Time After Time (Klaroline)

23 Capítulo 23 - Best Mistake


Notas iniciais
Capítulo inédito, pessoas! Boa leitura!!

Três dias depois. Após aquele dia, Caroline e Klaus não se encontraram. Klaus havia passado todo esse tempo na empresa de seu pai para ajudar a acabar mais rápido os projetos do mês. Usou isso também para evitar explicações sobre seu mau humor repentino, que com certeza seria a notícia da casa. Iriam encher o saco dele até descobrirem o motivo pelo qual ele estaria agindo assim. Passou pouco tempo com Ingrid, que já desconfiava que algo havia acontecido, mas sabia que ele não ia querer falar sobre o assunto e ignorou. Arranjaram uma pequena briga por isso, que logo foi resolvida com um pedido de desculpas dele e um afastamento já imaginado.
– Klaus, essas pilhas são de dezembro. — Mikael alertou. Ele parou o que estava fazendo e viu que já tinha colocado vários papeis na pilha errada. Soltou um palavrão e começou a fazer tudo de novo — Não acha melhor fazer outra coisa? Sua concentração está péssima.
– Eu estou bem! Só preciso ocupar minha mente.
– Ao invés de agilizar o processo, está atrasando. Não que eu não te queira aqui, mas e o restaurante?
– Bill vai me cobrir hoje. Não estou afim de escutar gente falando sobre como a vida é boa e afins.

Mikael observou o filho se jogar na cadeira e começar todo o processo novamente. Sabia que quando ele estava assim a melhor coisa era não dar muita corda, já que explodiria por qualquer coisa e se revoltaria a troco de nada. Aproximou-se de Klaus para tentar uma última conversa.
– Quer um conselho de pai? Vá para casa, beba um bom copo de whisky e durma. — não deu brecha para ele — É a melhor coisa que faz, vai ver. Só acorde depois de onze da noite. Não vai precisar ocupar sua mente, nem vai ter gente falando no seu ouvido e vai tirar essa preocupação da cabeça pelo tempo necessário. Depois não vai nem lembrar. — Klaus começou a rir.
– Pai, escutou o que acabou de me dizer? Quer que eu vá pra casa beber?
– Sim, foi isso mesmo que falei. Só não vá ficar bêbado, quero a casa em ordem. E não aborreça as pessoas, faça exatamente o que mandei. — Klaus assentiu.

Deixou tudo como estava e seguiu para sua casa. Ao chegar, fez o que o pai disse: pegou um copo, uma garrafa de whisky e bebeu duas doses. Após isso, largou sua camisa social no chão e se jogou na cama, querendo apenas apagar e acordar novinho em folha. Olhar para o teto estava cada vez mais entediante, mexer no celular não era uma opção no momento e muito menos alguém para conversar. Seus olhos foram murchando aos poucos, até ele não conseguir lutar contra suas pálpebras pesadas e cansadas.
*

Eram nove horas quando Klaus abriu os olhos. Nove da manhã do dia seguinte. Ficou se perguntando se ninguém deu falta dele nesse tempo todo. Pensou se o pai tivesse acobertado os fatos, o que soava mais convincente. Passou a mão na barba recém-crescida e depois tateou a cama à procura de seu aparelho celular. Cinco chamadas de Ingrid apareciam na tela de bloqueio, juntamente com três mensagens, sendo uma delas de Stefan. Todas elas eram do dia anterior.
– Bom dia. — disse entrando na cozinha.
– Meu filho, o que houve? — Esther o abraçou — Seu pai disse que não estava se sentindo muito bem ontem.
– Foi só um mal estar, nada grave.
– Não disse? — Mikael piscou para Klaus — Como se sente?
– Bem... — deu de ombros — Acho que o remédio funcionou.
– Bom dia família! Bom saber que o Nik já saiu do quarto, estávamos preocupados.
– Posso saber o motivo do plural?
– Stefan estava te caçando ontem. Mandou mensagem e você não respondeu.
– E sobre o que é? — Rebekah mostrou um envelope com dois ingressos dentro.
– ONF. Em que planeta vive? Já é semana que vem.

Klaus havia esquecido completamente do festival. Parecia ter hibernado por dias e dias, por mais que não fosse a sua vontade.
– Vou entregar à Ingrid. — ele disse.
– Ela queria falar com você. — Mikael — Parecia preocupada.
– Vou falar com ela.

Ele tomou um rápido café. Voltou ao seu quarto, onde tomou um banho frio. Pegou o primeiro jeans que estava dobrado em seu guarda roupa e uma camisa de manga comprida preta. Desceu as escadas rapidamente e logo já estava à caminho da empresa. Ao chegar, viu que ela ainda não havia chegado. Checou o horário e viu que ainda faltavam vinte para as dez. Sem nada para fazer, dirigiu-se até a sala de Elijah. Sabia que o irmão chegava cedo para agilizar sua parte para ficar mais livre ao longo do dia.
– Bom dia. — ele disse.
– Bom dia. — respondeu Elijah — Melhorou?
– Sim, estou bem melhor.
– Amor, eu e Care acabamos de mandar todos os convites! -

Hayley abriu a porta, acompanhada de Caroline. O clima havia pesado. Todos se entreolhavam esperando uma palavra. — Atrapalhamos?
– Não, imaginem! Klaus acabou de chegar também.
– Está melhor? — Hayley o abraçou — Soube que teve uma queda de pressão.
– Tive? — ele perguntou confuso — Sim, tive. Estou melhor agora.
– Hay, vai precisar de mim? Se não, preciso ir... — Caroline interrompeu o assunto.
– Na verdade, quem precisa sou eu. — Elijah falou — Tenho que pegar o contrato das fotografias na sala do meu pai. Pode entregar pro responsável?
– Claro! — sorriu.
Elijah seguia até a sala de seu pai, mas voltou.
– Amor, pode me ajudar a procurar?

Hayley saiu da sala sem pestanejar, já entendendo o recado dele. Fechou a porta, deixando Klaus e Caroline naquele ambiente silencioso. Nenhum dois dois tinha a intenção de encarar ou levantar o olhar, mas nada impediu que ele quebrasse o silêncio.
– Recebi os ingressos.
– Rebekah é uma boa mensageira. — rebateu.
– Por que está assim comigo? — ele resolveu abrir o jogo. Se fosse ferrar com tudo, faria logo de uma vez. — Isso vem desde aquele dia no restaurante.
– Não é nada, bobeira minha. — disse com a voz trêmula.
– Sou eu o problema? Pode falar, o que eu fiz?
– Klaus, por favor. — quis finalizar o assunto — O problema sou eu.

Era a frase típica de que realmente havia um problema e era culpa dele. Sim, ela havia jogado a culpa nele indiretamente.
– Então quer dizer que o problema sou eu. Fala, o que eu fiz? — "O que eu fiz?" Essa frase dita em casa fala dele havia tirado-a do sério. Fechou os olhos e contou até dez para não dizer tudo que estava em sua garganta e que, sem cautela, sairia a qualquer segundo. — Caroline!
– Não fez nada! — segurou a alça da sua bolsa com mais força, apoiando-se nela como ponto de raiva.
– Não sou eu que escondo coisas. Pode desabafar!
– Ah, não esconde? Então da próxima vez transe na cama ao invés de transar no banheiro da casa dos outros. Sabia que tem gente que acorda de madrugada pra fazer xixi?! — Ele ficou paralisado com o que ela havia acabado de falar. — E nunca mais mencione ter se apaixonado pelo meu rosto, aquilo foi ridículo!

Ela fez menção de sair da sala, mas ele foi mais rápido e a puxou pelo braço. Caroline tentou tirar seu braço das mãos do britânico, mas sem sucesso. Ficaram parados frente a frente sem ter o que dizer, apenas suas respirações intensas e pesadas prevaleciam. Os olhos azul esverdeados dele faziam um pedido de desculpas pelo que ela havia acusado-o. Nunca ia imaginar que justamente ela presenciaria uma cena daquelas.

Ela, por sua vez, mantinha seus olhos fixos ao chão. Estar naquela posição estava sendo desconfortável, que além de tudo tinha as mãos de Klaus pressionando um de seus braços.
– Está me machucando. — disse com a voz embargada de choro.
– Não... — ele a soltou e prendeu o rosto macio dela com as mãos — Não vá embora... — fez com que ela o encarasse — Eu mereço ser chamado do que quiser, mas me deixe explicar.
– Não precisa explicar, não fez nada errado. — desvencilhou-se das mãos dele.

Klaus voltou com as mãos para o rosto dela, que fechou os olhos. Não queria passar por sofrimento de novo. Ambos estavam comprometidos e era completamente errado. Sentiu o calor da pele dele cada vez mais próximo da sua, mas permaneceu imóvel como se aquilo fosse algum tipo de feitiço. Seus lábios estavam praticamente colados, bastando uma abertura de Caroline para o beijo acontecer. Sua razão dizia que era completamente errado se entregar assim e ali naquele momento, onde qualquer aproximação seria um erro, mas seu coração dizia o contrário. Desde o dia que teve o sonho, Klaus foi seu maior tormento. Sem pensar outra vez, permitiu que a língua dele invadisse por completo sua boca. Deixou que a bolsa fosse de encontro ao chão e não teve tempo de se importar com isso. Klaus passou um dos braços pela cintura dela e manteve sua outra mão por entre os cabelos. Caroline empurrava o pescoço dele, fazendo o beijo se aprofundar a cada segundo. Suas línguas dançavam em perfeita sintonia enquanto seus corpos ardiam de desejo, ansiando por mais. Suas respirações ofegantes não foram capazes de parar o que estava acontecendo, muito menos o celular de Klaus que vibrava insistentemente em seu bolso traseiro. Terminaram o beijo assim que a maçaneta torceu. Abaixou-se rapidamente para pegar a bolsa e foi para o outro lado da sala, distanciando-se ao máximo dele, que fez o mesmo.
– Aqui está. — Elijah lhe entregou um envelope.
– Obrigada. — sorriu ainda tentando recuperar o ar.
– Vamos? — Hayley chamou Caroline — Te dou carona até o apartamento.

Ela aceitou a carona e deixou o ambiente sem olhar ou se dirigir a Klaus. Elijah encarou o irmão, que estava sentado no sofá ao lado da mesa principal. Esperava uma frase, com uma expressão que soava divertida em seu rosto. Pegou sua cadeira e colocou-a de frente para ele, fitando-o até arrancar uma mísera palavra dele.
– O que foi? — ele jogou o peso de seu corpo para trás, encostando no lugar.
– Estou avaliando a situação. Você ofegante, ela ofegante, vocês não se despedindo, a reação dela ao ir embora... Me diga você.
– Você é um merda! — disse com um tom descontraído.
– Veio aqui me atrapalhar ou ver a sua namorada? Não, já sei! — bateu as mãos em um ato animado — Veio beijar a ex.
– Vai se ferrar! — ele levantou — Vou procurar Ingrid.
– Depois disso tudo?
– Foi só uma recaída e não vai acontecer mais. Espero que isso morra aqui.
– Como quiser.

Klaus saiu da sala confuso. Beijar Caroline havia acendido uma velha chama que estava perdida em algum lugar dentro dele. Sua vontade era ter novamente os lábios dela em contato com os seus, mas nas circunstâncias atuais isso era completamente errado e ambos sabiam disso. A melhor coisa era esquecer que aquilo havia acontecido, por mais que fosse impossível.

Caroline se jogou no sofá e lá ficou, encarando o nada. Tentava assimilar o que havia acontecido naquela sala. Fechou os olhos com força e as memórias de minutos atrás surgiram como um filme. Havia sido tão bom, tão vivo, tão certo e tão errado. Parte de sua consciência gritava que aquilo havia sido um erro, mas a outra parte queria mais, muito mais além daquele beijo que de simples não teve nada. Ela estava ali, pronta para se entregar a ele novamente e ele faria o mesmo. Foi um misto de saudade, amor, raiva e amizade. Ela não conseguia entender o que se passava dentro dela, precisando respirar fundo cada vez que lembrava de tudo. E Enzo? Havia traído ele. A culpa foi invadindo seu interior, fazendo-a chorar em silêncio. Ele estava sendo uma ótima pessoa para ela e na primeira oportunidade que teve não pensou nele, e sim em si mesma.
Tudo havia sido um erro. O melhor erro que haviam cometido.

Notas finais
O que acharam? Finalmente Klaroline aconteceu!!!