Time Jumper - Uma História do Futuro
4 Segredos de Um Passado Não Tão Distante - IV
Notas iniciais

O almoço amigável entre os viajantes chegou ao fim. Sakura os dispensou. O Naruto adulto pediu para que as crianças se reunissem em seu quarto para descansar antes da grande revelação de verdades. O Hokage havia prometido que responderia a todas as perguntas que pudesse e soubesse a resposta caso eles colaborassem, e nenhum dos Gennins parecia disposto a esquecer desse acordo.
Natsu os direcionou ao quarto dos pais. Era um cômodo na parte de cima da casa, largo, bem arejado e colorido. As paredes eram brancas, havia um pequeno sofá de renda e uma cama de casal com colchas floridas onde eles se acomodaram para descansar. Naruto foi o primeiro a se jogar com tudo na cama assim que a viu. Era sua casa, sua cama, e ele estava morto de cansaço. Não havia porque se sentir envergonhado a essa altura do campeonato. Assim que sua cabeça tocou o macio travesseiro ele adormeceu. E os outros não estavam muito diferentes. Shikamaru, Ino e Kiba se acomodaram no sofá. Hinata encostou-se na parede, perto da janela, os olhos aperolados perdidos na imensidão azul do céu. Sakura, ainda que vermelha como um tomate, sentou-se ao lado de Naruto na cama, e Sasuke ao seu lado.
Na porta, Natsu e Ichigo olhavam a cena soltando pequenas gargalhadas. Eles não mudavam nunca mesmo...
—Vocês vão ficar nos vigiando? — Perguntou Kiba arqueando a sobrancelha para as duas crianças. Natsu balançou a cabeça de forma positiva.
—Otou-san não quer perder vocês de vista. -Explicou ela. — Ele acha que vocês podem acabar se metendo em confusão e destruindo o futuro como ele conhece, e ele gosta bastante desse que tem. — Disse com um sorriso. — Mas não se preocupem, podem conversar e descansar a vontade. Eu vou ficar quietinha aqui.
—Um Uzumaki quietinho num canto seria uma grande novidade. — Comentou Ino causando risos. Natsu deu de ombros. Era verdade.
—Há algo que consegue manter a Natsu-nee ocupada o dia inteiro se for preciso. — Disse Ichigo com um sorriso maroto tirando um pequeno aparelho retangular de trás das costas e balançando na frente da irmã.
—EI! — Exclamou a loirinha tomando o objeto das mãos do irmão caçula. -Como você consegue pegar as coisas assim?
—Eu sou um ninja!
Natsu revirou os olhos.
—O que é isso?
A briga dos irmãos foi interrompida pela pergunta curiosa de seus hóspedes que já se juntavam ao redor da Uzumaki mais velha.
—É um celular. — Explicou ela como se fosse óbvio. Com apenas um pequeno toque, a coisa acendeu e a pré-adolescente começou a digitar furiosamente em suas teclas. E as crianças se entreolharam em confusão.
—Vocês não sabem o que é celular? — Perguntou Ichigo em choque.
—Ah, é! — Natsu bateu a mão em sua própria testa. -Sempre esqueço que vocês são velhos, e vem da época sem tecnologia em Konoha. O que apesar de ser muito triste também é muito hilário porque hoje em dia Okaa-san não vive sem o Instagram e eu tenho certeza que fofoca um montão com Tia Ino pelo o WhatsApp. -Acusou a loirinha.
—Instagram? — Sakura parecia confusa.
—WhatsApp? — Sasuke parecia mais ainda.
—Ai, vocês não sabem de nada mesmo. — A menina do futuro gargalhou com seu irmão. — Primeiro de tudo, esse é o celular. — Ela expôs o aparelho no alto para que todos pudessem ver. — É um aparelho que serve para muitas coisas e é a melhor invenção do homem desde o Rámen Instantâneo. — Explicou. -Pode tirar fotos, mandar mensagens, fazer ligações para outros celular e todo o tipo de coisa. — As crianças arregalaram os olhos, fazendo um "oh" em uníssono.
—E todos tem um? — Perguntou certa Yamanaka já interessada.
—A maioria não vive sem. — Confirmou Natsu.
—Podemos ver? — Perguntou Sakura com os olhos brilhando. Natsu sorriu.
—Claro. Mas cuidado, apesar de tudo, é uma coisinha irritantemente frágil. — Avisou. Os viajantes se reuniram num circulo e foram passando o celular da menina de mão e mão, até mesmo Sasuke entrou na brincadeira. Todos estavam se divertindo, menos Hinata, que sentada perto da janela, suspirava como se não fosse haver amanhã. Preocupado com a colega de time, Kiba se aproximou, tocando seu ombro de forma delicada.
—Ei, Hina, eu sei que está chateada... -Ele começou sentando-se ao lado dela e procurando em seu restrito vocabulário de menino de doze anos palavras doces para consolar a amiga.
—Chateada? — A azulada chiou de forma incaracterística. -Chateada? Eu estou d-destruída, K-kiba-k-kun! — Ela tinha grandes lágrimas se formando no canto de seus olhos.
—Hina, vai ficar tudo bem. — Ele disse, com um semblante triste, abraçando a menina pelos ombros. Hinata começou a soluçar enquanto tentava botar suas mágoas para fora.
—Eu sempre o amei de todo o meu coração, e mesmo assim ele não me escolheu! — Ela se lamentou. — O que eu fiz de errado?
—Hina, eu tenho certeza de que você ama o Naruto com todo o seu ser. Mas você nunca disse nada... Não tinha como ele saber... — Por mais que não quisesse admitir. Kiba e Naruto era amigos, e Kiba tinha dever de defender o loiro quando ele não estava presente. — E você sabe, todos sempre soubemos, que ele é apaixonado pela Sakura desde a viu pela primeira vez, ainda nos nossos primeiros anos de academia...
Hinata sabia que Kiba estava certo. Sempre amara Naruto em silêncio, enquanto, sem querer, permitia que ele se apaixonasse cada dia mais por certa rosada. A verdade estava diante dos olhos dela, e era amarga de um jeito que jamais imaginara. Se tivesse tido mais coragem... Se tivesse se confessado antes... Tudo poderia ter sido diferente...
Mas essas afirmações lógicas não ajudavam a conter a raiva insana se formando dentro de seu pequeno coraçãozinho. Primeiro seu pai e seu clã, agora também fora rejeitada pelo garoto que amava. Será que realmente seu apreço valia tão pouco?
—Você... — A Hyuuga primogênita virou-se subitamente em direção á Sakura interrompendo as risadas e brincadeiras entre Sasuke, Shikamaru e Ino. — Porque? Porque ele escolheria você em meu lugar?- Ela se levantou. A timidez tinha sumido completamente, dando mais espaço para a raiva, o ódio de ter perdido algo que realmente nunca teve.
—O que quer dizer? — Sakura perguntou genuinamente confusa.
—Você sempre disse que amava o Sasuke-san, Sakura-san. — Disse Hinata entredentes. — Porque está casada com o Naruto-kun? Porque teve que se intrometer no meu sonho? O que foi que eu te fiz?
As lágrimas desciam livremente pelo rosto pálido da garota de cabelos azulados. Deixando todos em choque. Sakura se sentiu mal pela cena. Era verdade, sempre aclamara pelo amor de Sasuke, e de repente, estava casada com Naruto e tinha dois filhos. Mas 19 anos tinha se passado! Ela ainda era uma criança, não por fora, mas por dentro. Muitas coisas tinham acontecido. Sentimentos tinham mudado, e ela estava surpreendentemente satisfeita com a vida que tinha ganhado.
Afinal, como Sakura poderia abria a boca para reclamar de ser a Primeira-Dama de Konoha? Casada com um marido amoroso e com dois filhos amáveis sendo que seu eu futuro parecia tão feliz?
—Hinata... Eu também não sei o que aconteceu... Foram 19 anos... Meus sentimentos... Mudaram... — Ela tentou explicar, mas nem mesmo Sakura entendia totalmente a situação.
—Você não o merece! — Gritou a Hyuuga batendo o pé. -Você é como todos os outros. Sempre o odiou, achando que era um fracassado, um garoto-demônio... Fui eu quem sempre gostou dele. Desde o começo.
—E você se acha mais merecedora do que eu? — Sakura também se levantou, os olhos verdes faiscando de raiva. — Eu não gostava do Naruto durante nossa infância. Não vou negar. Meus pais são civis, não entendiam a situação direito. Odiavam Naruto porque achavam que ele era um assassino, e passaram esse ódio para mim. Mas no momento que ficamos no mesmo time, e eu percebi que ele não era nada além de um garoto bobo e carente de afeto, me comprometi a tentar ser mais legal com ele. -A rosadinha também gritava. Naruto era seu companheiro de time. Seu melhor amigo. E ela gostava dele. Não ficaria parada e muda diante da metida herdeira Hyuuga que se achava melhor que ela. — Onde você, que grita para o mundo que sempre o amou, onde você estava quando ele cresceu sozinho, sem família por ser considerado uma ameaça? Porque não o ajudou? Não fez amizade com ele? Você só assistiu todo o sofrimento dele de longe e usou isso como inspiração para si mesma!
—Há mesmo duas garotas brigando pelo Naruto bem na nossa frente? — Murmurou Ino para Kiba que apenas assentiu com a cabeça sem saber realmente o que dizer. Era surreal demais. Mas Sakura não parou por aí.
—Você é pior que eu, Hyuuga Hinata.- Ela finalizou sem pensar se arrependendo no instante em que a frase saiu de sua boca. Se havia algo que Sakura e Naruto eram parecidos e que seus filhos definitivamente tinham herdado era o hábito de falar as coisas sem pensar por conta da grande impulsividade que corria em suas veias. Se Naruto tinha a tendência de usar esse talento para acabar falando as coisas certas nos momentos certos, Sakura, pelo contrário, costumava soltar verdades ás vezes cruéis demais nos momentos errados.
O silêncio que se formou foi como a calmaria depois da tempestade. Hinata colocou as mãos sobre os olhos, e soluçando alto, saiu correndo do cômodo.
—Tia Hinata!Espera! Você não pode... — Gritou Natsu, mas era tarde demais, Hinata já tinha desaparecido de vista, e como uma boa Hyuuga, seria muito difícil encontrá-la caso não quisesse ser achada, e essa era a última coisa que ela queria naquele momento.
—Ótimo, agora ela está perdida. — Natsu bufou, cruzando os braços. — Otou-san vai acabar comigo pelo meu excelente serviço de babá...
—Isso... Foi cruel, Sakura. — Disse Sasuke olhando a colega de time com as sobrancelhas franzidas.
—O quê? — A garota chiou na defensiva. Tinha sido cruel. Mas vindo de Sasuke, provavelmente suas palavras haviam soado piores do que tinha a intensão de fazê-las parecer. — Mas, Sasuke-kun...
—Eu disse que foi cruel. — Ele disse, calmo. — Não que foi mentira. — Falou dando de ombros, embora de fato ele não pudesse evitar de se sentir um pouco mal pela menina Hyuuga. — Mas precisamos encontrá-la se não quisermos que ela acabe arruinando o futuro por completo. — Disse se levantando.
—Você não vai conseguir encontrá-la. — Disse Natsu com simplicidade. -Quando um Hyuuga quer se esconder, só outro Hyuuga para poder achá-lo... Ou pelo menos alguém que possua o Byakugan. — Ela suspirou, pegando o celular da mão de Ino e digitando uma ordem de números freneticamente logo depois colocando o aparelho no ouvido.
—Pra quem você está ligando? Achei que não podia confiar a ninguém nossa estadia por aqui. — Disse Sasuke estreitando as ônix de seu jeito mais assustador. Mas Natsu não se intimidou por aquele gesto, estava mais do que acostumada com aquele olhar. Na verdade, ela era a razão daquele olhar em certas pessoas várias vezes.
—Ele é confiável, e convenientemente, a única pessoa que pode achá-la no momento. — Explicou a loirinha.
—Quem seria? — Perguntou Kiba preocupado.
—O filho dela, nos conhecemos desde o berço. — Explicou Natsu rapidamente e o outro lado da linha finalmente pareceu atender.
—Moshi?Moshi?
—Itachi? Eu realmente preciso da sua ajuda.
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