Time Well Spent
20 Capítulo "Voltei"
Notas iniciais
P. O. V. Luna
Acordei na manhã seguinte sob dois cobertores. Depois de me despedir de Draco na noite anterior, eu havia sido pega por “suor-de-frio”, uma doença que faz com que você sinta muito frio, embora seu corpo esteja muito quente. Os outros alunos por aqui chamam de “lebre”, ou algo assim.
Na verdade, fui acordada por uma discussão.
–Você deve estar ficando doida. –Resmungou uma voz aguda. Suspirei, rolando na cama e sentindo a textura de minha manta vermelha enquanto reunia coragem para me erguer.
–Não! Eu juro! –Ouvi a voz de Cho Chang e franzi o cenho. Cho não fazia o gênero que se metia em discussões acirradas no dormitório, mas para tudo existe a primeira vez.
–Bom dia. –Falei, surpreendendo as duas garotas que estavam paradas em frente à minha cama. Mádi estava com os braços incrivelmente finos e brancos cruzados em frente ao peito e os cabelos loiros presos em um rabo-de-cavalo alto. Cho parecia ter acordado recentemente, ainda usando um pijama de flanela e com os cabelos lisos escorrendo pelos ombros, que estavam enrijecidos em algum tipo de defesa.
–Dia. –Cho falou, mas pareceu um pouco rude. Ela deve ter percebido, pois emendou em seguida: -Desculpa por termos te acordado.
–Não é nada. –Respondo, me enrolando na manta e me erguendo. Em pé, ainda tenho de olhar para cima se quero falar cara-a-cara com Mádi. –O que estão discutindo?
–Cho acha que ouviu o Draco ontem à noite. –Ela falou, tombando a cabeça para o lado e jogando o cabelo por cima do ombro.
Sinto minha garganta fechar com a crescente sensação de pânico. Uma bolsa de gás parece se expandir contra minhas costelas, arrancando meu ar. Felizmente, ninguém está preocupado com minha reação: Mádi ainda está com os olhos cravados em Cho, mas isso não diminui a determinação dela.
–Eu não “acho” que ouvi. Eu ouvi. –Ela retrucou, franzindo o cenho. –E ele estava falando com alguém, mas a pessoa falava realmente baixo... Talvez fosse uma garota. –Ela ergueu uma sobrancelha negra e desenhada.
Senti aquelas palavras como uma pancada no estômago, mas disfarço com um bocejo. Não sei exatamente se devo ficar aliviada por não ter sido pega ou desesperada com a possibilidade de que alguém ainda desconfie de meu “lance” com Draco.
–Eu tenho certeza que escutei aquela voz ridícula e arrastada. –Cho continuou, franzindo os lábios com desprezo.
–Deve ter no máximo sonhado com ele. Até parece que você o acha mesmo ridículo. –Mádi a encarou desafiadoramente. Cho corou de modo imediato e correu até a porta, marchando.
–Eu desisto de você. Acredite no que quiser, princesinha. –Ela resmungou, a voz cortante.
A gargalhada que Mádi soltou em seguida encheu todo o dormitório e ela saiu desfilando, os longos cabelos loiros e lisos balançando mesmo na ausência de qualquer brisa.
–Mádi. –Chamei.
A garota girou a cabeça e me encarou por cima do ombro, de modo que uma mecha do cabelo perfeitamente alinhado recortasse uma íris verde de seus olhos e ela parecesse ainda mais uma modelo pega de surpresa por fotógrafos. Quase suspirei antes de falar:
–Por que acha que ela não pode ter ouvido o Malfoy?
Mádi franziu os lábios, impaciente.
–Porque se Draco tivesse vindo aqui, ele teria vindo a minha procura. E ele nunca se humilharia tanto ao ponto de vir me procurar.
Era incrível como ela falava aquilo orgulhosa. Eu não sabia ao certo se esse orgulho bizarro esbanjava de si própria ou de seu orgulho de Draco.
–Ah, claro. –Murmurei, colocando uma mecha de cabelo atrás da orelha.
P. O. V. Draco
–O que aconteceu com você, Malfoy? Faz semanas que você não come direito e, de repente, você come três sanduíches? –Crabbe falou enquanto mastigava panquecas. Era realmente uma cena nojenta, mas nada tiraria meu apetite.
–Sério? Acha que eu deveria maneirar, papai? –Ironizo enquanto torço o pescoço para checar as mesas das outras casas.
–Não enche, Crabbe, não está vendo que ele está nervosinho para achar a garota dele na outra mesa? –Goyle falou enquanto me dava palmadinhas nas costas.
Franzo o cenho automaticamente e engasgo com um pedaço de sanduíche. Tenho de beber praticamente um copo de chocolate quente para desimpedir minha garganta.
–Que garota? –Falei, a voz ainda embargada.
–“Que garota?” –Goyle me imita, desdenhoso. –Simplesmente a Mádi, a garota mais gata de Hogwarts. –Ele revira os olhos.
–Ah, certo. Pensei que já tivessem esquecido isso. –Tento sustentar um sorriso malicioso.
–Você jura? –Crabbe falou, rindo.
Realmente, eu não esqueceria Mádi nas condições normais. Ela era simplesmente linda, perfeita em todos os aspectos, mas ao mesmo tempo tão comum. Tudo seria comum e sem-graça para mim após ficar com Luna. Isso pode soar estranho, mas me fez sorrir por um momento e recomeçar minha busca na mesa da Corvinal. Eu só precisava de um aceno com a cabeça disfarçado, precisava de algo para confirmar que a noite anterior fora real e que eu havia reconquistado Luna de verdade...
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