Time Capsule Glee Cast
2 About Love
Notas iniciais
Entrei em seu quarto, vendo-a deitada em sua cama. Seus olhos verdes não estavam mais brilhantes como no vídeo, seus lábios continham poucas rugas e seus cabelos ainda loiros, mesmo que poucos fios de cabelos aparecessem. Eu era parecida com ela, palavras de minha mãe e de minha avó, e eu pude perceber isso depois do vídeo. Quinn Fabray era minha avó biológica, como minha mãe sempre dizia. Meu nome é Nelly Fabray. Nelly Quinn Fabray, na verdade, em homenagem à minha avó, mas eu gostava do meu nome, então...
– Nelly... – ela chamou, abrindo os olhos.
– Olá, vovó. – me sentei na cama ao seu lado e lhe dei um beijo em sua testa. – Que tal uma caminhada hoje?
– Seria bom, mas você conseguiria me acompanhar?
– Claro que sim! Acha que, por ter 54 anos, é mais rápida do que eu?
– Acho sim. E pare de dizer minha idade, é frustrante.
Eu sorri, ela se sentou e olhou para a janela.
– Está fazendo um lindo dia de sol. – informei.
– É bom, gosto do sol. Ele é bem brilhante...
– Lembra alguém?
– Como assim? – ela perguntou, agora me encarando. – Por que eu me lembraria de alguém, olhando para o sol?
– Não sei.
Me levantei rapidamente e fui até a cozinha, preparei um café e vi ela entrar. Minha mãe sempre quis me levar para New York, para ver um dos musicais da Rachel Berry, mas minha avó, Quinn, sempre disse que seria melhor me manter em Ohio, longe do caos e da poluição. Eu nunca entendia, mas agora fazia sentido, sabe? Talvez ela queria enterrar o passado, já que era o que ela vivia no momento. Nos sentamos à mesa, lhe entreguei uma xícara com café e a encarei, percebendo seus olhos começarem a brilhar.
– O que foi? – ela perguntou, desviando seu olhar à mim.
– O que? Nada. Não posso mais olhar para você?
– Você está estranha, desde que eu acordei, Nelly. O que quer perguntar?
Bebi um pouco do café, respirei fundo e volte à olhá-la.
– Você já teve um amor proibido?
Ela pareceu engasgar com o café, eu a ajudei e afaguei suas costas, ainda esperando a resposta.
– De onde você tirou isso, Nelly?
– É apenas uma pergunta. – dei de ombros, mas percebi seu olhar autoritário. – A professora do Glee Club mostrou o vídeo de quando você tinha minha idade e...
– Rachel... – ela murmurou. – É sobre ela que você está perguntando.
– Se você não quiser responder, não tem problema, eu posso ficar sem uma resposta.
– Eu a amava, apenas isso.
– A amava? Não ama mais?
– Acho que o tempo tratou disso. Não devíamos ficar juntas, então apenas a deixei ir.
– Se você pudesse voltar no tempo, teria mudado isso?
– Não se pode voltar no tempo.
– Conforme a tal Brittany, que acreditava em máquina do tempo...
– Brittany era inocente demais para saber que isso não existe.
– Vamos lá! Me responda apenas mais uma pergunta!
– Apenas uma?
– Sim, apenas uma.
– Manda.
– Se você pudesse encontrá-la, assumiria para ela que a ama?
– Se isso acontecesse, eu pensaria no assunto, mas não vai.
– Por quê?
– Rachel mora em New York, tem sua carreira, mesmo já tendo se aposentado, tem sua família, e é casada com Finn Hudson.
– O idiota? – perguntei, fazendo-a sorrir. – Não estou dizendo para você jogar tudo para o alto e chamá-la para morar com você, apenas dizer o que sente, e ficar livre desse segredo.
– Segredo esse, que toda escola em que eu estudava, saiba.
– Ninguém se importou com isso. Na verdade, ficaram mais impressionados com Rachel, por ela ser famosa, e com a tal de Santana. Ela parecia ser bem durona.
– E era...
– Você não fala mais com ela?
– Não a vejo mais desde a formatura. Todos seguiram seus caminhos, cada um foi viver um sonho.
– Mas você ficou... por quê?
– Minha vida não era em Yale, não era em New Haven, e muito menos em New York. Minha única opção era ficar, ver minha filha crescer e ter certeza que ela não passaria pelas mesmas coisas que eu.
– Mas o vovô foi embora, e mesmo assim, eu o conheço.
– Eu não teria coragem para voltar, não faria parte da vida de Beth. Ficar foi a melhor opção.
– Sofrer por amor é a melhor opção?
– Eu não sofri por amor.
– Qual é! Vovó, você passou todos esses anos em Ohio, não viajou por um dia se quer, nem mesmo para visitar minha bisavó em Califórnia!
– Minha mãe sabia se cuidar muito bem, não precisava que eu viajasse para vê-la.
– E ainda diz que não queria que minha mãe a rejeitasse? Você nem ao menos foi ver sua mãe.
– Minha história é complicada, está bem? Eu engravidei aos 16 anos...
– Foi expulsa de casa, foi expulsa das Cheerios, sofreu um acidente de carro por amor reprimido e ficou em uma cadeira de rodas...
– Você sabe, claro.
– Exatamente, eu sei. Mas ela não sabe que você a ama, e isso é injusto da sua parte.
– O que quer que eu faça? – ela perguntou, se levantando. – Que eu vá para New York, a procure por uma cidade que nunca dorme, apareça em sua frente e simplesmente digo “Oi, Rachel. Lembra-se de mim? Sou Quinn, estudávamos juntas, eu fiquei em uma cadeira de rodas por sua culpa. Aliás, eu te amo, não como Santana me amava, mas como ela ama Brittany, como você ama Finn. Eu sei que é tarde demais, mas não quero morrer sem poder te dizer isso.”
– Isso está perfeito!
– Não sonhe, Nelly.
– Vovó, imagine a encontrar agora, dizer exatamente o que você disse, e vê-la sorrir, porque você disse o que ela mais queria ouvir.
– Rachel não me ama como eu a amo!
De repente ela colocou sua mão em seu seio esquerdo, voltando a se sentar, me levantei rapidamente e me aproximei.
– Vovó, você está bem? Por favor, me responda! Oh, meu Deus!
Fale com o autor