Time After Time
5 Meu Universo É Você
Notas iniciais
– Esta fazendo um belo dia lá fora, um clima perfeito para sair e aproveitar, vamos andar, ver gente, respirar ar fresco. É disso que você esta precisando, ficar aqui metida dia e noite nesse quarto não é bom para você. — A morena vestia a roupa dela.
– Como se você soubesse o que é bom ou deixa de ser bom para mim, quem você pensa que é para entrar novamente na minha vida e ficar dizendo o que devo fazer ou não?
– Eu sou a pessoa que mais ama você nesse mundo inteiro. Eu sou a pessoa que não vai fazer todas as suas vontades bom, pelo menos não as vontades que sejam prejudiciais para você. E nada do que você disser ou fazer vai mim afastar de você de novo. Eu vim para ficar e dessa vez nada nem ninguém me fará desistir de você e nem você ira desistir de você também porque eu não vou permitir...Vamos esta na hora.
Marina nada disse, queria continuar na pirraça, mas no fundo era impossível dizer não para Clara. Apenas deixou que a morena a colocasse em sua cadeira de rodas e a guiasse. Quando chegaram na escada, ela foi novamente para o colo, Érica e as outras estavam colocando a mesa ali perto para o café:
– Vamos sair após o café. — Clara anunciou.
– Vão? — Vanessa perguntou espantada.
– Sim. Vou levar Marina para dá uma volta no calçadão, tomar uma água de côco e um solzinho.
– Esta precisando mesmo. Já é branca, se sair da sua casa, esta quase transparente priminha. — Gisele deu um beijo no rosto da prima.
– Érica se arruma, você vai também. — Marina disse.
– Acho que não precisa vou cuida muito bem de você, ela não tem porque nos acompanhar. — Clara não gostou da ideia.
– NÃO! A Érica vem e não estou pedindo sua autorização, além de minha terapeuta também é e sempre sera minha amiga, então ela vem junto também.
– Marina, hoje é domingo, Érica deve ter família, namorado, namorada. Dá uma folga para ela.
– Estou solteira e minha família não mora no Rio, tenho todo tempo do mundo para Marina. — Ao ouvir as palavras de Érica, Clara olhou para ela com cara de poucos amigos e Vanessa gargalhou.
– Eu não dou tanta risada desde que Friends acabou. — A ruiva estava amando a situação.
Clara empurrava a cadeira da fotógrafa, Érica andava a seu lado, olhos de Marina observaram o mar, ela pediu para que Clara parasse por um instante.Fechou os olhos e sentiu a brisa, o calor que o sol fazia ao encontrar sua pele, uma lágrima desceu nos seus olhos, a morena sentiu Marina procurar sua mão. Desde que se encontraram, aquele tinha sido o gesto mais carinhoso entre as duas.
– Olha, eu vou naquele quiosque ali, espero vocês lá. — Érica saiu, queria deixar as duas um pouco sozinhas.
– Clarinha… obrigada. — Falou ainda baixo e Clara abaixou ao lado de sua cadeira.
– Você vai ver que isso é temporário, que logo vai voltar a andar e eu vou te trazer aqui para essa praia e vamos correr juntas todas as manhãs.
– Pronto, você quebrou todo o clima, correr pela manhã sério? — Elas sorriram uma para outra, ambas com lágrimas nos olhos.
– O importante é você saber que estar viva. Tem que aproveitar cada momento, não é porque esta na cadeira de rodas que tem que se esconder. Pelo contrário, agora é a hora de sair e mostrar as caras, lutar. É o que vamos fazer agora, lutar. — Clara pegou a mão de Marina e segurou firme.
– Clara, você vai embora outra vez, por que eu não vou aguentar?
– Não. Eu não vou mais embora não. Vou ficar do teu lado. Não precisa ter medo. Estamos juntas. — Elas trocaram alguns sorrisos e olhares. — A loira esta esperando gente.
– Clarinha, é Érica.
– Tá bom, Érica então.
Elas foram na direção do quiosque e Érica chamou o garçom que já trazia as águas que a loira tinha reservado.
– Gostando do passeio Mari? — A amiga perguntou.
– Estava com saudades de ver o mar.
– Por que a Marina não saiu antes de casa? — Clara quis saber.
– Porque é mais fácil lidar com o jardim de infância do que com a Marina. A gente tentou, só que ela fechou a cara disse que não sai, pior que jumento quando empaca.
– Quatro mulheres dentro daquela casa e ninguém dobrou você?
– Ficamos com medo depois que ela quase quebrou a cabeça da Vanessa atirando um vaso.
– Ainda estou, parem de falar mal de mim.
– Não estou falando mal, estou contando coisas úteis para Clara, ela não sabe que estar para lidar com um monstro. — Érica voltou a olhar para morena. — O que precisa saber, pergunte que eu te falo.
– E o sigilo médico paciente? Eu quero outra fisioterapeuta. — Marina reclamou.
– Sinto muito, só o seu pai me dispensa.
– Érica eu quero saber tudo. A começar o motivo pelo qual não fui avisada.
– Eu já disse.- Marina fez bico e voltou a beber a água de côco.
– Olha, eu cheguei depois, quando a Marina voltou para casa, foi uma semana após a queda.
– Tão rápido assim? Ela ficou sem andar e mal chegou no hospital e deram alta.
– Eu não quis ficar após o diagnóstico, fiz todos os exames necessário. Meu pai quis pedir transferência para Nova York, mas já te disse que não quis ir.
– Ela não quis te chamar, não quis ir para Nova York e no início se recusou a fazer tratamento e fisioterapia. Ela ainda precisa de cirurgia e se recusa a fazer.
– É de alto risco. — Marina falou.
– Clara, eu falei com Diogo, tem um médico nos Estados Unidos, o cara é conhecido por fazer milagres. Dois anos atrás eu assistir uma palestra dele lá, o cara é bom. Não sei se você tem noção mas os médicos deram 40% dela voltar a andar. Mesmo que ela tivesse, 10, 5 porcento, esse cara aceitaria pegar o caso dela.
Marina terminou a cadeira e girou ela, saiu um pouco da mesa, mas os olhares vigilante de Érica e Clara seguiam ela. A loira continuava explicando toda a situação, os horários de medicações e fisioterapia.
– Marina esta certa, o sigilo médico paciente não me permite falar com você tudo que estou falando. Mas, se tem alguém pode convencer aquela cabeça dura é você.
– Eu já estava decidida a falar com médico da Marina amanhã, você disse que o horário de fisioterapia é sempre final da tarde.
– Sim, o clima fica melhor.
– Ótimo, pela manhã quero que você vá comigo falar com médico da Marina.
– Eu vou… Clara, tem outra coisa. Eu não tenho, nem nunca tive nada com a Marina, somos amigas e acho que ela é o mais próximo que tive de uma irmã. Ela te ama, esta nessa de se afastar mas sei que não é para sempre. Eu falei com Diogo, antes de você aparecer, achei que ela poderia estar tento um princípio de depressão, mas nem eu, nem ele abordamos o assunto com ela porque tivemos medo. Mas, hoje eu estou vendo com ela mudou, quando você desceu as escadas com ela no colo descida a vir aqui. Ela precisa disso. Esta visivelmente melhor.
– Ela é mimada, teimosa, esta precisando de cuidados, mas não é um bebê. Tristeza não combina com aquela pessoa ali. — Apontou para cadeirante que já tirava fotos com o celular. — Precisamos mostrar que ela esta viva e pode continuar fazendo as coisas.
– Ela só tira foto, porque Flavinha insiste muito, dizendo que tem umas que só ela pode fazer.
– Você sabe quando Digo chega?
– Na quarta.
– Assim que ele chegar vamos atrás desse médico. Quer dizer, eu vou precisar de um tempo, para assinar os papéis do divórcio e arrumar as coisas para o Ivan, porque se Marina for para fora do país, eu irei junto.
– Elas levantaram da mesa e voltaram a andar junto com Marina, que parecia mais confortável com toda a situação. Pouco antes de irem embora, foram surpreendidas por uma voz masculina:
– Mas que belo triângulo amoroso. — Era Cadu que chegava furioso e bêbado.
– Você não deveria estar arrumando as malas? — Clara perguntou séria.
– Não vou sair da minha casa.
– MINHA CASA. MEU APARTAMENTO! ALI É TUDO MEU! — Respirou fundo. — Não vou discutir no meio da rua. Amanhã eu falo com o Nando, quero você fora da minha vida e terei.
– Não vai não, porque temos um filho juntos.
– Infelizmente o Ivan tem o desprazer de seu filho. Mas, não encha a boca para falar isso não, se dependesse de você, ele não terei nem leite para tomar.
– Acho melhor eu levar a Marina para o carro. — Érica foi guiando a cadeira de Marina. E Cadu passou na frente.
– Aleijadinha. — Olhou para Marina. — Não vai achando que vai roubar minha mulher assim fácil. — Ele foi para cima da cadeira.
– Senhor, calma por favor. — Érica disse.
– Não vai me apresentar sua namorada?
– Não sou namorada, sou fisioterapeuta e amiga.
– Ô Clara, porque você nunca me disse que gostava de fazer a três? Eu terei providenciado.
– Vai para casa, vai fazer tuas malas. — Clara estava cada vez mais nervosa.
– Não vou deixar o caminho livre para aleijadinha!
Ela deu um chute forte na lateral da cadeira, que virou e Marina caiu no chão, ela gritou e Cadu foi acertado com um soco de Érica, Clara correu até Marina e tirou a cadeira de cima dela.
– Érica, deixa o covarde comigo. — Tomou a frente e Cadu sorriu.
– Olha, a aleijadinha conseguiu dois machinhos nervosos pra… — Antes de Cadu concluir a frase, levou outro soco, dessa vez foi de Clara. Érica segurou Marina e levou para o carro.
– Presta atenção, se ficar com essa atitude, eu garanto que nem o Ivan você vê mais. Seu covarde! Frouxo! Lixo de homem!. — Enquanto ele continuava caído, ela levantou a cadeira e entrou no carro. Foram as três para Santa Teresa.
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