Notas iniciais
Espero que gostem *u* E, principalmente, não me matem! Até as notas finais!

P. O. V. Luna

–O que você tem de fazer? –Sussurro.

Podíamos ouvir nossa respiração ofegante. Toda aquela discussão era demais e minhas pernas tremiam de nervosismo, o que fez Draco aprumar melhor a manta sobre elas. Ele me aproximou com o braço que se prendia ao meu ombro e me envolveu completamente com o outro. Enterrei a cabeça em seu peito quente e me deixei inebriar pelo cheiro familiar que ele emanava, uma mistura de canela com algo mais másculo e forte, e assim permanecemos por algum tempo.

–Você não tem que me contar agora... –Continuo, tentando convencer a mim mesma de que ele ainda está ali.

Sinto sua respiração morna em minha cabeça quando suspira.

–É sério. Podemos fingir, só por hoje, que somos um casal normal. –Sussurro, erguendo os olhos para ele. Vejo apenas a parte debaixo de seu queixo, que mira para o lago.

–Eu sou louco por você, Luna Lovegood. –Ouço um sorriso por trás da voz de Draco após algum tempo e me ergo mais de meu casulo, tentando livrar minha cabeça de seus braços quentes. Ele parece entender minhas intenções e abaixa o rosto para que fiquemos cara-a-cara, seus braços ainda me envolvendo.

Os olhos enevoados de Draco se demoram por um segundo nos meus antes de se focarem em minha boca. Coloco uma das minhas mãos espalmada contra seu pescoço e sinto sua pele tremer suavemente ao receber o contato. Ele dá um sorriso torto, mordendo o lábio inferior momentos antes de me beijar. Nunca me acostumarei com os lábios frios de Draco, com suas mãos entrelaçando nossos dedos... Solto um arfar quando ele se afasta para beijar meu pescoço. Tenho de me apoiar no tronco da árvore ao nosso lado para que não acabe me desequilibrando e Draco retorna aos meus lábios, mais feroz do que nunca, como se tentasse anular qualquer distância que ainda havia entre nós. Passeio minhas mãos por suas costas, traçando os contornos de seus músculos sob o tecido de seu suéter, sentindo os calafrios dele a cada toque mais brusco. Entrelaço meus dedos em seus cabelos macios e ele joga a manta para longe, puxando minha cintura para si...

–Estou apaixonada por você, Draco Malfoy. –Murmuro ofegante. –Completamente. –Continuo, aproximando minha boca de seu ouvido.

Ele se afasta lentamente, sem tirar os olhos de mim.

P. O. V. Draco

O rosto de Luna está corado com o rubor que o invade, mas não acho que ela esteja realmente envergonhada ou algo assim. Seus cabelos loiros e longos estão bagunçados, os olhos como duas piscinas azuis, arregalados.

Sua mão ainda está presa aos meus cabelos e ela parece um pouco indecisa em quanto a se afastar ou não.

–Não, fica assim... –Sussurro. –Quero que esteja assim quando eu... –Pigarreio alto, desviando os olhos para o chão.

–Me falar sobre aquilo? –Luna murmura e eu concordo.

Acho que, se não fosse por ela, eu já teria desistido de confessar tudo. Provavelmente inventaria alguma coisa para amenizar ou tiraria as piores partes da minha missão, digo, a pior parte.

Limpo a garganta antes de falar:

–Eu sou um Comensal da Morte. –Anuncio, tentando parecer casual.

A mão de Luna desliza do meu cabelo até meu ombro, como se estivesse pasma demais para sustentá-la. Porém, seu rosto está sem expressão quando concorda calmamente com minha afirmação.

–Eu sei.

–Mas comensais têm missões para o Lorde. –Minha voz vai morrendo aos poucos. O medo faz com que meu estômago pareça afundar. –Digamos que a minha missão... Seja levemente suicida. –Solto um riso sem humor.

Luna franze o cenho.

–Malfoy, o que isso quer dizer? –Sua voz trêmula finalmente transparece alguma emoção.

–Quer dizer que eu vou morrer, de qualquer jeito, no fim. –A encaro, um sorriso amargo estampando meu rosto.

Luna parece ter visto uma assombração: Seus olhos estão arregalados sob sobrancelhas arqueadas, os lábios levemente entreabertos e uma das mãos, que automaticamente se ergueu de meu ombro, passeando sobre seu rosto em um gesto de desespero.

–O que diabos você tem que fazer? –Sua voz é agora alta e exigente.

Eu a encaro dentro dos olhos imensos e azuis, tentando prever sua reação às minhas próximas palavras. Simplesmente não consigo e, quando falo, minha voz é despida de qualquer ânimo:

–Matar Dumbleodore. –Não consigo ver sua expressão porque meus olhos estão embaçados, mas sinto seus punhos pequenos e fracos em meu peito após alguns segundos, me afastando.

Ela havia se levantado e eu conseguia ver os contornos de seu corpo se movendo em círculos sob a árvore.

–Você não vai fazer isso... –Sua voz está tão trêmula que é claro que ela está chorando.

–Luna...

–Draco, me prometa que não vai fazer isso! –Ela quase grita.

Reprimo as lágrimas que fazem meus olhos arderem até que minha visão esteja limpa o bastante para poder encará-la.

Os olhos enormes de Luna estão vermelhos, rastros úmidos em sua face brilhando sob a Lua. Fico tão entorpecido quanto ficaria se tivesse recebido um murro e me arrependo imediatamente de tê-la contado qualquer coisa.

–Eu não posso. –Murmuro- Não posso te prometer nada. –Minha voz se transforma em um gemido.

E, repentinamente, estou chorando e soluçando. Na frente da única pessoa para a qual eu queria parecer forte.

Notas finais
E aí? Corações na mão? Não me matem e até! Revieews