Time 7

9 Capítulo 9: Destroços


Sasuke: Assim que Sakura saiu do quarto com a porta quebrada, Sasuke esperava que Tsunade falasse de uma vez seus pensamentos; coisa que ela não fez. Continuou a encarar o Uchiha sem emoção.

— E então? — Sasuke tomou a iniciativa já que estava sentindo — se incomodado com o olhar da Hokage.

— Achei que já estivesse exposto meu ponto. — Tsunade argumentou. _ Quero saber o seu.

Sasuke piscou algumas vezes buscando palavras.

— Se você acha que serei uma ameaça para sua vila, não se preocupe. Não tenho mais intenção em destruir ou causar algum mal. — Sasuke disse por fim.

— E o que o fez mudar tão drasticamente de opinião? — Tsunade perguntou outra vez.

Sasuke reparou que seria um interrogatório e odiava quando as pessoas o interrogavam. Sentia — se ameaçado.

— Não quero mais viver da dor, vingança e escuridão.

— Sei — A Sanin lendária afirmou -, e o que me dá como segurança?

— Naruto e Sakura. — Ele disse sem pestanejar.

Tsunade pareceu surpresa a sua resposta.

— Naruto e Sakura? — Tsunade fez uma pausa. _ É ... não sei se consigo confiar em você depois de tudo o que fez, mas sei que posso contar com os dois que mencionou. Afinal de tudo, eles foram até o fim do mundo buscar você e ninguém acreditava neles, nem mesmo eu. E olha só, não é que eles conseguiram trazer Sasuke Uchiha de volta.

— Hm. Isso significa?

— Significa que eu vou apostar em você por causa deles e não quero perder essa aposta, Uchiha! Já perdi muitas em minha vida.

— Hm. — Ele continuava a murmurar.

Tsunade suspirou.

— Como vejo que não é bom com muitas palavras, só vou lhe dizer duas coisas. Primeira, eu não garanto que os outros Kages vão aceitar que permaneça solto, farei o possível para que sim, mas o Raikage, digamos que não seja um bom ouvinte. Segundo, se você partir o coração da Sakura de novo eu mesma quebro você. — Tsunade disse suas últimas palavras colocando o indicador perto do rosto do menino.

Sasuke não se mexeu e também não respondeu. Achava muita insolência da parte da Hokage.

Ambos se dirigiram à saída do quarto com destroços da porta espalhado.

Antes que dessem seus primeiros passos, Sakura vinha correndo na direção deles.

— Senhora Tsunade, eu preciso falar com você urgente!

Sasuke olhou para a menina confuso.

— Sakura, se for pela minha aposentadoria do cargo de Hokage, não há o que se discutir e se for quanto ao Sasuke, já foi tudo resolvido, não se preocupe. — Tsunade apressou — se a dizer.

— Não é nada disso, mestra. Eu decidi que vou abrir um hospital para cuidar da saúde mental das crianças que perderam seus pais na guerra.

— Sakura, do que você está falando? — Tsunade parecia preocupada.

— Eu estou falando que muitas crianças daqui da vila e de outras perderam seus pais nessa guerra e não é justo com elas. Eu digo, a dor de perder pessoas que te amam tanto pode afetar completamente a vida dessas crianças! — Sakura dizia quase aos berros.

Sasuke sentiu — se extremamente tocado pelas palavras da kunoichi. Era uma ideia fantástica sem dúvidas. Ele sabia disso porque foi essa dor de perder todos da sua família que o amava que trouxe a escuridão para seu coração. Sakura queria lutar para que sua história não se repetisse.

Tsunade analisou o que Sakura havia dito por alguns segundos antes de dizer:

— Você é muito nova para fazer tudo isso, Sakura.

— Eu sei, mestra. Mas, eu sei que posso fazer isso! Aprendi com a melhor. — Sakura tentou apelar.

— Sakura, você não me deixou terminar. — Tsunade bufou. _ Você é muito nova para isso tudo, mas também é a melhor ninja médica que eu já vi. Por essa razão, vou levar o seu pedido em consideração. Na próxima semana conversaremos sobre o assunto.

Sakura abriu um sorriso radiante.

— Arigatou, sensei.

Tsunade retribuiu o sorriso de sua aluna.

— Acho que vou deixar vocês. Ainda tenho muito o que fazer.

Sasuke ainda estava tentando assimilar tudo que escutou enquanto Tsunade virava o corredor.

— É melhor eu ir também, Sakura. — O menino disse.

— Para onde você vai? — Sakura perguntou ansiosa.

— Eu ainda não sei. — O Uchiha respondeu sincero.

Não tinha ideia de onde ficaria e o que faria desde então. Achou que talvez devesse passar no antigo distrito dos Uchihas; esclarecer a mente.

— Você poderia se juntar a gente no Ichiraku. — Sakura sugeriu esperançosa e nervosa.

— Desculpa, mas vou ter que fazer uma coisa.

— Ah, tudo bem. — A menina pareceu deprimida.

Ambos saíram do hospital juntos mas foram em direções opostas. Sasuke seguia seu caminho para o final da vila. O distrito dos Uchihas.

Não foi surpresa ao ver tudo destruído. Escutou que a vila havia sido atacada por Pain e que boa parte havia sido destruída. Obviamente ninguém iria reconstruir o distrito de um clã traidor e fantasma. Apertou os punhos.

Andou sobre os destroços até parar onde costumava ser sua casa na infância. Imagens de seu irmão mais velho chegando e saindo de casa surgiam uma após a outra em sua mente. Todas as vezes, Itachi o cumprimentava com o toque na testa.

Sasuke lembrava — se da sensação de se sentir em casa e de ter uma família. Mesmo depois de ter seu clã destruído, Naruto, Sakura e Kakashi se tornaram sua família e ele foi feliz; estranhamente feliz. Porém, ele foi egoísta e deixou tudo para trás. Agora, de volta, não conseguia trazer a sensação de estar em casa novamente. Seus erros não o permitia. Sentia — se sujo por toda decisão errada que fizera.

— Susuke kun! — Uma voz inconfundível berrou o nome do menino.

Sasuke virou — se tentando se livrar dos pensamentos.

— O que está fazendo aqui, Sakura? Pensei que iria ao Ichiraku. — Ele disse calmo.

— Bem, eu ia. — Ela respondeu quase inaudível. _ Mas eu queria ter certeza de que você estava bem.

— Eu vejo. Mas como sabia que eu estava aqui? — Perguntou curioso.

— Palpite de sorte, eu acho.

Sakura parecia nervosa ao falar com Sasuke, mas ele não se importou.

— Sakura — Ele disse com uma pausa _, eu preciso te contar uma coisa.