Time After Time (Klaroline)

19 Capítulo 19 - Old Memories


Notas iniciais
Como prometi que se tivéssemos mais de 8 comentários postaria um novo capítulo hoje, ele já está aqui - e é um pouco longo. Espero que gostem. P.S: No momento do flashback, se possível, escutem a música "Before You Walk Out Of My Life". O nome da cantora é Monica ☺ Boa leitura 😘

Caroline havia dormido igual a uma pedra e não percebeu a passagem de tempo tão rápida. Desvencilhou-se do pesado braço de Enzo que envolvia sua cintura com uma tentativa de não acordá-lo. Foi até o banheiro fazer suas higienes e desceu as escadas com a intenção de ir até a cozinha preparar algo para o café da manhã deles.
Abriu a geladeira e pegou morangos frescos, leite e algumas torradas, colocando em cima da bancada. Cantarolando uma música, pegou as tijelas, copos e talheres, depositando-os calmamente sobre a mesma superfície. Quando voltava para subir as escadas para chamar Enzo, ouviu a campainha tocar. Como seus pais não estavam, deu meia volta até chegar à porta.
– Bom dia, flor do dia! — Elena sorriu — Posso?
– Bom dia! — disse mais no susto do que na animação — Claro... — olhou para dentro a fim de ver se havia alguma movimentação no andar de cima. Deu passagem à amiga.
– Está tudo bem?
– Sim, óbvio que está. — impediu que Elena passasse para a cozinha.
– Care, o que houve?

Caroline viu suas desculpas irem por água abaixo quando Enzo apareceu sem camisa descendo as escadas. Elena parou com os braços cruzados na entrada da cozinha segurando o riso ao ver a cara da amiga, que era um misto de desespero e adoração por ver o corpo dele em sua frente. Ele parou no último degrau, analisando o que acontecia ali naquele momento.
– Bom dia... — caminhou até Caroline e lhe deu um beijo — Bom dia Elena. — sorriu.
– Bom dia... — mordeu o lábio inferior dando uma piacada discreta para a amiga — Atrapalho?
– Não, por favor. — ele foi logo dizendo — Já estava de saída.
– Já? — Caroline arregalou os olhos para Elena, dizendo um "o quê?" inaudível que só foi entendido pela morena por leitura labial — Se for por minha causa, passo aqui depois.
– Preciso chegar na empresa antes do almoço.
– Mas antes vai tomar café.

Caroline fez com que ele tomasse um pouco de leite com torrada e logo depois disso ele foi embora. Elena ficou esperando na sala, observando a despedida um tanto melosa do casal bem na porta da frente. Ficou imaginando o que eles falavam em meio a sussurros e sorrisos bobos, assim como ela fazia com Damon no início do relacionamento e até em alguns momentos atualmente. Esperou que ela fechasse a porta para bombardeá-lá de perguntas, mas não as fez. Seria muito invasivo da parte dela perguntar o que havia feito, por mais que já soubesse por causa dos olhos brilhantes dela e o sorriso todo bobo dele. Ver a amiga feliz era algo que queria desde sempre, mas após o relacionamento com Klaus pensou que nunca mais fosse vê-lá com um sorriso tão cheio de emoções embutidas.
– É tão bom te ver assim... — acariciou os braços da loira — Não te vejo assim desde quando estava com o Klaus.
– Estou me sentindo ótima! — disse com entusiasmo já voz — Estou melhor ainda por estar conseguindo voltar a ser amiga de Klaus como éramos antes. Ele está mais maduro, acho que fiz um bom trabalho com ele e a Ingrid está dando continuidade. Ele não pode se sentir sozinho nunca, se não tudo desanda.
– Ele se saiu bem enquanto você não estava aqui. Pensei que ele fosse ficar louco com as coisas da empresa e todo o resto, mas Elijah o manteve com os pés no chão. E acho que ele encarou a realidade também.
– Alguma hora ele precisava acordar mesmo. Fico feliz dele ter feito isso antes dos trinta. — soltou um riso — Depois fica mais difícil de desapegar das coisas. Até da gordura! — apertou sua barriga.
– Nossa, que baleia que você está. — desesperou-se de brincadeira.

Elas passaram a tarde na sala de Caroline conversando. Quando passou da hora do almoço, a loira seguiu para a cozinha na intenção de fazer algo diferente para comerem. Apostou num arroz à piamontese, que acabou rapidamente.


*

Os homens haviam saído em busca de um terno. Damon foi para passar um tempo com os amigos, visto que Elena já tinha feito que ele escolhesse um há alguns dias.
Foram na mesma loja em que as meninas escolheram o vestido pois Hayley o obrigou a ir no melhor estabelecimento da cidade. Pegaram alguns ternos para experimentar enquanto Damon bebia uma taça de champanhe e mexia em sei celular.
– Que terno horroroso! — Stefan mirou Elijah — Parece mais pra um funeral.
– Não deixa de ser. — Klaus resmungou ajeitando a gola da blusa social.
– Pensei que Ingrid estivesse te fazendo feliz de todos os jeitos possíveis. — Damon segurou o riso — Agora para de falar merda e põe esse terno ai.
– Tomem conta do terno de vocês, sim? — mostrou o dedo do meio em forma de descontração — Estão piores do que minha noiva no quesito moda.
– E sobre a despedida de solteiro?
– Qual foi Klaus!
– Elijah, essa é a melhor parte de casamentos! — deu de ombros — Por mais que sejamos comprometidos, uma diversão a mais não mata ninguém.
– Nisso eu concordo. — Damon levantou a taça, simulando um brinde.
– Acham que as meninas não vão fazer nada do gênero? — Stefan encarou os três — Quer dizer, se depender da Care e da Rebekah com certeza vai ter alguma coisa. E quando Forbes e Mikaelson se juntam, coisa boa não sai.
– Será que elas já pensaram nisso? — Klaus fez uma cara de espanto — Odeio quando Rebekah é imprudente. — falou com raiva na voz.
– Elas só devem sair para beber e depois cocar algum filme romântico e vão chorar até dizer chega.
– Damon, conheço muito bem essas duas. Elena também se revela quando está com elas, ou seja, Hayley é a menos cara de pau nesse grupo. — Elijah.

Em meio as provas das roupas, já foram decidindo alguns detalhes da despedida de solteiro. A maioria das ideias vieram de Klaus e Damon, visto que eram os que mais saiam e conheciam sobre o assunto.


*

Enzo caminhava até a sala de Caroline, situada cinco portas após a dele. Bateu na enorme porta branca duas vezes, não obtendo uma resposta imediata. Entrou sem a permissão, observando um ambiente vazio e organizado. Parou para observar o que deixava na mesa, sentando-se na cadeira dela. Recostou-se, folheando uma revista de moda com vários marcadores escritos por ela. Viu que a matéria da semana seguinte já estava impressa com o título em negrito, pegando para folheá-la.

Caroline tinha um jeito ímpar de escrever e descrever as coisas, tanto de valor pessoal como uma simples história de ficção. Quando era pequena, escrevia livros um tanto bobos para sua idade agora, mas naquela época eles faziam perfeito sentido. Quanto ao modo como se veste, isso também vem desde que se conhecia por gente. Nada discreta em boa parte do colegial, fazia de Elena sua fotógrafa quando organizava desfiles para a família sem um motivo principal, apenas querendo ser o centro da atenções.
– Perdeu alguma coisa aqui? — ela apareceu na porta, cruzando os braços ao morder seu lábio inferior — É feio bisbilhotar as coisas alheias.
– Me pegou. — levantou os braços em forma de rendição — Como estão sendo esses dias?
– Trocaria todos eles por mais uma noite com você. — aproximou-se dele, na tentativa de sentar em seu colo. Em vão.
– Não faça isso agora, não vou conseguir resistir. — beijou seus lábios de uma forma delicada — Tenho um convite...
– O que? — seus olhos brilhosos — Fala logo, sabe que fico ansiosa!
– Quantos ingressos quiser para o "One Night Festival" mês que vem. — tirou um papel do bolso.
– Enzo, meu Deus! Faz muito tempo desde que fui a um show. — pegou o papel para ler o que ele dizia — Já podemos pegar? Posso chamar meus amigos?
– Quantos ingressos quiser. Sem falar nas atrações!

O "One Night Festival" era um festival que acontecia anualmente em uma parte mais deserta do Central Park, onde um enorme palco era montado e um público fixo de cinquenta mil pessoas era esperado. Cinco bandas se apresentavam no período de oito horas, algo que fazia esse evento algo diferente de qualquer outro no mundo. Juntamente com a área verde, há brinquedos como roda gigante, carrinho bate-bate, montanha russa, entre outros.

Caroline lia o folheto cuidadosamente, mas seus olhos se arregalaram e levou as mãos ao peito quando viu as atrações: Maroon 5, 30 Seconds To Mars, Red Hot Chilli Peppers, Bon Jovi e Nickelback.
– Preciso avisar a eles o mais rápido possível! — pegou seu celular e mandou mensagem para Hayley. Marcou de encontrar com todos na casa dos Mikaelson.
– Como você é rápida. — ele soou divertido — Quantos ingressos são?
– Oito. Nove com o meu. — contou nos dedos, dizendo o nome de quem levaria.
– Vai levar a namorada dele? — fez uma cara de reprovação.
– Ficaria chato chamar ele e não chamar ela. Além do mais, não tenho nada contra a Ingrid. — deu de ombros.


*

Rebekah abriu a porta quando Caroline tocou a campainha. Deparou-se com a amiga e Enzo terminando um beijo, arregalando os olhos. Convidou-os para dentro, onde todos os outros estavam esperando curiosos pelo que vinha. Todos fizeram seus devidos cumprimentos, atrasando mais o anúncio.
– Da pra falar logo? — Hayley elevou a voz — Não quero morrer e de curiosidade antes do meu casamento.- arrancou riso de todos.
– Então... — Caroline se colocou no centro da sala — Hoje eu cheguei no trabalho e Enzo estava me esperando em minha sala. Como estive fora por dois anos, meio que me esqueci que nessa época do ano uma certa coisa acontece e queria que vocês soubessem que...
– Caroline Anne Forbes, você está grávida? — Rebekah interrompeu-a — Vai fugir do país? Vai ser presa? — Todos olharam para ela e caíram no riso. Caroline falava demais e não chegava ao ponto do assunto em menos de dez minutos.
– Respondendo: não, não e não. — colocou as mãos na cintura.
– O que ela quer dizer é que conseguiu ingresso pro One Night Festival. — Enzo disse na frente dela — Desculpa amor, mas ia dar uma volta e não ia ser direta.
– O quê? — Elena gritou — Minha amiga é a melhor do mundo! — pulou em Caroline.
– Quem vai esse ano? — Klaus mostrou empolgação.

A loira pegou o papel no bolso de Enzo e entregou para Klaus. Foi passando o papel até que todos lessem o que o folheto explicava. Depois disso foi uma euforia. Elijah guiou todos para a sala de televisão, onde colocou um DVD que continha diversos videoclipes mais antigos, na época de quando eram adolescentes.

Tocava "Before You Walk Out Of My Life". A melodia soava nostálgica nos ouvidos de Klaus, que fechou os olhos imediatamente, perdendo-se em pensamentos. Tudo levou para o baile de formatura de Caroline, que havia se formado juntamente com Elena e Rebekah.

Flashback on (Klaus' POV)

Caroline chegou por trás, convidando-me para a dança no meio da pista. Ela estava incrivelmente perfeita com um vestido longo rosa que fazia seus olhos se sobressaíssem meio a tudo e a todos. Com o cabelo preso num rabo de cavalo, seu pescoço, com um aroma inconfundível, me intimava a depositar alguns beijos. Repousei uma das mãos na cintura dela para esperar a música que se iniciaria a qualquer momento. Podia sentir seu hálito fresco e sua respiração descontrolada só por estar em minha frente e nervosa com o fato de dançar comigo em um salão cheio.
– Obrigada por vir. — ela me disse com um sorriso bobo — Não esperava que aceitasse, até por que é o irmão da minha amiga e...
– Caroline, está tudo bem. Acho que isso é um bom começo.
– Você é dois anos mais velho, não está se formando... Eu poderia muito bem chamar o Liam, mas eu escolhi um Mikaelson.
– E aqui estou eu.

Foi tudo que consegui dizer. A música havia começado e, lentamente, começamos a seguir o ritmo. Eu a conduzia tranquilamente, como se estivéssemos a sós em um quarto qualquer. Suas mãos estavam trêmulas, afinal eu ainda era um babaca por ser um ninguém que só queria saber de vagabundear por aí e ela era apenas uma menina recém-formada que teria a vida pela frente.


Here we are face to face
(Aqui estamos nós cara a cara)
With the memories that can't be erased
(Com as recordações que não podem ser apagadas)
Although we need each other
(Embora nós precisemos um do outro)
Things that changed, it's not the same
(Coisas que mudaram, não é a mesma coisa)

Ela mantinha o olhar no meu. Não fui capaz de desviar, aquilo parecia tão certo. Eu, um idiota que estava na metade da faculdade de economia, que só saia com os amigos pois sabia que tinha um futuro garantido, estava pela primeira vez nos braços de uma mulher que me levou do inferno ao paraíso em questão de segundos.


Sometimes it makes me wonder
(Às vezes eu me pergunto)
Where would I be, if you hadn't discovered
(Onde eu estaria, se você não tivesse descoberto)
Which I did, inside of me
(O que eu fiz, dentro de mim)
I know there was something, that we could compare
(Eu sei que havia algo que nós poderíamos comparar)

Por mais que mil vozes gritassem em minha cabeça "isso não é certo", ali estava eu. Não tinha motivos para fugir, muito pelo contrário. Meghan, Lauren, Claire, nomes de mulheres que tinha ficado na noite anterior simplesmente se tornaram mais insignificantes quando Caroline era mais do que todas elas juntas sem o mínimo de esforço. Lembro-me dela em minha casa fazendo trabalhos com minha irmã, mas nunca a olhei do jeito que fiz naquela noite. Eu estava uma bagunça e ela tinha uma parcela de culpa nisso. Uma boa culpa.


Oh, well, I
(Oh, bem, eu)
Never meant to cause you no pain
(Eu nunca pretendi te causar nenhuma dor)
I just wanna go back to being the same
(Eu só quero que as coisas voltem a ser como antes)
Well I, only wanna make things right
(Bem eu, só quero consertar as coisas)
Before you walk out of my life
(Antes que você saia da minha vida)

Tentei colocar meus pensamentos em ordem. Ela sabia que eu não era um exemplo de homem a ser seguido. Eu com certeza causaria uma ferida nela, eu não prestava. Desejei por um minuto ser aquela criança inocente que não tinha maldade, que tinha um caráter e era minimamente sociável. Se eu não desse uma oportunidade ao menino de alguns anos atrás, eu poderia estar perdendo a mulher da minha vida que, ironicamente, estava na minha frente e nem minha ela realmente era.


Remembering the good times
(Relembrando dos tempos bons)
From a portrait hung on high
(De um retrato pendurado no alto)
It's filled with so much color
(Está repleto de tantas cores)
And the laughter we left behind
(E a risada que nós deixamos para trás)
I made the choice and you couldn't decide
(Eu fiz a escolha e você não pôde decidir)
I made the choice, I was wrong you were right
(Eu fiz a escolha, eu estava errado, você tinha razão)
Deep down inside, I apologize
(Por dentro, eu me desculpo)

Memórias de dias passados em minha casa começaram a me atormentar. Elas tiravam diversas fotos e me lembro de uma que todos aparecem. Rebekah fez questão de colocá-lá em seu mural e por lá ficou. Tão viva. Naquela época eu ainda tinha salvação, mas a escolha foi minha. Eu errei, eu fui o erro perfeito. Ela sabia. Todos sabiam.
Eu estava em devaneios com um simples olhar. Afogava-me no passado enquanto ela estava tendo a noite de sua vida comigo. Por um momento, pensei no que a mente dela trazia à tona, mas com certeza ela não estaria pensando nisso.


Though I made plans with you
(Embora eu tenha feito planos com você)
To always have time for you (Before you walk out of my life)
(Para sempre ter tempo para você (Antes que você saia da minha vida))
I guess it's true, cannot live without you
(Eu acho que é verdade, não posso viver sem você)
Don't ever go away
(Nunca vá embora)

Ali, naquela dança, eu tinha me decidido. Não poderia ter um futuro decente sem ela. Caroline não poderia sair da minha vida, precisava ficar e me tornar uma pessoa melhor. Ela era o meu plano.

Flashback off


– Nik! — Rebekah parou em sua frente, esperando uma resposta.
– O que houve? — piscou três vezes, afastando tudo aquilo de sua mente.
– No que estava pensando? — Ingrid sentou ao seu lado, encostando sua cabeça no ombro do namorado — Queríamos saber se quer ice de maçã ou limão.
– Limão. — deu um sorriso torto.
Caroline estava inerte envolvida nos braços de Enzo. Olhava para o clipe que passava na televisão e automaticamente fitou Klaus. Ele conversava algo com a namorada, mas sabia exatamente como ele estava desconfortável com aquela música no ambiente. Foi a vez dela se perder nos pensamentos daquela noite tão certa e tão errada. Nunca imaginaria que tudo teria fim com uma proposta de emprego.

Flashback on (Caroline's POV)

Dançavamos sem trocar nenhum palavra, apenas olhares. Ele parecia perdido em pensamentos enquanto eu estava tentando ter aquela noite. Depois dali, não sabia que rumo tomar. Apenas sabia que queria fazer faculdade de Jornalismo e isso era o que me movia.

Klaus Mikaelson de terno, com um cheiro incrivelmente divino realmente estava ali comigo, dançando um tipo de música que não era o estilo dele e fazendo a minha noite mais completa. Nunca pensei que fosse ter uma queda por ele. Era o irmão de uma das minhas melhores amigas! Mas parece que o mundo da voltas e te coloca contra tudo que um dia mais evitou: se apaixonar por ele. Ele era o errado e o certo; o bem e o mal; os raios de sol e as gotas de chuva. Parecia tão frágil e ao mesmo tempo tão rígido, como se fosse errado estar ali. O fato é que eu estava tendo a minha noite com ele e nada poderia estragar aquilo. A reputação dele era conhecida em todos os cantos, mas não sou daquelas que julgam um cara por isso.

Tudo que conseguia pensar no momento era como aquela noite terminaria. Eu já estava formada no colégio, dezenove anos, boa aluna, planos na vida e no meio de tudo, Klaus. Quando vi que ele havia aproximado sua boca de meu ouvido, afastei tudo isso com uma piscada e atentei-me ao que ele sussurrou em meu ouvido:
– Obrigado por essa noite.

Sorri ao ouvir ele dizer aquilo. Ele estava me agradecendo por ter uma noite comigo. Respondi com um simples "Por nada" e deitei minha cabeça em seu ombro.

A música já estava no final quando voltei a encarar aqueles olhos azul esverdeados que continham indecifráveis perguntas. Ele deu um sorriso quando me pegou olhando para sua boca. Levantou meu queixo, na intenção de me fazer encarar novamente seus olhos. Fomos expulsos da pista quando uma música mais animada trocou completamente o clima do lugar.

Estávamos nos fundos da escola, onde estava quase vazio. Sentei-me num banco enquanto ele tirava seu paletó para passá-lo para mim pois fazia frio. Lembro-me de conversarmos sobre diversos assuntos, até que ele me beijou. Nossas línguas dançavam em perfeita sincronia, como se fossem feitas uma para a outra. Rendi-me, como se fosse algo anteriormente proibido e que agora estava em mim e comigo.

Flashback off

A música já havia sido substituída por outra completamente fora de sons românticos, tirando ambos de um transe. Caroline foi até o banheiro. Jogou uma água no rosto, tentando apagar as recordações que restavam daquela noite. Encarou seu reflexo no espelho e assim ficou até uma batida na porta interromper tudo aquilo. Deu uma última arrumada em seu cabelo, ajeitou a roupa e destrancou a porta, dando de cara com Klaus.
– Q-que susto! — ficou pálida quando o viu parado em sua frente.
– É... Só queria usar. Não foi minha intenção.
– Po-pode usar. — ainda gaguejava como uma criança insegura com suas primeiras palavras.
– Está tudo bem? — cerrou os olhos em forma de dúvida — Está trêmula. — notou suas mãos. Ele sabia o que passava na mente dela. Estava tudo ali, tão vivo que mais um pouco se tornaria real novamente.
– Estou bem, só estou cansada. — mentiu — Preciso ir pra casa. — cruzou os braços — O banheiro é todo seu.
– Te conheço, Forbes. — impediu sua passagem — Posso ter certeza que não é só isso. — ele liberou a passagem para ela, que continuou imóvel em sua frente. Os olhares falavam por si só, não havia nada para ser dito ou feito. Klaus esboçou um sorriso e foi seguido por Caroline. Ela colocou as mãos no rosto, sentindo-se envergonhada com tudo aquilo que estava acontecendo. Quando iam rir de uma situação como essa depois de tudo que aconteceu? Gargalhavam igual a duas crianças conversando sobre a cor do céu. — Desculpe interromper esse momento, mas eu realmente preciso usar o banheiro.
– Ai meu Deus, desculpe. Pode usar.

Todo o nervosismo que antes a consumia foi por água abaixo com uma simples risada dele. Klaus tinha o poder de fazer isso com ela desde sempre, fato que ela odiava por nunca poder ficar brava com ele por muito tempo.

Notas finais
O que acharam? Estou parcialmente perdoada por Klingrid e Carenzo depois desse flashback? A partir desse capítulo, MUITAS coisas vão mudar. Quero saber o que esperam... Xoxo