Time Of Your Life
1 Até a morte.
Eu tinha 5 anos naquela época, e ainda me lembro muito bem de como nos conhecemos.
Fazia um sol maravilhoso naquele dia, era meu primeiro dia na escola nova, as crianças de 5 anos não entendem. O que elas mais querem é fazer amigos novos. E foi nesse dia, em que eu encontrei o maior anjo que Deus poderia me mandar.
Eu estava na porta do colégio, de mãos dadas com a minha mãe, temendo que algoacontecesse comigo. Minha mãe tentava me dizer coisas pra me acalmar. Pense. Desde quando criancinhas de cinco anos de idade, numa escola nova ficam calmas? Isso é bem impossível de acontecer. Eu trazia uma pequena mochila, onde estavam algumas folhas e lápis coloridos. Minha mãe me dizia que eu tinha que ter minhas coisas e não emprestar pra ninguém. Bem, eu tinha cinco anos! Carregava também um lanche. Sanduíche de queijo. Adorava quando minha mãe fazia pra mim. Entrei naquele prédio, cujo o nome ‘escola’ tirava um pouco o peso que aquele lugar tinha. Haviam outras crianças na sala onde eu estava. Passei pela porta, relutante, porém, quando eu menos esperei, uma ‘ninjazinha do jardim de infância’ me chamou, fazendo eu me largar vagarosamente da minha mãe, mal sabia eu que essa mesma ninjazinha seria minha luz.
- Oi, como você se chama?
- Fra...Frank! – Senti minhas bochechas quentes, deviam estar vermelhas. Ela era tão direta.
- Então, Frank, sou a Lauren. Quer brincar comigo? – Olhei pr’aquela nipônicazinha e olhei de novo pra minha mãe, que no auge da felicidade por eu ter arrumado uma nova amiguinha, me incentivava a ir. Sem que eu percebesse, Lauren havia puxado minha mão e me levado pra uma das mesas grandes e redondas, onde haviam muitas folhas e lápis coloridos, potes grandes de tinta e muitas coisas rabiscadas nos papéis. Foi nesse dia em que eu conheci a minha melhor amiga.
Treze anos depois.
Como eu havia dito, naquela época eu tinha apenas cinco anos. É tudo tão mais estranho quando atingimos a maior idade. Bem, eu estou num cemitério. Num velório, aos dezoito anos de idade. Todos de preto, chorando muito e lamentando. Eu estava ao longe, apoiado numa lápide, enquanto uma outra figura que trajava um vestido preto veio falar comigo.
- Por que você chegou depois?
- Parece que hoje eu sou o anfitrião da festa, não é?
- Você é muito bobo. -e ouvi a risada dela, daquela ‘ninjazinha’, aquela risada gostosa, animada, que só ela sabia dar.
- Vamos dar um passeio?
- Claro. – E fomos. Estava quente, mais o sol não fazia muita questão de aparecer, fui pra longe da ‘cerimônia’ e me sentei na grama, juntamente com Lauren.
- Frank...
- Diz.
- Você seria meu melhor amigo...pro resto da sua vida?
- Por que essa pergunta agora, Lau?
- Meu pai...ele quer...me levar embora. – Ela sorriu triste e se deitou, como fazia das outras vezes, em meu ombro. Eu era o conforto dela, ela era meu conforto, minha melhor amiga. Não podia deixar ela ir assim do nada.
- Seu melhor amigo pro resto da vida... talvez.
- Iero!
- Tá, eu seria sim. Seu melhor amigo pro resto da minha vida.
- Frank... – ela me chamou, olhava pra mim com aqueles olhos vidrados e penetrantes, esperando eu dizer algo.
- Sim...
- Está chateado com a morte da sua mãe? – Bem, temos que lembrar, eu estava no velório da minha mãe, junto dela, de onde eu preferia nunca ter saído.
- Eu preferia não estar aqui. Preferia que ela nunca tivesse morrido, você sabe que....se eu não tivesse me envolvido...
- Eu sei. Então me promete uma nova coisa?
- Fala.
- A gente pode ser melhores amigos...assim...até a morte?
- Até a morte?
- Sim, até todo o tempo que restar na nossa vida. Eu quero te ver crescer Frank, quero ver seus filhos, quero que você esteja bem, e pra isso, quero estar sempre ao seu lado. – E ela veio em minha direção e me deu um abraço. Apertado e esperançoso, meio desajeitado, mas como um pedido silêncioso pra que nunca nos separássemos. Ficamos assim uns minutos, até eu quebrar aquele silêncio e dizer algo verdadeiro, em toda minha vida, nunca disse algo que viesse de tão fundo.
- Eu quero ser seu amigo até todo o tempo que me restar de vida, até a minha morte.
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