Time Well Spent
19 Pegos
Notas iniciais
O queixo de Draco despencou automaticamente e ele arregalou os olhos, afastando um pouco o rosto para me encarar antes de erguer uma mão.
A pele macia de sua palma roçou em meu queixo, o erguendo. Senti seu hálito quente no rosto antes que seus lábios se colassem aos meus e uma de suas mãos puxasse minha cintura para cima. Sentia o corpo de Malfoy como uma extensão do meu próprio enquanto ele me prensava na parede, entrelaçando nossos dedos e roçando os lábios em meu pescoço, na base de meu maxilar.
–Pelas barbas de Merlin! –Uma voz rouca cortou o ar. No portal da Torre, com um lampião trêmulo, Severo Snape observava a tudo com o lábio crispado.
Empurrei o peito de Draco automaticamente e tentei recolocar meu gorro no lugar com uma das mãos, sentindo o rosto esquentar completamente. Malfoy, por outro lado, parecia apenas aborrecido.
–Professor Snape... –Murmurou.
–Malfoy e Lovegood, já para as camas. –Severo sibilou, a voz gélida.
–Sim, senhor. –Falamos em uníssono e nos esprememos pelo portal, cambaleando e escutando o suspiro de Snape em nossas costas.
–E Sr. Malfoy... –Ele falou.
Senti um frio percorrer a espinha e a sensação de alívio me deixar subitamente.
–Sim? –A voz de Draco era inexpressiva.
–Pensei que deveria estar se preocupando com outras coisas no momento. –Snape falou, flexionando os longos dedos brancos.
A vida parecia ter sido sugada de Draco. Suas feições enrijeceram e o maxilar travou. Olhei para ele com atenção, tentando exigir alguma resposta, mas parecia decidido a ignorar minhas tentativas e fixar apenas Severo.
Finalmente ele se virou, segurando minha mão e me puxando escadas abaixo. Quando estávamos na quarta curva e achei que já era seguro falar sem que Snape pudesse escutar, apertei mais sua mão tentando chamar sua atenção.
–O que foi aquilo? –Perguntei.
Malfoy havia passado todo o percurso em silêncio e não era bem o que eu esperava depois de fazermos as pazes. O clima entre nós havia se adensado e, mesmo que nossos dedos estivessem entrelaçados e que não estivéssemos a mais de poucos centímetros de distância, um enorme abismo parecia ter sido cavado entre nós dois.
Ele limpou a garganta antes de falar:
–Eu tenho algumas coisas pra resolver com o Snape e... –Tossiu alto. –Com o Dumbleodore.
O encaro sem entender. Draco suspira soltando minha mão e passando o braço ao redor de meus ombros.
–Não se preocupe. Eu estou bem. –Ele forçou um sorriso. –Estou com você, certo? Agora vamos te deixar na Sala Comunal...
Concordei com a cabeça, pouco convencida. Devo ter deixado minha insegurança transparecer, porque Draco me parou para encarar meu rosto.
–Luna, estou te implorando para que não se faça grande caso disso. É só Snape com seu drama todo... –Ele se inclinou para colar os lábios aos meus por um breve segundo. Não importa quantas vezes façamos isso, eu sempre perderia o ar.
–Malfoy, se você decidir me afastar, eu nunca vou olhar na sua cara. –Murmuro.
Ele sorriu, verdadeiramente. Faltava pouco para que ele gargalhasse quando finalmente sussurrou em resposta:
–Como se eu pudesse abrir mão da única coisa que me fez sorrir de verdade em um ano.
Abri um sorriso fraquinho e ele voltou a me puxar pelos corredores. Os retratos nos quadros dormiam, como se era de esperar àquela altura da noite, e eu e Malfoy tomávamos cuidado para que não fôssemos ouvidos. Ele me deixou na soleira da Sala Comunal da Corvinal, me dando um beijo na testa.
–Boa noite. –Sussurrou. –Te explico tudo o que tem que saber amanhã.
Suspirei. Era pedir muito que as coisas ficassem apenas daquele jeito: Sem complicações? Ao menos por um dia?
–Certo. Senti sua falta, Malfoy. –Murmurei, com uma mão na porta de entrada.
Draco pareceu ter sido pego de surpresa antes de sorrir torto e desaparecer pela penumbra dos corredores.
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