Time Well Spent

15 Baile -Parte 2 de 3


Notas iniciais
Já tá acabando o baile, prometo kkkk' preparem os lencinhos para esse capítulo :c Beijos no core

P. O. V. Luna

Neville me girou, fazendo com que rodopiasse e perdesse o equilíbrio meio segundo antes de suas mãos se firmarem na minha cintura e me puxarem de volta.

–As Esquisitonas simplesmente arrasam. –Ele falou, os olhos claros brilhando sob os lustres de cristal.

–Eu prefiro Toquinho Boardman, mas elas parecem boas. –Respondi e então tossi baixinho tentando recuperar o fôlego. Ainda estava meio tonta do giro.

–Quer algo para beber? –Neville se abaixou para fitar meu rosto, apreensivo. Pisquei algumas vezes, atônita com sua proximidade antes de anuir rapidamente com a cabeça.

Ele se afastou com um sorriso calmo no meio da multidão. Resolvi me sentar em uma das mesas que flutuavam a poucos centímetros do chão e a me servir de alguns quitutes enquanto esperava.

Foi quando Neville chegou segurando duas cervejas amanteigadas e as descansou na mesa.

–Esse lugar tá incrível, né? –Ele falou olhando para o teto da tenda.

–Sim. –Concordei abrindo a cerveja e bebendo um pouco. Finalmente percebi que tinha sede.

Neville abriu a boca para dizer algo mais, mas tornou a fechá-la. Estreitei os olhos.

–O que foi? –Ele encarou o tampo da mesa. –Neville, pode me contar qualquer coisa.

Então finalmente me encarou, o rosto vermelho e sem expressão.

–O que aconteceu entre você e o –Ele respirou um pouco mais fundo. –Malfoy?

Arregalei os olhos, inquieta e surpresa. Comecei a tamborilar as unhas em cima da toalha de mesa e a encará-las, mas ainda sentia o olhar dele em mim. Por fim respirei profundamente e abri a boca.

–Eu... Ahn, acho que meio que caí numa pegadinha. –Dei de ombros. –Malfoy foi desafiado por um dos amigos dele a me conquistar e, bem, ele fez isso. –O contei também sobre o episódio no corredor e sobre como Draco havia falado que estava apaixonado por mim e como eu reagira. Finalmente fitei os olhos claros de Neville, que estavam presos ao meu rosto com um quê de compreensão.

Sua boca por fim esboçou um sorriso singelo:

–Luna, eu não estou te julgando. –Ele passou a mão sobre o tampo da mesa procurando pelas minhas. Estremeci ao sentir seu toque quente e meio úmido de suor. Era tão diferente do toque frio e confiante do Draco. –Só quero saber o que aconteceu. Porque eu me importo, certo?

Anui com a cabeça, sorrindo fraco.

–Obrigada.

–É sério. –Ele apertou minha mão e pela primeira vez senti medo. Medo de estar usando Neville apenas para superar o Malfoy. Medo de que ele estivesse apaixonado por mim e, o mais importante, medo de quebrar o coração dele.

Coloquei uma mecha do cabelo que havia se desprendido da trança para trás, suspirando.

–Somos só amigos, não é? –Perguntei.

No mesmo segundo senti o aperto da mão de Neville afrouxar.

–É, claro. –Ele sorriu amarelo e soltou minha mão por fim, apanhando em seguida a cerveja amanteigada e dando um profundo gole.

–Bem. –Falei, também sorrindo e alisando a superfície do vestido.

O silêncio entre nós se tornou impenetrável, entre goladas nas bebidas e pequenos pigarros.

–Então... Está apaixonada por ele? –Neville disse, a voz rouca, passando as mãos no tecido sobre as pernas.

Limpo a garganta antes de responder.

–Um pouco. –Eu havia parado de mentir.

Neville suspira e disfarça com um pigarro. Então sorriu fracamente.

–Por que não fala com ele?

Arregalei os olhos, incrédula.

–O que?

Ele me fitou nos olhos.

–Não pode guardar isso para si mesma. Fala pra ele como se sente. –Ele suspirou dando de ombros.

–Você não ouviu nada do que eu disse? –Bufei alto- Ele me enganou e tudo mais!

–Ouvi também sobre quando voltou e disse tudo aquilo pra você.

Respiro fundo, mas não consigo evitar:

–Por que está fazendo isso?

Neville estreita os olhos, ainda me fitando, e esboça um sorriso mal-intencionado.

–Porque eu não quero te fazer escolher entre mim e o Malfoy enquanto está com um coração quebrado. –Ele se inclinou sobre o tampo da mesa. –Eu quero te provar que posso ser melhor pra você do que ele. E sei que você logo vai se cansar daquele babaca filho da mãe, certo? –Ele estendeu uma mão para tirar uma mecha do meu cabelo de cima dos meus olhos e a colocar atrás da orelha. –E eu vou estar aqui quando perceber isso. Porque eu realmente gosto de você. –Então curvou as sobrancelhas para baixo e afagou minha bochecha com o polegar.

–Neville...

–Não fala nada. Eu vou dançar um pouco e você faz o que tem que fazer, ok? –Ele se levantou, mas eu me ergui ao mesmo tempo.

–Não precisa fazer isso.

Neville riu, uma risada baixa e sedutora enquanto se aproximava de mim. Continuei com os olhos fixo nele, decidida. Ele se inclinou e no próximo segundo seus braços estavam ao meu redor e sua boca no meu ouvido:

–Eu não quero só ser seu amigo, Luna. E isso só vai acontecer quando você se arrumar com o Malfoy. Você é incrível. E eu farei questão de que nunca duvide disso, se ficar comigo. –E então se afastou, sem me encarar, para a multidão de corpos dançantes.

Fiquei parada por alguns segundos sem saber o que fazer ou como reagir quando um aviso luminoso piscou na minha cabeça:

“Draco. Procure o Draco.”

Me movi rapidamente pelo salão, escapando de olhares curiosos e pedidos de dança.

Enxerguei a Prof.ª McGonagall do outro lado da tenda e corri até lá do melhor modo que pude, o que significa esbarrando em várias pessoas no caminho.

–Profª, a senhora viu Draco Malfoy por aí?

Um brilho de curiosidade passou por seus olhos antes que respondesse:

–Não, Srta. Lovegood. Não o vi durante toda a noite na verdade. –Franzi o cenho. Será que ele teria faltado ao baile? Não parecia típico de Malfoy.

–Obrigada. –Disse me afastando até o arranjo de saída, o vestido se arrastando no chão porque eu havia cansado de o levantar com as mãos.

O gelado ar da noite imediatamente fustigou meu rosto e meus olhos ficaram injetados. A Lua brilhava no alto do céu e o lago na minha frente a refletia belamente. A água parecia tão plana que dava vontade de tocar... “Se controle, Luna. Você tem uma missão”. Andei pelo descampado até dar em média sete passos para fora da tenda quando eu ouvi um graveto ranger do meu lado esquerdo. Ao seguir com os olhos o barulho, imediatamente desejei não tê-lo feito.

Eles estavam debaixo de uma árvore, um pouco eclipsados pelas sombras. Draco segurava a cintura de uma garota de cabelos loiros, a puxando para perto. Eles se beijavam loucamente e ela já havia deixado os cabelos dele, outrora tão arrumados, apontando para todas as direções possíveis e continuava a bagunça-los quando preguei meus olhos neles. Ele abaixou a mão e ela não impediu, fincando as unhas nas costas dele. Foi quando eu parei de olhar, sentindo os olhos se encherem de lágrimas quentes e traiçoeiras.

Ri amarga, sem conseguir me conter. Foi quando Draco, que estava de frente para mim, abriu os olhos singelamente e então os arregalou, automaticamente voltando as mãos para a cintura da moça. Ele deve ter parado de beijá-la, porque ela se virou e me encarou por cima do ombro. Seus olhos felinos verdes brilharam no meio da escuridão quando ela me lançou um sorriso maléfico.

–Luna. –Draco sussurrara quase no mesmo momento em que a garota voltara a se inclinar para o beijar novamente.

Notas finais
E aí? Se querem esfregar a cara do Malfoy no asfalto, comentem. Se querem esfregar a minha cara no asfalto, comentem kkk' E se não querem esfregar a cara de ninguém no asfalto, também comentem u.u kkkk' Beijão e até o próximo PS: Amo mexer com os sentimentos de vocês u.u