Time Is Just Relative
1 A Perda Definitiva...
24 de setembro de 2020/ 20:00hs.
Avenida Paulista, São Paulo.
- Já era bem tarde. Mas como sempre a avenida mantinha-se iluminada pelas luzes dos prédios. Em um dos prédios mais iluminados um jovem mulher se dispunha ao terraço a olhar o movimento nas ruas –
_Como sempre você nunca consegue chegar a tempo. Assim será melhor para ambos...tanto pra mim quanto pra você...não farei que sofra mais e assim espero que eu não sofra também...
- Tendeu o corpo para frente e abriu os braços ao ar. Os ventos serpentearam os cabelos da mulher, até que tiveram como encontro o chão de pedra da calçada. — _AHHHHHHHHHH mas que merda foi essa? – Exclamou uma mãe com o filho segurado em uma das mãos, enquanto tapava os olhos do garoto. -O sangue percorreu por debaixo do corpo e assim espalhou-se por todo o relevo –
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Vila Mariana, São Paulo – 24 de setembro de 2020. / 20:20hs. Transito infernal.
_Ahhh que droga...maldito inferno deveria ter ido de metro como sempre fui. – Exclamava o homem dentro de seu carro enquanto segurava o celular em uma das mãos — * Por favor, venha a Avenida Paulista no lugar de sempre. Prometo que resolveremos isso de uma vez por todas * _Mas o que será que ela quer? Achei que isso já havia sido resolvido...pelo menos pra ela!!! – Apertou o celular com uma das mãos e logo dispôs a mão sobre a buzina- _VAI LOGO CARALHO!!!
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24 de setembro de 2020/ 20:40hs.
Avenida Paulista, São Paulo.
-A multidão já havia sido apartada pelos primeiros socorros e todos sem exceção se recolhiam atrás das faixas amarelas. Ambulâncias, carros de policia e toda a equipe de paramédicos haviam sido contactados.
_Parece que é inútil...- Disse um dos paramédicos que tentava medir a pulsação da mulher pelo punho –
_Hora do óbito ....aproximadamente entre 20:00hs e 20:40hs. Melhor chamarmos todos e recolhermos o corpo para encaminhar ao IML.
_Certo, chamem todos os paramédicos e oficiais e digam que agora já podem começar a investigação do local – Disse um homem de cabelos grisalhos e jaleco brancos com um crachá , Dr° Aspen-
- A multidão se mantinha pasma pelo ocorrido, afinal não se tem muitos casos de mortes como esta por aqui em São Paulo. Todos mantinham um ar de comoção e espanto.
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Avenida Paulista, São Paulo – 24 de setembro de 2020. / 21;00hs. Transito infernal.
_To chegando....eu to chegando...não fracassarei novamente ....não farei isso com você...Não novamente. – Acelerava o carro e desviara o caminho de todos a sua frente. Não se importava com o limite de velocidade só queria chegar o quanto antes ao local marcado. Logo mais , pode ver as luzes das ambulâncias e oficiais de policia no local- _Ora....Ainda mais essa...mas o que será que houve ? — O transito estava completamente caótico e o homem decidiu finalmente sair do carro e ir correndo até o local. Não era muito longe faltava somente 2 quadras. Desceu do carro revelando assim um mesmo jaleco branco com um crachá ao bolso , Dr.Tsubaki. — _Preciso chegar a tempo ....vamos pernas vamos.... – O homem de cabelos curtos e negros sai correndo pela calçada como um louco. Algumas pessoas apontavam com o dedo um local mais a frente – Mas que diabos elas querem com isso? Eu sei que aconteceu alguma coisa mais já há pessoas cuidando disso...Agora eu simplesmente preciso cuidar de mim...ou melhor...nada....
_Vamos pessoal, melhor todo mundo se afastar senão vai ser um pouco difícil para realizarmos nosso trabalho. Por favor afastem-se – Disse o oficial de policia que mantinha-se atrás das faixas amarelas — — A multidão começou a dificultar a sua passagem pelo caminho. Por um gesto não tão ético mas preciso...conseguiu passar.Mas na realidade nada ali fazia muito sentido. _ Por favor me deixem passar ...eu sou médico por favor...- Empunhava o crachá com a mão. _ Por favor senhor oficial eu preciso passar...
_Desculpe senhor, mas tudo o que havia para ser feito aqui já foi realizado...a suposta vitima já veio a óbito. _Como assim? – Olhou ao redor das placas e cruzamentos. Era exatamente onde havia marcado . Seu coração apertou e aquela dor de exatamente 10 anos atrás voltaram a lhe afugentar o fôlego;
_Quem era essa pessoa e como assim vitima? – Disse Tsubaki com as palavras um pouco atropeladas. _Um mulher de aproximadamente 25 anos de cabelos longos e castanhos encaracolados. Testemunham dizem que a mulher simplesmente pulou do prédio acima, mas ainda não temos nada confirmado.
- Aquela mesma sensação de perda e solidão percorreu seu peito novamente e o fez cegar-se novamente. Assim como ao tempo atrás, só que desta vez era muito pior ...muito pior — _COMO ASSIM? – Exclamou Tsubaki com todo o seu fôlego. Agarrou a faixa com um das mãos e jogou-a ao ar. Atravessou o caminho como um touro. Não era tão atlético, mas a comoção retira forças de todos os lugares. _Sr. Peço que fique atrás da faixa. Assim teremos que detê-lo. – Dizia o homem tentando segura-lo; _FAÇA COMO QUISER....MAS EU QUERO VER...- Empurrou o oficial ao chão e correu ao local onde um grupo de paramédicos . O corpo já havia sido coberto pela manta prateada e somente uma mão estava para fora da maca. — _Não...Não...Não...- O voz quase não saiu por sua garganta. Somente sons guturais e silabas quebradas saiam por sua boca. As forças foram se perdendo e finalmente pôs-se de joelhos ao chão.- _Droga...Não....Não novamente ....não assim...NÃÃÃÃÃÃÃÃOOOOOOOOO.- Esmurrava o chão com todos as sua forças. Até que seus punhos começassem a sangrar como se houvessem sido amputados. – Droga...minha mão direita...
-Levantou-se e aproximou-se da poça de sangue que havia sido deixava pelo impacto do corpo. Por entre o sangue havia algo especial...um colar e entrelaçado nele um anel...com as inscrições, 4/5. – DROGA.... _As lágrimas percorriam o semblante de Tsubaki como duas longas cachoeiras. Cerrava o punha com o colar entre os dedos enquanto o sangue fugia por entre os dedos... _Por que? Por que? Por que você sempre escolhe o caminho mais fácil ...sempre o mais fácil..
_MALDIÇÃOOOOOOOOOOOOOOO !!!!!!!! – Levantou-se e saiu correndo esbarrando por entre a multidão....até que pode escutar um voz... _TSUBAKI... controle-se – Proferiu o médico de cabelos grisalhos..Dr. Aspen.
- O homem cessou os passos imediatamente como que por uma ordem — _ Essa voz? Dr .Aspen? – Virou-se bruscamente e fitou a todos os lugares procurando pela voz. _Já está fazendo uma cena um tanto ridícula não acha? Para alguém de sua profissão ?
_Como disse? – O sangue ferveu-lhe nos vasos. As palavras foram como facadas em seu coração já completamente despedaçado. — _Não me importa se o senhor foi meu professor ou não...ou o quanto eu aprendi com você. Mas se simplesmente só sabe agir por classes ...não passa de escória...
-Recompôs-se novamente e andou a passos lentos em direção ao Dr Aspen- _Melhor leva-la ao IML. _Não venha dar ordens onde não está sob sua jurisdição. _Não são ordens...São procedimentos...Aprendi isso com um pessoa da qual eu admirava – Seguiu caminho até o local por onde havia percorrido. Levava nas mãos o colar deixado no local e seu jaleco completamente ensangüentado. Todos abriram caminho a Tsubaki até que este pudesse novamente entrar em seu carro.- _ Cabeçuda...- Disse com lágrimas nos olhos e um sorriso falso ao rosto — _Por que? Eu disse que te protegeria por toda a minha vida...Que eu seria o seu anjo...mesmo sem você ao meu lado...mesmo sem você ao meu lado...
_Debruçou sobre o volante do carro e abaixou a cabeça. As lagrimas não puderam ser mais contidas com facilidade e o choro, por mais desesperado e infantil que fosse finalmente se fez presente.
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