia, é claro que entenderia! Procurei pelo envelope no meu short, fazendo um sinal para que a garota esperasse.
–Só um segundo... –Disse enquanto tirava a carta do bolso. –Bem, eu preciso de um favor.
Cho franziu o cenho, mas manteve o sorriso.
–Claro. O que foi, Luna?
Suspirei, reunindo a coragem que me restara. Minha mão tremia, balançando o envelope violentamente enquanto eu mostrava a carta para a garota.
–Preciso que entregue isso ao Harry. É que... eu não posso mais fazer parte da Armada de Dumbleodore.
–Por que? –Cho ergueu uma sobrancelha, confusa.
Comprimi os lábios enquanto flexionava os dedos ao redor da carta.
–Eu não tenho cabeça para isso... não consigo parar de pensar na última missão, no tio do Harry morrendo... é tudo demais para mim. –Gesticulei dramaticamente.
Como eu conseguia mentir assim? Senti a cabeça esquentar com a culpa, mas sabia que aquela era minha única opção.
Cho pareceu ter compaixão, sorrindo de leve e concordando com a cabeça.
–Hum, entendi. Tudo bem, você deveria falar antes se não está confortável com isso. Eu sei que é difícil. –Ela tomou a carta de minhas mãos, analisando o envelope bege. –Não se sinta mal, Luna. Eu vou conversar com o Harry, ele não vai te odiar ou algo assim. –Ela revirou os olhos.
Tudo o que pude fazer era desejar com todas as forças que as palavras de Cho se concretizassem enquanto murmurava um “Boa noite e obrigada”.
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A mesa da Corvinal já estava apinhada de alunos às sete da manhã. Eu me servia de algumas panquecas, derramando a calda enquanto monitorava o portal do Salão Comunal.
–Ei! Você vai molhar a mesa toda! –Ouvi uma voz rouca e conhecida.
Me virei para encarar o tampo da mesa, um pouco suja com a calda que eu despejava. Franzi o cenho, me amaldiçoando mentalmente por ser tão distraída... Malfoy ainda não aparecera no Salão e eu estava ficando meio neurótica.
Peter, quem me avisara sobre a calda, sorriu enquanto abaixava minha mão com a jarra.
–Você está voando. –Ele observou.
–É... Sei lá. –Dei de ombros com um sorriso fraco.
O novato riu, apanhando um pedaço do pão que estava na minha frente.
–Você vai precisar de ajuda para acabar com toda essa calda. –Ele mergulhou o pão no líquido gosmento que cobria meu prato.
Ele deu uma mordida, disfarçando uma careta em seguida.
–Ah, não deve estar tão ruim assim! –Eu ri, estendendo a mão para dar uma mordida no sanduíche.
–Boa sorte. –Ele expandiu o sorriso enquanto eu mordia a borda do pão.
O gosto estranho invadiu minha língua de imediato, uma mistura bizarra de salgado e doce. Tentei manter o rosto impassível, mas Peter gargalhou alto assim que viu minha expressão.
–Tá gostoso? –Ele brincou.
–Esplêndido. –Beijei a borda dos meus dedos enquanto ria.
Olhei o portal do Salão de relance, algo que se tornara meio que um hábito nervoso meu. Meus lábios esboçaram um sorriso automático e minha atenção foi tragada por aquele rosto pálido e aparentemente exausto: Draco. Os olhos cinzentos não tardaram em percorrer a mesa da Corvinal, cravando-se fielmente aos meus. Ao fazê-lo, um sorriso torto tomou suas feições discretamente enquanto ele desviava o olhar e fazia um sinal com a mão para que eu o seguisse.
Me ergui da mesa calmamente, sendo surpreendida por um olhar curioso de Peter.
–Não vai comer? –O novato apontou para as panquecas.
–Ah, não. Eu tô me sentindo mal depois de tanta calda. –Dei um sorriso amarelo.
Ele riu assentindo com a cabeça.
–Certo. Te vejo por aí, Luna.
–Sim, sim. –Acenei enquanto me afastava da mesa.
Draco já tinha voltado pelo portal, desaparecendo do meu campo de visão. Senti o estômago afundar com a ansiedade enquanto me movia em passos nervosos, finalmente alcançando um corredor quase vazio. O sonserino estava estirado sobre a parede direita, me esperando para fazer uma curva em seguida. Um sorriso brincava em seus lábios, o dando um ar pretensioso que o caia tão bem quanto o moletom cinza que usava. O segui pelo próximo corredor até que ele finalmente entrou em uma das salas vazias.
–Por aqui. –Chamou em um sussurro.
Merlin, como sentira falta de sua voz arrastada. Fechei os olhos por alguns segundos enquanto me guiava até a sala, um sorriso infantil tomando meus lábios.
Draco estava sentado no chão, as costas apoiadas em uma parede branca. Estendeu o sorriso quando me viu, analisando alegremente meu rosto.
–Senti saudades. –Murmurou, estendendo uma mão para agarrar a minha enquanto me sentava ao seu lado.
–Também senti. –Entrelacei nossos dedos.
Draco ergueu meu queixo para que eu o encarasse, a expressão repentinamente séria. Seus olhos cinzentos estavam tão cravados à minha boca que eu ofeguei, frustrada com a distância que ainda nos separava. Ele riu enquanto abaixava o rosto, os lábios macios encontrando os meus. Eu sorri por trás do beijo, prendendo minha mão livre nos cabelos do garoto.
–Fica aqui pra sempre. –Ele pediu, o tom suplicante.
Apertei sua mão com mais força, abrindo os olhos e dando um sorriso fraco.
–Eu queria. -Murmurei.
Draco suspirou, afagando minha nuca e baixando os olhos para o chão.
–Eu te amo, Luna Lovegood. E eu não sei como lidar com isso.
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